sábado, 31 de outubro de 2026
sexta-feira, 30 de outubro de 2026
Sobre o EU e o NÓS, quando o assunto é felicidade, ética e justiça
Sobre o
EU e o NÓS, quando o assunto é felicidade, ética e justiça
Por
Alessandra Leles Rocha
Segundo a canção de Tom Jobim, “É
impossível ser feliz sozinho...” 1. Bem, o Maestro Brasileiro falava
de emoções e sentimentos; mas, eu tomo a liberdade de realizar um outro tipo de
análise, restrita ao sentido das palavras em si.
Assim, minha proposta de reflexão
parte do ponto de que o individualismo narcísico contemporâneo vem estabelecendo
não só uma relativização da ética, como da justiça.
Parece cada vez mais comum que os
seres humanos estejam acreditando que é sim possível ser feliz sozinho,
inclusive, apegados em suas próprias deformidades morais e frágeis casulos ideológicos.
Veja, quando o EU se torna a
única medida de valor, os conceitos coletivos desmoronam. A máxima do "o
que é bom para mim é o certo" substitui os imperativos morais
universais, de modo que a ética deixa de ser um pacto coletivo e vira uma
justificativa de interesses pessoais.
Por isso, decidi lhe trazer alguns
exemplos cotidianos sobre essa questão, para fazer você pensar um bocadinho.
Aguardar na fila é um pacto de
respeito mútuo ao tempo e à dignidade dos outros. No entanto, pela lógica do EU,
o pensamento se baseia pela ideia de que "se eu passar na frente, eu
ganho tempo. O atraso dos outros não é problema meu." Assim, a regra
social só vale se for vantajosa para o indivíduo; caso contrário, é vista como
um obstáculo a ser burlado.
Pagar impostos financia serviços
compartilhados essenciais como saúde, educação, infraestrutura, necessários
para a existência da própria sociedade. Aí, pela lógica do EU, cruza o
pensamento certas ideias como: "Por que vou pagar se não uso o hospital
público?" ou "Se eu sonegar um pouco, não faz diferença".
O que leva o dever cívico a ser rebaixado a um cálculo de custo-benefício
estritamente pessoal e indiferente a qualquer responsabilidade coletiva.
Há décadas o mundo vem discutindo
as questões de sustentabilidade socioambiental. Inclusive, defendendo que preservar
a água, o meio ambiente ou o espaço urbano é o que permite garantir que todos
continuem tendo acesso a eles no futuro.
Mas, pela lógica do EU, há sempre
alguém que diga: "Se eu poluir, gastar excessivamente ou descartar lixo
aqui, o prejuízo é diluído no meio de todo mundo, mas o meu conforto é imediato".
Isso significa que a lógica do benefício se torna individualizado e o custo passa
a ser empurrado para o coletivo. Fazendo parecer que a ilusão de que o “estrago”
pode ser dividido por todos, tornando o impacto individual invisível. Só que não.
Quando um ecossistema é afetado,
as consequências geram um efeito cascata que atinge a economia, a saúde pública
e a qualidade de vida de toda a população. Inclusive, é fundamental lembrar de
que a degradação ambiental severa gera os chamados Refugiados Climáticos,
pessoas que precisam deixar suas terras porque elas se tornaram inabitáveis ou
improdutivas.
Reconhecer direitos trabalhistas
e proteções sociais como conquistas que garantem dignidade mínima a quem produz,
repercute diretamente no bem-estar e desenvolvimento coletivo. Porém, pela
lógica do EU, a ideia é "Cada um por si. Se eu consigo aceitar receber
menos ou trabalhar sem rede de proteção para pegar a vaga do outro, o problema
é de quem não se adaptou". Acontece que é em razão desse tipo de ideia
que a exploração foi renomeada como mérito individual, ou seja, as condições
precárias de trabalho e a perda de direitos trabalhistas foram maquiadas com um
discurso motivacional de sucesso pessoal.
Por essas e outras, a justiça
passa a ser confundida com a satisfação dos próprios desejos. Assim, o
indivíduo deforma o conceito de direito, exigindo tudo para si e
desobrigando-se de qualquer dever para com a comunidade.
Nesse cenário, então, a perda da
consciência sobre o valor ético da justiça, quando ela é confundida com o
capricho individual e a busca pelo interesse próprio, promove a desintegração do
tecido social. Tendo como principais consequências desse fenômeno o egoísmo
institucionalizado, a corrosão da empatia e o colapso do pacto coletivo.
Num piscar de olhos, a cooperação
mútua desaparece, pois as ações deixam de visar o bem-estar coletivo e passam a
focar apenas no ganho pessoal.
Como os desejos individuais são
frequentemente conflitantes, a ausência de uma régua ética comum faz com que as
disputas sejam resolvidas pela força, pelo poder econômico ou pela influência,
e não pelo que é justo.
Portanto, há uma perda da
capacidade de enxergar o outro como um sujeito de direitos equivalente, gerando
indiferença perante as desigualdades e o sofrimento alheio.
No campo das instituições
políticas e jurídicas, as leis e os tribunais passam a ser vistos não como
instrumentos de equidade, mas como ferramentas de privilégio para quem pode
manipulá-los.
Desse modo, o conceito de direito
é corrompido, deixando de ser uma garantia universal e universalizável para se
transformar em uma vantagem pessoal ou corporativista.
Sem um norte ético compartilhado,
a aplicação das regras torna-se casuística, variando de acordo com as
conveniências do momento.
Tudo isso torna inevitável que os
cidadãos comportem-se como consumidores mimados do Estado e da comunidade,
exigindo satisfação imediata de suas demandas sem qualquer senso de
responsabilidade ou sacrifício pelo grupo.
Ocasionando, inclusive, a uma normalização
da corrupção do cotidiano, na medida em que atitudes individualistas, como
furar filas, sonegar ou burlar regras pequenas, passam a ser justificadas
socialmente como mecanismos de defesa ou de esperteza.
Bem, como se vê a partir dessa
breve exposição, a justiça desprovida de ética deixa de ser o cimento que une a
sociedade e passa a ser a picareta que a demole, transformando a vida
comunitária em uma arena de egoísmos concorrentes.
Nesse sentido, a sociedade contemporânea
parece ter esquecido de que ela não sobrevive se cada um olhar apenas para o
próprio umbigo, considerando que a justiça precisa de um ecossistema ético para
garantir que todos vivam bem juntos.
Quando a ética é retirada da
justiça, as leis passam a ser usadas como armas para defender privilégios
individuais ou de grupos específicos. E aí, o que deveria ser união se
transforma em destruição.
Acontece que em uma arena de puro
egoísmo, a máxima da primeira frase se concretiza de forma trágica, ou seja,
torna-se literalmente impossível ser feliz, pois o medo, a desconfiança e a
injustiça passam a governar as relações humanas.
Portanto, o individualismo
radical é uma ilusão autodestrutiva, porque tenta anular a própria
matéria-prima da existência humana que é a alteridade, a relação com o outro.
Ao tentar se isolar ou se
sobrepor à coletividade, o indivíduo destrói a estrutura social que garante
seus próprios direitos, sua segurança e sua sanidade mental.
