sábado, 14 de outubro de 2017

15/10 - DIA DO (A) PROFESSOR (A)

"Apesar da vida humana não ter preço, agimos sempre como se certas coisas superassem o valor da vida humana." Antoine de Saint-Exupéry

Cinto de Segurança – afivelando as desigualdades



Por Alessandra Leles Rocha




Não são raras às vezes, em que nos parece difícil entender o comportamento humano. São tantos pesos e medidas para uma mesma questão como se tudo pudesse ser flexibilizado sem nenhum prejuízo. Mas, o que se esconde por detrás dessa contradição desmedida é nada mais, nada menos, do que a carência de um processo educador.
Basta uma simples observação cotidiana para entendermos a dimensão da fragilidade educadora a nos rodear. Lamentavelmente, nosso comportamento tem sido guiado muito mais por DEVERES e OBRIGAÇÕES do que por uma consciência construída a partir de valores e princípios moldados através da educação.
Sabe os chamados “bons exemplos”? Eles podem ser considerados pilares importantes para esse processo. Tudo aquilo que nos é repassado dentro do contexto ao qual estamos inseridos nos faz construir uma percepção individual e coletiva muito mais apurada e positiva; pois, trata-se da junção perfeita entre o discurso e uma prática visível, do que seja melhor, justo, bom.
No entanto, o passar dos dias nos dão conta do acelerado processo de distanciamento dessa condição, ao qual estamos submetidos. OBEDECEMOS, muito ou pouco; mas, no fundo, o fazemos sem a consciência plena, analítica e crítica sobre nossas ações. Não é à toa que, no final das contas, os resultados parecem fictícios, inconsistentes, quase caricatos; como se lhes faltasse uma essência de verdade.
Vejamos, por exemplo, a questão do uso do cinto de segurança nos veículos. Há vinte anos, a Lei nº. 9.503 1, de 23 de setembro de 1997, instituiu o Código de Trânsito brasileiro e em seu artigo 65, estabeleceu que “É obrigatório o uso do cinto de segurança para condutor e passageiros em todas as vias do território nacional, salvo em situações regulamentadas pelo CONTRAN”.
De fato, o transporte de pessoas sem o uso do cinto de segurança nos veículos representa um risco real, sobretudo, nos grandes centros urbanos onde a frota é imensa e o fluxo do tráfego nem sempre transcorre de maneira satisfatória, valendo-se, inclusive, do constante excesso de velocidade e desrespeito às leis de trânsito vigentes.Inúmeras campanhas, pesquisas e reportagens buscam apresentar fundamentos consistentes para essa utilização, apesar de não perceberem a existência de uma falha importante em seus discursos.
Legisladores e gestores de trânsito esqueceram-se de buscar medidas preventivas e/ou mitigadoras para proteger os cidadãos que utilizam diariamente os veículos de transporte público de massa (ônibus, trens, e metrô). Afinal, os perigos são os mesmos para quaisquer passageiros, estejam eles em veículo particular ou público. Aliás, nos veículos de massa, pode-se considerar o agravante da superlotação; pois, são raríssimos os momentos em que os veículos transitam na sua capacidade prevista.
Sem se dar conta, as normas de trânsito brasileiras trafegaram displicentes e atingiram em cheio o artigo 5º da Constituição Federal de 1988, ou seja, “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”. Essa displicência, que permite conduzir milhões de cidadãos brasileiros em condição de risco iminente, esconde a perversidade de mais uma linha divisória na sociedade nacional, ou seja, entre os que devem e os que não devem ser protegidos.
Portanto, se a obrigatoriedade do uso do cinto de segurança é notoriamente reconhecida por evitar que os passageiros sejam arremessados para fora ou se choquem com outros no interior do veículo, por diminuir os riscos de fraturas graves (inclusive, coluna vertebral) e perca da consciência em caso de acidente, por que os usuários do transporte público podem permanecer desprotegidos? Já parou para pensar na questão do usuário que é deficiente, ou idoso, ou criança? O quão vulnerável essas pessoas estão no transporte público, hein?
Não nos esqueçamos de que o transporte de massa reflete a diversidade etária e de demandas sociais do país. Ele é o transporte para o trabalho, para a escola, para as compras, para ir ao médico, para desfrutar do lazer... É, simplesmente, a materialização do direito de ir e vir que cabe a todos sem distinção de qualquer natureza. Também vale ressaltar que, embora público, ele não é de graça e, cada vez mais, pesa muito no orçamento de quem o utiliza.
Em tempos que se fala tanto a respeito da Mobilidade Urbana 2 em todo o mundo, esse é um aspecto fundamental que não pode ser jamais esquecido.  Não cuidar disso significa não se importar com o resultado de cada acidente a repercutir sobre os serviços de saúde pública já tão sobrecarregados, sobre a Previdência Social, sobre os índices de desemprego nacionais, sobre a perda precoce de mão-de-obra economicamente ativa, enfim... Como disse, no século XIX, o poeta e ensaísta norte-americano, Henry David Thoreau, O preço de qualquer coisa é a quantidade de vida que você troca por isso”. Portanto, proteger a vida do passageiro não só faz parte da obrigação qualitativa dos serviços a serem prestados como deveria ser item prioritário nos editais de concessão para os mesmos. Pensemos sobre isso!

