segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

"Não quero a beleza, quero a identidade". Clarice Lispector

Eu...



Por Alessandra Leles Rocha


Assisti ontem ao filme Zelig, escrito e dirigido por Woody Allen, em 1983. Na concepção de um documentário, em preto e branco, a obra propõe uma reflexão interessante sobre a influência da sociedade na percepção da identidade humana, a partir da observação da personagem Leonard Zelig, um homem cujo comportamento camaleônico, desperta a curiosidade das pessoas e o interesse da ciência.
Após a sessão, fiquei por algum tempo com a cabeça fervilhando, milhares de pensamentos e conexões foram se processando. Bem, não poderia deixar de escrever algo sobre tudo isso. Então, partindo de dois pressupostos básicos da essência humana, de que o homem não é uma ilha e deseja ser aceito e pertencer ao círculo social, é possível estabelecer um ponto de conexão à compreensão da incompletude que nos acompanha e conduz aos caminhos da evolução. Nada de absurdo, se pensarmos biologicamente sobre o comportamento mutante dos camaleões, os quais se adaptam de acordo com o ambiente em que estão inseridos. Assim, também são construídas as várias faces da identidade humana, sobretudo no contexto conturbado do mundo contemporâneo.
Na essência de si mesmo, o homem sofre as metamorfoses do tempo e do espaço e, por isso, a identidade do bebê não será a mesma do ancião. A relação entre a cognição e o inconsciente passa por ajustes constantes e o resultado disso imprime novos perfis ao ser humano. A família, o primeiro círculo social estabelece a primeira face da nossa identidade; seja através de valores, ou conceitos, ou comportamentos, ou cultura, enfim. Depois a escola, o trabalho e todos os demais círculos sociais aos quais estaremos expostos. Na busca pela compatibilização “perfeita” entre o que somos e o que o mundo espera de nós evidencia-se o grande desafio.
Então, diante da inexistência da unanimidade, a identidade é posta à prova. A raça humana não é uma massa homogênea; mas, aceitar e lidar com as diferenças também não faz parte do jogo. Daqui e dali há sempre um mecanismo social para nivelar o individuo, não permitindo que sua singularidade salte aos olhos do mundo. Para uma regulação harmônica da própria sociedade é fundamental tornar as semelhanças bem mais visíveis e numerosas do que as diferenças; assim, ela “cria facilitadores” para unir uns aos outros pelas afinidades e os nichos sociais começam a se delinear. Imagine pessoas em constante pé-de-guerra, discutindo sem nenhum prognóstico de senso comum; isso seria totalmente improdutivo, um desperdício de tempo.
Assim, sob lentes de aumento, verifica-se que o coletivo humano é altamente segmentado. Por essa razão, as pessoas começam a desenvolver com mais veemência a necessidade de enquadramento, de fazer com que a sua identidade se encaixe aos padrões do segmento a que pertencem ou desejam pertencer. É o caso, por exemplo, de jovens que fazem milhares de cirurgias plásticas para se tornarem parecidos com bonecos ou celebridades. Assumir aquela determinada identidade representa a aceitação social, o despertar do olhar do mundo para eles; mesmo que isso, possa lhes comprometer a saúde, ou até mesmo a vida.
Ou numa ótica mais impactante, quantas pessoas não têm se alistado a grupos radicais, por exemplo? Segundo o discurso dessas lideranças extremistas, a luta mortal em nome da glória traz a imediata aceitação. Seja para o bem ou para o mal, o ser humano não tem medido esforços para estabelecer, portanto, uma identidade socialmente aceita. É como se houvesse um “vale-tudo” e os fins justificassem mesmo os meios, especialmente entre os mais jovens. Afinal de contas, são na adolescência e na juventude, que as questões de identidade estão mais afloradas e susceptíveis a mais interferências externas. O bullying é um exemplo disso; na medida em que os jovens são induzidos violentamente a se encaixarem a determinados padrões de massificação social e de consumo.
Não é à toa, que a sociedade tem se deparado com o vertiginoso consumo de álcool, anabolizantes, antidepressivos, moderadores de apetite e outras substâncias e práticas nocivas. Tudo em nome da aceitação social, da sua inclusão a esses padrões de identidade. Dessa forma, até mesmo a identidade geográfica, seja das cidades ou do país, se altera quase como um processo simbiótico, repercutindo tanto nas virtudes quanto nos problemas. Novas culturas, novos comportamentos, novas formas de comunicação, novas relações sociais.
O extremismo, o exagero na representação da personagem Leonard Zelig, por Woody Allen, é interessante para nos chamar atenção em torno desse processo que vem nos envolvendo silenciosamente. A Revolução Industrial ocorrida entre os séculos XVIII e XIX e que transformou profundamente a sociedade mundial, sobretudo na ótica de sua identidade; talvez, agora no contexto contemporâneo esteja de fato exibindo as marcas do seu sofrimento, pelo acirramento desse modelo de vida camaleônico, como uma exacerbação destorcida do nosso instinto natural de sobrevivência. Porque é muito doloroso e cansativo administrar com êxito (sempre) uma infinidade de identidades no cotidiano; em uma procura pela “verdade” que o outro enxerga a seu respeito e não, a que você realmente percebe.
Assim, no fundo a identidade humana não é absoluta. Ela está mais para uma farsa, uma imagem espelhada; algo incompleto, como o ser humano também o é. A escolha, então, implica sempre na conquista de parte e não, do todo; sempre restará algo não contemplado por uma dada identidade. Consegue-se a fama, perde-se a privacidade. Consegue-se o dinheiro, perde-se o tempo. … Ao contrário dessa luta frenética pela identidade socialmente aceita, o que o ser humano precisa é pacificar-se na aceitação da sua própria identidade; de ser como é para dar a si mesmo a possibilidade de descobrir o seu lugar no mundo, entre outros cujas afinidades estejam alinhadas a ela.