A liberdade e a felicidade, então,
não são conquistas que ocorrem apesar da sociedade, mas sim através dela. De
modo que a sociedade depende inevitavelmente da qualidade das suas relações humanas.
Sem o tecido social preservado, a
busca individualista pela felicidade frequentemente se converte em isolamento e
sofrimento psíquico.
Algo que afeta diretamente a
segurança jurídica, porque sem um tecido social forte, as pessoas deixam de
acreditar nos pactos coletivos, gerando instabilidade.
Afinal de contas, o isolamento e
o enfraquecimento das relações humanas reduzem a capacidade de mediação
pacífica de conflitos, o que sobrecarrega o sistema de justiça com disputas
constantes, afetando a previsibilidade do direito.
Por essa razão é que as normas jurídicas precisam ser socialmente reconhecidas como justas. Quando a busca individualista corrói a empatia e a coesão, as leis passam a ser vistas como meras imposições e não como um reflexo do bem comum.
1 Wave
(1967) / Compositor: Antônio Carlos Jobim (Tom Jobim).
https://www.youtube.com/watch?v=RwxEEgp4BG4&list=RDRwxEEgp4BG4&start_radio=1
quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Segundo Michel Foucault, “Precisamos resolver nossos monstros secretos, nossas feridas clandestinas, nossa insanidade oculta”.
Segundo Michel
Foucault, “Precisamos resolver nossos monstros secretos, nossas feridas
clandestinas, nossa insanidade oculta”.
Por
Alessandra Leles Rocha
Apesar de a Direita em todos os
seus matizes mais ou menos extremistas terem alcançado uma maioria expressiva
para o Congresso Nacional na próxima legislatura, o resultado das urnas para a
Presidência da República trouxe não só um desconforto; mas, uma instabilidade
organizacional para os membros desse espectro político-partidário. Sobretudo,
após a fuga inesperada do seu candidato recém-derrotado para os EUA.
Não vamos nos esquecer de que o
poder costuma exercer sobre os indivíduos uma rivalidade pela disputa de
posições e influências. Trata-se da autofagia política em que um grupo,
partido, corrente ou liderança política promove sua própria destruição ou
enfraquecimento por meio de conflitos internos, disputas, escândalos ou divisão
de bases.
Nesse sentido, até que haja uma
pacificação político-ideológica no campo da direita brasileira, é precipitado
tecer conjecturas sobre o seu próprio posicionamento no cenário político dos
próximos pleitos. Inclusive, porque certas ideias que circularam a partir desses
mesmos indivíduos ainda ecoam de maneira indigesta entre o eleitorado nacional.
Em razão do fato de que elas reacendem
certos ranços coloniais históricos sobre determinados segmentos sociais; mas,
que se encontram totalmente desalinhados da realidade contemporânea do século
XXI. Nesse contexto incluem-se o racismo, a xenofobia, a misoginia, a intolerância
religiosa, a sanha depredatória dos recursos naturais, a eliminação dos povos
originários e remanescentes quilombolas.
Tanto que, ainda sob o calor das
tensões ideológicas discursivas que vieram à tona no pleito eleitoral de 2026,
trazidas por elementos do espectro político da Direita, em todos os seus
matizes mais ou menos extremistas, povos indígenas de Mato Grosso do Sul, como
os Guarani Kaiowá e Terena, denunciaram uma escalada de violência, ameaças de
morte e manifestações racistas logo após o segundo turno das eleições. As
denúncias foram formalizadas pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil
(APIB) e por parlamentares. Elas apontam para ataques coordenados com motivação
política após a divulgação do resultado eleitoral.
O cenário de hostilidade inclui
relatos graves de agressões físicas, tentativas de homicídio contra lideranças
de comunidades tradicionais e ameaças de envenenamento da água em retaliação ao
resultado das urnas. De modo que as denúncias foram encaminhadas a órgãos
federais e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por configurarem crime de
violência política.
Diante das ocorrências, o
Ministério Público Federal (MPF) passou a apurar o caso criminalmente, e os
ministérios dos Povos Indígenas (MPI), dos Direitos Humanos e da Cidadania
(MDHC) e da Igualdade Racial (MIR) formaram uma força-tarefa conjunta para monitorar
a segurança das aldeias e também apurar episódios semelhantes dirigidos a
comunidades quilombolas e povos de terreiro.
Também, proliferaram as denúncias
de empregadores e políticos que têm promovido campanhas contra funcionários que
tenham votado no candidato à Presidência da República que se sagrou vencedor. Veja,
o assédio eleitoral e a perseguição política no ambiente de trabalho são
ilegais e constituem crime no Brasil, mesmo após o encerramento das eleições.
O Ministério Público do Trabalho
(MPT) registrou uma explosão de denúncias após o segundo turno das Eleições
2026, motivada por publicações de políticos, empresários e influenciadores
digitais incentivando a demissão ou o boicote de trabalhadores que declararam
voto ou manifestaram apoio ao presidente reeleito.
Além disso, o cenário pós-segundo
turno das Eleições 2026 também gerou uma onda inédita de movimentos coordenados
de boicote comercial nas redes sociais, a partir da disseminação de listas de
estabelecimentos, incluindo restaurantes, comércios e prestadores de serviços,
associados a apoiadores ao presidente reeleito, de forma viral no ambiente
digital.
Vale ressaltar que essa práxis pautada
pelo método da exclusão, utilizando o mapeamento, a exposição pública e a conclamação
da sociedade para sufocar economicamente um grupo específico de cidadãos
unicamente em virtude de sua identidade, pensamento ou posicionamento político,
é preocupante e inconstitucional.
Preocupante porque ela fere
princípios fundamentais da democracia, dos direitos humanos e da livre
iniciativa. A democracia pressupõe a coexistência de pensamentos divergentes.
Mecanismos de sufocamento buscam impor uma homogeneidade ideológica pelo medo,
eliminando a diversidade de opiniões. Tratar o oponente político não como
alguém que pensa diferente, mas como um inimigo que deve ser destruído
financeiramente, destrói a empatia e a coesão social.
Mas, talvez, a pior consequência
seja o surgimento da Espiral da Vingança. Sim, quando o grupo hoje minoritário
ou boicotado alcançar o poder ou a maioria econômica, a tendência natural é que
ele utilize as mesmas armas de exclusão contra os seus antigos algozes, gerando
um ciclo interminável de perseguição mútua.
Assim, a preocupação passa a
residir no fato de que esse método substitui as ferramentas democráticas de
persuasão, voto e debate pela coerção econômica e pela segregação social,
aproximando a sociedade de lógicas autoritárias de perseguição, como já se viu
outras vezes no curso da historicidade humana.