Concurso de fotografia sobre objetivos da ONU tem prazo prorrogado para 20 de outubro

O Concurso de Fotografias Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, teve seu prazo de inscrição prorrogado para 20 de outubro. O concurso é dividido em 17 categorias, cada uma sobre um ODS específico. Serão selecionadas até três imagens por categoria.
Competição é aberta ao público em geral, de qualquer estado brasileiro ou do Distrito Federal, bem como estrangeiros residentes do país com a devida autorização. Candidatos devem ter 18 anos ou mais na hora de se inscrever.
Imagem: PNUD

O Concurso de Fotografias Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, teve seu prazo de inscrição prorrogado para 20 de outubro. Competição é aberta ao público em geral, de qualquer estado brasileiro ou do Distrito Federal, bem como estrangeiros residentes do país com a devida autorização. Candidatos devem ter 18 anos ou mais na hora de se inscrever.
O concurso é dividido em 17 categorias, cada uma sobre um ODS específico. Serão selecionadas até três imagens por categoria. Os vencedores receberão certificado de reconhecimento do PNUD. Não há limite para o envio de imagens por participantes.
As fotografias devem ser enviadas para o e-mail concursodefotos@undp.org, acompanhadas da autorização de uso de imagem assinada pelo(a) candidato(a), descrição do contexto da fotografia e nome completo e endereço (físico e eletrônico) do(a) autor(a). As imagens devem ser de até nove megabytes.
Somente serão aceitas as candidaturas de imagens inéditas, que não tenham sido apresentadas em materiais de divulgação ou premiadas em outros concursos até a data de inscrição. As fotografias serão selecionadas de acordo com critério de linguagem fotográfica, originalidade, criatividade, adesão aos ODS e respeito aos direitos humanos.
Com base na Agenda 2030, o PNUD pretende, com o concurso, identificar imagens que remetem à adoção e à implementação dos ODS. O objetivo é colaborar para a disseminação de boas práticas que favoreçam o desenvolvimento econômico, social e ambiental no Brasil, de forma integrada.
Clique aqui para acessar o edital do concurso.
O download do termo de autorização de uso de imagem pode ser feito clicando aqui. Mais informações podem ser obtidas por meio do e-mail concursodefotos@undp.org.
Para conhecer mais sobre os ODS e a Agenda 2030, acesse www.agenda2030.org.br.

UNICEF e Beyoncé se unem pela liberdade das meninas

Para lembar o Dia Internacional das Meninas, observado neste 11 de outubro, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançou a iniciativa “Liberdade para as Meninas”, projeto de conscientização online que recebeu o apoio da cantora Beyoncé Knowles. O vídeo da campanha mostra jovens de diferentes partes do mundo dançando ao som de “Freedom”, hit da artista norte-americana. Agência da ONU convoca todos a lutar por um mundo mais justo, sem desigualdades de gênero.
Para lembrar o Dia Internacional das Meninas, observado neste 11 de outubro, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) lançou a iniciativa “Liberdade para as Meninas”, projeto de conscientização online que recebeu o apoio da cantora Beyoncé Knowles. O vídeo da campanha mostra jovens de diferentes partes do mundo dançando ao som de “Freedom”, hit da artista norte-americana. Produção explica como as desigualdades de gênero afetam tragicamente a vida das crianças.
Segundo dados da agência da ONU, a cada cinco minutos, uma menina morre vítima de violência. Uma em cada quatro se casa ainda durante a infância. Das vítimas de tráfico humano, 71% são mulheres. Cerca de 63 milhões de jovens já foram submetidas à mutilação genital feminina.
As disparidades também afetam a saúde e a educação das mulheres. Atualmente, existem 130 milhões de meninas fora da escola. Em média, as meninas também têm duas vezes mais chances de contrair HIV.
Para o UNICEF, ser menina é lutar diariamente pela liberdade. Com a campanha, o organismo internacional convoca usuários das redes sociais a definir o que eles acham que é “liberdade para as meninas”. Para participar, use a hashtag em inglês, #FreedomForGirls.
A agência da ONU também chama países, comunidades e indivíduos a trabalharem juntos para cumprir os Objetivos Globais da ONU, um conjunto ambicioso de metas que prevê a erradicação de todas as formas de violência de gênero até 2030. O plano inclui ainda a promoção da educação de qualidade, do bem-estar e da segurança para todos, em qualquer parte do mundo, bem como o fim da epidemia de AIDS como problema de saúde pública.
Acesse o site da campanha e conheça outras iniciativas para a promoção dos direitos das meninas: http://www.globalgoals.org/dayofthegirl.
O vídeo do UNICEF é uma parceria com outra campanha da ONU, a Global Goals, voltada para o cumprimento das metas da Agenda 2030.

