quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

MANIFESTO: sem psicoeducação não haverá solução – por uma Revolução da Subjetividade e por uma Cultura da Saúde Mental!

08/01/2018 por JANEIRO BRANCO

Nem o irrefreável progresso das ciências tecnológicas, nem a perseverança das crenças religiosas pelo mundo afora, nem a extensão da educação formal às populações em todo o planeta conseguiram evitar as tragédias do crescimento das taxas de depressão, suicídio e ansiedade em meio à humanidade. [...]

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

"O Brasil é o país do futuro, mas para tanto é preciso decidir que o 'futuro' é amanhã. E, como bem sabem, isto significa que as decisões difíceis têm que ser tomadas hoje". Margaret Thatcher

Um peso e um milhão de medidas



Por Alessandra Leles Rocha



Essa é a melhor tradução para a capacidade intrínseca do brasileiro em flexibilizar as questões da vida. Das menores as maiores decisões a serem tomadas, o instinto de resolver segundo a ótica do próprio umbigo é sempre tentador e nunca termina de maneira satisfatória e ética.
Um exemplo simples e clássico disso é a bancarrota que o Brasil experimenta na última década, quando chegamos ao fundo do poço no trato da coisa pública, ou melhor, do dinheiro público. A má gestão que sempre permeou a história nacional, desde os tempos coloniais, insiste em ditar os rumos da nossa nau em tempos difíceis e ariscos.
Não sei se por opção ou por alienação, mas os ares de espanto que alguns fazem diante dos acontecimentos exibidos na mídia é vergonhoso. Afinal de contas, de tão requentados os fatos e as notícias não dá mais para chocar ninguém. Vivemos os mesmos dos mesmos há séculos, apenas perpetuando promessas e indignações vãs.
Tudo, todas as nossas mazelas são fruto do mau emprego dos recursos públicos. Sim, porque o dinheiro existe em profusão, basta ver as cifras da corrupção nacional em todos os seus veios federativos. O ponto crítico está no fato dele, simplesmente, não alcançar nunca o seu objetivo constitucional de sanar as demandas da população.
A indústria da seca1 que rendeu votos durante décadas na região nordeste brasileira é um exemplo típico.  Mas, na verdade, a ideia de quem detém o poder é mesmo não resolver nenhum problema e a cada pleito eleitoral prometer solução, enquanto os recursos destinados se esvaem para longe do cidadão contribuinte nos anos de governança. Talvez essa seja a maior de todas as “regras de ouro” 2 do nosso país, ou seja, entra ano e sai ano e “tudo como dantes no quartel de Abrantes”.
Mas a repetição indiscriminada dessa práxis, de repente fez iluminar com mais nitidez o que parecia de certa forma encoberto, ou seja, as péssimas condições de vida para uns em detrimento de outros. A chamada “Constituição Cidadã” 3 que completa essa ano três décadas da sua promulgação não tem muito que comemorar na prática, já que a realidade de todos os dias aponta um abismo que se agiganta entre os membros da nação.
Enquanto as contas públicas não fecham por razões “obscuras”, a do cidadão comum é pelo desemprego4, pelos baixos salários 5, pela necessidade de suprir os direitos sociais previstos em lei (mas, não de fato). O curioso é pensar que as diferentes esferas de governo gastam aquilo que não produzem, ao contrário do cidadão. Mas, é esse sujeito invisibilizado, maltratado, sugado é quem precisa custear a própria sobrevivência e a dos outros, seus “dignos representantes”.
 E não bastasse tudo isso, nossos gestores públicos não se constrangem em abusar de uma criatividade de administração bizarra que contradiz quaisquer iniciativas de retomada da ética e do equilíbrio econômico do país. Os privilégios das “cortes” permanecem intocados para que os cortes aconteçam na base da pirâmide, mesmo que para isso seja necessário alterar a regra que proíbe ao governo realizar operações de crédito (empréstimos) para pagar despesas correntes ou de custeio da máquina pública.  
Bom, se o governo federal consegue mudar às regras do jogo; então, abrem-se precedentes sem limites para todos os demais entes da federação. Aí, a crise a qual vivem vários estados brasileiros - com salários atrasados, privatização de empresas, venda de imóveis,... – se aprofundaria ainda mais.
Já dizia Winston Churchill, “Não adianta dizer: ‘Estamos fazendo o melhor que podemos’. Temos que conseguir o que quer que seja necessário”. E isso, meus caros, significa hombridade para assumir os erros e promover os ajustes necessários com firmeza e dignidade. Não se cura uma doença com placebos!   