Oficina de Escrita Criativa – Escrever a Cidade (Sexta-feira, 16 de março de 2018, às 14:30)

A proposta da oficina está em trabalhar a figura do leitor, buscando na prática da leitura um disparador para a criação artística.

Leitura como potência de diálogo e, como brecha entre seres de tempo-espaço distintos, que se encontram em uma página em branco e escrevem juntos.
Tendo como ponto de partida a construção do livro As Cidades Invisíveis, de Ítalo Calvino, pretende-se explorar o processo da escrita pautado na vivência e exploração de recortes da cidade de São Paulo, buscando potências poéticas nos espaços e no cotidiano presente da cidade, trazendo para perto dois conceitos: a prática da deriva, e as narrativas de viajantes.
Os encontros terão momentos diferentes: os fechados, para expor as questões trazidas pela oficina e a produção que será feita ao longo dela; e os encontros in loco, com experiências de corpo e recolhimento de material (fotos, anotações, vídeos, conversas, etc.), além do próprio exercício da deriva que será aprofundado ao longo dos encontros. Serão também propostos exercícios experimentais e compartilhamento de uma série de textos e trabalhos de arte que possam dialogar com o processo da escrita.
Oficina de Escrita Criativa | Escrever a Cidade

Paloma Durante

Sextas-feiras, 16/03/18 até 11/05/2018 (8 encontros), das 14:30 às 17:00

R$ 280,00 à vista. Parcelamento disponível na inscrição (com juros simples cobrado pela Sympla).