UNICEF: homicídios de adolescentes batem recorde; Nordeste registra índices mais altos de violência

 Em municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, a taxa de assassinatos de jovens chegou a 3,65 por mil adolescentes — ou seja, para cada mil adolescentes que completam 12 anos, mais de três são vítimas de homicídios antes de chegar aos 19 anos. Se nada mudar, 43 mil jovens poderão ser mortos até 2021.
No Nordeste, o índice é de 6,5, número que representa um aumento maior que o dobro desde 2005. Dados são do Índice de Homicídios na Adolescência 2014, divulgado nesta semana pelo UNICEF e parceiros.
Em municípios brasileiros com mais de 100 mil habitantes, a taxa de assassinatos de jovens chegou a 3,65 por mil adolescentes — ou seja, para cada mil adolescentes que completam 12 anos, mais de três são vítimas de homicídios antes de chegar aos 19 anos. Divulgado nesta semana pelo Índice de Homicídios na Adolescência 2014 (IHA), o número é o mais alto já registrado pela pesquisa, elaborada desde 2005. Levantamento alerta para a situação do Nordeste, que concentra sete das dez capitais brasileiras mais perigosas para a juventude.
Realizado pelo governo brasileiro em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o estudo alerta que, se as condições que prevaleciam em 2014 não mudarem, 43 mil adolescentes poderão ser mortos, entre 2015 e 2021, nos 300 municípios analisados. A estimativa diz respeito somente às cidades com mais de 100 mil habitantes. O IHA é calculado para cada grupo de mil pessoas entre 12 e 18 anos.
Fortaleza tem o maior índice, com 10,94 homicídios para cada grupo de mil jovens na faixa etária visada pelo relatório. Na lista com as dez capitais mais violentas, a cidade é seguida por Maceió (9,37), Vitória (7,68), João Pessoa (7,34), Natal (7,10), Salvador (6,87), São Luís (6,68), Teresina (6,59), Belém (5,32) e Goiânia (4,76). As cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo ocupam, respectivamente, a 19ª e a 22ª posição entre as capitais, com IHAs 2,71 e 2,19.
Segundo a pesquisa, em quase todos os estados do Nordeste, com exceção de Pernambuco, há pelo menos dois municípios com índices superiores a 6. A região apresenta o IHA médio mais elevando — 6,5. Se a situação não melhorar, 16,5 mil jovens nordestinos poderão ser mortos de 2015 a 2021.
O cenário alarmante é sintoma do acúmulo de altas no IHA regional — de 2005 a 2014, a taxa do Nordeste passou de pouco menos de 3 para quase 7. A segunda região mais violenta do Brasil, o Norte, tem um índice de homicídios contra adolescentes de 3,9.
Desde 2012, o número dos adolescentes entre 12 e 18 anos morrendo por agressão é proporcionalmente mais alto do que do resto da população brasileira — 31,6 para cada 100 mil adolescentes em 2014 comparados com 29,7 para cada 100 mil pessoas no geral.
“O que temos visto hoje no Brasil é que a falta de oportunidades tem determinado cruelmente a vida de muitos adolescentes”, afirma a representante do UNICEF no Brasil, Florence Bauer.
“Enquanto o Brasil nas últimas décadas conseguiu reduzir a mortalidade infantil significativamente, o número de mortes entre os adolescentes cresceu de uma maneira alarmante. É primordial que o país valorize melhor a segunda década de vida e dê à adolescência a importância que ela merece”, acrescentou a especialista.
As mortes de crianças menores de 1 ano foram reduzidas de 95.938, em 1990, para 37.501, em 2015. Durante o mesmo período, o número de adolescentes de 10 a 19 anos assassinados aumentou de 4.754 para 10.290, segundo o DATASUS.
O IHA é elaborado em parceria entre o UNICEF, o Ministério dos Direitos Humanos (MDH), o Observatório de Favelas e o Laboratório de Análise da Violência, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (LAV-UERJ). Acesso o relatório sobre 2014 clicando aqui.

