Entre
idas e vindas ... O viralatismo carimbando o passaporte!
Por
Alessandra Leles Rocha
Cada vez mais, me parece válido
trazer a discussão crítico-reflexiva sobre certos assuntos nacionais, por mais
cansativos e constrangedores que eles sejam. Ao contrário do que imaginam, uns
e outros, por aí, a rusga que se estabeleceu entre uma plataforma de vídeos
estadunidense e um juiz da Suprema Corte brasileira tem muito a nos dizer e
fazer pensar.
Não, não se trata de um caso fortuito.
Na verdade, tudo começa no ranço colonial que se mantém ativo no Brasil.
Descendente direto das oligarquias burguesas e da corte metropolitana, que
viveu no Brasil entre os séculos XV e XIX, o espectro político-partidário da
Direita, em todos os seus matizes, detém com mãos de ferro o direito de se
apropriar do país, com base meramente interpretativa do seu papel majoritário, enquanto
elite e representante do poder nacional.
Assim, dentro dessa perspectiva
distorcida, enviesada, delirante, é que temos visto, amiúde, as idas e vindas
de parlamentares brasileiros desse viés, aos EUA, com fins de difamar e
constranger a soberania e o Estado Democrático de Direito nacional. Um comportamento
verdadeiramente vira-lata, subserviente, bajulador, muito semelhante ao que se
via nos tempos do Brasil colonial.
Mas, não bastasse o propósito de
tamanha vergonha, esses cidadãos se valem do dinheiro público para viajar,
abstendo-se das suas responsabilidades junto aos seus eleitores e ao Congresso
Nacional. Fechados em copas, no mais absoluto silêncio, eles agem assim, porque
se consideram donos do país. Gente acima
do bem e do mal.
Vejam a dimensão do disparate! Enquanto,
recentemente, os EUA têm se arvorado em dizer que irá se apropriar de
territórios, além dos seus, e os respectivos países já se levantaram em defesa
da sua soberania, certos brasileiros não se envergonham em desdenhar da sua própria
identidade nacional. Como disse anteriormente, “Um comportamento
verdadeiramente vira-lata, subserviente, bajulador”.
No entanto, são atitudes assim,
que abriram espaço para as investidas de empresas estadunidenses, do setor de
mídia e tecnologia, desrespeitarem a soberania, a Carta Magna e as instituições
brasileiras. Tentando apequenar, de maneira grosseira e imperdoável, a importância
do Brasil no cenário global, do século XXI.
Embora sejam deprimentes essas
atitudes, elas, de fato, não conseguem nada além de fomentar os delírios distópicos
das bolhas direitistas, aqui e nos EUA. Juridicamente elas não têm quaisquer
respaldos para alcançar sucesso. São manifestações de puro caráter político e sensacionalista,
as quais estão encontrando a devida resposta, na altivez do poder judiciário
brasileiro, o qual não mede esforços em defender e garantir a soberania
nacional.
Contudo, me parece necessário que
sejam tomadas as providências cabíveis em relação aos legisladores viajantes da
República. Ora, entre tantas idas e vindas, aos EUA, eles (as) estão deixando de
praticar o seu dever em função do cargo que ocupam. Estão se apropriando de
dinheiro público, ao qual têm acesso por conta da função, em benefício próprio.
E isso, caro (a) leitor (a), pode ser configurado em crime contra a
administração pública!
Por essas e por outras é que o
Brasil não consegue extirpar o seu ranço colonial. É imprescindível nos
questionarmos em relação à nossa identidade nacional, às nossas
representatividades, os nossos valores e crenças. É importante entender que, por trás de todos
os poderes, regalias e privilégios, está uma pirâmide social, cuja base é bem
maior do que o topo. De modo que não há razões para que a base se permita continuar
legitimando, através de aplausos, simpatias e apoios, o pensamento equivocado do
topo, que se considera proprietário do país.
Afinal de contas, o Brasil fundamenta
a sua soberania a partir de “um Estado Democrático, destinado a assegurar o
exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o
bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de
uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia
social e comprometida, na ordem interna e internacional, com a solução pacífica
das controvérsias” (Constituição Federal – Preâmbulo, 1988).