Sobre ser inconstitucional, aos que
desconhecem o texto da Carta Magna de 1988, a manifestação do pensamento é
livre, sendo vedado o anonimato, segundo o art. 5º, inciso IV. A perseguição baseada em convicções políticas
fere o pluralismo político, que é um dos fundamentos da República, art. 1º, inciso
V. O art. 5º, inciso X, garante a proteção à intimidade, à vida privada, à
honra e à imagem das pessoas, assegurando o direito à indenização por dano
material ou moral decorrente de sua violação. O sufocamento econômico
intencional pode violar o princípio da livre iniciativa e do livre exercício de
qualquer trabalho, ofício ou profissão, conforme estabelece o art. 5º, XIII e o
art. 170. Por fim, todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer
natureza, sendo proibidas discriminações atentatórias aos direitos e liberdades
fundamentais (art. 5º).
Dessa forma, sob a ótica do
ordenamento jurídico, métodos de exclusão que visam punir civil ou
economicamente cidadãos pelo simples exercício de sua identidade ou
posicionamento político violam o pacto democrático e os direitos fundamentais. Afinal,
a punição civil ou econômica baseada na identidade ou convicção política
transforma a divergência democrática em um mecanismo de segregação social e
morte civil.
Isso significa que, na medida em
que o pertencimento a um grupo identitário ou político se torna critério para
sanções econômicas ou civis, tais como demissões, boicotes sistemáticos ou
perda de direitos, o Estado ou a própria sociedade civil opera uma subcidadania.
O que representa uma violência simbólica; pois, é uma forma de dominação que
não utiliza a força física, mas sim mecanismos culturais, econômicos e
institucionais para impor a censura e a marginalização de determinados grupos.
E essa imposição gera um fenômeno
conhecido como Espiral do Silêncio. Os indivíduos
que percebem que suas identidades ou opiniões atraem sanções financeiras ou
exclusão civil tendem a se calar por medo do isolamento ou da ruína econômica. Fato
que estabelece uma falsa unanimidade; pois, empobrece o debate público, criando
uma homogeneidade artificial e sufocando o pluralismo, que é a base vital de
qualquer democracia.
Portanto, quando a punição
econômica entra em jogo, o debate deixa de ser agonístico, uma disputa entre
adversários políticos legítimos, e passa a ser antagônico, uma luta existencial
para aniquilar o outro economicamente ou socialmente. Sendo esse o caminho para
estabelecer a polarização estrutural, na qual o indivíduo perde a capacidade de
transitar por diferentes esferas sociais. A economia, o trabalho e as relações
civis passam a ser filtrados por barreiras ideológicas, fragmentando a
sociedade em bolhas intransponíveis.
Por essas e outras, o que tem se apresentado nos últimos dias no Brasil é o surgimento de um tribunal moral, que não apenas viola a separação entre a esfera pública, onde se debate a política, e a esfera privada e/ou de subsistência; mas, reafirma o anseio de retrocesso histórico manifesto a partir do elitismo que almeja o estrangulamento social com fins de neutralizar uma eventual ascensão de certos grupos sociais.
Já dizia Nicolau Maquiavel, “Há três espécies de cérebros: uns entendem por si próprios; os outros discernem o que os primeiros entendem; e os terceiros não entendem nem por si próprios nem pelos outros; os primeiros são excelentíssimos; os segundos excelentes; e os terceiros totalmente inúteis”.
Por
Alessandra Leles Rocha
Em geral, os países têm um
controle rígido de imigração, dispondo de um histórico detalhado do pretenso
candidato a obter um visto de entrada naquele lugar. Considerando que esses são
tempos em que as notícias circulam ainda mais rápido do que rastilho de
pólvora, no caso de figuras importantes é natural que certas informações
constituam um peso relevante para a análise do serviço de imigração.
Por isso, é óbvio ululante que, principalmente,
no caso de autoridades estrangeiras que desejam ingressar nos EUA, exista um acompanhamento
direto do FBI (Polícia Federal Americana) e da CIA (Agência Central de
Inteligência), que impedem que o governo estadunidense desconheça o histórico desses
indivíduos. De modo que a decisão de permitir a entrada deles, não é por acaso ou
por eventual negligência.
Nos últimos tempos, um grupo de indivíduos
brasileiros fugiu para os EUA, temendo processos judiciais que poderiam levá-los
à cadeia no Brasil. Assim, se organizaram para cumprir um papel viralatista de traição
à sua pátria de origem, que gerou o interesse do Secretário
de Estado local, cujas pretensões eleitoreiras para 2028 passam pela reapropriação
da América Latina como “quintal dos EUA”, como já aconteceu nos tempos da
Guerra Fria.
Portanto, essa permissão de
entrada e permanência em território estadunidense está, de algum modo,
condicionada a cumprir todos os gestos e comportamentos ridículos e delirantes
que lhes forem exigidos, para satisfazer as intenções desse senhor. O que desconstrói
qualquer simbolismo de simpatia ou amizade entre eles, convertendo-se apenas a
uma cumplicidade conveniente.
Assim, diante do fato de que a
concessão de vistos e a autorização de entrada são condicionadas ao cumprimento
de requisitos legais estritamente estabelecidos, tais como a apresentação de
documentação válida, passaporte e visto adequado, a comprovação do propósito da
viagem e a ausência de antecedentes criminais ou de outras causas de
inelegibilidade, a situação do recém-derrotado nas eleições de 2026 no Brasil,
que é alvo de inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) por lavagem de
dinheiro e evasão de divisas, causa estranheza.
De modo que as autoridades de
imigração nos postos de fronteira, que possuem a prerrogativa legal de admitir
ou recusar a entrada de qualquer cidadão estrangeiro com base no cumprimento
dessas normas e na segurança nacional, ao não seguir essas orientações, levantam
suspeitas de que tenha havido influência por parte do Secretário de Estado, em
razão da proximidade que se estabeleceu entre ele e esse grupo de brasileiros,
que vêm atuando como traidores da pátria brasileira.
Acontece que, de saída, a
situação já permanece sob forte escrutínio, com congressistas estadunidenses,
pertencentes ao Partido Democrata, exigindo transparência sobre o montante de
fundos públicos e a natureza do aparato de Estado envolvido no acolhimento do
recém-derrotado nas eleições de 2026 no Brasil e sua família. E caso, o
referido partido se consagre vencedor nas eleições legislativas de meio de mandato,
como apontam diversas pesquisas, essas cobranças poderão se recrudescer ainda
mais.
Portanto, chegou a hora de desligar os canais e parar de oferecer palco
para comportamentos tão deploráveis e vexatórios, a quem não representa nada na
história nem do Brasil e nem do mundo. O viralatismo
desses indivíduos não merece publicidade e chegou literalmente ao fundo poço. Nem
mesmo, Nelson Rodrigues, autor da expressão, poderia imaginar algo assim! Trata-se
de uma vergonha que cresce exponencialmente não apenas por ausência completa de
inteligência; mas, de qualquer vestígio de bom senso e dignidade.
Ainda bem que isso não representa
o Brasil! Nem aqui, nem ali e nem acolá. Por incrível que pareça, essa
bizarrice expressa uma enorme contradição, tendo em vista que, nesse exato
momento, o Brasil vive o apogeu da sua glória, sendo reconhecido ao redor do
mundo como o maior expoente democrático da contemporaneidade, uma força
fundamental no combate ao fascismo e aos extremismos da ultradireita.