15 vagas por ordem de inscrição


Ciclo de palestras: Mulher e seus Saberes


Por Ana Beatriz Demarchi Barel

Desde o princípio dos tempos, ultrapassando o mundo doméstico, lugar tradicional de circulação de seus saberes, as mulheres fizeram seu o universo público, humanizaram as relações de trabalho, integraram à sensibilidade o saber técnico.
De março a dezembro, venha ao encontro de uma mulher e seus saberes. Venha à casa de uma delas. Venha à Casa de Ema Klabin, para encontrar essas mulheres de talento. Converse com elas. [...]
Próximas palestras do ciclo:

USP/Campus Piracicaba promove oficina de ilustração botânica


Entre os dias 19 e 23 de fevereiro a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP promove a Oficina de Ilustração Botânica – Módulo I: Desenho a Lápis. O objetivo é capacitar os participantes a elaborar pranchas científicas para publicações, a partir de técnicas de lápis.
Com o total de 30 horas, as atividades ocorrem das 9 às 12 horas e das 14 às 17 horas, no Museu Luiz de Queiroz. As técnicas apreendidas podem ser também empregadas para desenhos de animais, ecologia e outras áreas. A oficina tem um custo de R$ 350,00  para profissionais, incluindo alunos de pós-graduação; e R$ 300,00  para estudantes. Não há necessidade de pré-requisito. Mais informações e inscrição no link, e-mail gewaeventos@gmail.com.




Projeto de Extensão/UFRJ - Educação e Saúde na Doença de Parkinson

Objetivo: Promover educação e saúde oferecendo orientação, através de uma cartilha, interdisciplinar qualificada nas áreas de Neurologia, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional, Neuropsicologia, Psicologia, Nutrição, Enfermagem e Serviço Social aos pacientes com DP, familiares e/ou cuidadores.
Público alvo: Indivíduos com doença de Parkinson (DP), familiares e ou cuidadores. Profissionais também podem participar.
Local: Auditório no primeiro andar (sala 15) do Instituto de Neurologia Deolindo Couto (INDC)- Av. Venceslau Brás, 95 – Botafogo, Rio de Janeiro, RJ | CEP: 22290- 140.
Dia: Todas as Terças e a primeira quinta, durante todo o mês de MARÇO de 2018.

Início:
 06/03
Horário: de 8h às 9h30.
Vagas: 27
Inscrições: Todos os candidatos deverão enviar um e-mail para: extensaodp17@gmail.com, com as seguintes informações:
Nome completo; idade; tipo de público, ou seja se é o próprio indivíduo com a DP ou membro da família (parentesco) ou cuidador ou profissional; endereço e telefone e como conheceu o projeto.
Coordenador Geral: Profa Vera Britto – professora do Curso de Fisioterapia da UFRJ e membro do Gedopa (Grupo de Estudos na DP).
Dia(s): 06/03/2018 - 27/03/2018
Horário: 8:00 - 9:30
Local: do Instituto de Neurologia Deolindo Couto (INDC)
Av. Venceslau Brás, 95 - Botafogo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro CEP 22290-140

Inscrição:

A confirmação de inscrição no evento é de responsabilidade do organizador do mesmo.
Valor: Grátis
Período de inscrição:Até 01/03
Site: www.gedopa.com.br
Instituição responsável: INDC-UFRJ
Email do organizador: extensaodp17@gmail.com
Telefone de contato: 21 39386539 ou 21 999677927

Exposição 'Mergulho' na galeria da Belas-Artes

A galeria da Escola de Belas-Artes da UFMG realiza a exposição 'Mergulho' no período de 7 a 23 de fevereiro. A mostra aborda os vínculos entre as vidas humana e marinha. Na exposição, a vida intrauterina, o seu começo e os ciclos de respiração encontram correspondência no oceano primitivo, na origem da vida nos mares e no ciclo das ondas, respectivamente. 
O trabalho é de Luana Lacerda. Natural de Fortaleza (CE), vive em Belo Horizonte desde 2013. É graduanda em Artes Visuais pela Escola de Belas-Artes da UFMG e tem participado de mostras coletivas com seus trabalhos em vídeo. Investiga as conexões visíveis e invisíveis entre o micro e o macrocosmo, utilizando diversos materiais e plataformas, como  vídeo, fotografia, objeto, instalação, desenho. 'Mergulho' é a sua primeira exposição individual. (Fonte: Escola de Belas-Artes da UFMG)

ONU disponibiliza dados sobre tráfico de pessoas em plataforma colaborativa gratuita

A Organização Internacional para as Migrações (OIM), uma agência das Nações Unidas, mantém uma plataforma colaborativa e gratuita com informações sobre tráfico humano. A página já recebeu mais de 80 mil contribuições. A instituição convida instituições não governamentais e governos a colaborar com o portal, disponibilizando informações úteis para profissionais, pesquisadores e gestores políticos.

