terça-feira, 22 de agosto de 2017

"Estamos condenados à civilização. Ou progredimos ou desaparecemos". Euclides da Cunha

Os novos bárbaros, os primitivos da pós-modernidade




Por Alessandra Leles Rocha




Nunca fomos tão bárbaros quanto agora. A humanidade perdeu o senso do altruísmo, do respeito, da fraternidade e decidiu sair por aí destilando veneno, ódio, perversidade, violência de todo tipo. Simplesmente não raciocina mais. Não reflete mais. Não pesa prós e contras. Apenas age, com a frieza de uma besta irracional.
Honestamente, para ser assim nem precisa de liderança, de quem assine embaixo e referende tantos absurdos, tanta covardia. De fato é isso. Os novos bárbaros, os primitivos da pós-modernidade, não precisam mais do que de si mesmos, do seu rompante animal. Não há hesitação. Não há remorso. Nem sei se posso realmente afirmar que há neles alguma satisfação, porque seus ares de indiferença transformam tudo em banalidade.
Os novos bárbaros resgataram a desvalorização da vida. Por pequenas bobagens, intransigências, destemperos o ser humano vai às vias de fato e nem muda de camisa. Enche-se de razão, de opinião, de valentia, de profunda autossuficiência para fazer prevalecer na base da força bruta, da violência, as suas ideologias e valores, enquanto aos demais resta manterem-se silenciosos, quietos e distantes se não quiserem atear mais fogo a situação.   
Os novos bárbaros resgataram, também, o desequilíbrio social. Não somos mais iguais do ponto de vista de direitos e deveres; há sempre alguém determinando uma escala de importância, de significância social. Não somos mais livres na medida em que nos tornamos cada vez mais reféns dos sistemas, dos controles, das imposições, das arbitrariedades. Não somos mais fraternos, exceto na distribuição das parcas migalhas de afeto que distribuímos entre os nossos adoradores e subservientes pares, que jamais nos contestam e contra argumentam.
Os novos bárbaros, os primitivos da pós-modernidade, restauraram a fúria de uma inquisição que condena e executa sem o menor indício de dolo ou culpa. Basta estar no lugar errado e na hora errada. Basta cruzar o caminho da pessoa errada. Basta ser diferente. Basta pensar diferente. Basta se comportar diferente. Basta se vestir diferente. Basta... De repente, estamos bem mais próximos do fio da navalha (do mundo) do que poderíamos supor; por isso, todos nos tornamos a “bola da vez”.
Por mais que não se queira admitir, essa é a verdade que insiste em nos acompanhar. Distantes da normalidade natural do cotidiano, em uma pequena fração de segundos somos abruptamente interrompidos, nossa vida é interrompida pela ação fulminante da barbárie. Não há mais fortes, ou mais aptos, ou mais resistentes; há sobre a raça humana uma aleatoriedade circulante, uma imprevisibilidade em relação ao segundo adiante. Como diz a canção dos Paralamas do Sucesso, “Eu vivo sem saber até quando ainda estou vivo / Sem saber o calibre do perigo / Eu não sei d’aonde vem o tiro / Eu vivo sem saber até quando ainda estou vivo / Sem saber o calibre do perigo [...]” 1.
Lamento, se alguém ainda acha graça ou é indiferente à realidade.  Ou você está de um lado ou do outro nessa história; não dá para ficar em cima do muro. Seja no mundo real, ou no mundo virtual, a verdade é que ninguém está a salvo dos primitivos da pós-modernidade. Nesses longos anos de civilização a barbárie não usa mais clava, nem escudo, nem lança; refinou-se como haveria de ser, mas nem por isso perdeu a força da sua letalidade. No fim das contas, é como se a humanidade estivesse sendo marcada a ferro na própria alma; pois, o que temos assistido ao mesmo tempo em que é inimaginável é, também, inesquecível.
Talvez, seja esse o preço a pagar por nos deixarmos manipular felizes pelos encantos da pós-modernidade 2. Em passos largos caminhamos rumo a nossa desumanização, a qual nos faz mais e mais dependentes das máquinas para sobreviver, enquanto perdemos a nossa empatia. Quem diria, não somos mais o “Admirável gado novo” 3cantado por Zé Ramalho; agora, somos apenas o “Admirável chip novo” 4, tão bem descrito pela cantora Pitty. É; isso cabe uma boa e longa reflexão.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

"A verdade só pode ser dita nas malhas da ficção". Jacques Lacan

Ficção. Realidade. Fantasmas da mente humana.