Questão racial e de gênero

Os cálculos do IHA também abordam parâmetros de gênero, cor, idade e meio utilizado no homicídio. Em 2014, os adolescentes do sexo masculino tinham um risco 13,52 vezes superior ao das adolescentes do sexo feminino, e os adolescentes negros, um risco 2,88 vezes superior ao dos brancos. As chances de ser morto por arma de fogo é 6,11 vezes maior do que por outros meios.
Outro estudo conduzido pelo UNICEF, em colaboração com a Assembleia Legislativa do Ceará e o governo do estado, traz uma análise de homicídios ocorridos em Fortaleza e em outros seis municípios cearenses, com conclusões semelhantes. As vítimas eram, na maioria, meninos (97,95%) e negros ou pardos (65,75%), moradores das periferias.
Os adolescentes assassinados eram, em sua maioria, pobres – 67,1% viviam em lares com renda familiar entre um e dois salários mínimos – e 70% estavam fora da escola há pelo menos seis meses. Em Fortaleza, metade dos homicídios de adolescentes aconteceu em média a 500 metros da casa da vítima.

ONU Mulheres Brasil nomeia Taís Araújo como defensora dos Direitos das Mulheres Negras

Atriz reforça a estratégia “Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030” da ONU Mulheres Brasil, para visibilidade das afro-brasileiras como um dos grupos prioritários da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável e da Década Internacional de Afrodescendentes. Taís se soma ao grupo de mulheres públicas vinculadas à ONU Mulheres Brasil: embaixadora Camila Pitanga e defensoras dos Direitos das Mulheres Negras, Kenia Maria, e para a Prevenção e a Eliminação da Violência, Juliana Paes
Por ocasião do #JulhoDasPretas – período de mobilização do movimento de mulheres negras em decorrência do 25 de Julho, Dia da Mulher Afro-latino-americana, Afro-caribenha e da Diáspora –, a ONU Mulheres Brasil nomeou Taís Araújo como defensora dos Direitos das Mulheres Negras. A partir desta segunda-feira (3/7), a atriz passa a apoiar a visibilidade das mulheres negras como um dos grupos prioritários do Plano de Trabalho da ONU Brasil para a Década Internacional de Afrodescendentes, alinhado com o princípio de não deixar ninguém para trás, focando nos grupos em situação de maior vulnerabilidade, preconizado na Agenda 2030 e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e ressaltado no Marco de Parceria para o Desenvolvimento Sustentável 2017-2021. Estes princípios estão aglutinados na estratégia de comunicação da ONU Mulheres Brasil Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030.
A estratégia já conta com o apoio de Kenia Maria, defensora dos Direitos das Mulheres Negras, em plena atuação pública desde a sua nomeação, ocorrida no Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, em março deste ano.
“É com imensa alegria que a ONU Mulheres Brasil recebe o voluntariado de Taís Araújo, pela sua defesa fervorosa em favor dos direitos das mulheres. Taís tem sido uma das pessoas emblemáticas no enfrentamento ao racismo e ao sexismo no Brasil por sua postura política e artística, colaborando para a construção da representação positiva de negras e negros na dramaturgia brasileira. A voz de Taís agregará aos debates sobre os direitos das mulheres negras durante a Década Internacional de Afrodescendentes e nos esforços para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável”, considera Nadine Gasman, representante da ONU Mulheres Brasil.
Há um ano, Taís Araújo vem colaborando com o mandato da ONU Mulheres, especialmente na visibilidade das mulheres negras. Em julho de 2016, respondeu ao desafio “Que mulher negra é um exemplo para você?”, mobilizando seguidoras e seguidores de suas redes sociais, para a ação de comunicação desenvolvida pela ONU Mulheres e pela Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB). Em fevereiro de 2017, apoiou a campanha de mobilização de recursos do Instituto Maria da Penha. E, em março passado, participou da ciranda virtual Planeta 50-50, ação digital da ONU Mulheres para o reconhecimento do trabalho de ativistas brasileiras em defesa do empoderamento das mulheres e da igualdade de gênero no Dia Internacional da Mulher – #8M.
Na sua primeira declaração como defensora dos Direitos das Mulheres Negras da ONU Mulheres Brasil, Taís Araújo, disse: “Estou muito emocionada e honrada com esse convite. Quero usar a minha voz e falar de forma abrangente para que eu possa agregar as mulheres negras, as mulheres brancas e também as indígenas. Apenas com a união de todas as mulheres e, importantíssimo dizer, dos homens, poderemos caminhar por uma sociedade igualitária”.
Ao se referir ao marco de transformação da Agenda 2030, Taís frisou a importância de mobilizar a sociedade civil para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. “A transformação é um objetivo na minha vida. E se a gente tem uma data, até 2030, eu já me agarro a uma data concreta. Isso faz com que eu tenha, cada vez mais, empenho. Uma organização como a ONU Mulheres me deixa muito confortável em saber que não estou sozinha, que tem uma série de pessoas, não só aqui no Brasil, mas no mundo inteiro que estão pensando o que estou pensando”, apontou.
Taís Araújo compreende o sentido da urgência em acelerar os esforços políticos e sociais para promover a igualdade de gênero e raça. “Daqui para 2030, são 13 anos. De fato, é urgente e é possível, se a gente conseguir, nesses 13 anos, elucidar as pessoas, fazer com que as mulheres negras saibam a potência que são. Eu acho que realmente o que falta é a consciência de que o poder econômico é importante e que podemos usar de maneira inteligente para os passos que a humanidade precisa dar. Esse país é feito por nós. Esse mundo é feito por nós”, considerou a defensora dos Direitos das Mulheres Negras da ONU Mulheres Brasil.
Planeta 50-50 – As mulheres negras no Brasil são 55,6 milhões, chefiam 41,1% das famílias negras e recebem, em média, 58,2% da renda das mulheres brancas, de acordo com os dados de 2015 extraídos do Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça. Em cada três mulheres presas, duas são negras num total de 37, 8 mil detentas – quantidade que se elevou em 545%, entre 2000 e 2015, de acordo o Infopen Mulher. E entre 2003 a 2013, houve um aumento de 54% no número de assassinatos de mulheres enquanto houve redução em 10% na quantidade de assassinatos de mulheres brancas. No quadro diretivo das maiores empresas no Brasil, as negras são apenas 0,4% das executivas – apenas duas num total de 548 executivos e executivas.
Em 2015, a ONU Mulheres apoiou a realização da Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver. Na ocasião, a subsecretária geral da ONU e diretora executiva da ONU Mulheres, a sul-africana Phumzile Mlambo-Ngcuka, presente à manifestação de 2015, declarou: “No meu país, na África do Sul, as mulheres são fortes e poderosas. E vejo que aqui no Brasil mulheres negras poderosas e fortes. Na África do Sul, as mulheres estavam à frente na luta contra o apartheid. E aqui no Brasil, as mulheres negras estão à frente da luta contra o racismo”.
Mulheres públicas pela igualdade de gênero – Taís Araújo, defensora dos Direitos das Mulheres Negras da ONU Mulheres Brasil, se soma ao grupo de mulheres públicas em favor da igualdade de gênero no Brasil, composto por Camila Pitanga, embaixadora da ONU Mulheres Brasil; Kenia Maria, defensora dos Direitos das Mulheres Negras; e Juliana Paes, defensora para a Prevenção e a Eliminação da Violência contra as Mulheres.