A Organização Internacional para as Migrações (OIM), uma agência das Nações Unidas, mantém uma plataforma colaborativa e gratuita com informações sobre tráfico humano. A página já recebeu mais de 80 mil contribuições. A instituição convida instituições não governamentais e governos a colaborar com o portal, disponibilizando informações úteis para profissionais, pesquisadores e gestores políticos.
Por mais de uma década, a OIM desenvolveu e manteve uma ferramenta central sobre tráfico de pessoas para registrar vítimas identificadas. Este é o maior banco de dados global desse tipo, pois possui dados detalhados sobre as vítimas assistidas ou identificadas em diferentes partes do mundo. Com a nova plataforma, a OIM está disponibilizando, pela primeira vez, esse material.
Além do próprio organismo global, as ONGs Polaris e Liberty também já divulgaram estatísticas coletadas sobre tráfico de pessoas. A plataforma permite tornar anônimas as identidades das vítimas de registros de crimes que eventualmente sejam incluídos por colaboradores.
Segundo a OIM, as tendências sobre o perfil das vítimas de tráfico em diferentes partes do mundo não devem ser interpretadas como um reflexo definitivo do tráfico de pessoas em cada país. A agência da ONU explica que, na verdade, os dados nacionais devem ser vistos como amostragens que não representam a totalidade dos casos.
A Base Colaborativa de Dados sobre Tráfico de Pessoas (CTDC, na sigla em inglês) pode ser acessada em https://ctdatacollaborative.org/.

ONU pede contribuições da sociedade civil sobre direitos das pessoas com deficiência à saúde


A ONU está recebendo contribuições da sociedade civil sobre os direitos das pessoas com deficiência no mais alto padrão de saúde possível.
Interessados devem preencher o formulário disponibilizado pela relatora especial das Nações Unidas para os direitos das pessoas com deficiência até o dia 30 de março de 2018.
Acesse o formulário e saiba mais clicando no link: http://bit.ly/2nvFp9u.

OMS divulga lista de doenças prioritárias para pesquisa e desenvolvimento em 2018

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou na quarta-feira (14) a revisão de sua lista de agentes patogênicos prioritários, que podem causar uma emergência de saúde pública e para as quais não existem medidas suficientes. O organismo internacional pede que a comunidade médica una esforços de pesquisa e desenvolvimento para tratamentos e vacinas com o objetivo de ajudar a controlar possíveis surtos de oito doenças.

Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou na quarta-feira (14) a revisão de sua lista de agentes patogênicos prioritários, que podem causar uma emergência de saúde pública e para as quais não existem medidas suficientes.
O organismo internacional pede que a comunidade médica una esforços de pesquisa e desenvolvimento (P&D) para tratamentos e vacinas com o objetivo de ajudar a controlar possíveis surtos de oito doenças.
Análise anual de 2018 da lista Blueprint de doenças prioritárias
A OMS desenvolveu uma ferramenta especial para determinar quais doenças e patógenos priorizar para a pesquisa e desenvolvimento em contextos de emergência de saúde pública.
Essa ferramenta busca identificar as enfermidades que representam um risco para a saúde pública devido ao seu potencial epidêmico e para as quais não existem contramedidas ou medidas suficientes.
As doenças identificadas por meio desse processo são o foco do trabalho de R&D Blueprint (planos de P&D). Esta não é uma lista exaustiva, nem indica as causas mais prováveis de uma próxima epidemia.
A primeira lista com doenças prioritárias para P&D foi lançada em dezembro de 2015. Utilizando uma metodologia de priorização já publicada, a lista foi revisada pela primeira vez em janeiro de 2017. A segunda revisão anual ocorreu entre 6 e 7 de fevereiro de 2018.
Os especialistas consideram que, dado o potencial dessas doenças e patógenos de causar uma emergência de saúde pública, além da ausência de drogas e/ou vacinas eficazes, existe uma necessidade urgente de acelerar a pesquisa e desenvolvimento para: febre hemorrágica da Crimeia-Congo; doença do vírus ebola e febre hemorrágica de Marburgo; febre de Lassa;
síndrome respiratória coronavírus do Oriente Médio (MERS) e síndrome respiratória aguda severa (SARS); infecção pelo vírus Nipah e doenças relacionadas aos henipavírus; febre de Vale do Rift; vírus zika; doença X.

