quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Desserviço


Desserviço

 

Por Alessandra Leles Rocha

 

A nova ordem que se estabeleceu na mídia hegemônica brasileira é a do desserviço. Sob o viés do mau serviço, elas realizam o jornalismo de forma errada, inútil e nociva, sem o menor constrangimento ou senso de responsabilidade ética e social. O que causa não só prejuízos à democracia e à soberania, como mostram a dimensão da sua deslealdade traidora ao país.

Não, não restam dúvidas de que esse conjunto de grandes veículos de comunicação, os quais concentram o poder de influenciar a opinião pública e definir quais narrativas são aceitas como normais ou dominantes, está trabalhando contra a reeleição do atual Presidente da República.

Bem, não precisa ser nenhum expert para saber que o compromisso fundamental do jornalismo ético é com a verdade factual e o interesse público. Isso implica, portanto, em investigar e checar os fatos de forma exaustiva antes de publicar qualquer informação.

Mas, também, em reconhecer que a notícia impacta vidas e comunidades, respeitando a dignidade humana e a privacidade. Em manter autonomia diante de pressões políticas, econômicas ou de interesses particulares. Em ouvir os diferentes lados relevantes de um fato de maneira justa, sem favorecimentos prévios. Em explicar os métodos de apuração e revelar as fontes sempre que possível para gerar confiança. E em corrigir erros publicamente e de forma ágil.

Acontece que não é isso o que está acontecendo. Há um franco e vergonhoso favorecimento a um dos candidatos que despontam na corrida eleitoral, no sentido de encobrir o seu envolvimento com ilícitos graves, cujas provas vêm se multiplicando a partir de inúmeras investigações policiais e jornalísticas.

A ideia é lançar os malfeitos sobre os ombros de outras figuras públicas, mesmo que isso custe um malabarismo exótico na formulação das ideias e uma confusão mental entre os eleitores mais indecisos.

Contudo, contra fatos não há argumentos. Quaisquer relativizações e condescendências não mudam o acervo comprobatório dos apontamentos sobre os quais as investigações já lançaram luz.

O lobo em pele de cordeiro não deixa de ser quem é. E a estratégia do silêncio providencial também não dissolve os questionamentos, as desconfianças, a teia de absurdos em que ele está chafurdado até a raiz do cabelo.

Por isso é triste ver como a mídia hegemônica brasileira tem se permitido descer tão baixo, ao compactuar com a inverdade, com a distorção da realidade, com a reafirmação da ilicitude alheia, para favorecer a um candidato que sequer possui um projeto de governo para o país.

Sim, porque se ele tivesse um, já deveria ter apresentado aos cidadãos brasileiros. Acontece que ele não tem porque sempre esteve preocupado em defender interesses próprios, particulares. Além disso, já deixou bem claro a qual cidadania seus valores reverenciam, a qual bandeira seu patriotismo respeita.

Sob esse aspecto, aliás, ele está perfeitamente alinhado à essa mídia. Ambos só conseguem enxergar o próprio umbigo, os próprios interesses mesquinhos e mercantis. Como se a ideia do “Money, Money, Money” fosse a tábua de salvação para quaisquer problemas que surjam pelo caminho.

A experiência durante o regime ditatorial no Brasil, entre 1964 e1985, é um bom exemplo para ser levado em conta. O embarque inicial em um projeto autoritário custou caro para as expectativas de longo prazo desses veículos.

Primeiro, porque à medida em que os abusos do governo militar, a tortura e a crise econômica do final dos anos 70 se tornaram evidentes, o público leitor e a sociedade civil passaram a cobrar a conivência histórica da imprensa.

Segundo, porque décadas mais tarde, esses grandes conglomerados de mídia trouxeram a reconhecimento público textualmente o erro de ter apoiado o golpe de 1964, classificando a atitude como um equívoco histórico.

Portanto, o imediatismo de tentar manter as bases seculares da dominação elitista brasileira não acaba em bom termo no campo jornalístico. Especialmente, considerando o fato de que a realidade contemporânea do século XXI é diametralmente oposta ao que já se registra nas páginas amareladas da história nacional.

