segunda-feira, 4 de julho de 2016

Banco Mundial aposta na agricultura familiar para erradicar a fome

Relatório divulgado pelo Banco Mundial mostra que é necessário aumentar a produtividade agrícola das famílias de baixa renda para cumprir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável nº 2 – acabar com a fome, conquistar a segurança alimentar e promover a agricultura sustentável.
Relatório divulgado nesta semana (27) pelo Banco Mundial aponta que somente aumentando a produtividade agrícola das famílias de baixa renda será possível  cumprir o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) nº 2 – acabar com a fome, conquistar a segurança alimentar e promover a agricultura sustentável. Atualmente, 70% da população pobre do mundo trabalha no campo.
Outro motivo para apostar na produtividade agrícola – em especial a de cereais – é o fato de ela influenciar diretamente os números da fome e desnutrição.
De 2000 a 2012, quando houve aumento médio anual de 2,6% na produção de cereais nos países de baixa renda, a pobreza e a desnutrição caíram 2,7% ao ano. Já entre 1990 e 1999, quando a produção ficou estagnada nos países mais pobres do mundo, houve pouca melhora nos índices de pobreza e saúde nutricional.
A cada dia, 27 milhões de latino-americanos e caribenhos – 5,5% da população da região – acordam sem ter o que comer, de acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Entre 1990 e 1992, este percentual estava em 14,7%. Para as Nações Unidas, o bom desempenho econômico e agrícola e as políticas de proteção social, como  programas de alimentação escolar e apoio à agricultura familiar , contribuíram para os progressos na região.
Os avanços da região, porém, não foram iguais. Entre 1990 e 2015,  a desnutrição diminuiu em 75% na América do Sul, enquanto na América Central a redução foi de 38,2%, contra 26,6% entre a população do Caribe no mesmo período. No ano passado, quase 20% dos caribenhos ainda lutavam contra a desnutrição.
Nos últimos 25 anos, a subnutrição caiu quase pela metade em todo planeta, de 19% para 11%. No entanto, ainda há 795 milhões de pessoas desnutridas no mundo, a maior parte delas em países de baixa renda, como os da África Subsaariana.

domingo, 3 de julho de 2016

Reflexão da Semana


O tempo urge!

 

Por Alessandra Leles Rocha

 

Um piscar de olhos. Simples assim. E nada mais será como já foi. Muito embora, cada vivente sobre a Terra conheça essa verdade inconteste, por que tantos insistem em agir como se uma segunda oportunidade lhes estivesse à disposição? Afinal, sobre o início e o fim da própria existência ninguém tem controle.

Dói-me profundamente a alma deparar todos os dias com uma realidade cada vez mais atroz. Sim, as boas novas estão se transformando em artigo de exceção. É preciso muito boa vontade para garimpar aqui e ali uma notícia que encha o espírito de esperança, de otimismo. Então, a certeza de que é preciso fazer o melhor de primeira se faz mais e mais urgente.

Aliás, queixamos todos sobre uma contínua falta de tempo, de um estresse descomunal a nos arrebatar diariamente e, quando temos nas mãos a oportunidade de agir adequadamente, visando não ter que repetir ou consertar, nos abstemos sem cerimônia. Enrolamos. Postergamos. Deixamos para um amanhã que nem temos certeza se seremos apresentados.

Não sei se esse modus operandi é um jeito maroto de lançar sobre ombros alheios à parte que nos cabe de responsabilidade nesse mundo ou, simplesmente, um descompromisso com a própria imagem que queremos manifestar a nós mesmos e ao resto dele. O fato é que, desse modo, deixamos grandes e valiosas oportunidades do dia a dia se esvaírem, como coisas menos importantes, menos relevantes, quando na verdade não são.

Ainda que a sociedade tenha evoluído, se transformado através das grandes conquistas científicas e tecnológicas, a essência da vida humana permanece regida pelas mesmas demandas de sempre, a começar pelo tempo. Inclusive, porque nesse sentido, a tecnologia se nos poupou ‘horas’ de sacrifício por um lado, por outro sobrecarregou-nos de outras milhares de tarefas, então... Precisamos nos conscientizar de que imergir nessa ideia de ‘passar a limpo’ tudo, sempre, para podermos não nos comprometer, ou despender o interesse e o tempo necessários repercute diretamente na teia social em que vivemos.

