domingo, 1 de maio de 2016

Caro trabalhador, leia e reflita.


TEMPOS MODERNOS. É um filme de 1936 do cineasta Charlie Chaplin .

 Trabalho. Lida. Labuta.  

Por Alessandra Leles Rocha

“O trabalho poupa-nos de três grandes males: tédio, vício e necessidade”. (Voltaire)

 Nada mais oportuno do que realizarmos neste 1º de Maio uma reflexão profunda sobre os (des) caminhos das relações de trabalho; seja no Brasil ou em quaisquer outros lugares do planeta.
Para início de conversa, engana-se quem pensa que trabalho é uma ação restrita ao ato de sair de casa todos os dias para realizar uma tarefa e no final do mês receber um salário por isso. Antes de pensarmos no trabalho assalariado, que garante o pão de cada dia e a sobrevivência digna do ser humano, cada um de nós trabalha em prol do semelhante, da construção de uma sociedade, conscientemente ou não.
E é fundamental que isso seja percebido para que possamos abolir definitivamente com a equivocada ideia de autossuficiência que teima em corroer muitos de nós. Não, não somos autossuficientes. Estamos sempre a precisar dos gestos mais simples e abdicados de quem nos rodeia, ainda que nem o conheçamos e suas imagens nem se façam refletidas em nossas retinas. Afinal de contas, seria impossível na nossa solitude satisfazermos todas as nossas demandas.
Então, justamente por isso, por essa condição tão básica de auxílio mútuo e cooperação é que se torna possível compreender por onde se iniciam os problemas nas relações de trabalho. O não perceber que se precisa do outro é só a ponta do iceberg. Depois vem a questão de que estamos sempre pensando que uns são mais importantes do que outros e, por isso, merecem também ser mais bem remunerados. Enfim... De repente, a sociedade estabelece uma hierarquização que compromete a dignidade existencial do individuo, permitindo que seres humanos subjuguem outros seres humanos e tornem suas vidas um ato desesperado pela simples sobrevivência.
A cada vez que se aprofundam as discussões em torno das relações de trabalho, a perversidade parece ganhar contornos ainda mais cruéis. Além de se permitir que haja trabalhadores menos ou mais importantes, que pessoas possam receber menos do que o imprescindível para sua sobrevivência e dessa forma tenham que dobrar, ou até triplicar, a jornada de trabalho em nome do mínimo necessário, há diferenças brutais comprometendo a igualdade de gênero, de etnia, de credo, seja do ponto de vista salarial seja em respeito e profissionalismo.  
Sem contar, o que se permite fazer em relação aos trabalhadores que tiveram suas vidas transformadas drasticamente por alguma mazela física e/ou mental e que, portanto, passaram a compor o contingente de mão-de-obra aposentada (muitos precocemente). O impacto da impossibilidade de trabalho não deixa de ser ainda mais severa do ponto de vista econômico e social do que a própria realidade laboral existente, pois se trata da certeza concreta do desamparo e da insuficiência.
Ouço sempre discursos inquisidores que culpam o sistema econômico capitalista como o grande promotor desses absurdos; mas, me pergunto se por detrás dele, ou na constituição dele, não está tão somente o ser humano na condição de mentor intelectual e agente incondicional de colocá-lo em prática. Sim. As teorias econômicas são frutos da mente humana e, por essa razão, pode-se dizer que elas se abstêm voluntariamente da humanidade necessária para promover o bem de todos, sem distinção.
Portanto, muito antes da passagem da Idade Média para a Idade Moderna, a qual incentivou o nascimento do chamado capitalismo mercantil e das grandes navegações, a história da humanidade já apontava todos os tipos de abusos de exploração e escravização humana nas suas páginas. Os grandes impérios assim se tornaram à custa da percepção de que a vida humana pode ser definida entre os que merecem ou não viver entre os que têm ou não valor; como se isso fosse realmente correto e admissível.