O Brasil é o exemplo que já passa a ser perseguido por outras nações. Elas descobriram que é possível. O que significa um movimento que tende a se reverberar e marcar a historicidade de maneira inigualável e eterna. Por tudo isso, viva o Brasil! Viva a Democracia! Viva a Soberania! Viva a juventude presente em todas as idades! Viva o povo brasileiro!
quarta-feira, 28 de outubro de 2026
O Brasil ainda flerta com ranço colonial
O Brasil
ainda flerta com ranço colonial
Por
Alessandra Leles Rocha
Já era de se esperar que o
resultado das eleições de 2026, dentro do próprio Brasil, traria desdobramentos
desagradáveis em relação a ala derrotada nas urnas. Mas, a rapidez surpreende.
Logo na segunda-feira, o mercado financeiro
expressou o seu descontentamento diante do fato de ter apostado todas as fichas
no candidato que satisfizesse os interesses rançosos das elites, que não se
importasse de permanecer a saga histórica de espoliação das camadas mais frágeis
e vulneráveis da população.
Assim, agiram com um tipo de
terrorismo capital. Investidores e operadores haviam comprado ativos a preços
elevados nas semanas anteriores, convictos de uma vitória da oposição, que
acenava com uma agenda de privatizações e maior aperto fiscal.
Nesse sentido, ocorreram movimentos
puramente especulativos e de realização de prejuízos, amplificados por
algoritmos de negociação automatizada. Como uma tentativa de impor uma
narrativa de crise e emparedar o governo eleito, buscando forçar a adoção de
políticas econômicas de interesse exclusivo das elites financeiras em
detrimento das demandas sociais.
Depois, surgiram inúmeras notícias
destacando falas de membros da classe política e empresários sugerindo a
demissão de funcionários que haviam votado no candidato que foi eleito
Presidente da República. Para início de conversa, condicionar a contratação ou
a demissão de um (a) funcionário (a) por causa de sua escolha
político-partidária é ilegal e pode configurar crime e infração trabalhista.
Veja, a lei nº 9.029/1995, proíbe
práticas discriminatórias para fins de admissão ou de permanência na relação
jurídica de trabalho, incluindo motivações políticas. A Constituição Federal de
1988, garante a liberdade de convicção filosófica e política. E o Código
Eleitoral, em seus arts. 300 e 301, caracteriza o assédio eleitoral como crime
quando há uso de coação, ameaça ou abuso de poder para influenciar o voto ou
punir o trabalhador por sua posição política.
Se a Justiça do Trabalho
reconhecer que a demissão ou dispensa foi discriminatória, o funcionário pode
optar entre a reintegração, ou seja, voltar ao emprego com o pagamento de todos
os salários e remunerações do período de afastamento; a indenização em dobro referente
ao período de afastamento, com correção monetária e juros; ou, solicitando reparação
por danos morais, cujo valor depende da gravidade da conduta.
E para isso, basta que as
denúncias sejam feitas de forma sigilosa pelo site oficial do Ministério
Público do Trabalho (MPT) ou pela unidade regional do MPT. Recomendando-se a
apresentação de provas. Por isso, o (a) trabalhador (a) deve guardar mensagens
de texto, áudios, vídeos, publicações, capturas de tela e registrar o contato
de testemunhas.
O importante é que a sociedade compreenda
que essas condutas refletem a persistência de traços históricos como o
coronelismo, o clientelismo e o voto de cabresto, originados no período
colonial e monárquico do país. Que a exigência de alinhamento político por
parte dos empregadores evoca práticas da República Velha, quando elites
agrárias controlavam os votos dos trabalhadores em seus currais eleitorais.
Essa mentalidade de que o
pagamento de um salário confere ao empregador o direito de controlar a
consciência e a cidadania do empregado é uma extensão direta da estrutura
social escravista e colonial, na qual o trabalhador não era visto como um
cidadão pleno, mas como propriedade ou extensão do patrão. Acontece que esse
comportamento tende a se intensificar em cenários de alta vulnerabilidade
econômica, onde o medo do desemprego é utilizado como mecanismo de coerção e
intimidação.
Mas, não bastasse isso, já circulam
informações de que o atual Presidente do Senado, a fim de garantir a sua
reeleição, pretende fazer um “agrado” à direita, em todos os seus matizes e
vieses, trazendo de volta a pauta da Anistia aos condenados pela tentativa de
Golpe de Estado no 08 de janeiro de 2023.
Recapitulando o conceito do
termo, a anistia é concedida pelo Poder Legislativo por meio de lei federal.
Ela costuma ser coletiva e apaga o próprio crime, ou seja, retroage para apagar
os efeitos penais, sendo muito comum em contextos de crimes políticos ou
paralisações de categorias.
Somente o indulto e a graça são
concedidos pelo Presidente da República. O primeiro é um perdão coletivo
concedido anualmente por meio de um decreto, no qual o Presidente da República estabelece
critérios gerais, como tempo de pena cumprido, ausência de faltas graves e tipo
de crime. O segundo é o perdão individual, estritamente humanitário e/ou
pessoal, solicitado pela defesa de um condenado.
Vale ressaltar que o Congresso
Nacional já aprovou medidas como o projeto da dosimetria, que visava recalcular
e reduzir penas de condenados pelo 8 de janeiro. Mas, em razão do veto pelo
Executivo, que foi derrubado pelo Congresso, sua aplicação foi suspensa pelo
STF. Daí o motivo de certos parlamentares da oposição reapresentarem propostas
de anistia ampla e até Propostas de Emenda à Constituição (PECs).
Bem, a ideia de anistiar os
envolvidos na tentativa de Golpe de Estado no 08 de janeiro de 2023, na
verdade, representa outro ranço colonial, que trata da impunidade as elites que
detém o poder. Trata-se de uma tentativa clara de reafirmar que eles estão
acima das leis, em razão do seu poder e influência, ou seja, que as leis só
alcançam aqueles que estão abaixo do topo da pirâmide social. O que estabelece a
impressão de que o Brasil, em pleno século XXI, ainda é um lugar dividido entre
dominados e dominadores, desimportantes e importantes.
Inclusive, a própria Constituição
Federal de 1988 veda expressamente o perdão institucional para crimes graves. Portanto,
perdoar tentativas de subversão do Estado Democrático de Direito representa uma
tentativa de enfraquecer as defesas institucionais contra futuras ameaças
golpistas. Sem contar que tal atitude pode abrir precedentes para a concessão
de perdão institucional, seja por meio de anistia, indulto ou graça, a outros criminosos.
Lembrando que no Direito, o
princípio da isonomia dita que situações iguais devem ser tratadas de forma
igual, se o poder público concede um benefício a um indivíduo ou a um grupo sob
certas justificativas, as defesas jurídicas de outros condenados em situações
análogas passarão a usar essa decisão como argumento para exigir o mesmo
tratamento.
Ora, mas o Brasil acaba de ser
surpreendido com a fuga do candidato recém-derrotado nas eleições presidenciais
e sua família, para os EUA. Temendo o enfrentamento de inquéritos gravíssimos em
que é alvo no Supremo Tribunal Federal (STF), ele se refugiu sob as asas do
governo estadunidense de ultradireita.
