quarta-feira, 29 de novembro de 2017

UNESCO inclui acervos de Paulo Freire, Nise da Silveira e Carlos Gomes em projeto global de conservação

Três acervos do Brasil foram aprovados para fazer parte do registro internacional do programa Memória do Mundo da UNESCO. São eles: o Arquivo Pessoal de Nise da Silveira, a Coleção ‘Educador Paulo Freire’ e ‘Antonio Carlos Gomes: compositor de dois mundos’. Projeto de conservação e divulgação já conta com 427 coleções e documentos de todos os continentes.
Três acervos do Brasil foram aprovados para fazer parte do registro internacional do programa Memória do Mundo da UNESCO. São eles: o Arquivo Pessoal de Nise da Silveira, a Coleção Educador Paulo Freire e Antonio Carlos Gomes: compositor de dois mundos. Projeto da agência da ONU visa preservar e divulgar patrimônio documental de diferentes partes do mundo.
“Todas as submissões brasileiras foram aceitas. Isso deve ser um motivo de orgulho para o país. Agora, o Brasil tem dez acervos inscritos no registro internacional”, comemora Adauto Soares, coordenador do setor de Comunicação e Informação da UNESCO no Brasil. Entre os documentos brasileiros previamente inscritos no cadastro mundial, estão a Rede de Informação e Contrainformação do Regime Militar no Brasil e o Arquivo arquitetônico de Oscar Niemeyer.
A iniciativa Memória do Mundo se divide em três níveis — global, regional e nacional. Atualmente, o registro internacional conta com 427 documentos e coleções de todos os continentes.
A inclusão no projeto dos três acervos brasileiros foi decidida ao final de outubro, durante encontrou que reuniu em Paris, na sede da agência da ONU, os integrantes do comitê consultivo responsável pelo projeto Memória do Mundo. Outras 75 coleções de diferentes países foram incluídas no programa.
Conheça os acervos brasileiros selecionados:
O Arquivo Pessoal de Nise da Silveira foi proposto pela Sociedade de Amigos do Museu do Inconsciente, no Rio de Janeiro, onde o acervo está disponível para visitação. A indicação garante a preservação dos ensinamentos da renomada psiquiatra brasileira que, por meio de cartas trocadas com Carl Jung, deu abertura para a entrada da psicologia jungiana na América Latina. Para saber mais sobre esse arquivo, assista ao vídeo produzido pela UNESCO no Brasil.

O título internacional vem dar ainda mais destaque ao arquivo de Nise da Silveira que já estava inscrito no Registro Nacional do Programa Memória do Mundo (MoW Brasil) desde 2014, assim como no Registro Regional da América Latina e do Caribe do Programa Memória do Mundo (MoW LAC), desde 2015.
O acervo Antonio Carlos Gomes: compositor de dois mundos conta com vários documentos produzidos pelo famoso compositor de ópera brasileiro, o primeiro a ter suas obras apresentadas no Teatro alla Scala, na Itália. O Museo do Teatro italiano participou da proposta dessa submissão, ao lado de diversas instituições brasileiras, configurando uma inscrição binacional Brasil-Itália. As instituições brasileiras participantes da proposta são o Arquivo Nacional (AN); a Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); a Fundação Biblioteca Nacional (FBN); o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB); o Museu Carlos Gomes do Centro de Ciências, Letras e Artes (CCLA); o Museu Histórico Nacional (MHN); o Museu Imperial (MI); e o Museu da Universidade Federal do Pará (MUFPA).
O último acervo brasileiro incluído no registro internacional é a Coleção Educador Paulo Freire, proposta por Ana Maria Araújo Freire e pelo Instituto Paulo Freire. A coleção eterniza os pensamentos de Paulo Freire, um dos educadores de maior renome da história do Brasil. Criador da pedagogia crítica e nomeado Patrono da Educação Brasileira pela lei 12.612 de 13 de abril de 2012. O acervo se encontra disponível para visitação no Instituto Paulo Freire, em São Paulo. Os documentos já haviam sido inscritos no Registro Nacional do Programa Memória do Mundo (MoW Brasil), em 2014, e no Registro Regional da América Latina e do Caribe do Programa Memória do Mundo (MoW LAC), em 2015.
Clique aqui para saber mais sobre outros acervos brasileiros inscritos (em inglês) no Registro Internacional do Programa Memória do Mundo.