A “doença X” representa o conhecimento de que uma grave epidemia internacional poderia ser causada por um patógeno atualmente desconhecido, que levaria a doenças humanas. Por isso, os planos de pesquisa e desenvolvimento buscam explicitamente habilitar a preparação de P&D transversal, que também é relevante para uma “doença X” desconhecida na medida do possível.
Uma série de doenças adicionais foram discutidas e consideradas para inclusão na lista de prioridades, entre elas: febres hemorrágicas virais, além da febre de Lassa; chikungunya; doenças causadas pelo coronavírus altamente patogênicas, além de MERS e SARS; enterovírus não polio (incluindo EV71, D68) emergentes; e febre grave com síndrome de trombocitopenia (SFTS).
Essas doenças representam grandes riscos para a saúde pública e pesquisas e desenvolvimento adicionais são necessários, incluindo vigilância e diagnóstico. Devem ser vistas com cuidado e reconsideradas na próxima revisão anual. São encorajados esforços no ínterim para compreendê-las e mitigá-las.
Apesar de não estarem incluídas na lista de doenças a serem consideradas na reunião de revisão, foram discutidos os tipos de varíola dos macacos e leptospirose e especialistas ressaltaram os riscos que eles representam à saúde pública.
Houve concordância sobre a necessidade de avaliação rápida das contramedidas possíveis; estabelecimento de vigilância e diagnóstico mais abrangentes; e aceleração de pesquisas e desenvolvimento, além de ações de saúde pública.
Várias doenças estão fora do escopo atual do plano: dengue, febre amarela, HIV/aids, tuberculose, malária, gripe causadora de doenças humanas graves, varíola, cólera, leishmaniose, vírus do Nilo Ocidental e peste.
Essas doenças continuam representando grandes problemas de saúde pública e pesquisas e desenvolvimento adicionais são necessários por meio das principais iniciativas de controle de doenças existentes, extensas etapas de pesquisa e desenvolvimento, fluxos de financiamento existentes ou caminhos regulatórios estabelecidos para intervenções melhoradas.
Os especialistas reconheceram, em particular, a necessidade de melhores diagnósticos e vacinas para a peste pneumônica e suporte adicional para terapias mais eficazes contra a leishmaniose.
Os especialistas também notaram que, para muitas das doenças discutidas, bem como para muitas outras com potencial de causar uma emergência de saúde pública, é necessário um melhor diagnóstico. Os medicamentos e vacinas existentes precisam de melhorias adicionais para várias das doenças consideradas, mas não incluídas na lista de prioridades.
Qualquer tipo de patógeno pode ser priorizado sob o R&D Blueprint, não apenas vírus. A pesquisa necessária inclui pesquisa básica/fundamental e de caracterização, bem como estudos epidemiológicos, entomológicos ou multidisciplinares ou ainda esclarecimento adicional das rotas de transmissão, bem como pesquisa em ciências sociais.
É necessário avaliar o valor, sempre que possível, do desenvolvimento de contramedidas para múltiplas doenças ou para famílias de agentes patogênicos.
O impacto das questões ambientais sobre doenças com potencial de causar emergências de saúde pública foi discutido e pode ser considerado como parte de futuras revisões. A importância das doenças discutidas foi considerada para populações especiais, como refugiados, populações internamente deslocadas e vítimas de catástrofes.
O valor de uma abordagem One Health foi enfatizado, incluindo processos paralelos de priorização para a saúde animal. Tal esforço apoiaria pesquisa e desenvolvimento para prevenir e controlar doenças animais, minimizando o alastramento e aumentando a segurança alimentar. Também foi observada a utilidade possível de vacinas animais para prevenir emergências de saúde pública.
Além disso, há esforços concertados para enfrentar a resistência antimicrobiana por meio de iniciativas internacionais específicas. A possibilidade de que, no futuro, um patógeno resistente possa emergir e ser priorizado adequadamente não foi excluída. A ordem de doenças desta lista não indica qualquer classificação de prioridade.

