segunda-feira, 9 de março de 2026

“A pressa é inimiga da perfeição”


“A pressa é inimiga da perfeição”

 

Por Alessandra Leles Rocha

 

Quem já não ouviu que “a pressa é inimiga da perfeição”? Parece que, no Brasil contemporâneo, uns e outros da política-partidária nacional optaram por negligenciar o tal dito popular. Pena, porque as consequências podem ser desastrosas!

Não é de hoje que certos representantes político-partidários brasileiros, ligados à Direita em seu amplo espectro, defendem a equiparação de facções criminosas a grupos terroristas, alinhando-se a interesses dos EUA.

E o motivo é fácil de compreender, ou seja, os EUA pretendem equiparar as facções criminosas a grupos terroristas para facilitar bloqueios de bens, monitorar movimentações financeiras e ambientais; mas, principalmente, autorizar o uso de forças militares estadunidenses em solo brasileiro.

De modo que, não precisa ser nenhum gênio para entender que toda essa questão afeta diretamente a soberania nacional, o ano eleitoral, a exacerbação da polarização político-partidária, a violência política, na medida em que se permitiria a ocorrência de intervenções estrangeiras, pressões econômicas e o uso de força militar estadunidense no Brasil.

Acontece que, para surpresa de zero pessoas, a vida é dinâmica, instável e atravessada constantemente pelo inesperado, pelo insólito. Recentemente, em agosto de 2025, a Receita Federal, juntamente com o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) e a Polícia Federal (PF), realizou a Operação Carbono Oculto que desarticulou uma rede criminosa bilionária, a qual utilizava postos de combustíveis e fintechs para lavar dinheiro, com foco em importante organização criminosa da capital paulista.

A grande questão é que a referida operação atingiu as cúpulas de partidos de direita e do centrão. Com movimentações de aproximadamente R$ 50 bilhões, a delação de certos investigados apontou gastos com parlamentares, viagens aéreas em aviões de elementos da rede criminosa, gerando prejuízos no capital político e divisões internas nessas legendas, em razão do envolvimento de alguns de seus membros.

Mas, se apenas esses fatos já seriam ruins, o que dizer quando essa operação se entrelaça com outros recentes escândalos nacionais, tais como o do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o do Banco Master, hein? É, a Polícia Federal (PF) apura a existência de dados entre o caso do Banco Master, as fraudes no INSS e a operação Carbono Oculto, suspeitando de que fundos de investimento usados ​​na lavagem de dinheiro dos combustíveis também tenham ligação com lobistas investigados no escândalo do INSS.

E em meio a esse cenário apocalíptico, eis que surge uma matéria jornalística 1, na qual uma fonte do mercado financeiro, que acompanhou as negociações, apresentou documentos que sustentam uma denúncia de que o Banco Master foi comprado com dinheiro de narcotraficante espanhol, que já fora condenado por lavagem de dinheiro e tráfico internacional de drogas.

Assim, em linhas gerais, o que parece claro é que uma eventual equiparação de facções criminosas a grupos terroristas, no Brasil, para satisfazer aos interesses dos EUA, tem potencial concreto de provocar uma exposição inimaginável das personagens envolvidas nessa trama policial em curso, sobre as quais não há uma lista conclusiva. O modo como os acontecimentos têm se desenrolado, até aqui, sinaliza que pode haver muito mais gente do espectro político-partidário da Direita e do Centrão, do que aqueles já noticiados.

Sem contar que ao mexer nos interesses das facções criminosas, lucro econômico e controle territorial para mercados ilícitos, para enquadrá-las em facções terroristas, que visam objetivos políticos, ideológicos ou religiosos, não se pode cravar qual será o comportamento dos envolvidos. Portanto, não dá para descartar a possibilidade de aumentar o uso de delações premiadas para atingir financiadores e líderes, o que potencialmente incriminaria muito mais indivíduos de alta esfera social.