O jornalismo contemporâneo vive o paradoxo de ser mais necessário do que nunca para a sobrevivência da democracia e da coesão social, ao mesmo tempo em que enfrenta suas maiores crises de financiamento, prestígio e alcance de público.

No entanto, isso não pode servir de justificativa para se descompromissar com a ética e a verdade factual. A tentativa de manter estruturas seculares de dominação oligárquica e elitista colide frontalmente com a pluralidade, a velocidade e a democratização do acesso à informação no século XXI. Desse modo, o jornalismo que insiste em falar apenas para ou pelas elites perde a conexão com a realidade do país.

E ainda que o setor esteja fragilizado economicamente pela migração das verbas publicitárias para as grandes plataformas de tecnologia e institucionalmente pelo ataque sistemático à sua credibilidade, isso não justifica o abandono do método jornalístico.

Ao contrário, a apuração rigorosa, a checagem de fatos e o compromisso com a verdade factual são, em última análise, os únicos diferenciais competitivos que restam ao jornalismo profissional frente ao oceano de conteúdos amadores ou mal-intencionados da internet.

Por essas e outras é que não se pode esquecer que atrás dessa cortina de grandes desastres e infortúnios ocorridos na história brasileira, estão os tentáculos influenciadores da imprensa hegemônica nacional, atuando muitas vezes como atores políticos com interesses próprios, e não apenas como observadores neutros.

Haja vista as campanhas midiáticas massivas e agressivas, lideradas por jornais da época, como a Tribuna da Imprensa de Carlos Lacerda, realizando um clima de forte pressão política que culminou no suicídio do Presidente da República, Getúlio Vargas.

O golpe militar de 1964, quando os principais jornais e redes de rádio e televisão da época apoiaram abertamente a deposição do Presidente da República João Goulart, e celebraram a intervenção militar.

O Impeachment do Presidente da República Fernando Collor, em 1992, e de Dilma Rousseff, em 2016, quando a cobertura jornalística intensa e a espetacularização das crises econômicas e de corrupção moldaram a opinião pública e aceleraram as quedas desses governos.

Portanto, que as mídias hegemônicas nacionais reflitam sobre os caminhos de influência sobre a opinião pública que estão traçando para o país nesse exato momento.  A democracia e a soberania são valores estruturais inegociáveis, porque só a partir deles se consegue êxito no que diz respeito ao progresso e ao desenvolvimento de um país.

Diferentes setores da sociedade, incluindo juristas, jornalistas e cientistas políticos, argumentam que o pluralismo de ideias e a transparência na linha editorial são fundamentais para que os meios de comunicação atuem como pilares do sucesso socioeconômico, e não como controladores e manipuladores do discurso público.

quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Acorda, brasileiro (a)!


Acorda, brasileiro (a)!

 

Por Alessandra Leles Rocha

 

A defesa da soberania e da democracia nacional não é uma questão subjetiva! São questões que afetam diretamente o desenvolvimento e o progresso do país e, por consequência, o seu, o meu, o dele (a). 

Sim. Quando as instituições democráticas são sólidas e garantem que as regras do jogo sejam claras, isso atrai investimentos internos e externos, gerando empregos e inovação.

Isso inclui a presença de investidores nacionais e estrangeiros, os quais têm a garantia de que os contratos assinados serão cumpridos, sem quebras unilaterais por parte do governo.

 

A certeza de que os bens, terras e empresas não serão confiscados arbitrariamente, estimulando o aporte de grandes volumes de capital.

A proteção sólida à propriedade intelectual oferece às empresas a confiança necessária para investir milhões em pesquisa e desenvolvimento, gerando amplo desenvolvimento científico e tecnológico.

Desse modo, com o menor risco associado ao país, os juros tendem a cair e o crédito fica mais barato, facilitando a construção de fábricas, infraestrutura e expansão de frentes de serviço.

O que permite às empresas globais optarem por instalar seus centros de operação em locais com estabilidade institucional, ou que geram empregos diretos e desenvolvem toda a cadeia de fornecedores locais.

