segunda-feira, 25 de maio de 2026

A influência da verticalização no adoecimento populacional contemporâneo


A influência da verticalização no adoecimento populacional contemporâneo

 

Por Alessandra Leles Rocha

 

Sei que o assunto não é novidade para ninguém. Acontece que o adoecimento populacional contemporâneo, apresenta certos vieses que nem sempre são facilmente percebidos e/ou reconhecidos pelas pessoas.

De fato, a contemporaneidade tem impactado a população mundial em níveis de adoecimento físico e mental alarmantes. Em razão de certos processos como a aceleração do ritmo de vida, a hiperconectividade digital, a precarização das relações trabalhistas, as mudanças abruptas nas relações sociais e as diferentes formas de poluição, milhões de seres humanos estão vendo a sua saúde desaparecer muito rapidamente.

Mas, um aspecto que nem sempre se mostra visibilizado nas discussões e reflexões sobre o tema é a influência da nova organização social por conta do processo sistemático de verticalização urbana. Sim, o processo de crescimento e adensamento urbano focado na construção de edifícios altos ou de complexos condominiais edilícios tem a capacidade de comprometer a saúde populacional.

Assim, pensando à luz da saúde mental, por exemplo, a vida nesses espaços tem criado as chamadas bolhas sociais, que não só reduzem o sentimento de pertencimento comunitário, como dificulta a interação casual com a vizinhança. Também, é preciso destacar que o andar e o design inovador influenciam o bem-estar, na medida em que os moradores de andares mais baixos lidam frequentemente com maior poluição sonora, falta de privacidade e a sensação de insegurança. Sem contar que a perda de contato visual com o solo, a falta de áreas verdes e a poluição sonora crônica elevam os níveis de estresse.

Já em relação à saúde física, a construção de grandes torres pode causar sombreamento, bloqueando a luz solar direta, o que é essencial para a síntese de vitamina D e a regulação do humor. Outro aspecto importante é a dependência de elevadores, combinada com a falta de espaços públicos abertos, praças e parques seguros nas proximidades, que reduz significativamente as oportunidades para a prática de atividade física diária. Por fim, a alta densidade construtiva e de tráfego, associada à redução da ventilação natural, retém poluentes e material particulado no nível da rua, agravando problemas respiratórios e cardiovasculares.

Contudo, a situação pode se mostrar ainda mais crítica, quando se compreende a relação entre a saúde mental e as doenças autoimunes. Viver em espaços com alta densidade populacional, sem espaços de relaxamento mental e exposto a conflitos de convivência, pode manter o corpo em estado de alerta. Esse cenário é sim capaz de ativar cronicamente o eixo Hipotálamo-Pituitário-Adrenal (HPA), que é o principal sistema neuroendócrino responsável por regular a resposta do corpo ao estresse e manter o equilíbrio do organismo.

Assim, o estresse persistente eleva os níveis de cortisol e atrapalha a regulação das citocinas, pequenas proteínas sinalizadoras produzidas pelo sistema imunológico, gerando um quadro de inflamação crônica no organismo. Em pessoas com predisposição genética, essa inflamação contínua causa uma confusão no sistema imunológico, de modo que as células de defesa passam a atacar tecidos sensíveis do próprio corpo, abrindo caminho para o surgimento ou reativação de doenças autoimunes, tais como o lúpus, a artrite reumatoide ou a tireoidite de Hashimoto.

Em certos casos, o estresse contínuo desvia o fluxo sanguíneo do trato gastrointestinal e afeta a microbiota, o que pode causar o intestino permeável, o que permite que as toxinas e as bactérias caiam na corrente sanguínea, provocando reações imunológicas cruzadas que culminam no desenvolvimento ou exacerbação de doenças.

Além disso, não se pode esquecer que o estresse contínuo é um dos principais gatilhos para o desenvolvimento e agravamento da fibromialgia. Embora ela não seja uma doença autoimune, algumas dessas doenças pode sim amplificar a dor da fibromialgia, principalmente devido à inflamação e ao estresse contínuo no corpo. Assim, quando se tem uma doença autoimune, o estado inflamatório constante atua como potencializador para o sistema nervoso já sensibilizado pela fibromialgia.