Por Alessandra Leles Rocha




Há vinte e cinco anos eu fui impactada por um conto de Rubem Fonseca, quando me preparava para o Vestibular. O tal “Passeio noturno” 1 escrito por ele, nos leva a uma reflexão profunda e cruel sobre o ser humano, afastando completamente do nosso senso comum a racionalidade polida diariamente através das diretrizes e ordenamentos sociais. Naquelas palavras a personagem principal se dividia entre o ápice do seu primitivismo e da sua razão bem lapidada, num antagonismo sem precedentes.
Durante muito tempo, então, eu pensei que o meu choque diante daquela obra literária era por conta da pouca idade e, desse modo, uma carência natural de maturidade para lidar com aquele tipo de leitura. Os nervos a flor da pele por conta do Vestibular, também, não ajudavam muito a buscar uma compreensão menos emocional daquele texto, que acabou permanecendo no meu inconsciente, como algo tão difícil de aceitar que só caberia mesmo no campo do imaginário literário.
Pois é, só que em pouco mais de duas décadas a sociedade pirou, inverteu valores e princípios, e para o meu total espanto e indignação a vida real passou a exibir roteiros adaptados do conto de Rubem Fonseca. A ficção ganhou as páginas da ronda policial pelo Brasil e pelo mundo, fixando o perfil de uma violência permeada de cinismo, indiferença e altas doses de sociopatia 2.
Os inesperados atropelamentos coletivos vêm se destacando no cenário social. Alguns episódios são justificados pelo uso de álcool e entorpecentes pelos motoristas, que não deveriam dirigir sob o efeito dessas substâncias. Outros, como o ocorrido ontem em Barcelona3, ganham notoriedade pela justificativa terrorista. Mas, a verdade é que são seres humanos matando outros seres humanos sem o menor sinal de culpa ou arrependimento. Basta um carro em seu poder e pronto, a tragédia está construída.
E tudo isso é perturbador, pois não há como prever esse tipo de violência. A sociedade passa a viver em constante estado de apreensão e vulnerabilidade, sem que possa necessariamente se proteger; o que traz para o agressor uma sensação indizível de prazer e de vitória. Além disso, os atropelamentos coletivos propagam o raio de violência sobre a sociedade, na medida em que essa atinge não só os feridos e as vítimas fatais, mas suas respectivas células familiares e amigos.  
Uma violência que não se consegue ressignificar do ponto de vista racional irá repercutir indefinidamente sobre a vida dos envolvidos direta e indiretamente. Afinal de contas, uma perda, seja ela de que dimensão for, causada voluntariamente por terceiros  contrapõe o senso racional e natural de preservação da própria espécie. Alguém se apoderou do direito à vida, decidindo num dado momento quem deveria ou não viver. Então, como aceitar algo assim? A quem estamos outorgando esse tipo de decisão?
A realidade dos atropelamentos coletivos está fomentando uma onda de sofrimentos sem precedentes, cujos resultados em longo prazo poderão ser terríveis para a sociedade. A convivência diária e extrema com a dor, de diferentes tipos, pode ocasionar o esgarçamento das bases emocionais e afetivas da raça humana. O que resultará desse processo é uma grande incógnita, embora as previsões possam acenar para comportamentos nada positivos e altruístas, com exacerbação das tensões sociais; pois, na vida real, ao contrário da ficção, o final da história nem sempre pode ser atenuado ou modulado.
Quando me lembro da minha dificuldade de respirar depois daquela aula de literatura no colegial, chego a sorrir sem graça. Nem nos piores pensamentos eu poderia supor que, em tão pouco tempo, o mundo real se tornaria de uma hostilidade, de uma perversidade capaz de nos retirar a cada segundo a vontade de respirar.  
Por isso, hoje, capaz de lidar com as nuances da literatura, mas totalmente incapaz de sobreviver às desventuras dessa realidade tóxica, o que me vem à mente são as palavras de outro grande escritor, Carlos Drummond de Andrade 4, que na sua inquietude mineira nos deixou a pergunta que não quer calar: “E agora, José”?5


Lançamento Literário!