Nesse contexto, então, a soberania permite que a nação formule políticas públicas, industriais e ambientais para seus próprios interesses estratégicos, sem a submissão cega derivada da pressão dos interesses estrangeiros.

Porque o Estado tem a palavra final sobre suas leis, recursos e investimentos, sem necessidade de autorização externa. Na prática, essa autonomia se manifesta por meio de mecanismos específicos em cada setor.

Seja pelo fato de que o Estado pode usar bancos públicos para financiar setores estratégicos com juros subsidiados.

Seja desenvolvendo tarifas alfandegárias ou incentivos fiscais para proteger a indústria nacional da concorrência desleal estrangeira.

Seja estabelecendo exigências legais para que grandes projetos utilizem uma porcentagem de insumos e mão de obra local.

Seja definindo as regras de como explorar e preservar suas florestas, águas e minerais, equilibrando o crescimento econômico com a sustentabilidade.

Seja criando leis ambientais e de zoneamento econômico que reflitam a realidade e as prioridades sociais do próprio país, e não metas impostas de fora.

Seja arrecadando impostos e decidindo se o orçamento vai priorizar áreas como saúde, educação ou segurança nacional.

Seja garantindo estoques reguladores de alimentos ou controlando os preços da energia para proteger a população de crises globais.

Assim, em termos da democracia, ela assegura canais de participação popular e fiscalização, permitindo que o orçamento e as riquezas nacionais sejam distribuídos de forma a financiar serviços essenciais, como saúde, educação e segurança.

De modo que a população e a sociedade civil organizada participam diretamente da elaboração das leis orçamentárias, a partir de debates abertos antes da aprovação de planos orçamentários, onde a manifestação popular pode exigir prioridades para seus bairros e regiões.

Em nível municipal, essa práxis permite que a comunidade vote diretamente em quais obras ou serviços a verba pública deve ser aplicada.

Vale ressaltar que a Constituição de 1988 estabelece pisos mínimos obrigatórios para que os governantes não possam zerar os investimentos em áreas críticas.

Por isso, a União, os Estados e os Municípios são obrigados por lei a destinar porcentagens fixas de suas receitas líquidas de impostos exclusivamente para financiar a Saúde e a Educação.

Daí a importância da democracia para garantir a transparência e o direito de fiscalizar onde o dinheiro público está sendo gasto. Como acontece, por exemplo, com os grupos formados por membros do governo e da sociedade civil como o Conselho Nacional de Saúde ou Conselhos de Educação que gerenciam, fiscalizam e aprovam a aplicação das verbas.

Bem como, com as ferramentas digitais que permitem a qualquer cidadão monitorar receitas, despesas, contratos e licitações do Estado. Portal da Transparência do Governo Federal. Tesouro Transparente e Siconfi.IA. Portais de Transparência Estaduais e Municipais. Alice (Analisadora de Licitações, Contratos e Editais), criada pela Controladoria-Geral da União (CGU). Gasto Brasil. De Olho em Você.

Além disso, o cenário democrático facilita a percepção e a compreensão de que o orçamento público não é definido de forma autoritária pelo governante, ou seja, as peças orçamentárias fundamentais, como o Plano Plurianual (PPA), a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA), precisam ser debatidas e votadas por deputados, senadores e vereadores. Como esses parlamentares dependem do voto popular para se reeleger, há um flagrante peso da opinião pública sobre os seus trabalhos.

Portanto, a defesa da soberania e da democracia precisa que todos os cidadãos assumam a responsabilidade cívica de defendê-las; pois, a sustentabilidade de uma nação democrática e soberana não depende de lideranças messiânicas, mas sim do engajamento coletivo e das instituições.

O que significa o exercício do voto consciente, do acompanhamento do trabalho dos representantes político-partidários eleitos, da fiscalização dos gastos públicos, do respeito às leis, à separação dos poderes e aos direitos humanos fundamentais, e, principalmente, do debate público baseado em fatos, na tolerância à pluralidade de ideias e no combate à desinformação. Algo que transcende, então, aos partidos, aos governantes ou quaisquer outras figuras públicas individuais.