ONU: sem ações pela igualdade de gênero, mundo não alcançará objetivos globais

Sem o rápido progresso para a igualdade de gênero e ações reais para acabar com a discriminação contra mulheres e meninas, a comunidade global não será capaz de manter a promessa de “não deixar ninguém para trás” no caminho para pôr fim à pobreza, proteger o planeta e avançar na prosperidade até 2030, de acordo com novo relatório das Nações Unidas lançado na quarta-feira (14).
“Este é um sinal urgente para a ação, e o relatório recomenda os caminhos a seguir”, disse a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka, no lançamento do documento “Transformando promessas em ação: Igualdade de Gênero na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”.

sábado, 17 de fevereiro de 2018

* Texto publicado em 13/02/2016.

Sempre alerta!



Alessandra Leles Rocha




"A maior ameaça ao domínio continuado do ser humano em nosso planeta são os vírus."
Joshua Lederberg, Prêmio Nobel de Medicina



O mundo está em alerta por conta da expansão do vírus Zika e sua possível correlação com milhares de casos de recém-nascidos apresentando microcefalia e casos de adultos com a Síndrome de Guillain-Barré. Mas, muito além dos prejuízos à saúde dos seres humanos, as epidemias expõem à fragilidade do equilíbrio ecossistêmico no planeta. Afinal, dia após dia, os seres humanos ocupam os espaços naturais e interferem na sobrevivência de outros organismos e microrganismos ali presentes. Portanto, a relação vítima/agressor não é tão simples quanto se tenta fazer parecer.
Não há como contestar que o uso e a ocupação indiscriminados do solo, a partir do grande boom da Revolução Industrial, com a consolidação dos espaços urbanos, propiciou o surgimento de áreas insalubres, por conta do acúmulo de resíduos e da ausência de manejo e tratamento adequado dos dejetos, ou seja, sem saneamento básico. Tais condições sempre representaram um perigo iminente em relação à propagação rápida e descontrolada de doenças. Mas, ao contrário de estabelecer medidas profiláticas, o que se pode observar ao longo dos séculos, especialmente nos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento, foi uma negligência voluntária e um conjunto de ações/respostas mediante os episódios epidêmicos.
Desse modo, frente a esse tipo de comportamento, a qualquer instante a situação sairia de controle, como está acontecendo agora. No caso do zika Virus, o seu ‘ineditismo’ o torna ainda mais perigoso; posto que, se conhece muito pouco ou quase nada dele. As pesquisas têm se intensificado agora, diante da crise, mas demandam tempo para garantir a precisão das respostas e de possíveis terapêuticas eficazes. O que há no momento é uma corrida contra o tempo e a busca pela segurança da população. 
E diante de tudo isso, não se fala em outra coisa senão no vetor do vírus, o mosquito Aedes aegypti; o qual, além do Zika, é capaz de transmitir aos seres humanos os quatro tipos de vírus da Dengue, o vírus da Febre Amarela e o vírus da Chikungunya.
Contudo, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças, em Atlanta (EUA), o vírus da Chikungunya é mais frequentemente disseminado as pessoas pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus. Estes são os mesmos mosquitos que transmitem os vírus da Dengue e da Zika. Eles picam principalmente durante o dia 1. Estes mosquitos tipicamente depositam seus ovos dentro ou próximo de reservatórios de água em objetos como baldes, bacias, pratos de animais, vasos e potes de plantas. Eles preferem picar pessoas, e vivem dentro e fora das proximidades delas 2.
Então, não é só o Aedes aegypti o grande vilão. O Aedes albopictus — também chamado de mosquito tigre asiático – além de semelhante ao Aedes aegypti tem uma fêmea que deposita os ovos em containers de água parada ao redor ou mais distante das casas, no oco de árvores e entrenós de bambu, por exemplo. Ele pica pessoas, animais domésticos e animais selvagens. Esta espécie pode sobreviver durante todo o ano em climas tropicais e subtropicais. Pelo fato de que ele deposita seus ovos nas laterais internas de recipientes de retenção de água em áreas urbanas, suburbanas e rurais, bem como em bordas próximas de áreas florestais, ele está intimamente associado com áreas vegetadas e em torno de casas; assim como, as formas imaturas (larvas e pupas) são encontradas em recipientes artificiais com água, como pneus, vasos de flores, pratos sob vasos de plantas, urnas de cemitério / vasos, baldes, latas, calhas de chuva entupidas, lagos ornamentais, tambores, bacias de água para animais de estimação, banhos de pássaros, etc. em alguns casos, esta espécie foi encontrada em coleções hídricas 3. Diante disso, percebe-se que a responsabilidade no controle dos vetores depende tanto da população quanto da gestão pública; na medida em que o problema se estende além do perímetro residencial. [...]


