quinta-feira, 30 de abril de 2026

Entre golpes e traições... Assim caminha a história do Brasil


Entre golpes e traições... Assim caminha a história do Brasil

 

Por Alessandra Leles Rocha

 

Não há traição no Congresso Nacional brasileiro. Finalmente, os legisladores federais, capitaneados pelo espectro político-partidário de Direita, que forma a maioria nas casas Legislativas; sobretudo, na Câmara dos Deputados, rasgaram a fantasia. Despiram-se da mais abjeta hipocrisia para revelar que são pagos com recurso público para trabalhar em desfavor do país, do Estado de Direito e da Democracia. Patriotismo zero!

29 e 30 de abril de 2026 tornam-se, a partir de agora, símbolos dessa capacidade démodé de reafirmação do ranço histórico nacional. Afinal, de onde derivam as raízes dessa gente?  Ora, o espectro político-partidário de Direita, no Brasil, representa a herança das oligarquias e elites que estiveram presentes no país desde o Colonialismo, e mantêm, em pleno século XXI, o mesmo arcabouço ideológico, com pequenos traços de modernização.

Portanto, essa tradição é marcada por inúmeras tensões que envolvem o liberalismo econômico, o autoritarismo, o conservadorismo moral e religioso, a propriedade privada, a banalização das desigualdades socioeconômicas, as hierarquias tradicionais e a resistência a mudanças sociais profundas.

O que significa que a votação para o novo membro do Supremo Tribunal Federal (STF), ocorrida no dia 29, e a votação para a derrubada dos vetos presidenciais ao Projeto de Lei nº 2.162/2023 (PL da Dosimetria), hoje, 30 de abril, foram tecituras organizadas a partir dessa matriz histórico-ideológica que sustenta o espectro político-partidário de Direita, nesse país.

Acontece que esse PL, ao contrário do que muita gente diz, além de focar em crimes contra o Estado Democrático de Direito, ele permite alterações no Código Penal e na Lei de Execução Penal, que irão favorecer outros condenados por crimes tão inconcebíveis quanto. Um verdadeiro libera geral! Porque essa decisão irá, principalmente, facilitar as regras para que o condenado passe do regime fechado para o semiaberto ou aberto mais rapidamente.

E aí está a bizarrice! Veja, o espetro político-partidário de direita ao derrubar os vetos presidenciais ao PL da Dosimetria, contrariou a sua própria defesa de um modelo de segurança pública inspirado no discurso linha-dura salvadorenho, baseado na suspensão dos direitos de detentos. Eles destoaram totalmente da sua própria retórica de tolerância zero!

Pois é, com a campanha eleitoral oficial de 2026, começando no dia 16 de agosto, parece que o espetro político-partidário de Direita terá um trabalho danado para consertar esse desarranjo ideológico.

Haja vista que a estratégia demonstrou, até aqui, um pragmatismo político radical em relação ao rigor penal para crimes comuns, praticados por gente do povo, e organizações criminosas, mas se rendeu a quaisquer flexibilizações quando o assunto é aplicar a punição ao campo político próprio, gerando uma indigesta contradição. Não é?!

Assim, que não restem mais dúvidas a ninguém, o espetro político-partidário de direita no Brasil vive em busca do poder, não importa como, quando, onde. De modo que suas decisões não refletem um pensamento em prol do desenvolvimento e do progresso do país e da grande massa de população.

É nesse tipo de atuação, pautada pelo fisiologismo ou por alianças de ocasião, que a dificuldade de estabelecer políticas públicas de longo prazo focadas na redução da desigualdade e na melhoria significativa do desenvolvimento cidadão, acontece. Portanto, o que está sempre me jogo, a cada eleição, é o impacto real dessas ações para a grande massa da população. Esse é o ponto central da disputa política brasileira.