O que significa a eterna busca
das elites brasileiras em se abster das suas responsabilidades constitucionais
e jurídicas, de maneira constrangedora e abjeta. Sinalizando uma desconexão
crônica entre o poder que exercem e o pacto social que deveriam sustentar.
Assim, essas pessoas buscam
continuamente por brechas e blindagens jurídicas que servem para perpetuar essa
imunidade prática. Pelo uso de manobras jurídicas protelatórias, foro
privilegiado excessivo ou lobby para esvaziar a fiscalização, cria-se a
percepção, e muitas vezes a realidade, de que a responsabilidade legal é
maleável dependendo do poder aquisitivo ou de influência de quem a descumpre.
Portanto, em menos de 72 horas após
o fim do pleito eleitoral de 2026, o Brasil retorna à realidade marcada por sua
própria historicidade, no que diz respeito à dominação implacável que as elites
tentam impor sobre o restante da sociedade. Evidenciando, inclusive, suas
intenções golpistas e retrógradas, em desfavor de qualquer consciência contemporânea
de progresso e desenvolvimento social no cenário geopolítico mundial.
Sim, porque o Brasil acaba de
fazer história, de se tornar exemplo para diversos outros países, de gerar
editoriais esfuziantes nos principais jornais do planeta, superando as
fronteiras e os limites político-ideológicos que vêm marcando uma polarização
nas últimas décadas. Simplesmente, a sua virada eleitoral mostrou que é possível
vencer o ódio, o medo, o controle e a manipulação dos cidadãos, para descontruir uma
longa estrada de arbitrariedades e desigualdades que só fazem fraturar e
paralisar o desenvolvimento e o progresso de muitas sociedades.
Não nos esqueçamos, como estabelece o próprio art. 3º da Constituição Federal de 1988, constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil construir uma sociedade livre, justa e solidária; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; e, promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
terça-feira, 27 de outubro de 2026
A fuga ...
A fuga
...
Por Alessandra
Leles Rocha
Que cansativo! Não cabe à
Democracia brasileira responder pela covardia de uns e outros, por aí. Fugir
parece ser a palavra de ordem do candidato recém-derrotado nas eleições
presidenciais. Fugir para não se comprometer, para não se responsabilizar, para
não enfrentar os inquéritos em que é alvo no Supremo Tribunal Federal (STF),
para não responder aos seus eleitores, enfim ...
É certo que essa fuga só acontece
porque foram tecidas tramas viralatistas anteriores. Uma barganha de simpatia
internacional precificada pela entrega da soberania brasileira, como apontava carta
do secretário de Estado dos EUA, em agradecimento ao pretenso candidato
brasileiro, que se predispôs colocar uma equipe de transição à disposição do
governo estadunidense caso vencesse as eleições presidenciais de outubro de
2026.
Contudo, não sei se a ideia da
fuga foi tão certeira assim. Por lá, nos próximos dias, irá acontecer uma
eleição legislativa de meio de mandato e os prognósticos apontam para uma perda
da maioria, em ambas as casas, pelo partido do Presidente. E dada a
impopularidade presidencial medida pelas pesquisas de opinião, a tensão paira
no ar pelo risco de que esse cenário se confirme.
Por aqui, as eleições, ocorreram
de forma democrática e legítima, inclusive, o resultado do 2º turno já foi reconhecido
pela União Europeia (UE), a Organização dos Estados Americanos (OEA), diversos
líderes da América Latina como Chile, Peru, Colômbia, Paraguai, Equador,
Panamá, Bolívia, Uruguai, México, Cuba, Guiana, e por grandes potências globais
como China, Rússia, Índia, Ucrânia, Portugal, Alemanha, Canadá, Países Baixos, Espanha
e França.
Aliás, é importante ressaltar que
essa fuga não foi repentina. Ela foi milimetricamente planejada. Por quê? Ao
concorrer nas eleições de 2026, ele não tinha um plano de governo, uma proposta
de progresso e desenvolvimento para o país.
Suas pretensões orbitavam o
alcance de um salvo-conduto bastante amplo para si e sua rede de contatos
envolvida em escândalos de corrupção e outros ilícitos. Sem contar, a promessa de
anistia ao seu pai e demais envolvidos na trama golpista de 08 de janeiro de
2023.
Então, diante do insucesso no
pleito eleitoral, suas intensões foram frustradas por uma vantagem de 4.430.191
votos imposta pelo candidato eleito. 48 horas depois de finalizado o 2º turno das
eleições e o resultado confirmado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), eis
que surge a notícia de que ele havia fugido e que já se encontrava em solo
estadunidense. Fato confirmado pelas autoridades de lá. Portanto, não dava para
fugir de maneira tão rápida, se um plano de fuga não estivesse sendo fiado há
tempos.
Nenhuma mensagem de despedida aos
seus 59.826.041 eleitores. Nenhum agradecimento. Nenhuma justificativa plausível.
Nada. Ele abandonou seu posto de Senador da República, que só finalizaria em 31
de dezembro de 2026, e fugiu.
Agindo, portanto, do mesmo modo
que fez o seu pai, em 2022, quando foi para os EUA antes de transmitir a faixa
presidencial na cerimônia de posse em janeiro de 2023.
Mais do que ler as linhas, é
preciso ler as entrelinhas. A fuga, nesse caso, fala de desprezo. Não só por
seus eleitores, apoiadores e simpatizantes; mas, pelo próprio país. Ao fugir
ele abdica da ideia de fazer oposição, de manter as suas pretensões político-partidárias,
desconstruindo quaisquer motivos que o tenham levado a disputar o recente
pleito eleitoral.
Fugir é o que permite, então, a
idealização confeccionada dentro de uma bolha. Quando um fato real ameaça a sua
visão de mundo, ele é rapidamente rotulado como narrativa da mídia ou perseguição
do sistema, buscando anular o impacto da realidade a partir de teorias
conspiratórias e notícias falsas. Quando confrontados com evidências de crimes,
corrupção ou incoerências, ele ativa o desengajamento moral.
Mas, até quando é possível fugir?
No filme Prenda-me Se For Capaz (Catch Me If You Can), de 2002, o protagonista
Frank Abagnale Jr. passa anos forjando identidades, profissões e cheques.
Porém, assim como na vida real, a
engenharia social e a fuga constante cobram um preço alto. Enquanto as
conjunturas parecem favoráveis a fuga parece viável, mas quando elas mudam, viver
em constante alerta se torna demasiadamente desafiador.
Não é possível construir
relacionamentos genuínos, famílias estáveis ou amizades duradouras quando toda
a sua vida é baseada em uma mentira. Manter múltiplos personagens exige uma
energia mental absurda. De modo que, eventualmente, o cérebro falha ou desiste
pelo puro cansaço de não poder ser quem realmente é.
Além disso, na contemporaneidade,
fugir do sistema financeiro, de câmeras de monitoramento e de pegadas digitais
é virtualmente impossível. Sem contar que existem pessoas cujo único trabalho é
continuar procurando, não importa quantos anos passem.
