Entre golpes
e traições... Assim caminha a história do Brasil
Por Alessandra
Leles Rocha
Não há traição no Congresso
Nacional brasileiro. Finalmente, os legisladores federais, capitaneados pelo
espectro político-partidário de Direita, que forma a maioria nas casas
Legislativas; sobretudo, na Câmara dos Deputados, rasgaram a fantasia. Despiram-se
da mais abjeta hipocrisia para revelar que são pagos com recurso público para
trabalhar em desfavor do país, do Estado de Direito e da Democracia. Patriotismo
zero!
29 e 30 de abril de 2026
tornam-se, a partir de agora, símbolos dessa capacidade démodé de reafirmação
do ranço histórico nacional. Afinal, de onde derivam as raízes dessa gente? Ora, o espectro político-partidário de Direita,
no Brasil, representa a herança das oligarquias e elites que estiveram
presentes no país desde o Colonialismo, e mantêm, em pleno século XXI, o mesmo
arcabouço ideológico, com pequenos traços de modernização.
Portanto, essa tradição é marcada
por inúmeras tensões que envolvem o liberalismo econômico, o autoritarismo, o conservadorismo
moral e religioso, a propriedade privada, a banalização das desigualdades socioeconômicas,
as hierarquias tradicionais e a resistência a mudanças sociais profundas.
O que significa que a votação
para o novo membro do Supremo Tribunal Federal (STF), ocorrida no dia 29, e a
votação para a derrubada dos vetos presidenciais ao Projeto de Lei nº
2.162/2023 (PL da Dosimetria), hoje, 30 de abril, foram tecituras organizadas a
partir dessa matriz histórico-ideológica que sustenta o espectro
político-partidário de Direita, nesse país.
Acontece que esse PL, ao
contrário do que muita gente diz, além de focar em crimes contra o Estado
Democrático de Direito, ele permite alterações no Código Penal e na Lei de
Execução Penal, que irão favorecer outros condenados por crimes tão inconcebíveis
quanto. Um verdadeiro libera geral! Porque essa decisão irá, principalmente, facilitar
as regras para que o condenado passe do regime fechado para o semiaberto ou
aberto mais rapidamente.
E aí está a bizarrice! Veja, o
espetro político-partidário de direita ao derrubar os vetos presidenciais ao PL
da Dosimetria, contrariou a sua própria defesa de um modelo de segurança
pública inspirado no discurso linha-dura salvadorenho, baseado na suspensão dos
direitos de detentos. Eles destoaram totalmente da sua própria retórica de tolerância
zero!
Pois é, com a campanha eleitoral
oficial de 2026, começando no dia 16 de agosto, parece que o espetro
político-partidário de Direita terá um trabalho danado para consertar esse
desarranjo ideológico.
Haja vista que a estratégia
demonstrou, até aqui, um pragmatismo político radical em relação ao rigor penal
para crimes comuns, praticados por gente do povo, e organizações criminosas,
mas se rendeu a quaisquer flexibilizações quando o assunto é aplicar a punição ao
campo político próprio, gerando uma indigesta contradição. Não é?!
Assim, que não restem mais dúvidas
a ninguém, o espetro político-partidário de direita no Brasil vive em busca do
poder, não importa como, quando, onde. De modo que suas decisões não refletem
um pensamento em prol do desenvolvimento e do progresso do país e da grande
massa de população.
É nesse tipo de atuação, pautada
pelo fisiologismo ou por alianças de ocasião, que a dificuldade de estabelecer políticas
públicas de longo prazo focadas na redução da desigualdade e na melhoria
significativa do desenvolvimento cidadão, acontece. Portanto, o que está sempre
me jogo, a cada eleição, é o impacto real dessas ações para a grande massa da
população. Esse é o ponto central da disputa política brasileira.
Mas, como se julgam donos do país, das leis, de tudo, eles acabam equivocados, contraditórios, dizendo e desdizendo coisas por aí. Fazendo trapalhadas a rodo! Passando vergonha de todo jeito! Desgastando o verniz do seu capital político. Então, o jeito é aguardar para ver quantos eleitores ainda estarão dispostos a bater palmas para essa gente dançar.