No Brasil, 54,6% das pessoas com idade entre 16 a 25 anos têm HPV

Dados preliminares de pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde nas 26 capitais e no Distrito Federal alertam para o alto índice de HPV entre jovens. Das mais de 7,5 mil pessoas participantes da pesquisa, 2.669 realizaram teste de HPV. Destas, 54,6% apresentaram resultado positivo e 38,4% apresentaram HPV de alto risco para o desenvolvimento de câncer. O relato é do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

Dados preliminares de pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde nas 26 capitais e no Distrito Federal alertam para o alto índice de HPV entre jovens. Das mais de 7,5 mil pessoas participantes da pesquisa, 2.669 realizaram teste de HPV. Destas, 54,6% apresentaram resultado positivo e 38,4% apresentaram HPV de alto risco para o desenvolvimento de câncer.
O estudo, divulgado na segunda-feira (27), indica ainda que 16,1% dos jovens têm uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) prévia ou apresentaram resultado positivo no teste rápido para HIV ou sífilis. Os dados finais deste projeto serão disponibilizados no relatório a ser apresentado ao Ministério da Saúde em abril de 2018, lembrou o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).

Comportamentos de risco

Os dados preliminares do estudo mostram índices elevados de comportamento sexual de risco. Somente metade das pessoas entrevistadas afirmou usar camisinha rotineiramente nas relações sexual e apenas 41,1% fizeram uso na última relação. O comportamento sexual de risco foi observado em 83,4% dos entrevistados, sendo que a média de parceiros sexuais no último ano foi de 2,2, e a média de parceiros nos últimos 5 anos, de 7,5.
A maioria dos indivíduos disse estar em uma relação afetiva estável, sendo que 41,9% estavam namorando e 33,1% casados (ou morando com o parceiro); o restante estava sem relacionamento, sendo solteiro (24,2%) ou divorciado (0,7%). A média de idade de início da atividade sexual foi de 15,3 anos, sendo 15,4 anos para mulheres e 15,0 anos para homens.
Entre as mulheres, 47,7% já engravidaram, sendo que dessas, 63,4% tiveram um filho e 35,4% tiveram dois ou mais. A idade média para a primeira gestação foi de 17,1 anos.

Maioria de mulheres e pessoas negras

A população do estudo foi composta por 5.812 mulheres e 1.774 homens, sendo a média de idade de 20,6 anos. A maior parte das entrevistas foi composta por indivíduos que se autodeclararam pardos (56,6%), seguido de brancos (23,9%) e pretos (16,7%). Apenas 111 indivíduos se autodeclararam amarelos (1,7%) e 74 indígenas (1,2%). Essa distribuição é a mesma observada pelo último censo brasileiro onde os grupos raciais pardo e branco representaram a maioria da população dessa mesma faixa etária.
Em relação à escolaridade, 37,9% dos jovens disseram estar estudando; 28,3% interromperam os estudos e 33,8% os concluíram. A população que compôs a pesquisa foi, majoritariamente, da classe C (55,6%) ou D-E (26,6%), seguida da classe B (15,8%) e somente 112 indivíduos foram incluídos na classe A (2%).
A pesquisa POP-Brasil foi realizada em 119 Unidades Básicas de Saúde e um Centro de Testagem e Aconselhamento nas 26 capitais brasileiras e Distrito Federal, contando com a colaboração de mais de 250 profissionais de saúde. O estudo identificou os fatores demográficos, socioeconômicos, comportamentais e regionais associados à ocorrência do HPV em mulheres e homens entre 16 e 25 anos de idade, usuários do SUS nas 27 capitais brasileiras.

Atendimento adequado à fase do ciclo de vida

Em 2017, o UNFPA intensificou a atuação junto aos governos para que as unidades de saúde ofereçam atendimento adequado a jovens e adolescentes. Passo importante foi dado em Brasília no início de novembro (9), quando o UNFPA lançou a iniciativa “Chega Mais – Selo de Qualidade de Serviços para Adolescentes”.
O selo é resultado de parceria firmada entre UNFPA, Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal e Secretaria de Estado de Políticas para Crianças, Adolescentes e Juventude do Distrito Federal.
O selo será uma certificação concedida pela agência da ONU a serviços públicos em saúde adequados a essa fase da vida. Será concedido a partir de critérios de qualidade para o atendimento de adolescentes, com acompanhamento e aprimoramento contínuos. Os critérios envolvem desde acesso livre de discriminação até a integração em diferentes frentes de atendimento, a educação permanente de profissionais e a participação social.

Mais de 850 mil mulheres são infectadas por HIV todos os anos no mundo, diz UNAIDS