Portanto, é desse modo que o estresse contínuo sobrecarrega o sistema nervoso, alterando a forma como o cérebro processa a dor e criando um ciclo vicioso onde a exaustão emocional piora os sintomas físicos. Uma condição crônica e altamente debilitante, cujas dores intensas, fadiga extrema e distúrbios do sono podem, sim, levar à incapacidade do trabalho e impactar severamente a rotina diária do indivíduo.

Ainda que o estresse não seja o único causador de doenças autoimunes ou da fibromialgia, a desregulação do eixo HPA atua como um potente gatilho, acelerando os episódios e aumentando os níveis de dor e agravamento nos indivíduos predispostos.

Por isso, concentrações elevadas de pessoas em um mesmo espaço geográfico tendem a causar microtensões cotidianas que disparam o eixo HPA, de modo que elas passam a apresentar fadiga crônica, manifesta por queda de energia e desregulação do ritmo circadiano, ou seja, com dificuldade em manter o sono ou acordar descansado; bem como, maior vulnerabilidade ao desenvolvimento de ansiedade, depressão e burnout.

Mas, também, há relatos de disfunções metabólicas, manifestas pela facilidade para armazenamento de gordura visceral, aumento da inflamação sistêmica e resistência à insulina. Afinal, o estresse social não cria doenças autoimunes, mas atua como um poderoso gatilho.

É nesse ponto, então, que se deve refletir a respeito da responsabilidade pelo cuidado e prevenção ao adoecimento em espaços verticalizados, algo que deve incluir uma atuação conjunta entre a gestão condominial, os moradores e o poder público, incluindo o Judiciário, focando tanto na saúde física quanto na saúde mental.

Nesse sentido, é importante destacar que tanto os (as) síndicos (as) quanto as administradoras são legalmente responsáveis por manter esses ambientes seguros e salubres. De que forma? Exigindo laudos técnicos periódicos de empresas especializadas para evitar acidentes e intoxicações. Promovendo a limpeza rigorosa de caixas d'água, piscinas e áreas de lazer, essencial para a prevenção de doenças infectocontagiosas. Garantindo a circulação do ar em áreas fechadas, uso de materiais adequados e prevenção de mofo/umidade. Mantendo rampas, pisos abertos e sinalização em dia para evitar quedas, principal causa de acidentes domésticos, especialmente com idosos e crianças.

Mas, principalmente, atuando na redução do estresse coletivo. A gestão de espaços verticalizados deve mitigar o estresse coletivo por meio de processos claros e responsáveis, da empatia ativa e da democratização das decisões. Em ambientes densamente povoados, a proximidade física exige que a administração atue não apenas como gestora de infraestrutura, mas como facilitadora da convivência harmoniosa e do bem-estar das pessoas. Posto que a falta de clareza gera embaraços, ansiedade e desconfiança.

Para isso, deve-se utilizar canais variados de comunicação, tais como aplicativos, murais, painéis, para manter os usuários conscientes de manutenções, finanças e regras. Disponibilizar relatórios contábeis claros, transparentes e fáceis de entender, por se tratar da base da prestação de contas anual em assembleia. Avisar com antecedência sobre obras e taxas extras, considerando que e choque financeiro é uma das maiores causas de estresse coletivo. Manter a ética na gestão, o que significa agir com autorização, através das deliberações em assembleias, tratando todos com igualdade, respeitando os quóruns exigidos por lei e colocando o bem-estar coletivo acima de preferências pessoais.

Especialmente, porque o regimento interno e a convenção devem ser aplicados da mesma forma para todos, independentemente de amizades ou posições de poder dentro do edifício. Daí a necessidade de envolver a todos os moradores e condôminos nas cotações e decisões importantes para garantir processos abertos e sem ocultações. Adotar a comunicação não violenta e a escuta ativa para resolver eventuais conflitos é sempre preferível à judicialização dos casos.  

