sábado, 3 de dezembro de 2016

Dezembros...

Dezembros...


Por Alessandra Leles Rocha


São tantos apelos, promessas, esperanças que surgem em nossos Dezembros. E por mais forte que possam nos arrebatar, no fim das contas, eles se esvaem naturalmente e nos deixam uma sensação estranha, como se fundo, o ser humano não fosse tão humano como gostaríamos.
No entanto, dessa vez, algo terrível nos impactou em cheio, antes mesmo que Dezembro chegasse. Um terrível acidente aéreo matou 71 pessoas (65 delas brasileiras), em território Colombiano. Era um voo fretado para levar o time da Chapecoense (SC), seus dirigentes e alguns jornalistas para o primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana de Futebol, contra a atual campeã da Copa Libertadores da América a equipe colombiana Clube Atlético Nacional de Medellín.  
Por mais contidos e indiferentes que possamos ser em momentos como esse, a linha tênue que separa a Vida da Morte mexe com as emoções mais profundas. De repente, a compreensão sobre a efêmera existência humana se materializa e ratifica o que teimamos tanto em não admitir. Não somos; apenas, estamos.  Um breve suspiro e... cruzamos a linha.
Diante disso é impossível frear os pensamentos. A vida surge na mente como um filme, cujas partes menos aprazíveis começam a incomodar; afinal, nunca se sabe quando será a última cena. Então, nesse momento, muitos irão cair em profunda reflexão existencial.
Entretanto, dadas às dimensões de uma tragédia como essa, não é difícil afirmar que a tendência desse processo seja de uma transformação, como aquela desejada por tantos Dezembros. Tanto o AMOR como a DOR tem uma capacidade indizível de extrair de nós o que há de melhor e quando estamos diante da morte sofremos as influências de ambos; daí, a razão pela qual nossas crenças, princípios e valores são submetidos a um profundo revolver de sentimentos, como se nossa alma fosse arada e preparada para que pudesse germinar o belo, o bom, o justo e o sagrado.
O AMOR e a DOR nos trazem uma compreensão exata do nosso papel como seres humanos, das nossas responsabilidades, do nosso compromisso individual e coletivo; pois, o Senhor das Horas não é infinito, como gostaríamos. Sem data e hora marcadas, um dia a gente se despede. Então, em meio ao ‘olho desse furacão’ temos a oportunidade de nos descobrir, de nos reinventar; como se algo incontrolável dentro de nós exigisse transcender. As prioridades mudam. Os sonhos mudam. O mundo fica de outro tamanho.  Talvez, por isso se amplifique a comoção.
Só lamento o fato de ser necessário nos aproximarmos da morte (sobretudo, repentina) para nos respeitarmos, nos solidarizarmos, exercitarmos a nossa compaixão; como havíamos desejado por tantos Dezembros. Quando tudo parece desabar sobre nós, quando o corpo parece sucumbir ao desespero da ausência, quando não há mais zonas de conforto ou redes de proteção, aí nos tornamos humildes o bastante para abolir todas as arbitrariedades, as exigências, as eventuais contrapartidas, as arrogâncias e admitirmos nossa pequenez e fragilidade. Porque assim, só assim, somos capazes de nos humanizar verdadeiramente.
Segundo o escritor mineiro, João Guimarães Rosa, “Deus nos dá pessoas e coisas, para aprendermos a alegria... Depois, retoma coisas e pessoas para ver se já somos capazes da alegria sozinhos... Essa... a alegria que ele quer...”. Portanto, aprendemos com a vida; aprendemos com a morte. Apesar do sofrimento desse momento, espero sinceramente que de agora em diante estejamos mais bem preparados para os próximos Dezembros; afinal, “só a experiência própria é capaz de tornar sábio o ser humano” [1].  




[1] Sigmund Freud (Médico e psicólogo austríaco. Foi o fundador da Psicanálise.)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

OPAS pede que países reforcem nove medidas para acabar com a Aids até 2030

Na véspera do Dia Mundial de Luta contra a Aids, celebrado em 1º de dezembro, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) convoca governos e sociedades a fortalecer combate à doença. Na América Latina e Caribe, quase 2 milhões de pessoas vivem com HIV.

Na véspera do Dia Mundial de Luta contra a Aids, celebrado em 1º de dezembro, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) convoca governos e sociedades a ampliar nove estratégias que podem pôr um fim à doença enquanto ameaça de saúde pública até 2030.
Com a campanha “Aceite o desafio, acabe com a Aids”, a agência regional da ONU quer que os Estados-membros forneçam preservativos e lubrificantes e incentivem seu uso; ofereçam testes de HIV em áreas frequentadas por populações-chave; e expandam o acesso à profilaxia pré e pós-exposição, a PrEP e a PEP, respectivamente.
Quase 2 milhões de pessoas vivem com HIV na América Latina e no Caribe. A cada ano, 100 mil pessoas adquirem o vírus e 50 mil morrem por causas relacionadas à Aids. Entre 2000 e 2015, as novas infecções por HIV foram reduzidas em 25% e as mortes em 23%. No entanto, nos últimos cinco anos, houve um pequeno aumento nos casos — 0,7% —, particularmente entre os homens.
A OPAS sugere também levar testagem e tratamento para todas as mulheres grávidas soropositivas e seus recém-nascidos a fim de eliminar a transmissão vertical do HIV.
Oferecer terapia precoce para os que precisam e eliminar o estigma e a discriminação, garantindo o tratamento de infecções sexualmente transmissíveis associadas ao vírus, são outras propostas da agência, que pediu aumento dos orçamentos destinados ao combate à epidemia.

O HIV continua sendo uma ameaça
à saúde e requer uma resposta
estratégica global e regional.

“O HIV continua sendo uma ameaça à saúde e requer uma resposta estratégica global e regional”, disse a diretora da OPAS, Carissa Etienne. “Devemos intensificar esforços na prevenção combinada, detecção precoce e acesso ao tratamento, que são as chaves para impedir a transmissão do vírus nos próximos anos”, acrescentou.
O organismo regional espera que as Américas atinjam as metas da aceleração da resposta à Aids/HIV — que envolvem reduzir os novos casos de HIV em 74% e diminuir as mortes por Aids em 62% na região até 2020.
“Hoje, temos mais ferramentas para prevenir novas infecções, diagnosticar todos aqueles que vivem com o vírus e ainda não sabem e tratar todos o mais rápido possível para preservar sua saúde”, afirmou o diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis e Análise de Saúde, Marcos Espinal.

1º de Dezembro - Dia Mundial de Luta contra a AIDS