terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

Entre idas e vindas ... O viralatismo carimbando o passaporte!

Entre idas e vindas ... O viralatismo carimbando o passaporte!

 

Por Alessandra Leles Rocha

 

Cada vez mais, me parece válido trazer a discussão crítico-reflexiva sobre certos assuntos nacionais, por mais cansativos e constrangedores que eles sejam. Ao contrário do que imaginam, uns e outros, por aí, a rusga que se estabeleceu entre uma plataforma de vídeos estadunidense e um juiz da Suprema Corte brasileira tem muito a nos dizer e fazer pensar.

Não, não se trata de um caso fortuito. Na verdade, tudo começa no ranço colonial que se mantém ativo no Brasil. Descendente direto das oligarquias burguesas e da corte metropolitana, que viveu no Brasil entre os séculos XV e XIX, o espectro político-partidário da Direita, em todos os seus matizes, detém com mãos de ferro o direito de se apropriar do país, com base meramente interpretativa do seu papel majoritário, enquanto elite e representante do poder nacional.

Assim, dentro dessa perspectiva distorcida, enviesada, delirante, é que temos visto, amiúde, as idas e vindas de parlamentares brasileiros desse viés, aos EUA, com fins de difamar e constranger a soberania e o Estado Democrático de Direito nacional. Um comportamento verdadeiramente vira-lata, subserviente, bajulador, muito semelhante ao que se via nos tempos do Brasil colonial.

Mas, não bastasse o propósito de tamanha vergonha, esses cidadãos se valem do dinheiro público para viajar, abstendo-se das suas responsabilidades junto aos seus eleitores e ao Congresso Nacional. Fechados em copas, no mais absoluto silêncio, eles agem assim, porque se consideram donos do país.  Gente acima do bem e do mal.

Vejam a dimensão do disparate! Enquanto, recentemente, os EUA têm se arvorado em dizer que irá se apropriar de territórios, além dos seus, e os respectivos países já se levantaram em defesa da sua soberania, certos brasileiros não se envergonham em desdenhar da sua própria identidade nacional. Como disse anteriormente, “Um comportamento verdadeiramente vira-lata, subserviente, bajulador”.

No entanto, são atitudes assim, que abriram espaço para as investidas de empresas estadunidenses, do setor de mídia e tecnologia, desrespeitarem a soberania, a Carta Magna e as instituições brasileiras. Tentando apequenar, de maneira grosseira e imperdoável, a importância do Brasil no cenário global, do século XXI.

Embora sejam deprimentes essas atitudes, elas, de fato, não conseguem nada além de fomentar os delírios distópicos das bolhas direitistas, aqui e nos EUA. Juridicamente elas não têm quaisquer respaldos para alcançar sucesso. São manifestações de puro caráter político e sensacionalista, as quais estão encontrando a devida resposta, na altivez do poder judiciário brasileiro, o qual não mede esforços em defender e garantir a soberania nacional.

Contudo, me parece necessário que sejam tomadas as providências cabíveis em relação aos legisladores viajantes da República. Ora, entre tantas idas e vindas, aos EUA, eles (as) estão deixando de praticar o seu dever em função do cargo que ocupam. Estão se apropriando de dinheiro público, ao qual têm acesso por conta da função, em benefício próprio. E isso, caro (a) leitor (a), pode ser configurado em crime contra a administração pública!

Por essas e por outras é que o Brasil não consegue extirpar o seu ranço colonial. É imprescindível nos questionarmos em relação à nossa identidade nacional, às nossas representatividades, os nossos valores e crenças.  É importante entender que, por trás de todos os poderes, regalias e privilégios, está uma pirâmide social, cuja base é bem maior do que o topo. De modo que não há razões para que a base se permita continuar legitimando, através de aplausos, simpatias e apoios, o pensamento equivocado do topo, que se considera proprietário do país.  

Afinal de contas, o Brasil fundamenta a sua soberania a partir de “um Estado Democrático, destinado a assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica das controvérsias” (Constituição Federal – Preâmbulo, 1988).