Lembre-se de que a ausência ou negligência, quando o assunto é a gestão de conflitos em espaços verticalizados, transforma a proximidade física em um gatilho para o adoecimento coletivo. Diálogos truncados, ruídos desnecessários, desinformação e disputas em grupos de mensagens geram um desgaste emocional profundo, afetando a qualidade de vida de toda a comunidade condominial.  

Trabalho decente e crescimento econômico


Trabalho decente e crescimento econômico

 

Por Alessandra Leles Rocha

 

A história é sempre a mesma. Quando a dinâmica da vida impõe certos reveses aos interesses das elites e oligarquias dominantes, não demora muito para que essas pessoas encontrem seus “bodes expiatórios” para culpar.

Para eles, a grande e revolucionária ideia que surgiu durante a transição do feudalismo e consolidada com a Revolução Industrial, a qual deu forma ao modelo capitalista clássico, que é um sistema econômico baseado na propriedade privada, na livre concorrência e na não intervenção do Estado na economia, não deveria enfrentar quaisquer obstáculos.

Porém, toda regra está sujeita a exceção. Assim, o modelo capitalista clássico não passou ileso às transformações profundas decorrentes de inúmeras crises históricas, como a de 1929. O que significa que elas alteraram profundamente a regulação estatal, as relações de trabalho e a própria organização produtiva, transformando as crises locais em funções sistêmicas globais.

Em linhas gerais, o modelo capitalista desde sempre se viu precisando realocar seus recursos, ao mesmo tempo em que lida com as consequências disso, ou seja, o desemprego, as falências, a abertura de caminho para novas tecnologias, formas de consumo e novas geometrias do poder econômico.

Acontece que não era esse o panorama pensado inicialmente. Então, a promessa de que o capitalismo elevasse o padrão de vida de todas as camadas sociais não se cumpriu. Apesar de o sistema ter impulsionado a inovação e o crescimento da riqueza global, a distribuição desigual dos benefícios abriu espaço para a discussão a respeito da sua capacidade real de erradicar as vulnerabilidades sociais sem intervenções diretas.

Apesar dos avanços, o crescimento econômico desacompanhado de políticas sociais não resolve estruturalmente essas vulnerabilidades. Nesse contexto, a concentração de renda impede que a riqueza gerada chegue às camadas mais baixas, funcionando como um limite para o próprio funcionamento da economia, reduzindo o dinamismo do mercado interno.

Em pleno século XXI, a população economicamente ativa tem consciência de que as promessas de dignidade social e bem-estar do modelo capitalista não se cumpriram, de modo que ela passa a não se contentar com migalhas e novas promessas.

Estou falando do esgotamento da promessa liberal, diante da precarização das relações de trabalho e da concentração de riqueza nas mãos de uma ínfima parcela da pirâmide social, que tem levado milhões de pessoas, inclusive no Brasil, a contestar tais promessas.

Seja por meio da resistência sindical e as greves, utilizada para impulsionar melhores condições laborais, redução da jornada de trabalho e proteção contra demissões arbitrárias, combatendo a lógica de que o mercado se autorregula para o bem comum.

Por meio da criação de cooperativas e empresas geridas pelos próprios trabalhadores, eliminando a figura do patrão e distribuindo os resultados de forma mais justa.

Por meio da ocupações urbanas e rurais que contestam a concentração de propriedades e a mercantilização de direitos básicos, exigindo acesso à terra para moradia e produção de alimentos.

Afinal de contas, os alimentos básicos que chegam diariamente à mesa do brasileiro, advém da agricultura familiar que é a principal responsável por garantir o abastecimento de culturas como feijão, mandioca e hortaliças. Enquanto o agronegócio se concentra em commodities de exportação, tais como soja e milho, os pequenos produtores garantem a diversidade no prato dos brasileiros.