Dados compilados pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) mostram que cerca de 870 mil mulheres são infectadas pelo HIV todos os anos no mundo, e só metade tem acesso ao tratamento capaz de salvar vidas. Isso coloca a AIDS como a maior causa de mortes entre mulheres em idade reprodutiva (de 15 a 49 anos) globalmente.
“Quando jovens mulheres são empoderadas no exercício de seus direitos, a prevalência do HIV cai, há menos registros de gravidez indesejada, menos casos de mortes maternas e menos evasão escolar, além de maior adesão do mercado de trabalho”, afirmou o relatório do UNAIDS “Direito à Saúde”, divulgado na segunda-feira (20).
Dados compilados pelo Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS)mostram que cerca de 870 mil mulheres são infectadas por HIV todos os anos no mundo, e só metade tem acesso ao tratamento capaz de salvar vidas. Isso coloca a AIDS como a maior causa de mortes entre mulheres em idade reprodutiva (de 15 a 49 anos) globalmente.
Os números foram divulgados para a ocasião do Dia Internacional para Eliminação da Violência contra as Mulheres, lembrado anualmente em 25 de novembro, e do início dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres.
A iniciativa, liderada pela ONU Mulheres, uma das instituições copatrocinadoras do UNAIDS, tem como objetivo chamar a atenção para a urgência da eliminação da violência de gênero e mobilizar a sociedade por meio de mensagens e iniciativas de impacto.
O UNAIDS lembra que mulheres que vivem com HIV enfrentam estigma e discriminação dentro de suas próprias famílias, comunidades, locais de trabalho e serviços de saúde. Estes últimos, incluindo os de saúde sexual e reprodutiva, ainda não estão disponíveis a todas as meninas e mulheres. Muitas ainda não são capazes de tomar decisões sobre sua própria saúde.
A violência contra mulheres e meninas permanece como uma mancha no tecido social globalmente. Todos os anos, milhões de meninas são forçadas ao casamento antes de estarem prontas ou de dar seu consentimento.
Quando essas meninas e mulheres não podem usufruir de sistemas sociais, educacionais e de saúde, elas não apenas têm seus direitos humanos negados, incluindo o direito à saúde, mas também tem seu futuro usurpado e desprovido de oportunidades de florescer e viver em plenitude, salientou o programa da ONU.
“Quando jovens mulheres são empoderadas no exercício de seus direitos, a prevalência do HIV cai, há menos registros de gravidez indesejada, menos casos de mortes maternas e menos evasão escolar, além de maior adesão do mercado de trabalho. Quando mulheres jovens têm acesso a educação, os resultados relacionados à saúde melhoram consideravelmente”, afirmou o relatório do UNAIDS “Direito à Saúde”, divulgado na segunda-feira (20).
“Meninas e mulheres estão no centro da resposta à AIDS. Fatores como idade, etnia, desigualdades de gênero, deficiência, orientação sexual, profissão e posição socioeconômica são determinantes na capacidade que meninas e mulheres têm de se proteger do HIV”, disse o documento.
A violência ou o medo da violência representam um grande obstáculo para o acesso de adolescentes e mulheres ao sexo seguro, as ações de prevenção, testagem e tratamento, bem como aos serviços de saúde sexual e reprodutiva.
Segundo o relatório “Acabando com a AIDS”, 64,3% das mulheres jovens (entre 15 e 24 anos) reportaram o uso de preservativo na primeira relação sexual, entretanto, apenas 17,9% das mulheres relataram o uso do preservativo nos últimos 12 meses com parceiro fixo.
Os números mostram que mesmo as mulheres que não sofrem violência física estão suscetíveis ao vírus quando coagidas por seus parceiros a terem relações sexuais sem camisinha.

História de vida

Para Silvia Almeida, consultora do UNAIDS Brasil, a submissão feminina ainda está enraizada em nossa sociedade.
“Na nossa cultura as mulheres sempre exerceram um papel de submissão econômica que se reflete na autoestima e na educação sexual. Precisamos desconstruir a ideia machista de dominação masculina e interiorizar a importância do cuidado com o próprio corpo através de uma educação sexual abrangente desde cedo.”
Silvia descobriu que tinha HIV em 1994, após ter contraído o vírus do marido — seu primeiro namorado, com quem foi casada durante 15 anos, e pai de seus dois filhos. Ele faleceu dois anos depois do diagnóstico.
“As mudanças acontecem lentamente na nossa sociedade, por ,isso precisamos bater na mesma tecla constantemente. Uma mulher que anda com preservativo é vista como mal-intencionada, quando, na verdade, ela tem boas intenções para com seu corpo e sua própria saúde.”
“Ainda hoje a camisinha é vista apenas como um método contraceptivo. E a desinformação é ainda maior em regiões mais remotas do país”, salientou.

16 dias de Ativismo

O mote deste ano da campanha 16 Dias de Ativismo é ‘não deixar ninguém para trás’, alcançando as mulheres mais vulneráveis primeiro. O movimento está sendo construído por meio de ações que colocam em destaque implicações e consequências da violência contra mulheres e meninas nos grupos mais marginalizados.
“Como comunidade global, podemos acabar com a violência contra mulheres e meninas, transformar instituições e unir os esforços para erradicar a discriminação, restaurar os direitos humanos e a dignidade e não deixar ninguém para trás”, declarou Phumzile Mlambo-Ngcuka, secretária-adjunta da ONU e diretora-executiva da ONU Mulheres.