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Participe da Feijoada do Bem - Fundação Dorina Nowill para Cegos


#IMPERDÍVEL!!! MEGA OUTLET BBBEM - Fundação Dorina Nowill para cegos



"O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons". Martin Luther King Jr.

Assista a  propaganda antifascista dos EUA dos anos 1940 que viralizou após confrontos em Charlottesville, em  https://www.youtube.com/watch?v=CUrw2Lkd97M.
Na verdade, trata-se de uma boa representação do que diz a fábula A RATOEIRA.
A RATOEIRA

Um rato olhou pelo buraco na parede e quando viu o que o fazendeiro e sua esposa tiraram de um pacote, ficou aterrorizado: era uma ratoeira.
Foi para o pátio da fazenda advertindo a todos:
– Tem uma ratoeira na casa! Tem uma ratoeira na casa!!
A galinha, que estava cacarejando e ciscando, levantou a cabeça e disse:
– Desculpe-me, Sr. Rato, eu entendo que é um grande problema para o senhor, mas não me prejudica em nada, não volte a me incomodar por isso, por favor.
E o porco disse a ele:
– Desculpe-me, Sr. Rato, mas não há nada que eu possa fazer, a não ser rezar pelo senhor. Fique tranqüilo que o senhor será lembrado nas minhas preces.
E a vaca o questionou:
– O que senhor Rato? Uma ratoeira? Por acaso estou em perigo? Acho que não! Não me amole.
Naquela noite ouviu-se o barulho do disparo da ratoeira. A mulher do fazendeiro correu para ver o que havia pego. No escuro, ela não percebeu que a ratoeira tinha pego na cauda de uma cobra venenosa, tocou na serpente e esta a picou.
Ela foi medicada num hospital, mas voltou para casa com febre. O fazendeiro mandou matar a galinha e fazer uma canja para reanimar sua esposa.
Como a doença da mulher continuava, os amigos e vizinhos vieram visitá-la. Para alimentá-los o fazendeiro matou o porco.
A mulher acabou morrendo e o fazendeiro não podendo arcar de imediato com as despesas do funeral, vendeu a vaca para um frigorífico da região.
MORAL DA HISTÓRIA
Nunca diga que um problema não é seu ou que não o afeta, pois quando há uma “ratoeira na casa” todos correm perigo. 
(Autor desconhecido)

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

“Não deverão gerar filhos quem não quer dar-se ao trabalho de criá-los e educá-los.” (Platão)

Responsabilidade parental: abandono afetivo

Cíntia Vesentini

A afetividade como dever parental, decorrente da responsabilidade e planejamento familiar, independe da origem biológico-genética e constitui hoje o vínculo central e definidor da família contemporânea.

 RESUMO: Objetiva-se através do presente trabalho discutir os avanços e modificações na área do Direito de Família decorrentes da evolução social, assim como discutir a possibilidade de responsabilização civil por danos morais decorrentes da quebra do dever de afetividade nas relações paterno-filiais. A matéria vem sendo debatida pela jurisprudência brasileira na última década e ganhou grande notoriedade com o reconhecimento pelo Superior Tribunal de Justiça em 2012, afirmando a possibilidade dos danos morais e a reparação pecuniária por abandono filial-afetivo. Neste estudo, analisa-se a importância da presença dos pais para o desenvolvimento psíquico da criança e do adolescente, o princípio da afetividade como decorrência da dignidade da pessoa humana e dever parental, bem como as consequências de sua ausência. Aborda-se a configuração do abandono afetivo como ato ilícito, a importância de se diferenciar o sentimento de amor com a falta de afetividade decorrente de uma paternidade responsável e dever parental, mostrando carecer os magistrados da área de uma cautela primorosa, para se evitar uma patrimonialização da questão. Discute-se, ainda, o melhor interesse da criança sob a ótica constitucional, infraconstitucional e internacional; e, por fim, faz-se uma análise jurisprudencial da última década, com os julgados favoráveis ou não à questão, para que se possa ter uma visão panorâmica do assunto.
Palavras-chave: Responsabilidade Civil, Abandono Afetivo, Dano moral, Indenização.
Leia o artigo completo em

ONU no Brasil recebe inscrições para concurso de vídeos sobre pobreza; PRAZO PRORROGADO PARA 15 DE AGOSTO.