Por meio do sindicalismo de plataforma e suas novas lutas, em que os trabalhadores de aplicativos e da economia baseada em trabalhos focados em contratos de curto prazo, projetos sob demanda ou trabalho independente, se organizam para exigir direitos básicos e reconhecimento de vínculo, contestando a precarização extrema gerada por novos modelos de negócios.

Tudo isso significa, então, que o recorte social contemporâneo traz consigo uma desconstrução dos velhos paradigmas. A velha lógica perdeu sentido. O modelo tradicional de trabalho baseado em horários rígidos, submissão a tarefas corporativas, baixas remunerações e dedicação exclusiva contraria a necessidade do equilíbrio entre a vida pessoal e o trabalho, a flexibilidade e a saúde mental.

O trabalhador contemporâneo busca, portanto, um novo propósito. O que significa que há sim uma forte exigência de que o trabalho tenha significado social e que os valores da empresa estejam alinhados com os do funcionário, priorizando causas sociais e de sustentabilidade ao contrário de centrar foco apenas no lucro. Além disso, ele recusa culturas de trabalho tóxicas, exigindo limites claros que preservem a sua saúde física e mental.

E tudo isso permite entender que a culpa pelo desinteresse ou falta de engajamento do trabalhador, diante das ofertas no mercado de trabalho, está na manipulação das condições laborais, na precarização dos vínculos, na estagnação salarial real, na perda de direitos e na uberização.

Portanto, ela não está nas políticas públicas de transferência de renda, como o Bolsa Família, como afirmam setores da elites e oligarquias brasileiras.

De saída, essa gente se esquece de que essas políticas exigem condicionalidades como a frequência escolar e o acompanhamento de saúde, reduzindo os custos de internações hospitalares e elevando o capital humano a longo prazo, por exemplo.

Além disso, por atender populações de baixa renda que tendem a gastar todo o recurso recebido, o programa injeta dinheiro diretamente na base da cadeia produtiva, garantindo forte circulação de capital e redução da pobreza extrema.

Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), casa R$1 investido no programa se transforma em R$2,40 no consumo das famílias e adiciona R$ 1,78 ao Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

De modo que esse dinheiro recebido é utilizado majoritariamente em mercados, farmácias e pequenos comércios próximos às residências, garantindo que o valor continue circulando no próprio município.

Por isso, as políticas sociais de transferência de renda atuam apenas como uma rede de proteção temporária que permite a sobrevivência enquanto se procura oportunidades decentes de trabalho.

O que significa postos de trabalho dignos, com remunerações justas e livres de discriminação, que promovam a garantia de segurança no local de trabalho e respeito às leis trabalhistas, que amparem os trabalhadores e suas famílias, e que promovam o diálogo social entre governos, empresas e trabalhadores. Como está estabelecido no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 8 (ODS 8) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Enfim, as políticas de transferência de renda compensam as desigualdades estruturais de acesso à renda, à educação e à saúde, permitindo a sobrevivência digna de populações vulneráveis. Contudo, vale ressaltar que elas não são soluções definitivas isoladas.

Para alterar o abismo socioeconômico estrutural, elas precisam operar em conjunto com políticas que promovam a inclusão produtiva, gerem empregos, garantam direitos trabalhistas e ofereçam serviços públicos de qualidade, permitindo uma emancipação sustentada das famílias.

Antes de emitir qualquer opinião sobre esse assunto, lembre-se de que as políticas de transferência de renda possuem um custo fiscal consideravelmente inferior aos montantes estimados de desvios de corrupção e à fuga de capitais para paraísos fiscais. Portanto, apesar de representarem orçamento na casa de bilhões de reais, as estimativas de perdas ilícitas de capitais representam centenas de bilhões, em muitos casos. 

sexta-feira, 22 de maio de 2026

É cedo para comemorar ...


É cedo para comemorar ...

 

Por Alessandra Leles Rocha

 

De fato, num primeiro momento, a impressão é de pura vitória da impunidade. Gosto amargo de frustração. Mas, quero convidar o (a) leitor (a) a uma análise diferente dos fatos e que aponta para um resultado bem menos festivo.