Então, quando chegamos ao século XXI e nos deparamos com a repetição dos mesmos erros é estarrecedor; mesmo porque, o mundo tem hoje uma população de mais de 7 bilhões de pessoas. Vidas que almejam cumprir sua existência de maneira digna, produtiva. Mas, ao contrário disso, segundo comunicado do Centro Regional de Informação das Nações Unidas (UNRIC), “A Organização Internacional do Trabalho (OIT) reviu, hoje, em alta as suas estimativas do desemprego mundial e pediu um "pacto mundial sobre o emprego" para ajudar a superar a actual crise. Segundo estatísticas divulgadas hoje, a OIT calcula que o número de desempregados, no período de 2007 a 2009, seria de 210 a 239 milhões de pessoas, o que corresponde a uma taxa de desemprego mundial  entre 6,5% e 7,4%,  ou a aumentos do número de desempregados que se situam entre 39 e 59 milhões, desde 2007. Há três meses, a OIT previa que o desemprego mundial no período referido registaria provavelmente um aumento entre 24 milhões – o que corresponde a uma taxa de desemprego de 6,3% – e 52 milhões de pessoas – ou 7,1%. "Estamos a assistir a um aumento sem precedentes do desemprego e do número de trabalhadores em risco de ser lançados para uma situação de pobreza, este ano", disse Juan Somavia, Director-Geral da OIT."Isto constitui um motivo de grande preocupação. A fim de evitar uma recessão social mundial, necessitamos de um pacto mundial sobre o emprego, para combater a crise e atenuar os seus efeitos nas pessoas. A escolha é nossa e o momento de agir é já". A OIT diz que as projecções indicam que, entre 2007 e 2009, 200 milhões de trabalhadores estão em risco de ir engrossar as fileiras daqueles que vivem com menos de 2 dólares por dia.O número de jovens desempregados deverá aumentar entre 11 e 17 milhões, entre 2008 e 2009. Prevê-se que a taxa de desemprego juvenil registe um aumento de cerca de 12%, em 2008, para 14% a 15%, em 2009” 1.
Tudo isso, sob um prisma global. Agora, se olharmos puntualmente para o Brasil, as notícias são ainda mais impactantes. Conforme publicou a Agência Brasil de Notícias (EBC), na última sexta-feira (29/04/2016), “A taxa de desocupação atingiu 10,9% no trimestre móvel encerrado em março último, resultado 1,9 ponto percentual acima da taxa de 9% do trimestre fechado em dezembro de 2015 e 3 pontos percentuais a mais que no mesmo trimestre de 2015, quando o desemprego estava em 7,9%. Esta é a maior taxa de desemprego da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (Pnad Contínua) iniciada em 2012. Os dados foram divulgados hoje (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A população desocupada chegou a 11,1 milhões de pessoas, aumentando 22,2% (2 milhões de pessoas), em relação ao número de desempregados do período imediatamente anterior (outubro a dezembro de 2015). No confronto com igual trimestre do ano passado, o número de desemprego subiu 39,8%, o que significa um aumento de 3,2 milhões de pessoas desocupadas. Os dados do IBGE indicam que, no trimestre encerrado em março último, a população ocupada do país estava em 90,6 milhões de pessoas, apresentando uma redução de 1,7%, quando comparada com o trimestre de outubro a dezembro de 2015. Em comparação com igual trimestre do ano passado, houve queda de 1,5% na população ocupada, representando menos 1,4 milhão de pessoas2 .
É preciso parar de desqualificar os fatos, de minimizar a gravidade da situação, de colocar na conta de uma eventual ‘ausência de pró-atividade’ o que acontece nas relações de trabalho. Estamos falando de relações humanas, de ações que refletem na sobrevivência da nossa espécie. Estamos tratando de questões jurídicas e administrativas; mas, sobretudo, de valores éticos e morais. Portanto, reflita e não se esqueça dessas palavras de José Saramago, no livro Ensaio sobre a Cegueira: “Quantos cegos serão precisos para fazer uma cegueira?”.

