quarta-feira, 18 de março de 2020

Reflexões sobre a Pandemia...


Reaprender... a ser

Por Alessandra Leles Rocha


A Bomba Atômica provou que podia exterminar a raça humana num piscar de olhos. O mundo se assustou; mas, não o bastante para mudar de atitude.
Mariana e Brumadinho provaram a dimensão da negligência humana e da ganância capital. O mundo se assustou; mas, não o bastante para exigir outra postura das autoridades.
Queimadas e desmatamentos nos principais Biomas nacionais provaram o descaso com a sustentabilidade socioambiental. O mundo se assustou; mas, não o bastante para estabelecer na prática novos paradigmas de desenvolvimento.
Povos indígenas ameaçados e privados do seu espaço natural e cultura provaram a intransigência das políticas públicas. O mundo se assustou; mas, não o bastante para intervir e proteger.
As guerras e conflitos armados provam a incapacidade dialógica na expressão do bom senso comum. O mundo se assusta; mas, não o bastante para compreender o significado que o globalismo desempenha em tais situações e desdobramentos.
A migração forçada prova os reflexos da desumanidade na desconstrução das identidades. O mundo se assusta; mas, não o bastante para emanar empatia e solidariedade efetivas.
...
Então, de repente, vem uma Pandemia. O mundo fica em pânico. Dessa vez não é com o outro, nem em outro país ou continente. Dessa vez somos todos. Dessa vez cada um pode sentir pela própria experiência, na ótica da própria perspectiva.
O aprender e o desaprender se tornam simultâneos nesse processo. Dá medo. Dá ânsia.  Dá dúvida.  ... Na busca da ordem em meio ao caos.
Dessa vez não dá para fugir. Para se esconder. Para postergar. Para adormecer. Não tem escolha. Não tem opção.
Só o exercício fundamental da própria humanidade. Projeção da alma no espelho. Inteira. Desnuda. (Im)perfeita.
A velocidade. A intensidade. Tudo é avassalador. Nada e nem ninguém será o mesmo ao final. A dinâmica que estava em curso foi ceifada.
Será necessário repensar, refazer, reconstruir, reaprender a ser. Pois, tudo pelo qual não se lutava, não se questionava, não se exigia, não se entedia,... começará a fazer sentido.

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