Aedes Albopictus e a Febre Amarela

Morbidity and Mortality Weekly Report (MMWR) 

August 08, 1986 / 35(31); 493-5

Editorial Note

Editorial Note: Ae. albopictus, the Asian "tiger mosquito," has been repeatedly implicated in epidemic dengue and dengue hemorrhagic fever transmission in Asia (3,4). Laboratory studies have shown it to be a more efficient vector of dengue virus than Ae. aegypti (5) and a competent vector of California encephalitis group viruses (6), yellow fever virus (7), epidemic polyarthritis (Ross River) virus (8), and other agents. Ae. albopictus has not been incriminated in the spread of any viral disease in the Americas, but it represents a public health concern because of its potential to infest areas where dengue, yellow fever, or pathogenic California group viruses are present and, once introduced into such areas, to spread these viruses into areas previously free of them.
The discontinous distribution of Ae. albopictus in the southern United States found during the recent survey suggests the infestation may be contained through programs of surveillance, removal of breeding sites (especially tires), interruption of interstate dispersal of tires, and judicious use of insecticides in breeding sites. Studies are presently under way at CDC in collaboration with state and local agencies to determine the feasibility of these approaches. Critical features of the program include delineation of the full distribution of Ae. albopictus, determination of the vector's routes of spread from infested areas, and definition of the biologic attributes of the mosquito that relate to control.
The recent report that Ae. albopictus is established in Brazil is especially relevant because of the occurrence of a dengue type 1 epidemic in Rio de Janeiro and several other locations. Although evidence indicates that Ae. aegypti was the principal epidemic vector, it will now be important to determine the possible contribution of Ae. albopictus to dengue transmission. In addition, since Ae. albopictus is capable of breeding in tree holes and similar woodland habitats, as well as in urban environments, it may potentially serve as a link between jungle yellow fever and urban transmission of this virus in Brazil.


sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

Leia e reflita!!!

Violência...