Não nos esqueçamos das palavras de Marilena Chauí, escritora e filósofa brasileira, “A democracia é atividade criadora dos cidadãos e aparece em sua essência quando existe igualdade, liberdade e participação”, conectando-se diretamente à defesa da soberania nacional para garantir que o poder de decisão sobre o país pertença genuinamente ao seu povo.

Nesse sentido, então, a igualdade garante que todos os cidadãos tenham o mesmo peso e voz nas decisões políticas, impedindo que interesses externos ou elites econômicas monopolizem os rumos da nação.

Enquanto, a liberdade garante que a sociedade civil possa se manifestar, escolher seus representantes e definir os destinos do país de forma autônoma, livre de dominações estrangeiras ou tutelas autoritárias.

Por isso, quando a população participa ativamente da vida pública, ela constrói e protege o projeto de nação, fortalecendo o Estado para atuar contra o enfraquecimento de sua independência política e econômica, em decorrência das investidas neoimperialistas que rondam o mundo contemporâneo.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Já dizia Albert Einstein, “Não busque ser um homem de sucesso, busque ser um homem de valor”.


Já dizia Albert Einstein, “Não busque ser um homem de sucesso, busque ser um homem de valor”.

 

Por Alessandra Leles Rocha

 

O que desnuda o ser humano são os seus valores. Sim, são eles que revelam a verdadeira essência do indivíduo na medida em que orientam suas escolhas, atitudes e o modo como lida com o mundo.

Portanto, eles não apenas guiam decisões e dão rumo à vida, como mostram-se na prática diária, e não apenas em discursos. Na verdade, eles definem o caráter e a postura diante de crises ou tentações mundanas.

De modo que resolvi partir desse ponto de entendimento para escrever sobre a corrupção, esse assunto tão historicamente presente na sociedade brasileira e no mundo.

Para início de conversa, é preciso deixar claro o que significa corrupção. Trata-se do abuso de poder confiável ou de uma posição de autoridade para obter benefícios ilícitos ou ganhos pessoais.

Assim, há corrupção no suborno/propina, ou seja, quando há o oferecimento ou coleta de dinheiro, presentes ou favores para influenciar a decisão de alguém em cargo de poder.

Há corrupção no peculato, que acontece quando há o desvio de dinheiro ou de bens públicos por parte de um funcionário que tem acesso a eles em razão de seu cargo.

Há corrupção no nepotismo, que é o favorecimento de parentes ou amigos vindo em nomeações ou promoções para cargos públicas, sem considerar a qualificação técnica.

Há corrupção no tráfego de influência, que representa a situação em que uma pessoa usa sua proximidade ou prestígio com autoridades para obter favores ou decisões vantajosas de forma ilegal.

Há corrupção na fraude em licitações, quando ocorre a manipulação de processos de concorrência pública para direcionar contratos a empresas específicas, geralmente gerando superfaturamento.

Dentro de cenário, então, ela pode ser ativa, quando um particular oferece a vantagem indevida a um agente público, ou passiva, quando o funcionário público solicita ou aceita tal vantagem.

Não importando se tais práxis ocorrem na esfera pública ou privada, porque a grande questão está no fato de que a corrupção descreve a manipulação de valores éticos e de costumes, abrangendo diversas formas de desonestidade diárias que prejudicam a coletividade.

No Brasil, infelizmente, a corrupção é um mal histórico. Começou nos tempos coloniais e se arrasta ao longo de mais de 500 anos de história, dada a sua banalização e trivialização social; sobretudo, entre as camadas mais abastadas e influentes da sociedade.

Nesse sentido, o patrimonialismo estruturado nos tempos coloniais é a principal raiz histórica da corrupção endêmica no Brasil, pois estabeleceu uma cultura em que os governantes confundem o patrimônio público com os seus bens privados.

