“A pressa
é inimiga da perfeição”
Por
Alessandra Leles Rocha
Quem já não ouviu que “a
pressa é inimiga da perfeição”? Parece que, no Brasil contemporâneo, uns e
outros da política-partidária nacional optaram por negligenciar o tal dito
popular. Pena, porque as consequências podem ser desastrosas!
Não é de hoje que certos
representantes político-partidários brasileiros, ligados à Direita em seu amplo
espectro, defendem a equiparação de facções criminosas a grupos terroristas,
alinhando-se a interesses dos EUA.
E o motivo é fácil de
compreender, ou seja, os EUA pretendem equiparar as facções criminosas a grupos
terroristas para facilitar bloqueios de bens, monitorar movimentações
financeiras e ambientais; mas, principalmente, autorizar o uso de forças
militares estadunidenses em solo brasileiro.
De modo que, não precisa ser
nenhum gênio para entender que toda essa questão afeta diretamente a soberania
nacional, o ano eleitoral, a exacerbação da polarização político-partidária, a violência
política, na medida em que se permitiria a ocorrência de intervenções
estrangeiras, pressões econômicas e o uso de força militar estadunidense no Brasil.
Acontece que, para surpresa de
zero pessoas, a vida é dinâmica, instável e atravessada constantemente pelo
inesperado, pelo insólito. Recentemente, em agosto de 2025, a Receita Federal, juntamente
com o Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) e a Polícia Federal (PF),
realizou a Operação Carbono Oculto que desarticulou uma rede criminosa
bilionária, a qual utilizava postos de combustíveis e fintechs para
lavar dinheiro, com foco em importante organização criminosa da capital paulista.
A grande questão é que a referida
operação atingiu as cúpulas de partidos de direita e do centrão. Com
movimentações de aproximadamente R$ 50 bilhões, a delação de certos
investigados apontou gastos com parlamentares, viagens aéreas em aviões de
elementos da rede criminosa, gerando prejuízos no capital político e divisões
internas nessas legendas, em razão do envolvimento de alguns de seus membros.
Mas, se apenas esses fatos já
seriam ruins, o que dizer quando essa operação se entrelaça com outros recentes
escândalos nacionais, tais como o do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)
e o do Banco Master, hein? É, a Polícia Federal (PF) apura a existência de dados
entre o caso do Banco Master, as fraudes no INSS e a operação Carbono Oculto,
suspeitando de que fundos de investimento usados na
lavagem de dinheiro dos combustíveis também tenham ligação com
lobistas investigados no escândalo do
INSS.
E em meio a esse cenário apocalíptico,
eis que surge uma matéria jornalística 1,
na qual uma fonte do mercado financeiro, que acompanhou as negociações, apresentou
documentos que sustentam uma denúncia de que o Banco Master foi comprado com
dinheiro de narcotraficante espanhol, que já fora condenado por lavagem de
dinheiro e tráfico internacional de drogas.
Assim, em linhas gerais, o que parece
claro é que uma eventual equiparação de facções criminosas a grupos
terroristas, no Brasil, para satisfazer aos interesses dos EUA, tem potencial
concreto de provocar uma exposição inimaginável das personagens envolvidas nessa
trama policial em curso, sobre as quais não há uma lista conclusiva. O modo
como os acontecimentos têm se desenrolado, até aqui, sinaliza que pode haver
muito mais gente do espectro político-partidário da Direita e do Centrão, do
que aqueles já noticiados.
Sem contar que ao mexer nos
interesses das facções criminosas, lucro econômico e controle territorial para
mercados ilícitos, para enquadrá-las em facções terroristas, que visam
objetivos políticos, ideológicos ou religiosos, não se pode cravar qual será o
comportamento dos envolvidos. Portanto, não dá para descartar a possibilidade de
aumentar o uso de delações premiadas para atingir financiadores e líderes, o
que potencialmente incriminaria muito mais indivíduos de alta esfera social.