Todo passivo ambiental será um passivo fiscal no futuro, alerta CEPAL

A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) defende uma reforma fiscal nos países da região que leve em conta a questão ambiental, disse na quarta-feira (4) Carlos Mussi, representante do órgão das Nações Unidas no Brasil.
Segundo ele, “todo passivo ambiental será um passivo fiscal no futuro”. “Se o Estado ou a sociedade não entrar, não tentar prever e atuar, o passivo ambiental não será pago apenas pelo princípio poluidor pagador, isso será uma conta da sociedade, isso será um passivo fiscal via dívida para as futuras gerações”, disse.
A Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) defende uma reforma fiscal nos países da região que leve em conta a questão ambiental, disse na quarta-feira (4) Carlos Mussi, representante do órgão das Nações Unidas no Brasil.
Tal reforma não se restringiria à tributação verde — ações que oneram ou desoneram atividades econômicas mais ou menos limpas —, mas incluiria de forma mais ampla as questões de finanças e políticas públicas, assim como de planejamento de longo prazo.
“A CEPAL fala em reforma fiscal ambiental. Temos uma necessidade de pensar não somente o lado da tributação, mas o lado do gasto e dos outros aparatos do setor público”, disse Mussi durante debate do Fórum Economia Limpa 2, promovido pelo jornal Folha de S.Paulo em parceria com a Abralatas, na capital paulista.
Segundo ele, “todo passivo ambiental será um passivo fiscal no futuro”. “Se o Estado ou a sociedade não entrar, não tentar prever e atuar, o passivo ambiental não será pago apenas pelo princípio poluidor pagador, isso será uma conta da sociedade, isso será um passivo fiscal via dívida para as futuras gerações”, disse.
O representante da CEPAL no Brasil lembrou que o atual estilo de desenvolvimento global é insustentável em seus três grandes componentes. “Seja econômico, porque estamos crescendo menos, temos menor capacidade de gerar empregos, renda; somos insustentáveis em termos ambientais, estamos vendo a mudança do clima; e também na área social, estamos vendo todas as crises políticas acontecendo no mundo”, declarou.