Continuam abertas as inscrições para o concurso de vídeos Nelson Mandela com o tema “A luta contra a pobreza é uma questão de justiça. Não é um gesto de caridade”. O Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) lançou a competição no Dia Mundial Nelson Mandela, celebrado em 18 de julho.
Os três melhores filmes serão divulgados em 1º de setembro e serão exibidos no mesmo mês no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro. Prazo para inscrição foi prorrogado até 15 de agosto.

Pacto Global da ONU no Brasil lança publicações em diferentes idiomas para divulgar boas práticas


Para disseminar internacionalmente as experiências de empresas brasileiras na promoção dos direitos humanos e do desenvolvimento sustentável, a Rede Brasil do Pacto Global lançou neste mês (1º) traduções para o inglês de quatro publicações. Documentos contemplam temas diversos — a integração da Agenda 2030 da ONU a estratégias corporativas, diretrizes para o setor de alimentação, entre outros assuntos.
Publicação sobre imigração e corrupção no mercado internacional ganhou versões em inglês, espanhol, francês, alemão e mandarim.

OPAS lança nova iniciativa para eliminar a transmissão materno-infantil de quatro doenças

Todos os anos, estima-se que 2,1 mil crianças na América Latina e no Caribe nasçam com HIV ou o contraiam de suas mães; 22,4 mil estejam infectadas com sífilis; cerca de 9 mil nasçam com doença de Chagas; e 6 mil contraiam o vírus da hepatite B. Se não forem detectadas e tratadas a tempo, essas infecções podem causar abortos espontâneos, malformações congênitas, problemas neurológicos e cardíacos, cirrose, câncer de fígado e, em alguns casos, até a morte.
Para acabar com a transmissão de mãe para filho dessas quatro doenças até 2020, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) lançou o Marco para a Eliminação da Transmissão Materno-Infantil do HIV, Sífilis, Hepatite e doença de Chagas. Trata-se de um roteiro com estratégias e intervenções que visam às mulheres antes e durante a gravidez, bem como novas mães e seus bebês.

Grupo Tátil convida para mais uma apresentação teatral

O grupo é formado por alunos e ex-alunos do Instituto Benjamin Constant.

O que você faz com os 86.400 segundos do seu dia? Essa é a reflexão proposta pelo espetáculo teatral Dá um Tempo para Falar de Tempo, que o Grupo Tátil vai apresentar no próximo dia 19, no Teatro Mário Lago, no município de Saquarema, localizado na Região dos Lagos fluminense.
O grupo é formado pelos atores Felipe Pereira, Acauã Pozino, Vanessa Rodrigues, Leonardo Portela e Sarah Medeiros.  A professora Marlíria Flávia Cunha é responsável pela direção do grupo e das montagens teatrais.
A peça é uma comédia romântica, que narra a história de amor de Jorge, um rapaz deficiente visual, e Clarissa, uma jovem que enxerga.  Além de muita música e poesia, o espetáculo reúne relatos verídicos de pessoas cegas e com baixa visão envolvendo questões ligadas à deficiência visual e o tempo.  Crianças e adultos podem assistir à peça, já que a censura é livre.
O espetáculo tem o apoio do IBC.
Serviço:
Peça - Dá um Tempo pra Falar de Tempo
Dia - 19/8/2017
Hora - 20h
Local - Teatro Mário Lago, Saquarema
Ingressos a R$ 20,00 - venda no Teatro-Academia Rita Daumas e na banca de jornal em frente ao teatro

Brasil ganha prata na 28ª olimpíada internacional de biologia


31/07/2017

O Brasil conquistou a medalha de prata na 28ª Olimpíada Internacional de Biologia, que aconteceu no Reino Unido de 23 a 30 de julho. Os estudantes do Ensino Médio que representaram o país foram selecionados na etapa nacional, promovida pelo Instituto Butantan, com o apoio do CNPq, da Fapesp e também da Bio-Rad.          

O estudante de escola pública Bruno Teixeira Gomes conquistou a prata na competição internacional. Aluno do Colégio Militar de Fortaleza (CE), Bruno esteve no ano passado na Olimpíada Ibero Americana, em que conseguiu a medalha de ouro.         

“Quero muito seguir a carreira na área de biológicas, pesquisar e contribuir com a ciência”, conta o aluno. 

