quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

O poder das palavras


O poder das palavras

 

 

Por Alessandra Leles Rocha

 

 

A sociedade contemporânea tem dispensado pouca atenção aos perigos da verborragia. Tratam tudo como brincadeira, jogo de cena, midiatismo; mas, se esquecem de que as palavras têm poder para o Bem e para o Mal. E isso é muito sério. Muito grave. Ninguém fala por falar. Por trás das linhas há inúmeras entrelinhas que, muitas vezes, são mais danosas do que as linhas em si.

Temos assistido, mundo afora, os desastres causados pela verborragia desmedida e irresponsável. Mais do que a destruição de reputações e trabalhos, esse processo abala os alicerces civilizatórios e democráticos da humanidade. Relembram a tirania e o obscurantismo das más intenções, os quais já se repetiram por várias vezes ao longo da história.

Hoje foi, então, mais um dia triste. Violência não é exercício de cidadania. Depredação de patrimônio público ou privado não é demonstração de poder. Verborragia não é narrativa. O ser humano pode ser mais do que a barbárie que teima em habitá-lo. Como foi dotado de raciocínio lógico, de capacidade de pensamento, a força bruta já deveria ter sido abolida para dar vazão a dialogia equilibrada e producente.

Entretanto, sem que perceba, os autores da verborragia que incita o caos e a desordem desconstroem automaticamente a fundamentação argumentativa de seus próprios discursos convencionais. Lei e ordem, por exemplo, não combinam com o radicalismo. Vontades e narcisismos individuais ou minoritários não podem suplantar normas, códigos, doutrinas e leis, criadas para trazer equilíbrio coletivamente. Isso quer dizer que há uma tentativa de desorganização social a partir de arroubos e excessos, a fim de perturbar a dinâmica fundamental necessária a uma coexistência harmônica e pacífica.

Ora, em contextos democráticos não se mudam as regras do jogo em andamento. Essa é uma premissa básica, de conhecimento prévio de todos os participantes. Agir na contramão é revelar-se partidário da antidemocracia. É nivelar-se na prática e no discurso a uma minoria que, em pleno século XXI, ainda insiste em viver de reminiscências tenebrosas; mas, incapazes de retirar a ferrugem e devolver brilho ao poder. Por isso, a verborragia é só uma semente da discórdia. Só um viés de dúvida e segregação. Que causa prejuízos sem devolver nada de útil.

E pensando sob esse aspecto, quem precisa de algo assim, quando há um vírus dominando o planeta? Sim, porque na medida dos estragos sociais que têm ocorrido é ele quem está no poder, no controle de tudo. Até que se consiga por meios científicos, tecnológicos, farmacêuticos e médicos reverter a situação, temos problemas de sobra para resolver. Milhões de seres humanos para salvar. Portanto, a verborragia não cabe. É uma demonstração de insensatez explícita, gratuita. Não há ganhos. Há somente perdas.

Infelizmente, pessoas disposta a isso existem. Sempre existiram. Talvez, sempre existirão. O ser humano não é lá tão “boa gente” como se imagina. A questão é romper com esse movimento de alienação voluntária e olhar a vida com olhos de enxergar. Abstrair das peles de cordeiro, macias e felpudas, a rudeza da ira raivosa dos lobos. Ainda que estejamos de máscara, elas só cobrem o nariz e a boca, os olhos ficam de fora. E estes, caro (a) leitor (a), são o espelho da alma. Eles não sabem mentir. Então, se você os segue é porque coaduna da mesma essência, dos mesmos valores, dos mesmos princípios. Pense nisso!


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