Reforma fiscal ambiental

O conceito de reforma fiscal ambiental consolidou-se na década de 1990 no marco de reformas realizadas sobretudo na Europa, segundo relatório produzido pela CEPAL em 2015. A ideia básica que impulsionou as reformas foi a de utilizar o mecanismo de preços para corrigir as distorções que deterioram o meio ambiente e impedem um uso racional dos recursos naturais.
Seguindo o princípio de que “o que contamina, paga”, as reformas buscavam fazer com que os preços incorporassem o custo social das externalidades negativas, por meio de impostos.
Na América Latina, não foram adotadas reformas fiscais ambientais como realizadas em outras regiões. Segundo a CEPAL, a baixa prioridade dada a essas reformas na agenda política latino-americana pode ser em parte explicada por características diferenciais da região.
“Há quatro diferenças econômicas com um país desenvolvido típico que são especialmente relevantes: o crescimento continua sendo um objetivo privilegiado; a incidência da pobreza é significativa e, além disso, trata-se de uma região com fortes disparidades na distribuição da riqueza e da renda”, afirmou o documento.
“Os recursos naturais têm maior peso relativo na região, e isso influenciou e continuará influenciando os instrumentos fiscais utilizados e as características do espaço fiscal.”

Sete teses da UFMG são premiadas pela Capes - Trabalhos das áreas de artes, comunicação, ciências biológicas e química foram agraciados


Quarta-feira, 11 de outubro 2017, às 12h22

Sete trabalhos defendidos na UFMG em 2016 estão entre as melhores teses de doutorado selecionadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Quatro delas vão receber o Prêmio Capes de Tese e três, menção honrosa. O resultado foi divulgado nesta terça-feira, 10.
A entrega dos prêmios ocorrerá no dia 7 de dezembro, em Brasília. Na solenidade, serão anunciados os ganhadores do Grande Prêmio, outorgado para a melhor tese selecionada entre as vencedoras do Prêmio Capes de Tese, agrupadas em três grupos de grandes áreas.[...]

Semana do Conhecimento começa na próxima segunda-feira - 'Matemática está em tudo' é o tema da conferência de abertura

Quarta-feira, 11 de outubro 2017, às 11h08
De 16 a 20 deste mês, o maior evento acadêmico anual da UFMG vai mobilizar alunos de graduação e do ensino médio, docentes e servidores técnico-administrativos, em torno de dezenas de atividades, em Belo Horizonte e no Instituto de Ciências Agrárias (ICA). O evento foi precedido por seminário sobre iniciação científica júnior e pela primeira fase de exposição dos trabalhos de pesquisa e extensão nas unidades acadêmicas.
A programação da 26ª Semana do Conhecimento da UFMG terá conferências, palestras, mesas-redondas, jornadas e uma extensa agenda cultural. O evento será aberto às 9h da próxima segunda-feira, 16, no auditório da Reitoria, campus Pampulha, com a mesa Matemática, diversidade, conhecimento, que remete ao tema A Matemática está em tudo, adotado pela Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT). Evento que ocorre em todo o país, de 23 a 29 deste mês, a SNCT faz alusão ao Biênio da Matemática 2017-2018.
Na mesa de abertura, o professor Bernardo Lima, do Departamento de Matemática, fará a palestra Percolação: problemas fáceis de enunciar e difíceis de resolver!, e o escritor Jacques Fux vai propor ao público uma viagem pelo mundo das letras e dos números, da literatura comparada e das ficções, aludindo a escritores, matemáticos, poetas e sonhadores, como Jorge Luis Borges, Georges Perec e Ítalo Calvino.
No campus regional de Montes Claros, serão realizadas, no dia 16, as palestras A Matemática está em tudo, com o professor Rosivaldo Antônio Gonçalves, da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), pela manhã, e Física mais que divertida, com Eduardo de Campos Valadares, da UFMG, à noite. Também no ICA, o evento prossegue até o dia 20.
Também integra a agenda da Semana a conferência Línguas indígenas na América do Sul: uma perspectiva histórica para a diversificação linguística e o declínio recente, proferida pelo professor Lyle Campbell, da Universidade do Havaí (EUA). O evento, que compõe a série UFMG 90 anos: desafios contemporâneos, será realizado no dia 18, no Auditório 1 da Faculdade de Ciências Econômicas (Face), às 19h.
Além da programação organizada pelas pró-reitorias de Graduação, Pesquisa, Extensão, Assuntos Estudantis e Recursos Humanos – com seminários e apresentação de quase três mil trabalhos desenvolvidos por alunos de graduação e do ensino médio –, a agenda da 26ª Semana do Conhecimento inclui atividades organizadas pelo Núcleo de Acessibilidade e Inclusão (NAI), pelo Instituto de Estudos Avançados Transdisciplinares (IEAT), pela Diretoria de Relações Internacionais (DRI) e pelas unidades acadêmicas. Em alguns eventos, a participação pode render créditos.
Coordenada pela Diretoria de Ação Cultural (DAC), a programação artística da Semana será aberta no dia 16 às 12h30, na Praça de Serviços do campus Pampulha, com o espetáculo DiversIDADES, do Grupo Sarandeiros, em comemoração aos 90 anos da Universidade. As atividades culturais prosseguem até o dia 20, em diferentes ambientes do campus – auditório e gramado da Reitoria, piso térreo do Instituto de Ciências Biológicas e saguão da Faculdade de Ciências Econômicas. A programação pode ser consultada no site do evento. [...]