A Olimpíada teve mais de 300 participantes de 68 países, que realizaram duas provas teóricas e três práticas - Botânica, Fisiologia do desenvolvimento e Bioquímica. Além da prata, os estudantes João Pedro Tavares e Laís Parada receberam menções honrosas. Foi o melhor desempenho de ibero-americanos neste ano.  

“A competição exigiu um nível muito elevado de conhecimento. Conseguimos um excelente resultado, o que mostra a importância da capacitação realizada no Butantan”, explica a coordenadora da Olimpíada Brasileira de Biologia Sônia Andrade.          

Os alunos João Pedro da Cunha Tavares (CE), Laís Ribeiro Coca Parada (SP), Bruno Teixeira Gomes (CE), Emanuel Cintra Austregesilo Bezerra (CE) foram os quatro que representaram o Brasil. 

Selecionados entre cerca de 50 mil estudantes do Ensino Médio de todo o país, os alunos participaram de três fases da Olimpíada Brasileira de Biologia (OBB). Na última etapa, tiveram treinamento intensivo no Instituto Butantan, com atividades práticas que envolveram biologia molecular, biologia celular, microbiologia, química de proteínas e zoologia.   

Prêmio New Holland de Fotojornalismo

O Prêmio New Holland de Fotojornalismo é um projeto cultural apoiado pela Lei de Incentivo à Cultura do Ministério da Cultura e patrocinado pela New Holland e pelo Banco CNH Industrial, com realização da Mano a Mano Produções Artísticas. Em Belo Horizonte, a exposição conta com o apoio da Casa Fiat de Cultura, do Circuito Liberdade, do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico (Iepha), Governo de Minas e Governo Federal. Criado com o objetivo de valorizar o trabalho dos repórteres fotográficos, o projeto passou a premiar também fotógrafos não profissionais — pessoas aficionadas pela fotografia. Inicialmente restrito ao Brasil, o concurso foi ampliado primeiramente para o Mercosul e, ao completar dez anos, para toda a América do Sul, tornando-se um dos mais importantes concursos fotográficos desses países. Além da premiação, o projeto realiza exposições fotográficas itinerantes pelas cidades dos países participantes.
Serviço
Exposição do 12º Prêmio New Holland Fotojornalismo
Data:
 8 de agosto a 10 de setembro de 2017
Entrada gratuita
Mais informações
Assessoria de imprensa do prêmio
Página 1 Comunicação
Luis Fernando Duarte – luisfernando@pg1com.com
(41) 3018-3377 ou (41) 9 9685-5997
Coordenação de projeto
Mano a Mano Produções
Schirley Ethel – contato@manoamanoprojetos.com
(41) 9 9967-5036

AGOSTO NA CASA FIAT DE CULTURA


Nos dias 15, 19 e 20 de agosto o público poderá experimentar o Ateliê Aberto: Fotografando Portinari, realizando sessões de fotos tematizadas pelo painel, das 10h às 12h para crianças; e das 14h às 15h30 e das 16h às 17h30 para adultos. Os participantes aprenderão a utilizar a fotografia como caminho para fruição, registro e análise do patrimônio artístico, além de debater sobre conservação e preservação de acervos.

Serviço
Ateliê Aberto: Fotografando Portinari
Datas:
 15, 19 e 20 de agosto
Horários: das 10h às 12h para crianças de até 12 anos; das 14h às 15h30 e das 16h às 17h30 para maiores de 12 anos
Participação gratuita; não é necessário fazer inscrição; limite de 15 pessoas por horário; crianças de até 10 anos devem estar acompanhadas por responsáveis e as menores de 5 anos precisam que os responsáveis as auxiliem nas atividades.

Editora PUC Minas inaugura livraria


Na última terça-feira, 8 de agosto, a Editora PUC Minas, em comemoração aos seus 15 anos, inaugurou uma livraria no Espaço Cultura e Fé (prédio 7), no Campus Coração Eucarístico, sob gerência do livreiro Carlos Aguiar. A inauguração foi marcada pelo lançamento do livro do professor José Flávio Morais Castro, Geoprocessamento de mapas de Minas Gerais nos séculos XVIII – XIX. Além disso, está previsto para muito em breve o lançamento da livraria virtual da Editora.