Há algum tempo vi uma mensagem de Natal produzida na Alemanha, na qual um idoso aguardava pela visita dos filhos para as festas de final de ano; mas, todos ligavam manifestando a impossibilidade de ir por uma alguma razão 1. Então, em seguida, eles eram avisados sobre o falecimento do pai e se deslocavam para as cerimônias do funeral. No fim, o propósito da mensagem era mostrar que não se esperasse nada para estar com os idosos, enquanto eles estavam vivos e poderiam usufruir do afeto, da atenção, do carinho de quem lhes era tão importante.

Mas, o que tem feito à sociedade senão desperdiçar ‘oportunidades’ para exercer seus valores humanos, cidadãos? Lamento informar; mas, o amanhã não nos pertence. Uma bala perdida, uma bomba, um terrorista maluco, uma briga, um acidente carro, ou um simples ataque cardíaco. De repente, lá se foi a sua 'segunda chance'. Seja no campo profissional, ou prático da vida, alguém certamente irá assumir as suas pendências e tocar o trabalho, as obrigações, adiante. Mas, no campo afetivo, aí a coisa muda de figura. Sua perda certamente será sentida por aqueles que o amavam, por um tempo difícil de calcular; já que, as lembranças alteram o fluxo natural do relógio.

Nesse contexto, você também vai se dar conta de que deixou muitas coisas por fazer e por desfrutar. A sua ausência, ou seu descompromisso, lhe causarão a terrível sensação de não ter dado todos os abraços, todos os beijos, todos os afagos. De não ter conversado todas as madrugadas, de verão e de inverno, como gostaria. De não ter sido o amigo, o companheiro fiel ao longo dos altos e baixos da vida... E agora, nada disso é mais possível. Ou é?

Bem, enquanto nos corre o sangue pelas veias e o coração pulsa com força, penso que sim. Penso, apenas, que seja preciso um lampejo de razão e de sensibilidade imediatos; porque, enquanto milhões de pessoas pelo mundo estão arbitrariamente sem essa possibilidade, por conta da maldade do próprio ser humano, quem pode escolher por sorver até a última gota desse néctar sagrado é um privilegiado. Só precisa se dar conta de que cada minuto a mais é um a menos, para quem espera mais da própria existência.  

Imagine você, acordar todos os dias e se predispor a fazer o máximo e o melhor em cada mínimo gesto. A definir as prioridades em relação ao SER e não ao TER. Buscar a coerência e o bom senso na condução dos próprios caminhos... Fazer valer a pena! A tarefa não é fácil; afinal, somos gente de carne e osso, recheada de defeitos e virtudes. Mas, o simples desafio de evoluir já está impresso em nosso DNA, então?!

Lembre-se do que disse a escritora, roteirista, novelista e filósofa norte-americana, Ayn Rand 2, “Não deixe sua chama se apagar com a indiferença. Nos pântanos desesperançosos do ainda, do agora não. Não permita que o herói na sua alma padeça frustrado e solitário com a vida que ele merecia, mas nunca foi capaz de alcançar. Podemos alcançar o mundo que desejamos. Ele existe. É real. É possível. É seu”. No mais, “Carpe diem”.


sexta-feira, 1 de julho de 2016

Para parar e pensar!


Efeito manada 

Por Alessandra Leles Rocha 

Pane no sistema, alguém me desconfigurou
Aonde estão meus olhos de robô?
Eu não sabia, eu não tinha percebido
Eu sempre achei que era vivo

Parafuso e fluido em lugar de articulação
Até achava que aqui batia um coração
Nada é orgânico, é tudo programado
E eu achando que tinha me libertado
Mas lá vem eles novamente, eu sei o que vão fazer
Reinstalar o sistema

Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga
Tenha, more, gaste, viva

Pense, fale, compre, beba
Leia, vote, não se esqueça
Use, seja, ouça, diga

Não, senhor, sim, senhor
Não, senhor, sim, senhor [...]