Em relação à fuga realizada pelo candidato
recém-derrotado nas eleições presidenciais brasileiras e sua família, a
situação se configura um pouco diferente do filme, na medida em que eles dispõem
de uma anuência do governo dos EUA para esse deslocamento. Contudo, a pergunta
que não quer calar é a mesma: até quando? A dinâmica política estadunidense
está sob franca efervescência eleitoral.
Embora a insatisfação popular,
debates sobre imigração e crises econômicas moldem a retórica das campanhas
eleitorais nos EUA, o funcionamento das instituições diplomáticas e de justiça
costuma manter um alto grau de independência da volatilidade diária das urnas.
Porém, há de se reconhecer que casos
de grande repercussão internacional podem gerar pressão por parte de
parlamentares, sejam eles senadores ou deputados estadunidenses, que
frequentemente enviam cartas ao Executivo exigindo explicações ou a revisão do
status migratório de cidadãos estrangeiros investigados em seus países.
Contudo, o Departamento de Estado
dos EUA, na atual gestão, não tem mantido a adoção de uma postura cautelosa
para evitar que o território dos EUA seja percebido como refúgio para evasão da
justiça por parte de cidadãos oriundos de nações democráticas aliadas, buscando
preservar a harmonia das relações bilaterais de longo prazo.
Afinal, além dele e sua família, já
se encontram no país o seu irmão, que é ex-deputado federal, com a família, e
outros membros da sua rede de contatos envolvida em escândalos de corrupção e
outros ilícitos.
Assim, restará ao fluxo do tempo, responder se essa fuga se encerrará pela força imperiosa dos fatos que repousam nas mãos da Justiça, ou se ela se tornará mais um elemento de potencialização para o exercício da Antidemocracia, da Anticidadania e da Anti-soberania, por meio da traição à Pátria materna em solo estrangeiro. Até lá, a fuga acende mais uma vez uma crise ética e identitária dentro e fora do território brasileiro.
segunda-feira, 26 de outubro de 2026
Contra tudo e contra todos
Contra
tudo e contra todos
Por Alessandra
Leles Rocha
É, foi assim que prevaleceu a
Democracia brasileira. Superando todo tipo de estratégia suja e
antidemocrática, a consciência cidadã defendeu, com unhas e dentes, os valores que
sustentam a sua democracia.
Começando pela supremacia da
vontade popular, provando que o poder político emana do povo, que o exerce por
meio de eleições livres, periódicas e justas, e pela participação cidadã, a se
traduzir pelo envolvimento ativo das pessoas nas decisões políticas,
comunitárias e institucionais para a construção do bem comum.
Depois, pela reafirmação da igualdade
perante a lei. Pois é, todos os cidadãos possuem os mesmos direitos e deveres,
sem distinção de origem, raça, sexo ou condição social, sob a imparcialidade do
poder judiciário. Aliás, pela Constituição Federal de 1988, o voto
universal consolidou a soberania popular e a igualdade do valor de cada voto.
O que permite também o exercício da
liberdade, a qual deve sempre abranger a liberdade de expressão, de pensamento,
de imprensa, de reunião e de associação, permitindo que os indivíduos ajudem a
moldar a sociedade sem censura.
Inclusive, é nessa liberdade que
reside o pluralismo e a tolerância. Sim, porque o reconhecimento e o respeito à
coexistência de diversas ideias, culturas, religiões e posições políticas,
transformam o debate em um caminho para o consenso.
O que fortalece os direitos
humanos, que garantem a proteção inegociável da dignidade humana; bem como,
asseguram as garantias básicas individuais e sociais a todas as pessoas.
E por fim, pela consciência em
torno do Estado de Direito, no qual o governo e as autoridades precisam seguir
estritamente o que está estabelecido nas leis constitucionais, garantindo a
segurança jurídica e evitando abusos de poder.
Por isso, apesar da alegria e da
euforia de muitos, não há como esquecer tudo o que recortou e atravessou o processo
eleitoral de 2026. A Democracia foi ameaçada de diversas maneiras e isso não
pode ser anistiado pelo fato de ela ter resistido. Não. Atitudes delituosas,
ilícitas, não podem ser negligenciadas pelo fato do perigo que elas representam.
As crises éticas decorrentes do
descumprimento de leis fragilizam as instituições e normalizam comportamentos terríveis
e nocivos, destruindo a confiança social. Quando as normas legais e éticas são
violadas sem a devida responsabilização, cria-se o chamado efeito dominó, onde
o erro do passado passa a servir de justificativa para abusos futuros.
Nesse sentido, a garantia da
integridade democrática exige a rigorosa apuração e responsabilização de todas
as irregularidades cometidas no processo eleitoral de 2026 no Brasil. Considerando
informações divulgadas pelos veículos de mídia, foi desrespeitado o direito do
transporte gratuito a eleitores de diversas cidades, obstaculizando o exercício
do votos desses cidadãos.
Houve flagrante falha de
comunicação na Justiça Eleitoral, para que os eleitores afetados pelos abusos
no sistema de transporte pudessem ainda exercer o seu direito.
Houve disseminação de discursos
proibitivos a votação de certos eleitores, por parte de certas autoridades do
funcionalismo público.
Houve apologia ao racismo e ao
nazismo por parte de eleitores. Houve estímulo de parlamentares para a
construção de estereótipos xenofóbicos, gerando preconceito a certos estados da
Federação. Enfim...
De modo que tudo isso precisa gerar
apuração e responsabilização nos termos da legislação brasileira, para que não
volte a se repetir. A consagração democrática através do voto universal não é
tudo. Todas as tentativas de desestabilização e ruína do sistema democrático
nacional não podem ser esquecidas, simplesmente, porque já existem precedentes de
ataques antidemocráticos. Inclusive, recentes e de graves proporções.
É preciso ter em mente que a
Democracia requer cuidados e vigilância permanente para garantir a sua
manutenção. A realidade contemporânea já conhece os mecanismos utilizados para
destruí-la, inclusive, usando da própria estrutura eleita democraticamente.
Sim, a democracia contemporânea é
raramente destruída por golpes militares clássicos. Hoje, ela costuma ser
erodida por dentro, por líderes eleitos que utilizam as próprias regras do jogo
democrático para enfraquecer suas instituições.
Daí a necessidade de não permitir
que os ilícitos passem despercebidos. Como? Desenvolvendo a capacidade crítica
da população para identificar discursos populistas ou autoritários que tentam
normalizar a quebra de regras democráticas.
Mantendo canais abertos e ativos
para que cidadãos, Organizações Não Governamentais (ONGs) e movimentos sociais
possam questionar, fiscalizar e cobrar transparência dos governantes.
Protegendo o jornalismo livre e investigativo, que atua como os olhos do
público para expor abusos de poder e irregularidades.
E, garantindo a independência e a
autonomia dos poderes Judiciário, Legislativo e Executivo e de órgãos de
controle para que funcionem como freios e contrapesos eficazes.
Portanto, resta dessa experiência
a reafirmação das palavras da filósofa e escritora brasileira, Marilena Chauí, que
“A democracia é atividade criadora dos cidadãos e aparece em sua essência
quando existe igualdade, liberdade e participação”.