Lançamento do livro Ímpeto em Pétalas (Ed. Patuá), de Lígia Araújo


Sábado, 19/08/17, das 14:30 às 17:00

Lançamento do livro Ímpeto em Pétalas (Ed. Patuá), de Lígia Araújo

Gratuito
Sábado, 19/08/17, das 14:30 às 17:00

Experimentos artesanais em fotografia

Início quarta-feira, 23/08/17 das 14:30 às 17:00 (12 encontros)
R$ 630,00 à vista ou 3 x R$ 210,00 (incluso materiais)
20 vagas por ordem de inscrição

A fotografia como expressão artística contemporânea pode se apresentar de muitas maneiras e em diferentes superfícies.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

“Quem trabalha e mata a fome não come o pão de ninguém, mas quem ganha mais do que come sempre come o pão de alguém...” - Padre Reno

Entre notórios e esquecidos, assim se constrói o poder do Capital


Por Alessandra Leles Rocha


O poder do capital é mesmo intrigante. Ao ponto de entorpecer os sentidos humanos e impedir-lhes de perceber o que é realmente importante, o que está em jogo quando se trata da manutenção da espécie humana sobre a Terra, pelo o que realmente se deve lutar.
Cada dia se reafirma uma perversa estratificação e hierarquização da vida, o que significa que esse direito fundamental está mais e mais inacessível a todos. Não, os seres humanos não são iguais em direitos e deveres; subliminarmente esse é o recado.
Enquanto nos inebriamos diante das cifras milionárias, da profusão de oportunidades para poucos em detrimento de muitos, inconscientemente (ou não) estamos referendando os caminhos da indignidade humana e deixando de admitir quais os verdadeiros parâmetros nos são de fato necessários à sobrevivência.
Será que ainda nos recordamos o que permeia a nossa dignidade humana? Educação, Saúde, Trabalho, Lazer, Segurança, Liberdade, Igualdade estão entre os chamados elementos fundamentais. Mas, quando excedemos sobremaneira os limites que os garantem, passamos a nos defrontar com o supérfluo, o não essencial.
A própria natureza ensina que os excessos têm como fim a formação de resíduos, de lixo, ou seja, deixam de ser uma coisa boa, proveitosa, para de certa forma transformar-se em problema, na medida em que, geralmente, não sabemos lidar com eles.  No entanto, no caso da riqueza desmedida o problema é que ela faz com que o ser humano perca a sua identidade humanista, fraterna, responsável em relação a si e aos outros.
Há um deslumbramento, um afloramento da sua vaidade, uma capitalização da sua essência no contexto do “vale quanto pesa”, o que inevitavelmente faz com que se perca a noção social da própria existência. Aí, as pessoas ou começam a distribuir migalhas do seu excesso para aplacar a própria consciência ou se fecham nos labirintos sombrios da indiferença, se colocando sempre distantes dos reflexos da desigualdade presentes no mundo.
Está aí o perigo em nos encantarmos com a reafirmação de episódios assim. Enquanto se afunila os privilégios, há uma manipulação discursiva implícita para que deixemos de perceber o aprofundamento dos abismos que apartam os seres humanos. Os afortunados pelas grandes oportunidades do mundo deveriam ser mais responsáveis no sentido de se engajarem na transformação social daqueles que são diariamente esquecidos. Isso não significa uma mera questão filantrópica; mas, um senso de responsabilidade social que visa tomar partido, de forma incisiva, nas discussões e ações que repercutem sobre a dignidade de milhões de seres humanos.
Pensar na sobrevivência de um planeta com mais de sete bilhões de pessoas, não é uma questão meramente ambiental. Trata-se antes de tudo de uma questão social. Quando se reduzem as diferenças, transformam-se pessoas em cidadãos, em seres humanos conscientes do seu papel na sociedade. As desigualdades só fazem proliferar a invisibilidade, a exclusão, a intolerância e todas as demais formas de violência existentes. Inclusive, quando nos admiramos extasiados diante da riqueza atribuída a um único individuo, nem sempre nos damos conta de que se trata de um homem. A própria distribuição da riqueza é seletiva e renega a igualdade de gênero, estabelecendo mais um critério de apartamento social.
Todo ser humano merece desfrutar da dignidade de ver atendida as suas necessidades vitais básicas e as de sua família; bem como, de construir sem espoliar ou dilapidar o outro um patrimônio capaz de garantir-lhe esse usufruto, quando não puder mais colaborar produtivamente com a sociedade.  Mas, enquanto não existir o despertar dessa consciência, veremos a proliferação de campos de refugiados pelo mundo, ou pessoas desassistidas nos corredores de hospitais públicos a mercê da própria sorte, ou nas filas do desemprego; enfim...
Portanto, quando banalizamos a perversidade e a crueldade humana, só ressaltamos o nosso primitivismo bestial e nos afastamos da dignidade de sermos considerados humanos, racionais, inteligentes. Como dizia George Eliot 1, “Nunca é tarde demais para ser aquilo que você deveria ser”, então?