Mais informações em https://ufmg.br/comunicacao/noticias/26-semana-do-conhecimento-comeca-na-proxima-segunda-feira

Circuito butantan da maior idade

Se você tem 60 anos ou mais, venha participar do circuito butantan da maior idade,
O circuito butantan da maior idade​ viabiliza o contato com artes, meio ambiente, cinema, fotografia e divulgação da ciência, além de atividades ligadas à saúde mental e física.  O Butantan oferece o programa desde março de 2015, ampliando o público que se beneficia das suas atividades de difusão científica ao abordar, para as pessoas acima de 60 anos, temas como sustentabilidade, saúde e animais venenosos.

O relato de uma das participantes mostra o envolvimento do grupo:
“Meu reconhecimento da importância do Instituto aumentou em muito, enriqueceu minha cultura, os novos conhecimentos adquiridos. Conto para as pessoas o que aprendi aqui e elas se surpreendem. Achei admirável doutores tão jovens, acessíveis e apaixonados pelo que fazem”.

Os encontros acontecem todas as segundas e quartas-feiras, sempre das 8h30 às 11h30 no espaço do Centro de Difusão Científica – CDC, ao lado do paiol. A participação é gratuita.

Informações com Luciana Monaco ou Horacio A. Fernandes Filho
Núcleo de Difusão do Conhecimento
(11) 2627-9542

Visite nosso blog:  vivenciasetransformacoes.blogspot.com.br/​​

Visita técnica ao Biotério de Artrópodes

Voltada para graduandos e graduados nas áreas de ciências biológicas e biomédicas, medicina veterinária e áreas afins, a visita ao laboratório tem por objetivo apresentar os processos de trabalho envolvidos na criação e manutenção dos principais grupos de aranhas e escorpiões importantes para a saúde pública.

Conteúdos programados
A importância das aranhas e escorpiões para a saúde pública
Recepção, fluxo de entrada e quarentena dos animais
Criação e manutenção de aranhas dos gêneros Phoneutria e Loxosceles
Criação e manutenção de escorpiões do gênero Tityus
Criação suporte para alimentação de aranhas e escorpiões
Extração de veneno
Público-alvo: Graduandos e graduados em ciências biológicas e biomédicas, medicina veterinária e áreas afins.  
Horário: das 13h às 14h15 
Vagas:
Local: Laboratório de Artrópodes, Instituto Butantan 
Inscrições: As inscrições serão liberadas um mês antes de cada atividade.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Para refletir!!!

