sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Experimentos artesanais em fotografia

Início quarta-feira, 23/08/17 das 14:30 às 17:00 (12 encontros)
R$ 630,00 à vista ou 3 x R$ 210,00 (incluso materiais)
20 vagas por ordem de inscrição

A fotografia como expressão artística contemporânea pode se apresentar de muitas maneiras e em diferentes superfícies.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

“Quem trabalha e mata a fome não come o pão de ninguém, mas quem ganha mais do que come sempre come o pão de alguém...” - Padre Reno

Entre notórios e esquecidos, assim se constrói o poder do Capital


Por Alessandra Leles Rocha


O poder do capital é mesmo intrigante. Ao ponto de entorpecer os sentidos humanos e impedir-lhes de perceber o que é realmente importante, o que está em jogo quando se trata da manutenção da espécie humana sobre a Terra, pelo o que realmente se deve lutar.
Cada dia se reafirma uma perversa estratificação e hierarquização da vida, o que significa que esse direito fundamental está mais e mais inacessível a todos. Não, os seres humanos não são iguais em direitos e deveres; subliminarmente esse é o recado.
Enquanto nos inebriamos diante das cifras milionárias, da profusão de oportunidades para poucos em detrimento de muitos, inconscientemente (ou não) estamos referendando os caminhos da indignidade humana e deixando de admitir quais os verdadeiros parâmetros nos são de fato necessários à sobrevivência.
Será que ainda nos recordamos o que permeia a nossa dignidade humana? Educação, Saúde, Trabalho, Lazer, Segurança, Liberdade, Igualdade estão entre os chamados elementos fundamentais. Mas, quando excedemos sobremaneira os limites que os garantem, passamos a nos defrontar com o supérfluo, o não essencial.
A própria natureza ensina que os excessos têm como fim a formação de resíduos, de lixo, ou seja, deixam de ser uma coisa boa, proveitosa, para de certa forma transformar-se em problema, na medida em que, geralmente, não sabemos lidar com eles.  No entanto, no caso da riqueza desmedida o problema é que ela faz com que o ser humano perca a sua identidade humanista, fraterna, responsável em relação a si e aos outros.
Há um deslumbramento, um afloramento da sua vaidade, uma capitalização da sua essência no contexto do “vale quanto pesa”, o que inevitavelmente faz com que se perca a noção social da própria existência. Aí, as pessoas ou começam a distribuir migalhas do seu excesso para aplacar a própria consciência ou se fecham nos labirintos sombrios da indiferença, se colocando sempre distantes dos reflexos da desigualdade presentes no mundo.
Está aí o perigo em nos encantarmos com a reafirmação de episódios assim. Enquanto se afunila os privilégios, há uma manipulação discursiva implícita para que deixemos de perceber o aprofundamento dos abismos que apartam os seres humanos. Os afortunados pelas grandes oportunidades do mundo deveriam ser mais responsáveis no sentido de se engajarem na transformação social daqueles que são diariamente esquecidos. Isso não significa uma mera questão filantrópica; mas, um senso de responsabilidade social que visa tomar partido, de forma incisiva, nas discussões e ações que repercutem sobre a dignidade de milhões de seres humanos.
Pensar na sobrevivência de um planeta com mais de sete bilhões de pessoas, não é uma questão meramente ambiental. Trata-se antes de tudo de uma questão social. Quando se reduzem as diferenças, transformam-se pessoas em cidadãos, em seres humanos conscientes do seu papel na sociedade. As desigualdades só fazem proliferar a invisibilidade, a exclusão, a intolerância e todas as demais formas de violência existentes. Inclusive, quando nos admiramos extasiados diante da riqueza atribuída a um único individuo, nem sempre nos damos conta de que se trata de um homem. A própria distribuição da riqueza é seletiva e renega a igualdade de gênero, estabelecendo mais um critério de apartamento social.
Todo ser humano merece desfrutar da dignidade de ver atendida as suas necessidades vitais básicas e as de sua família; bem como, de construir sem espoliar ou dilapidar o outro um patrimônio capaz de garantir-lhe esse usufruto, quando não puder mais colaborar produtivamente com a sociedade.  Mas, enquanto não existir o despertar dessa consciência, veremos a proliferação de campos de refugiados pelo mundo, ou pessoas desassistidas nos corredores de hospitais públicos a mercê da própria sorte, ou nas filas do desemprego; enfim...
Portanto, quando banalizamos a perversidade e a crueldade humana, só ressaltamos o nosso primitivismo bestial e nos afastamos da dignidade de sermos considerados humanos, racionais, inteligentes. Como dizia George Eliot 1, “Nunca é tarde demais para ser aquilo que você deveria ser”, então?