1 George Eliot, pseudônimo de Mary Ann Evans, foi uma romancista autodidata britânica. Usava um nom de plume masculino para que seus trabalhos fossem levados a sério. (Saiba mais em https://pt.wikipedia.org/wiki/George_Eliot

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

"Você é livre para fazer suas escolhas, mas é prisioneiro das consequências". Pablo Neruda

De Judas Iscariotes aos dias atuais



Por Alessandra Leles Rocha



Não consigo acreditar que depois de todos os acontecimentos e desdobramentos pós Mensalão e Lava Jato, algum cidadão brasileiro consiga dissociar a bancarrota nacional da corrupção.
Ora, essa práxis secular de se obter vantagens em relação aos que detêm o poder, por meios ilegais ou ilícitos, vem dilapidando os recursos públicos oriundos de nossos impostos e tributos.
Que fique claro, portanto, que a corrupção é prática humana e, por aqui, em solo tupiniquim, esteve reverenciada por muitas bandeiras, muitas ideologias; daí não se poder atirar pedras e elencar culpados em uma única direção.
Mas o ponto nevrálgico dessa questão é que o esvaziamento de recursos públicos para satisfazer a fome insaciável da corrupção nacional extingue toda e qualquer potencialidade de desenvolvimento e progresso. Vejam o exemplo das universidades públicas, de seus hospitais universitários, de suas pesquisas!
Para cobrir os rombos da corrupção a saída historicamente foi sempre a mesma: contingenciamento e corte de recursos e criação e aumento de impostos. É evidente que são os serviços essenciais à sociedade os que padecerão o estrangulamento de seus orçamentos, tendo como consequência imediata à desassistência da população. Só que a população faz a sua parte, ela paga impostos para ver revertidos esses recursos em seu benefício; mas, na prática da corrupção isso não acontece.
Além disso, essa perene retirada de água do barco com o auxílio de um dedal, porque é exatamente isso que significam as medidas citadas acima, fomenta a incredulidade mundial em relação ao país. Não há como crer em mudanças efetivas sem “cortar o mal pela raiz”. Enquanto existe uma corrupção sistêmica sangrando os recursos nacionais, não há economia que se equilibre ou se sustente.
Por que, então, fingimos não ver a corrupção se esgueirando daqui e dali para manter as aparências de uma pseudo estabilidade econômica? A economia patina sem sair efetivamente do lugar, a ponto de se tornar necessário arrochar os cintos e aumentar impostos. Os desempregados proliferam-se nas estatísticas nacionais. Tudo parece suspenso no ar e prestes a se desintegrar na vida de milhões de brasileiros, contradizendo qualquer onda de vã otimismo que tenta ser impressa.
Então, a quem queremos enganar com o velho discurso de que “os fins justificam os meios”? Dizia Martin Luther King Jr., “Para ter inimigos, não precisa declarar guerras, apenas diga o que pensa”; talvez, por isso, muitos aqui no Brasil optam pela politicagem da boa vizinhança e distribuem benesses e agrados para manter a simpatia. Mas esse é só um jeito diferente de praticar a corrupção, não é mesmo?
Como se vê o que estamos vivendo é de uma complexidade tal que parece incontrolável. A corrupção tornou-se uma compulsão, um comportamento desmedido. Grandes corrupções. Pequenas corrupções. No fim das contas, apenas corrupção. Apenas um modo de ser antissocial, antiprodutivo, antiético; mas, que uma grande maioria prefere não admitir a total adoração. Aliás, porque admitir significaria ter que tomar uma atitude a respeito e esse agir parece penoso, desconfortável, pesado demais.
Mas, um dia o caldo entorna. Há situações que não esperam por nós, por nossa boa vontade, por nosso bom senso. A própria conjuntura dá o seu jeito. Talvez, estejamos perto disso; afinal de contas, a espoliação dos direitos fundamentais, previstos na Constituição de 1988, torna-se cada dia mais insustentável e já atinge camadas da população, as quais se sentiam de certa forma inatingíveis. Assim, eis que, de repente, possamos nesse dia metamórfico alcançar as palavras de Santo Agostinho, “Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam, porque me corrompem”. Que assim seja.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

"E gosto, à noite, de escutar as estrelas. É como ouvir quinhentos milhões de guizos... Mas eis que acontece uma coisa extraordinária". O Pequeno Príncipe

Tá me ouvindo???