Mas, como se julgam donos do país, das leis, de tudo, eles acabam equivocados, contraditórios, dizendo e desdizendo coisas por aí. Fazendo trapalhadas a rodo! Passando vergonha de todo jeito! Desgastando o verniz do seu capital político. Então, o jeito é aguardar para ver quantos eleitores ainda estarão dispostos a bater palmas para essa gente dançar. 

terça-feira, 28 de abril de 2026

Tá chegando a hora ...


Tá chegando a hora ...

 

Por Alessandra Leles Rocha

 

Vira daqui. Mexe dali. E os veículos de imprensa ligados ao espectro político-partidário de Direita decidiram colocar seus dedos em riste para dizer que o poder de compra do brasileiro diminuiu, que sobra mês e falta salário para milhares de cidadãos, ... Acontece que no meio desse mar de lamentações oportunistas, eis que, hoje, emergiu a notícia de que milhares de trabalhadores deixarão de receber o abono salarial (PIS/Pasep) em 2026.

O motivo é que o Congresso Nacional aprovou, via Emenda Constitucional 135/2024, novas regras para esse abono salarial, de modo que o limite de renda para o benefício, antes atrelado a dois salários-mínimos, passa a ser corrigido apenas pela inflação, restringindo o acesso e excluindo cerca de 4,5 milhões de trabalhadores até 2030. E como é de conhecimento público, o espectro político-partidário de Direita domina a maioria das cadeiras na Câmara dos Deputados, na gestão que se encerra ao fim de 2026.

Por isso, a notícia da redução gradual no número de beneficiários do abono salarial PIS/Pasep não surpreende. Afinal, o espectro político-partidário de Direita, no Brasil, se coloca historicamente contra quaisquer propostas que beneficiem a grande massa da população e lhes ofereça maior dignidade cidadã.

Esses indivíduos, herdeiros (as) das elites coloniais que se aportaram nesse país, fazem oposição às políticas redistributivas, sejam elas quais forem, interpretando-as como desestabilizadoras da ordem econômica e social. Nessa perspectiva, eles (as) têm o discurso na ponta da língua em defesa da ordem e do livre mercado em detrimento da correção de oportunidades, o que significa perpetuar a exclusão dessa massa populacional, impedindo sua plena cidadania.

Traçando um pequeno panorama dessa legislatura, ou seja, entre 2023 e 2026, até o presente momento, o Congresso brasileiro, capitaneado pelo  o espectro político-partidário de Direita, aprovou medidas de impacto negativo percebidas na massa populacional, destacando-se os cortes em programas sociais/educação para financiar emendas parlamentares, a tramitação do chamado Pacote da Destruição o qual cerca de 70 propostas flexibilizaram as leis ambientais, facilitando desmatamento e ameaçando a biodiversidade, o que afeta questões socioculturais e a segurança climática geral, e o  atraso ou resistência na aprovação de pautas de interesse popular, como a revisão da escala 6x1.

E quando não estão agindo contra os interesses da grande massa populacional brasileira, eles (as) estão trabalhando. No mesmo período, estiveram organizando pautas focadas na redução da intervenção estatal, fortalecimento de pautas conservadoras e defesa de prerrogativas do Legislativo contra o Judiciário. Inclusive, na próxima quinta-feira, 30 de maio de 2026, está prevista a famigerada votação do Projeto de Lei da Anistia (PL 2858/2022) pelo Congresso Nacional, a qual busca perdoar os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023.

Devido à abrangência de seus termos, o PL 2858/2022 é nocivo à Democracia brasileira não só porque ao perdoar ações de depredação, financiamento e atos golpistas, cria-se o precedente de que a violência política, quando organizada por um grupo com capital político, não merece responsabilização, reforçando uma cultura de desrespeito às regras democráticas, como tende a gerar um efeito dominó, beneficiando outros tipos de crimes e enfraquecendo a capacidade do Estado de punir condutas graves.