1 George Eliot, pseudônimo de Mary Ann Evans, foi uma romancista autodidata britânica. Usava um nom de plume masculino para que seus trabalhos fossem levados a sério. (Saiba mais em https://pt.wikipedia.org/wiki/George_Eliot

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

"Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências". Pablo Neruda

De Judas Iscariotes aos dias atuais



Por Alessandra Leles Rocha



Não consigo acreditar que depois de todos os acontecimentos e desdobramentos pós Mensalão e Lava Jato, algum cidadão brasileiro consiga dissociar a bancarrota nacional da corrupção.
Ora, essa práxis secular de se obter vantagens em relação aos que detêm o poder, por meios ilegais ou ilícitos, vem dilapidando os recursos públicos oriundos de nossos impostos e tributos.
Que fique claro, portanto, que a corrupção é prática humana e, por aqui, em solo tupiniquim, esteve reverenciada por muitas bandeiras, muitas ideologias; daí não se poder atirar pedras e elencar culpados em uma única direção.
Mas o ponto nevrálgico dessa questão é que o esvaziamento de recursos públicos para satisfazer a fome insaciável da corrupção nacional extingue toda e qualquer potencialidade de desenvolvimento e progresso. Vejam o exemplo das universidades públicas, de seus hospitais universitários, de suas pesquisas!
Para cobrir os rombos da corrupção a saída historicamente foi sempre a mesma: contingenciamento e corte de recursos e criação e aumento de impostos. É evidente que são os serviços essenciais à sociedade os que padecerão o estrangulamento de seus orçamentos, tendo como consequência imediata à desassistência da população. Só que a população faz a sua parte, ela paga impostos para ver revertidos esses recursos em seu benefício; mas, na prática da corrupção isso não acontece.
Além disso, essa perene retirada de água do barco com o auxílio de um dedal, porque é exatamente isso que significam as medidas citadas acima, fomenta a incredulidade mundial em relação ao país. Não há como crer em mudanças efetivas sem “cortar o mal pela raiz”. Enquanto existe uma corrupção sistêmica sangrando os recursos nacionais, não há economia que se equilibre ou se sustente.
Por que, então, fingimos não ver a corrupção se esgueirando daqui e dali para manter as aparências de uma pseudo estabilidade econômica? A economia patina sem sair efetivamente do lugar, a ponto de se tornar necessário arrochar os cintos e aumentar impostos. Os desempregados proliferam-se nas estatísticas nacionais. Tudo parece suspenso no ar e prestes a se desintegrar na vida de milhões de brasileiros, contradizendo qualquer onda de vã otimismo que tenta ser impressa.
Então, a quem queremos enganar com o velho discurso de que “os fins justificam os meios”? Dizia Martin Luther King Jr., “Para ter inimigos, não precisa declarar guerras, apenas diga o que pensa”; talvez, por isso, muitos aqui no Brasil optam pela politicagem da boa vizinhança e distribuem benesses e agrados para manter a simpatia. Mas esse é só um jeito diferente de praticar a corrupção, não é mesmo?
Como se vê o que estamos vivendo é de uma complexidade tal que parece incontrolável. A corrupção tornou-se uma compulsão, um comportamento desmedido. Grandes corrupções. Pequenas corrupções. No fim das contas, apenas corrupção. Apenas um modo de ser antissocial, antiprodutivo, antiético; mas, que uma grande maioria prefere não admitir a total adoração. Aliás, porque admitir significaria ter que tomar uma atitude a respeito e esse agir parece penoso, desconfortável, pesado demais.
Mas, um dia o caldo entorna. Há situações que não esperam por nós, por nossa boa vontade, por nosso bom senso. A própria conjuntura dá o seu jeito. Talvez, estejamos perto disso; afinal de contas, a espoliação dos direitos fundamentais, previstos na Constituição de 1988, torna-se cada dia mais insustentável e já atinge camadas da população, as quais se sentiam de certa forma inatingíveis. Assim, eis que, de repente, possamos nesse dia metamórfico alcançar as palavras de Santo Agostinho, “Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam, porque me corrompem”. Que assim seja.