O primeiro ponto a se considerar é que nem tudo o que acontece muda a história em si. Desse modo, mudar de cidade ou país não exclui os registros judiciais, o que impede que a distância seja uma solução permanente.

A especificação criminal é definitiva e o processo penal permanece válido independentemente do domicílio do indivíduo. Então, mesmo que haja a recusa de extradição, isso significa apenas um impedimento da entrega física, o (a) foragido (a) continua sujeito à prisão internacional, via Interpol, às restrições patrimoniais e à captura caso viaje para outros países.

O segundo ponto diz respeito a recusa em extraditar um (a) foragido (a) condenado (a). Essa atitude tensiona as relações diplomáticas e gera graves consequências políticas internas. Especialmente, em nações com forte sentimento xenofóbico ou ultranacionalista, essa decisão governamental pode inflamar o populismo, estimular narrativas de proteção a crimes estrangeiros e provocar profunda desconfiança nas instituições democráticas.

Nesse cenário, tanto os grupos extremistas e populistas podem capitalizar sobre o caso, utilizando a permanência do indivíduo para promover preconceitos e argumentar que o país anfitrião é conivente com a criminalidade externa, quanto a recusa de uma decisão do Poder Judiciário, ainda que amparada na soberania ou nas leis nacionais, pode gerar um choque com o Poder Executivo e fomentar campanhas de deslegitimação das cortes internacionais.

Por fim, ainda que o (a) foragido (a) tenha a cidadania do país para o qual fugiu, ele (a) permanece sendo considerado um cidadão de segunda classe, um outsider, um (a) forasteiro (a). Os (as) foragidos (as) permanecem como estranhos porque a cidadania adquirida é muitas vezes percebida como um escudo em vez de um vínculo legítimo, pelo simples fato de que a construção da identidade cidadã é um processo muito mais profundo do que a posse de um documento.

É preciso olhar para além da identidade formal, ou seja, do vínculo jurídico com o Estado, para consolidar uma identidade material, que é a capacidade real do indivíduo atuar, pertencer e usufruir de seus direitos na sociedade. Ocorre que, em nações com forte viés xenofóbico ou ultranacionalista, essa integração é dificultada por critérios extremos, tais como residência, aspectos linguísticos, ou até pela recusa do Estado em aceitar a múltipla cidadania.

Assim, a não extradição não significa uma vitória. Em absoluto. Países que experimentaram grandes fluxos imigratórios recentes relatam taxas crescentes de aversão e discriminação, onde o estrangeiro que busca se naturalizar ou que já conseguiu a cidadania, é visto de forma permanente como outsider, o (a) forasteiro (a). A verdade é que a hostilidade não ocorre apenas em nível governamental; mas, principalmente, na esfera social.

Por isso, esse cenário tende a ser marcado pela exclusão institucional, pela hostilidade cotidiana e, frequentemente, pela violência física e psicológica, impactando severamente a integração e os direitos humanos desses indivíduos. Há uma franca estigmatização do estrangeiro nos meios de comunicação e na sociedade como um todo, inclusive, trazendo à tona o rótulo de ameaça à cultura, aos valores nacionais e/ou à segurança local.

Tanto que, em muitos casos, a exclusão é potencializada quando a xenofobia se cruza com o racismo, de modo que a discriminação se torna direcionada de forma mais violenta a imigrantes de determinadas origens ou países em desenvolvimento. Nesses casos, a violência se apoia na falsa afirmação de que o imigrante estaria roubando empregos e oportunidades dos nativos ou sobrecarregando o sistema público do país em que está residindo.

Sendo assim, foragir de uma condenação da justiça não é um ato de vitória. Pelo contrário, soa como um ato de covardia, de malandragem e de ignorância, porque os desdobramentos podem trazer surpresas bastante desagradáveis e inimagináveis. É cedo para comemorar.