(Admirável Chip Novo – Pitty)

 
Nada deveria ser mais deprimente ao ser humano do que a demonstração explícita da falta de personalidade. Todos os Homo sapiens sobre o planeta, queiram eles ou não, são seres únicos, singulares, seja pelas milhares de variantes biológicas ou comportamentais. Cada um tem uma identidade e isso deveria ser um motivo de orgulho, de exaltação; mas, o que se vê rotineiramente é uma busca incessante pela massificação, estereotipização, como formas de se estabelecer uma cultura de igualdade para a desigualdade natural e intrínseca de todos nós.
Talvez, muitos estejam tão absortos pelo automatismo da rotina cotidiana, do estresse, que nem chegam a parar e refletir sobre a gravidade desse fenômeno. Mas, ele é grave sim; especialmente, porque a sua sistematização leva ao esgarçamento e comprometimento de relações sociais saudáveis, altruístas, produtivas. O que tantas vezes parece bobagem, irrelevância, no fundo é o início de uma ferrugem a corroer estruturas importantes para o bem-estar e o futuro da própria humanidade.
Ora, e não é difícil perceber que atitudes simples como, assumir a própria identidade, nesse mundo pós-moderno tem se tornado uma transgressão imperdoável. Ser você mesmo passou a ser considerado “ser alguém diferente”; e, por isso, necessário de sofrer alguma forma de contenção social, para não “contaminar” os demais. É como se o mundo, de uma hora para outra, assumisse como normal que todos os viventes do planeta fossem cópias de um mesmo carimbo, ou seja, mesma cor e corte de cabelo, mesma roupa, mesma ideologia, mesmo comportamento, mesmos valores,... tudo para que não houvesse nenhum tipo de discrepância ou divergência.
Esse silencioso ditame de obediência é que nos tem feito presenciar as mais perversas arbitrariedades sociais. A menor aresta que se interponha entre os indivíduos é motivo de segregação, de intolerância, de violência, de guerra. Há um desrespeito tão intenso as garantias individuais, que as pessoas estão sendo oprimidas e massacradas a se renderem aos apelos de uma maioria, caso não queiram viver à margem, exiladas do restante do mundo. E, lamentavelmente, não há mais o diálogo, no seu sentido pleno, ou seja, uma conversa franca e aberta, com olhos nos olhos. Aliás, por que dialogar, não é mesmo? Seja, aja, pense, sinta, compre... como todo mundo. Não queira ser diferente, apenas acompanhe o fluxo da manada. Assim, você não incomoda ninguém e sua identidade fica restrita a um número em um cartão.
Quanto às habilidades, as competências, os interesses, tudo isso também já entrou na conta da massificação mediocrizada. A sociedade parece conformada em ser medíocre, em se nivelar pelos parâmetros mais baixos e inexpressivos; como se não pulsasse dentro de cada um, milhares de sonhos, aspirações e projetos. Como se uma vida blasé pudesse fazer o ser humano plenamente feliz e, por isso, não fosse necessário despender energia, buscando fazer o melhor em cada plano do cotidiano. O trivial fosse sempre suficiente, o bastante. Nada de assumir responsabilidades, de se comprometer com as obrigações advindas dos direitos,... Assim, a humanidade se permite ser automatizada e fazer somente aquilo que “o senhor mestre mandar”.
Como se vê, o mundo está fragmentado, alinhavado por linhas divisórias cada vez mais profundas e absurdas que contam com a pactuação de todos aqueles que querem ser cada vez mais iguais. E na sua igualdade paradoxal... eles também se debruçam ao culto das vaidades, do poder, do status, do dinheiro, para sentirem que habita neles um diferencial sobre os outros.
Talvez, seja essa a grande neurose que acompanha a humanidade desde sempre; porque como relatou Anne Frank, em seu diário escrito entre 1942 e 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, "Criticam tudo, e quero dizer mesmo tudo, sobre mim: o meu comportamento, a minha personalidade, as minhas maneiras; cada centímetro de mim, da cabeça aos pés, dos pés à cabeça, é objeto de mexericos e debates. São-me constantemente lançadas palavras duras e gritos, embora eu não esteja habituada a isso. Segundo as autoridades definidas, eu devia sorrir e aguentar". Portanto...