Por
linhas bem tortas ...
Por Alessandra
Leles Rocha
Por linhas bem tortas, não é que
o tarifaço, promovido pelos EUA, trará benefícios! Diante da proposta, a
sociedade estadunidense que cresceu embalada pelo consumo desenfreado, agora,
terá que aprender, a duras penas, a conter seus impulsos. Mas, não somente ela.
Todos aqueles que se encantaram pelo “America way of life”, cujo pano de
fundo era justamente aderir às práxis consumistas. Desse modo, caro (a) leitor
(a), com os preços pela hora da morte, os cidadãos terão que repensar suas
prioridades e colocar o pé no freio da gastança.
Quem diria, não é mesmo?! Ao que
tudo indica, o grande beneficiado, nessa história toda, foi o meio ambiente. Afinal
de contas, a desaceleração do consumo tem impacto direto sobre as condições
ambientais. Menor desperdício e produção de resíduos. Menor consumo de recursos
hídricos. Menor emissão de gases poluentes. Menor utilização de agentes
químicos. Enfim... Isso porque a industrialização tende a se moldar, segundo a
nova realidade da demanda global. O tal “tarifaço”
impôs, na verdade, uma desaceleração da produção e do consumo, ao redor do
planeta.
Seja do ponto de vista da
microeconomia ou da macroeconomia, a tomada de decisão estadunidense em
esgarçar a ideia do multilateralismo para impor o bilateralismo, dentro de uma
assimetria de forças, tende a tornar o mundo muito mais empobrecido e, portanto,
menos capaz de consumir. Daí o fato de estarmos
diante, então, do início de um processo de reeducação da sociedade. O consumismo
que veio impulsionando o cenário contemporâneo, sofrerá um grande revés. Sobretudo,
no que diz respeito, aos supérfluos. Nada de explosões contínuas de novidades!
Desse modo, o ser humano terá que
rever a dinâmica da sua própria vida. Reaprender a priorizar. Conter seus
ímpetos irrefletidos. Dissociar-se da necessidade da exposição midiática. ... Dispor-se
a um processo de reumanização. Em linhas gerais, equilibrar a coexistência entre
o SER e o TER, no sentido de uma reapropriação da importância da própria essência.
Já dizia Albert Einstein, “Procure ser um homem de valor, em vez de ser um
homem de sucesso”. Porque, na maioria das vezes, infelizmente, esse sucesso
está condicionado às conquistas materiais e capitais. Uma pena, pois “Não se
mede o valor de um homem pelas suas roupas ou pelos bens que possui, o
verdadeiro valor do homem é o seu caráter, suas ideias e a nobreza dos seus
ideais” (Charles Chaplin).