Curioso, considerando que essas mesmas pessoas são favoráveis ao punitivismo judicial no Brasil, que trata de uma tendência do sistema de justiça de priorizar penas severas, o encarceramento em massa e a seletividade penal, como principal resposta à criminalidade, muitas vezes ignorando as garantias constitucionais. Acontece que o punitivismo enraizado no país está associado a uma herança escravocrata, que normalizou o castigo físico e a tortura como controle social.

Portanto, onde está a lógica, a coerência, a ética, nas ideias e nas atitudes dos legisladores brasileiros; sobretudo, aqueles ligados ao espectro político-partidário de Direita?  Talvez, alguns se lembrem da canção Esmola (1994), do Skank. Em seus versos, a verdade era dita sem rodeios: “Se o país não for pra cada um, pode estar certo, não vai ser pra nenhum”, porque sem inclusão social e justiça para todos, a estabilidade e o desenvolvimento do país tornam-se insustentáveis e inalcançáveis.

Portanto, se as mídias ligadas ao espectro político-partidário de Direita já admitem, já reconhecem, através de diferentes reportagens, que a grande massa da população brasileira é mal remunerada, ao ponto de precisar fazer jornada dupla, tripla, para driblar a precarização trabalhista no país, quais as sugestões para a plataforma eleitoral dos pretensos candidatos elas irão apresentar? Por outro lado, será que eles (as) vão abraçar essas propostas a fim de um começo para uma reparação histórica? Aguardemos a campanha eleitoral oficial para as Eleições 2026 no Brasil que começa no dia 16 de agosto. 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Cadê o futebol brasileiro?


Cadê o futebol brasileiro?

 

Por Alessandra Leles Rocha

 

Todo esporte tem alma, tem identidade. E com o futebol não é diferente. É essa essência que estabelece a forma de executar a prática desportiva e as regras que o organizam. De modo que é nessa composição entre subjetividade e objetividade que reside a magia capaz de capturar o torcedor, preenchendo um espaço na dinâmica da sua própria construção existencial.

Por aqui, na terra Brasilis, o futebol como uma construção cultural e simbólica que transcende a mera prática física ou o resultado técnico, fincou suas raízes em 1894, trazido por Charles Miller, um brasileiro filho de ingleses que retornou da Inglaterra com bolas, uniformes e o livro de regras. Passados quase dois séculos em que o lúdico do desporto abriu as portas para que a criatividade e a emoção se fundissem e fizessem desabrochar a necessidade de pertencimento e expressão na alma do torcedor, tudo parece estar perdendo o seu encanto.

Diante dessa breve introdução, posso imaginar que o (a) leitor (a) deve estar considerando surreal essa minha reflexão, tendo em vista que faltam aproximadamente 45 dias para a abertura da Copa do Mundo FIFA 2026 e o Brasil é o único país participante pentacampeão dessa competição. Acontece que a pergunta título desse texto tem feito cada vez mais sentido, quando se olha, com bastante atenção, para  os (des) caminhos que se mostram no futebol brasileiro ainda em campeonatos nacionais.  

Nesses quase dois séculos de presença nos gramados, é impossível fechar os olhos ao fenômeno que vem transformando o futebol brasileiro pela ação da monetização e da mercantilização, impulsionada pelo capitalismo esportivo, que o alçou à condição de um produto mercadológico, integrado à lógica de acumulação de capital, da produção de lucros e da espetacularização. O que esgarçou a sua gênese sociocultural de resistência e ludicidade, popularmente conhecida como futebol-arte, e devolveu a todos um futebol-negócio, uma indústria de entretenimento globalizada. 

O jogo, antes valorizado pela imprevisibilidade, pela arte da habilidade técnica, da genialidade nata do atleta, e pela expressão cultural, passou a ser gerido como um ativo financeiro, um produto comercial. A partir do mercado de transferências, dentro e fora do país, os jogadores tornaram-se mercadorias e os torcedores foram convertidos em consumidores de ingressos, de camisas e outros símbolos de fidelização ao clube do coração, de planos de streaming para acompanhar os jogos, enfim...