Por Alessandra Leles Rocha


Não adiantou fechar os olhos, tampar os ouvidos, ou desconversar.  A realidade é sempre implacável e desbanca quaisquer divergências sobre a verdade; ela é um espelho sem distorções.  E há tempos, bastante consideráveis, ela é o retrato sobreposto de todas as mazelas sociais, ressaltado na figura da violência.
Aonde carece o diálogo prevalece à violência. Aonde os abismos sociais se agigantam floresce a violência. Aonde persiste a desassistência se inflama a violência. Aonde os direitos e os deveres são legendas em papel oportunam-se novas ordens pela violência. ... Onde o Estado se omite as relações sociais se manifestam pela violência.
E quantas não são as omissões?  Os milhões de pesos e medidas no trato da população são combustíveis fáceis para inflamar a violência; na medida em que, abrem precedentes para o acirramento da desigualdade, enquanto ensina o desrespeito, o descompromisso, a irresponsabilidade diante da própria cidadania.
Sim, as omissões nutrem um eterno sentimento de orfandade social, cuja violência se torna o ápice, o ato desesperado de confronto com a indiferença. Por isso, os cárceres nacionais estão cheios. De fora ou entre as grades, o abandono social é o mesmo. Para milhões de brasileiros tanto faz ser cidadão ou não, porque de uma maneira ou de outra a realidade lhes pune com descaso, como já dizia Rui Barbosa 1.
A violência que se vive é fruto da própria sociedade construída. Quanto mais indiferentes nos portamos diante do cotidiano da vida, mais à beira do colapso nos colocamos. A incapacidade de se transportar para situações extremas e opostas à sua própria realidade desenvolve nas pessoas uma blindagem social ilusória, que as impede de enxergar os perigos e os desafios dessas “muralhas” erguidas ao seu redor. Sem contar que o viver de migalhas, ou de “pão e circo”, um dia emite a fatura, também, na forma da violência.  
Isso porque sempre chega a hora em que as migalhas se tornam insuficientes. Que a barriga e os bolsos vazios se tornam os piores conselheiros.  Quando não há remédio parar curar a dor do corpo, um lampejo de dignidade começa a pulsar. De repente, a vida plebeia de indigência não parece mais satisfazer as míseras aspirações e o jeito parece ser a violência.
Essa violência, a do desvalido, do esquecido, do maltratado pela sociedade é, de algum modo, compreensível. Mas, a violência silenciosa cometida nas esferas do poder, essa não há compreensão. Corrupção, tráfico de influências, usurpação do dinheiro público, má administração,... são violências que abrem precedentes para outras tantas em efeito cascata por toda a sociedade. Enquanto permite a proliferação desse tipo de violência, o Estado se omite nas suas responsabilidades constitucionais, éticas e morais.  
Ter um efetivo de segurança bem equipado, bem treinado, com salários justos e em dia, por exemplo, não é medida para apagar “incêndios”; mas, obrigação estatal prevista em lei. Do mesmo modo que “construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento nacional, erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais; e, promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação” 2.  Não há, portanto, como dissociar os caminhos da violência.
É preciso admitir que se arrastaram correntes por décadas, sem que nada fosse efetivamente resolvido, enquanto o excessivo contingente de precedentes nocivos era aberto na sociedade. Estancar a sangria da violência instituída é uma medida de extrema urgência; mas, só estancar não basta. Se não houver uma transformação profunda na práxis das relações sociais, a tendência é comprometer o frágil equilíbrio ainda existente.
Exemplos próximos e distantes geograficamente apontam para os riscos do Estado se abster de suas responsabilidades, promovendo o espetáculo do caos de suas mazelas. Seres humanos. Seres humanos que precisam fugir se esconder. Seres humanos que perdem a sua identidade. Seres humanos que se tornam a linha de frente da violência. Seres humanos...
Como dizia o dramaturgo e poeta alemão do século XX, Bertolt Brecht, “Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem”. Então, não nos esqueçamos de que a violência não é obra do acaso.  Ela é tecida lenta e incessantemente. A impotência, a desigualdade, a luz da realidade são a sua força motriz e todos, no frigir dos ovos, são sim responsáveis direta ou indiretamente por ela.


1De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto”.
2 Constituição Federal (1988), art. 3°.