  

Por Alessandra Leles Rocha


  
Cada um no seu casulo. Fones de ouvido na orelha. Lá se vão os humanos do século XXI.  Absorvidos pelo hit parede particular e o volume no máximo da potência; é claro que não sobra espaço para mais nada além do seu próprio mundinho. E isso não é comportamento juvenil, não! Todos os gêneros, etnias, idades, profissões já estão rendidos a essa práxis.
Modismos à parte, a verdade é que esse, aparentemente inofensivo, hábito esconde mais prejuízos do que se pensa. Nada contra ouvir música (principalmente, boa música) ou desanuviar a mente de vez em quando. A questão é transformar isso em rotina, a tal ponto que não enxergamos mais a nós e ao mundo.
Seja no transporte público, nas ruas, nas filas, em todos os lugares por onde transitamos há pessoas personificando esse padrão comportamental. Observando com certa atenção é impossível não perceber nelas um traço comum, como se estivessem em transe. Não percebem nada, nem ninguém. O seu isolamento voluntário as coloca em risco real e imediato, pois não estão conectadas à dinâmica da realidade dos centros urbanos.
Lá se vão elas alheias à beleza trivial da natureza. Não enxergam mais o nascer ou o por do sol. Nem as borboletas pelos jardins. Nem as flores multicoloridas espalhadas pelo chão. Nem arco-íris durante ou depois da chuva. O mundo parece sempre cinza e estático. Também não se socializam. Não conversam entre si. Não se olham. Não se interagem, ao ponto de não pressentirem a eventual existência da violência que teima em nos rodear. 
Nesse pouco tempo de reflexão, quantas perdas é possível identificar? Mas, há muito mais. Incluindo a própria perda auditiva. Nossos ouvidos não foram feitos para serem submetidos à intensidade e repetição de ruídos dessa forma. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), “1,1 bilhão de pessoas podem ter perdas auditivas porque escutam música alta. Atualmente, problemas de audição provocados por causas diversas já afetam 360 milhões de indivíduos, dos quais 32 milhões são crianças” 1
Isso significa que a população está negligenciando a saúde auditiva e caminhando a passos largos para a surdez e para a ampliação do contingente de pessoas com algum tipo de deficiência, que no caso do Brasil, por exemplo, representam 24% da população 2. Como qualquer deficiência, a surdez implicará em inúmeros desafios sociais para o cidadão, os quais incluem desde a readaptação comunicativa até a reinserção no mercado de trabalho. 
Apesar de todos os avanços da ciência e tecnologia, nem todas as pessoas surdas conseguem uma satisfatória adaptação aos aparelhos auditivos ou outros tratamentos e cirurgias, por exemplo. Da mesma forma que nem todas as escolas estão preparadas para atender as demandas dos deficientes auditivos. A acessibilidade a materiais didáticos e paradidáticos para o ensino-aprendizagem de surdos ainda é baixa. Enfim... 
E se ainda não nos sensibilizamos o suficiente, pode-se acrescentar nesse rol de obstáculos o alto custo de investimentos para garantir o mínimo de dignidade a essas pessoas. Seja por via pública ou privada, a excepcionalidade da condição humana impõe a necessidade de recursos especiais. Por isso é fundamental sermos mais responsáveis em relação aos nossos comportamentos. Não se trata de interferirmos na liberdade individual, mas de tomarmos consciência do impacto coletivo que nossas escolhas podem ocasionar e repercutir em longo prazo.
Essa é uma questão de saúde pública? Sim; mas, também, de educação, de responsabilidade parental, de economia, de trabalho... e, sobretudo, de amor próprio, de deixar o instinto de sobrevivência e proteção inatos falar mais alto. Eu sei que ninguém quer ouvir conselhos e reflexões; mas, posso garantir que sem esses, você certamente deixará de ouvir todo o resto. Pense nisso!