O que significa que a persistência de práticas corruptas diante da forte concentração de renda e poder possibilita compreender como os grupos economicamente dominantes exercem, historicamente, uma grande influência sobre as decisões do Estado, o que por vezes é resolvido na manutenção de suas funções e na perpetuação da impunidade.

Desse modo, se reflete uma tolerância cultural generalizada na medida em que o velho conhecido “jeitinho brasileiro”, ao contrário de ser entendido como o produto de falhas institucionais e burocráticas específicas, é meramente visto como um traço cultural imutável.

Pode parecer absurdo; mas, a corrupção brasileira é sim a materialização dos valores presentes em uma parcela significativa da população.

Fato que fica evidenciado quando episódios, recentes ou não, são noticiados e não causam entre essas pessoas nenhum sentimento de repulsa, indignação, vergonha ou constrangimento.

Pelo contrário, a maioria delas tem a ousadia de permanecer arraigada na defesa dos corruptos como se fosse incapaz de ver os fatos como eles realmente são. Como se não compreendessem que a corrupção também as prejudica, afetando a sua cidadania e o seu bem-estar cotidiano.

Dentro dessa perspectiva, se por um lado a tolerância ou a defesa cega de figuras públicas corrompidas são, na verdade, extensões de uma moralidade flexível ou de um clientelismo enraizado, onde o benefício pessoal ou do seu grupo se sobrepõe ao bem comum; por outro, a população muitas vezes demonstra apatia ou defende certas políticas não por falta de moral, mas por desilusão com o sistema político, polarização ideológica extrema ou porque associam certas figuras a melhorias diretas em suas vidas, ignorando os desvios em prol de um pragmatismo econômico.

Seja qual for o motivo, ocorre que o debate público quando deixa de ser sobre propostas e fiscalização e passa a ser sobre idolatria e torcida, o maior prejudicado é o próprio cidadão, independentemente da camada social a qual pertença.

Porque ele se permite assumir uma postura de subordinação, defendendo erros evidentes em vez de cobrar melhorias que lhes são importantes ou fundamentais. Permitindo que os desvios de conduta passem a ser tolerados ou justificados o que acaba por quebrar o diálogo cidadão saudável.

Veja, a verdadeira cidadania exige distanciamento crítico; pois, os governantes e parlamentares são funcionários públicos temporários, e os pagamentos com os impostos da população são para administrar o bem comum e não custear as regalias e os privilégios de certos líderes que se consideram intocáveis.

Por essas e outras é que antes de se posicionar contra a corrupção é necessário olhar profundamente para dentro de si e verificar se não existe nenhum vestígio de microcorrupções, caracterizadas por desvios éticos cotidianos, muitas vezes considerados atos inofensivos e desimportantes.

Pode ser o uso indevido de vagas exclusivas. A falsificação de atestado médico. A fraude acadêmica. O roubo de tempo do horário de trabalho. O furar filas. O suborno informal. O uso de transporte público sem pagar. A sonegação velada. A pirataria digital. O abuso de reembolso laboral. O consumo sem pagar no comércio. O gato de serviços essenciais. As mentiras de conveniência. ...

Afinal, as microcorrupções funcionam como um espelho da moral individual, revelando o que uma pessoa realmente valoriza quando acredita que ninguém está olhando ou que o ato é pequeno demais para ter consequências.

Porém, a grande corrupção frequentemente se alimenta dessa cultura que tolera e normaliza essas pequenas infrações diárias. De modo que a mudança social começa no monitoramento das nossas próprias escolhas.

Segundo Ellen Gould White, autora americana, “A maior necessidade do mundo é a de homens - homens que não se compram nem se vendam; homens que no íntimo da alma sejam verdadeiros e honestos; homens que não temam chamar o erro pelo seu nome; homens, cuja consciência seja tão fiel ao dever como a bússola o é ao polo; homens que permaneçam firmes pelo que é reto, ainda que aconteça tudo errado”.

Portanto, antes de pensar na corrupção como um problema institucional, tenha sempre em mente que ela é um reflexo da crise de valores individuais. Daí a solução para esse problema exigir a restauração da integridade individual a partir dos valores que se têm guardados no íntimo da alma.