De repente, a lógica do capitalismo desportivo impôs padrões globais que transformaram e subordinaram o futebol às práticas e aos interesses econômicos transnacionais. O que significou a homogeneização cultural, a mercantilização da cultura corporal e o uso do esporte como aparelho ideológico para consumo e controle social, ou seja, o futebol só tem valor enquanto mercadoria. A velha paixão popular foi substituída por um nicho de mercado e consumo, onde o fetichismo da marca substituiu o jogo em si.

E todo esse processo tende a apagar as identidades locais em troca de padrões europeus ou elitizados. Como ele foi reconfigurado para ser exibido na televisão e nas redes sociais, esse modelo abre espaços usados para disseminar e legitimar situações alheias à sua verdadeira alma, tais como propagandas políticas, desvio da atenção aos escândalos e problemas estruturais no desporto, e a promoção de uma ideologia burguesa de meritocracia. Algo que traduziu em uma flagrante perda da diversidade lúdica e da essência do futebol.

Mas, não bastasse isso, houve uma mudança estrutural de clubes de natureza associativa para empresas, conhecidas como Sociedade Anônima do Futebol (SAF), as quais visam o lucro e a eficiência financeira, muitas vezes priorizando o equilíbrio de caixa em detrimento da identidade do clube e da participação popular nas decisões. Levando o futebol a ser remoldado para atender aos interesses da mídia e dos grandes patrocinadores, influenciando os horários de jogos, as regras e o comportamento nos estádios, que adquiriram um certo status de arenas elitizadas.

Então, na esteira dessa transformação emergiram as casa de aposta virtuais, as chamadas BETs, consolidando uma alteração profunda na relação entre esporte, economia e sociedade. De repente, o mundo contemporâneo se viu imerso em uma conversão do futebol, ou seja, de uma manifestação cultural popular para um esporte mercantilizado, onde a emoção é vendida e a aposta transforma o torcedor em consumidor de risco.

O papel das BETs se dá da seguinte maneira, as apostas patrocinam os clubes para elevar vendas e expandir capital, associando o esporte ao consumo e à imagem, onde a marca da aposta se torna mais importante que a tradição do clube. Assim, o jogo perde parte da sua autonomia, sendo condicionado pela necessidade da aposta para validar a emoção. Naturalizando o jogo como investimento racional e meritocrático, frequentemente associado a influenciadores digitais.

O pior é que esse marketing perverso das apostas é focado, muitas vezes, em populações vulneráveis, prometendo ascensão financeira rápida através da sorte. Se desdobrando, de maneira veloz, em endividamento e pauperismo social; pois, o vício em apostas online cresce vertiginosamente, afetando a saúde mental e a saúde financeira das famílias, gerando perdas econômicas, aumentando a desigualdade social e, em casos extremos, levando pessoas a autoexterminar-se.

Por essas e outras, o verdadeiro futebol brasileiro sumiu, desapareceu. O rolo compressor do capitalismo esportivo; sobretudo, potencializado pelas SAFs e BETs, desconfigurou a sua alma, a sua essência, a sua identidade. Sim, ele retira a dimensão humana e cultural do jogo, transformando-o em um veículo para a expropriação financeira, onde o lucro é privatizado, acumulado por corporações, muitas vezes à custa da população de menor renda.

Daí a necessidade urgente de repensar a realidade do futebol brasileiro. A fim de se evitar que ele venha a sucumbir completamente, tornando-se apenas uma fábrica de mercadorias e de cassinos virtuais, em detrimento de seu papel de construção de identidade cultural coletiva e de ludicidade. Afinal, a implementação das Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs) e a onipresença das casas de apostas (BETs) está erodindo, lenta e gradativamente, os valores do futebol, destruindo o simbolismo geracional enquanto manifestação cultural de massa.