Sim, porque a virada eleitoral que
aconteceu só foi possível pelo impulsionamento das ruas e das mídias sociais, transformando
o eleitor de mero espectador em agente ativo do processo político.
De repente, foi devolvido aos cidadãos a capacidade de pautar o debate; mas, ao mesmo tempo, lhes foi imposto o desafio constante de garantir que essa participação permaneça livre, igualitária e baseada em fatos reais, de agora em diante.
domingo, 25 de outubro de 2026
sábado, 24 de outubro de 2026
Segundo Immanuel Kant, “A inumanidade que se causa a um outro destrói a humanidade em mim”.
Segundo Immanuel
Kant, “A inumanidade que se causa a um outro destrói a humanidade em mim”.
Por Alessandra
Leles Rocha
De fato, ao longo da
historicidade humana há diversas figuras que se tornaram símbolo de
acontecimentos, de lutas, de eventos. Mas, você já parou para pensar que não é por
conta delas que as histórias são lembradas, discutidas ou enaltecidas, e sim em
razão da causa que moveram o seu desenrolar?!
Pois é. Causas são razões,
motivos, ideias, que despertam as pessoas a uma determinada ação. De modo que
basta olhar para os principais eventos da história humana para compreender que
eles foram motivados por uma combinação de disputas territoriais, crises
econômicas, choques ideológicos, divergências culturais e busca por recursos
básicos.
Vou refrescar a memória com
alguns exemplos importantes. A Queda do Império Romano 476 d.C., foi motivada
pela crise econômica interna, a corrupção política, a divisão do império, a ascensão
do cristianismo e as invasões de povos germânicos, os bárbaros.
A Expansão Marítima a partir das
Grandes Navegações, ocorrida entre os séculos XV e XVI, teve seu pontapé inicial
pela necessidade de encontrar novas rotas comerciais para o Oriente, evitando o
monopólio otomano no Mediterrâneo, e a busca por ouro, prata e novas terras.
Já a Revolução Francesa, em 1789,
foi motivada pela crise financeira do Estado, privilégios excessivos do clero e
da nobreza, miséria do povo e a difusão dos ideais iluministas.
Algo de proporções tão avassaladoras
que influenciou a Revolução Industrial, na segunda metade do século XVIII, graças
a acumulação de capital na Inglaterra, abundância de carvão e ferro, o cercamento
dos campos que gerou mão de obra barata nas cidades e o surgimento da máquina a
vapor.
Depois, a Primeira Guerra Mundial,
entre 1914 e 1918, teve como estopim o imperialismo europeu, o nacionalismo
extremo na região dos Bálcãs e a complexa rede de alianças militares secretas.
Fato que acabou repercutindo na Revolução
Russa, em 1917, motivada pelo colapso econômico e a fome causados pela
participação na Primeira Guerra, pela opressão do regime czarista e pela
organização dos trabalhadores sob a ideologia socialista.
A Segunda Guerra Mundial, entre 1939
e 1945, se deu por conta do expansionismo fascista/nazista, o descontentamento
da Alemanha com as punições do Tratado de Versalhes e o fracasso da Liga das
Nações em conter agressões.
E a Guerra Fria, entre 1947 e 1991,
ocorreu por uma disputa ideológica, econômica e militar pela hegemonia global
entre o bloco capitalista, liderado pelos EUA, e o bloco socialista, comandado pela
União das Repúblicas Socialistas soviéticas (URSS).
Portanto, o ser humano não age se
não for provocado, se não tiver razões, motivos, ideias, que o despertem a uma
determinada ação. Pode ser uma necessidade biológica, um evento externo ou uma
provocação social. Até mesmo a apatia ou a decisão de não fazer nada diante de
uma situação dependem de uma escolha cognitiva baseada em motivos.
É aí, então, que se torna possível
enxergar com clareza como uns e outros, por aí, se escondem atrás de algumas
emoções e sentimentos a respeito de certos expoentes públicos, para esconder o
seu próprio desconforto em relação às pautas as quais essas figuras são
associadas. De modo que o foco é desviado do debate racional de ideias para o
campo da personalização e do julgamento emocional.
Afinal, focar no ranço, na
antipatia ou no estilo de uma figura pública é muito mais fácil do que admitir
e articular a oposição à pauta real que ela participa e defende.
É como se ao sentir raiva ou
desprezo por alguém isso validasse o seu desconforto sem exigir um exame
crítico, analítico, dos próprios preconceitos ou da falta de argumentos contra
a ideia em si.
Inclusive, essa tem sido a lógica
que move boa parte das redes sociais, onde o cancelamento ou a idolatria de
indivíduos soterra qualquer discussão profunda sobre políticas, direitos ou
reformas.
Acontece que esse tipo de
atitude, de comportamento, só faz reafirmar a fuga do debate intelectual. É, focar
no estilo ou no carisma de uma figura pública poupa o esforço de analisar
dados, leis ou impactos socioeconômicos de uma pauta, na medida em que gera uma
realidade idealizada, que não tem um compromisso verdadeiro com os fatos em si.
Veja, enquanto sentir antipatia é
uma reação emocional instantânea, articular uma contraproposta a uma reforma de
natureza social ou política, por exemplo, exige estudo, dados e repertório
argumentativo.
Daí a personificação do debate
empobrecer a sociedade, transformando cidadãos em torcedores, onde o objetivo
não é encontrar a melhor solução para o coletivo, mas sim ver o adversário ser
derrotado ou ridicularizado.
Lembre-se sempre que o movimento
que tenta transformar a civilização em um grande espetáculo, que vive à margem
da consciência e da luta de causas importantes, afeta diretamente os pilares
democráticos.
Quando a política e as questões
sociais complexas são transformadas em performances midiáticas, onde a imagem,
o meme e o impacto emocional importam mais do que as propostas e os dados reais,
os cidadãos passam de agentes políticos ativos a meros espectadores passivos,
consumindo a realidade em vez de modificá-la.
É nesse cenário que os problemas
estruturais, como a desigualdade, a fome, as epidemias, as crises climáticas e os
direitos humanos, são banalizados ou reduzidos a slogans de engajamento rápido
nas redes sociais, sem debates profundos ou ações efetivas.
Como o espetáculo precisa de
drama, heróis e vilões, esse movimento favorece aos discursos populistas e
extremistas que simplificam a realidade para gerar audiência e cliques,
fragmentando o tecido democrático.
Segundo o provérbio moderno, “Os
lugares mais quentes do inferno estão reservados para aqueles que escolheram a
neutralidade em tempo de crise”. Essas palavras que não foram escritas
literalmente por Dante Alighieri, como alguns costumam afirmar, fazem um alerta
de suma importância à humanidade; sobretudo, aos viventes contemporâneos. Por
quê?
Porque olhando para a cultura, a política e a própria realidade vê-se que elas foram transformadas em entretenimento raso, onde a gravidade dos fatos foi diluída em espetáculo, de modo que recusar-se a tomar partido diante do sofrimento e das urgências do mundo não é isenção, mas uma forma de conivência silenciosa, cujo fluxo do tempo acaba por fazê-la encontrar a sua própria punição.
sexta-feira, 23 de outubro de 2026
Uma escolha pessoal e intransferível
Uma escolha
pessoal e intransferível
Por Alessandra
Leles Rocha
Idealizações, expectativas,
intenções, ... tudo isso é muito importante para nos motivar a transformar sonhos
em realidade. Acontece que se não colocar a mão na massa, não mexer o doce na
panela, não colocar o bloco na rua, não agir, a vida não sai do lugar.