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

2018: Transforme em ação!!!


2018 – transforme em ação



Por Alessandra Leles Rocha



Ok. Mais uma vez o ciclo se repete. Os primeiros passos rumo ao novo ano já foram dados. Mas, onde está a euforia, a lista de planos, os sonhos e tudo mais que fazia parte desse movimento anual? Parece que estamos mais contidos dessa vez, não é mesmo?
Não consigo precisar até que ponto esse “pé atrás” seja bom ou ruim; mas, esse despertar de consciência é sim, um indicativo da nossa evolução humana, no que diz respeito ao nosso velho e bom instinto de sobrevivência da espécie.
Depois de tantos anos, tantos espumantes brindados, tantos votos e promessas de felicidade, finalmente nós estamos entendendo que por detrás de tudo isso está à força das nossas ações, dos nossos trabalhos, do nosso querer.
Segundo o poeta Carlos Drummond de Andrade, “Para ganhar um Ano Novo /que mereça este nome, /você, meu caro,/tem de merecê-lo,/ tem de fazê-lo novo, / eu sei que não é fácil, / mas tente, experimente, consciente. /É dentro de você que o Ano Novo/ cochila e espera desde sempre” 1.
Como as conjunturas do Terceiro Milênio não têm sido nada amenas com as nossas displicências existenciais, com a nossa arrogância e mania de grandeza, a todo instante um puxão de orelhas aqui e outro ali nos obrigam a ser mais responsáveis consigo e com o mundo, apontando com clareza como é firme aquela tal lei da “Ação e Reação”.
De repente ficou perceptível como o futuro se constrói no presente. Que o amanhã é todos os dias. Que não é possível abdicar ou terceirizar a vida, os sonhos, os deveres... Para viver é preciso ser protagonista da própria história, repercutindo de modo bastante positivo nos caminhos coletivos da sociedade.
Chega de pensar que a vida é só uma festa! Ninguém chega a esse mundo despido de obrigação; cada um tem o seu quinhão, a sua parcela. Isso significa que depende de mim, de você, de todos nós a construção de um mundo melhor, de uma sociedade que seja digna de coexistir em paz e harmonia.
Aliás, redescobrir a nossa capacidade humana de pensar é o grande desafio para o sujeito pós-moderno. Quando retomamos o nosso direito de refletir pela própria cabeça, assumindo os nossos pontos de vista e entendimentos da vida, oportunizamos a construção de um projeto de futuro muito mais verdadeiro e consistente.
A velocidade com a qual a sociedade industrial teve sua essência individual consumida nos dois últimos séculos fez com que as mazelas sociais se tornassem frutos de um processo de subserviência e doutrinação animal: “seu mestre mandou...” Mas quem é ele? Por que obedecê-lo? Por que fazer assim e não de outro modo? Ninguém mais sabe a resposta ou se preocupa em responder, porque deixou de pensar.
Assim, desejo que 2018 seja um ano de reafirmação de nosso processo catártico, para que sejamos efetivamente capazes e livres para nos reapropriarmos da vida, da razão e da sensibilidade. Como disse o escritor e ensaísta britânico, Gilbert Keith Chesterton 2, “O objetivo de um ano novo não é que nós deveríamos ter um ano novo. É que nós deveríamos ter uma alma nova”.




1 "Receita de Ano Novo". Editora Record. 2008.
2 G. K. Chesterton, (1874-1936).