Só mais um desafio para a Educação brasileira



Por Alessandra Leles Rocha



A liquefação das relações, das ideologias, dos comportamentos na teoria da pós-modernidade proposta por Zygmunt Bauman, talvez, nos forneça elementos para compreender o que acontece bem debaixo do nosso próprio nariz. De fato, o cotidiano parece estar determinado aos interesses, as vontades, aos olhares extremamente individualistas, por isso o consenso se encontra cada vez mais distanciado e menos favorecido de um denominador comum.
No entanto, apesar da realidade se apresentar dessa forma, a sociedade não pode viver à deriva, à mercê de uma Babel social, onde cada um defende seus pontos de vista e os faz prevalecer a todo custo. Foi em nome de um porto seguro que as leis, os códigos e as doutrinas surgiram para estabelecer parâmetros que pudessem conferir princípios à sociedade, de modo a resguardá-la do peso de uma demasiada injustiça.
Mas, vez por outra, no afã de arbitrar adequadamente se perde a noção da complexidade em que reside à própria coexistência humana. A vida é um prisma de muitos lados. São muitas as variáveis que interferem e mascaram os vieses de uma mesma questão. Foi essa a sensação percebida pela sociedade brasileira diante da decisão do Supremo Tribunal Federal, em 27/09/2017, sobre a compatibilidade de, embora vivermos sob um Estado laico, que as escolas públicas devam ministrar aulas de ensino religioso de uma ou mais religiões específicas.
Pois bem, muitos podem pensar que o ponto nevrálgico dessa discussão é tão somente a religião; mas não é. Concordo que vivemos tempos espinhosos, de uma intolerância desmedida, no qual a diversidade religiosa tem estado em constante aflição, apesar da Constituição Federal de 1988 manifestar-se clara no artigo 5º, incisos VI, VII e VIII 1. O problema é como trazer a religião para o ambiente escolar sem fazer disso um fomento para agravos de enorme projeção.
Ora, ninguém desconhece a realidade da escola pública brasileira, dos inúmeros desafios que ela enfrenta diariamente para cumprir o seu papel de educar. De problemas logísticos e de infraestrutura à carência de mão de obra qualificada e melhores salários, os aspectos didático-pedagógicos também se somam no momento de computarmos o baixo aproveitamento dos alunos, os índices de evasão (tanto de docentes como de alunos), a violência, as limitações no processo de acessibilidade e inclusão escolar, enfim.
Ano após ano, entre reportagens, pesquisas e estatísticas o panorama nacional não acusa melhorias e avanços significativos diante dessas demandas. O modelo vigente de escola não atende as necessidades da sociedade atual, há um abismo secular na Educação nacional. Por isso, a escola pública brasileira, na sua grande maioria, parece abandonada, sem futuro. Então, se não temos sido capazes de enxergar o que acontece; talvez, a recente decisão do STF possa ao menos nos despertar desse torpor.
Segundo a Suprema Corte, a decisão se amparou no fato de considerar tal ensino como facultativo, ou seja, sem obrigar o aluno a participar das aulas. Mas, isso não basta. Não basta porque não pensamos no problema que essas escolas terão de enfrentar quanto às alternativas a serem propostas aos alunos que não queiram assistir a aula de ensino religioso oferecida.
Quem vive a realidade da escola pública sabe bem que a carência de professores já é um obstáculo no cumprimento da carga horária anual. Quando faltam professores – e essa é uma constante por diversas razões, inclusive médicas - muitas escolas são obrigadas a dispensar os alunos mais cedo ou, na melhor das hipóteses, juntar as turmas, superlotando os espaços físicos já precários. Então, como fazer com os alunos do ensino religioso que pretendam desfrutar do seu direito de não assistir as aulas?
Basta um pouco de idade nas costas, para saber que jovens sem nada para fazer dentro da escola acabam em problema. Sem saber o que fazer com esses alunos, o tal ‘facultativo’ poderia acabar se transformando em estereótipo de segregação, mais um estopim para casos de bullying. Mas, mais uma vez, a grande parcela das nossas escolas públicas não têm profissionais capacitados para trabalhar essas questões (psicólogos e assistentes sociais) e mitigar seus impactos. Não, infelizmente, também não podemos contar com a hipótese de uma aula de música, ou de arte, ou de robótica, ou de informática, ou de idiomas... em lugar da aula de ensino religioso para esses alunos.
Sem considerar o fato de que na fragilidade orçamentária que vive a Educação nacional, as escolas não poderiam contratar mais de um professor de ensino religioso, o que afunilaria a construção identitária no âmbito da religião, fazendo com que prevalecessem as religiões com maior número de seguidores no país. Se a religião é um traço cultural importantíssimo na construção da sociedade, isso significaria um retrocesso na oportunização da nossa própria diversidade. Com a realidade migratória vigente, a qual o Brasil recebe refugiados de diversas nacionalidades, imagine como eles se sentiriam nessa situação?
Além disso, a presença de uma única representação religiosa na escola, não deixa de ser uma outorga de poder ideológico e de destaque para o profissional que irá ministrar as aulas; afinal, não foram estabelecidas diretrizes ou orientações para o processo de escolha da religião a ser ministrada, o que parece arbitrário. Contar com o bom senso é simplista demais e pode ocasionar problemas ainda maiores em longo prazo.
Enquanto, personalidades e lideranças mundo afora reconhecem a importância do ecumenismo na construção de uma sociedade pacífica, capaz de coexistir pela premissa da liberdade, da igualdade e da fraternidade que respeitam a diversidade humana em todas as suas expressões, estamos diante de mais um obstáculo para o país. Acabamos de perder uma excelente oportunidade de fazer das nossas escolas verdadeiros celeiros de gente, de seres humanos que se “imaginam partilhando o mundo” 2.
Como disse Martin Luther King, A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar”. Infelizmente, a decisão do STF nos faz pensar em injustiça, quando amparados pelas leis, códigos e doutrinas, nossos magistrados permitiram que a exclusão fizesse parte da escola; afinal, haverá alunos que não se sentirão contemplados, representados ali.  Quem quer ficar em um lugar assim, hein?! 
Não nos esqueçamos do que disse Rubem Alves 3, Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas. Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do vôo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o vôo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em vôo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o vôo, isso elas não podem fazer, porque o vôo já nasce dentro dos pássaros. O vôo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado”.



1 Inciso VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias; Inciso VII – é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva; e, Inciso VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.
2 Uma referência à canção Imagine, de John Lennon.