Quando penso em todas as
manifestações reais e virtuais que vêm acontecendo nas últimas semanas, sinto
uma alegria e uma energia incomensurável. Afinal, a atitude que se apresenta nesses
cenários, além de dar cada vez mais forma à materialização de um propósito, ela
traduz uma apropriação fundamental da consciência cidadã.
Aos que ainda não tem esse
conceito muito claro, a cidadania fala bem mais do que sobre um conjunto de
leis escritas, mas sobre uma identidade social e política que define o grau de
pertencimento, de dignidade e de participação de um indivíduo em uma
coletividade ou Estado-nação.
Dada a nossa historicidade
colonial, a cidadania sempre se mostrou enviesada e descaracterizada da sua gênese.
Isso significa que no Brasil ela não se consolidou de forma universal e plena
como na sua origem teórica, sendo historicamente marcada pela exclusão social,
pelo privilégio de elites e pela concessão de direitos de cima para baixo.
Contudo, o tempo, o Senhor das
Horas, ao longo desses pouco mais de 500 anos, esteve silenciosamente
trabalhando na desconstrução dessa distorção. Afinal, certas crenças foram parar
no inconsciente coletivo como verdades incontestáveis e precisavam ser
abolidas. Quer um exemplo?
Historicamente, o acesso a
garantias civis, políticas e sociais era restrito aos detentores de poder
econômico e político. Em muitos períodos da história brasileira, os direitos
foram condicionados à inserção formal no mercado de trabalho ou à posição
social, excluindo grandes parcelas da população marginalizada.
É bom que se diga que, enquanto o
conceito ideal de cidadania nasce da luta do povo por direitos que limitam o
poder do Estado, a historicidade brasileira frequentemente mostra o Estado
outorgando ou limitando direitos para controlar a sociedade. De modo que primeiro
vieram os direitos sociais concedidos pelo Estado, depois os políticos e, por
fim, os civis.
Isso explica porque motivo muitas
pessoas sentem como se os direitos existissem formalmente na lei, mas não são
vivenciados na prática pela maioria da população, pois faltou a base da luta
social para consolidá-los como inegociáveis. Veja, se o povo não lutou por
aquilo, ele não reconhece o direito como uma propriedade sua. Para muitos, é como
se os direitos fossem uma concessão do governo, e o que o governo dá, ele pode
tirar sem forte resistência.
Além disso, a lei por si só é
apenas tinta no papel. O que faz ela funcionar é a pressão constante das ruas,
dos sindicatos, dos movimentos e da opinião pública. Sem essa base ativa, as
instituições enfraquecem a fiscalização. Por isso, em sociedades sem histórico
de forte mobilização, as pessoas tendem a naturalizar as injustiças, achando
que as coisas sempre foram daquele jeito ao contrário de exigir o cumprimento
da legalidade.
Então, diante de uma eleição que transcendeu
a ideia de uma disputa político-partidária ou da simpatia por esse ou aquele
candidato, para ser um momento de escolha entre a Democracia e a Antidemocracia,
a Soberania e a Anti-Soberania, a Cidadania e a Anticidadania, a apropriação da
consciência cidadã aconteceu. Por quê?
Porque a campanha eleitoral se tornou
um embate sobre valores estruturais; sobretudo, a partir dos discursos
circulantes que apontaram para o risco às próprias regras do jogo democrático e
às garantias institucionais, e não apenas a alternância de poder.
Quando o 1º turno eleitoral não
conseguiu apontar um vencedor ao cargo de Presidente da República e os dois
candidatos alçados para o 2º turno mostraram uma diferença de apenas 1,87%, ou
seja, 2.227.651 votos, veio à tona o fato de que diferentemente das pautas
conjunturais, que mudam conforme o governo da época, era preciso uma reflexão
em torno de valores que estruturam a própria identidade e o funcionamento do
sistema político nacional.
E para iniciar essa transformação
de ideias era preciso incluir o cenário de abstenção, votos brancos/nulos, que
somaram 24,63% do eleitorado apto. Afinal, os valores estruturais na política afetam
a coletividade e não apenas esse ou aquele grupo, porque eles servem de base
para a criação de leis, políticas públicas e instituições que moldam a vida de
todos os cidadãos.
Na medida em que essas pessoas
começaram a se apropriar da sua consciência cidadã, a descobrir o antagonismo
propositivo das campanhas, que disputam o 2º turno houve, um deslocamento da
apatia, da inação, da indiferença, para um movimento de atitude democrática e
civilizatória, que vem surpreendendo não só o Brasil; mas, o mundo.
Sim, está em curso um processo de
despertar político e de engajamento democrático, em que a conscientização leva
os indivíduos a abandonarem a passividade e a agirem na esfera pública, cujo
ponto alto e fundamental será com o voto na urna, participando da chamada Festa
da Democracia.
É ali, naquele espaço da cabine
eleitoral, que irá se materializar a soberania popular, permitindo que a
conscientização política saia do campo das ideias e se transforme em poder real
de decisão sobre o destino do país. É desse movimento, dessa atitude pessoal e intransferível,
que se reafirma a conscientização sobre os problemas sociais e o modo como as
decisões políticas impactam diretamente a vida cotidiana de cada cidadão.
Que se abandona, de vez, a passividade,
fazendo a transição do papel de mero espectador para o de agente ativo, que
discute, cobra e acompanha a gestão pública. Porque o voto não é apenas uma
obrigação legal, mas o instrumento mais legítimo de prestação de contas e
renovação política. O que significa que essa renovação vai muito além da
simples troca de nomes ou partidos no poder. Ela exige o compromisso com
reformas estruturais éticas e sustentáveis.
Porque mudar por mudar pode gerar
instabilidade. Geralmente motivada por pressões políticas de momento, vaidade
de novos gestores ou pressões de mercado sem diagnóstico, a mudança aleatória e
inadvertida gera retrabalho, insegurança jurídica, ansiedade nas equipes e
desperdício de recursos.
Já a transformação responsável
foca em equilibrar o crescimento econômico com a justiça social e a eficiência
administrativa. Afinal, ela entende que a eficiência e o crescimento são
combustíveis necessários, mas que eles perdem o sentido se não resultarem em
justiça social, ou seja, na redução de desigualdades, na inclusão e no bem-estar
coletivo.
Há 38 anos o voto se tornou universal no Brasil, a partir da Constituição Federal de 1988. O que significa o direito pleno de participação política garantido a todos os cidadãos adultos, sem restrições ou discriminações baseadas em classe social, renda, escolaridade, gênero, etnia ou profissão. O voto de cada indivíduo tem exatamente o mesmo peso e valor na apuração, independentemente de sua posição social ou econômica. Portanto, faça valer o seu direito, vote segundo a sua consciência, a sua escolha.
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