1º de Maio - Dia do Trabalho












terça-feira, 26 de abril de 2016

Pense nisso!!!


Depressão também atinge populações da Amazônia



Publicado em Sociedade, USP Online Destaque por


Transtorno associado à vida nas grandes cidades atinge habitantes de regiões distantes, mostra estudo
É comum associarmos a depressão com cotidiano das grandes cidades. Violência, estresse, trânsito intenso e modo de vida acelerado, entre outros motivos, quase sempre são apontados como possíveis causas desse transtorno mental. Mas, um estudo realizado pela professora e enfermeira Edinilza Ribeiro dos Santos nas cidades de Coari e Tefé, no interior do estado do Amazonas, mostra que 1 em cada 5 habitantes, com 20 anos de idade ou mais, tem depressão. Os fatores de risco associados ao transtorno depressivo na população do estudo foram: baixos níveis de escolaridade e renda, uso de álcool, ausência ou pouco apoio social de familiares e amigos, estresse e ter outras doenças físicas. Os resultados da pesquisa foram publicados em um artigo na revista PLoS ONE, em sua edição de março.
“Realizamos um estudo de prevalência nos dois municípios e constatamos que os fatores de risco para transtorno depressivo são semelhantes aos observados em estudos prévios realizados em grandes centros urbanos”, conta a pesquisadora, que é docente na Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Ao todo, foram entrevistadas 1.631 pessoas residentes nas duas cidades. Essas entrevistas foram realizadas por dez profissionais previamente capacitados, durante cerca de um ano, entre 2013 e 2014. [...]

Arte e reflexões sobre o social são incentivadas desde cedo na escola



Publicado em Educação, USP Online Destaque por


Aprender a questionar e ter sensibilidade para o outro foram conquistas dos alunos participantes do projeto Arte e Intervenção Social
A música é porta de entrada para cativar alunos do ensino fundamental em relação à literatura, à poesia e às questões sociais. Esta foi a experiência do projeto Arte e Intervenção Social, do professor de Língua Portuguesa Daniel Carvalho de Almeida, realizado na Escola Municipal de Educação Fundamental (EMEF) Aurélio Arrobas Martins, em Itaquera, zona leste de São Paulo. O projeto despertou nos alunos o interesse e o gosto pela literatura, a poesia e a criação literária. Agora, eles escrevem poesias e outro gêneros de texto, e já publicaram dois livros. [...]

Índice mede força dos parlamentos na América do Sul

Publicado em Sociedade por


Indicador leva em conta autonomia do legislativo para elaborar leis e fiscalizar o poder executivo
Um índice para medir a força do poder legislativo nos países da América do Sul é proposto em pesquisa do Núcleo de Pesquisas em Políticas Públicas (NUPPs) da USP, realizada pelo professor José Alvaro Moisés e pelo pesquisador Sérgio Simoni Júnior. O indicador é baseado nos dispositivos vigentes nas atuais constituições e regimentos internos dos parlamentos, que indicam a autonomia para elaborar leis, fiscalizar o poder executivo e a existência de mecanismos de dissolução legislativa. Sob esses aspectos, os legislativos mais fortes são os do Paraguai, Bolívia e Argentina. O Brasil está em um bloco intermediário, junto a Colômbia, Chile, Uruguai e Venezuela. Peru e Equador possuem os legislativos mais fracos.
Segundo o professor Moisés, a força do legislativo depende das prerrogativas do parlamento para apresentar projetos de lei, dos dispositivos constitucionais e regimentais que preveem e facilitam a fiscalização e o controle do poder executivo e da liberdade que os parlamentos possuem para a apresentação de propostas orçamentárias. “A presença desses atributos indica e assegura a autonomia e independência do legislativo, sua capacidade de ação para questões de fiscalização e controle, e principalmente, a iniciativa de proposições sobre leis orçamentárias”, afirma. “Este é um aspecto essencial, pois a elaboração do orçamento é o momento em que a sociedade, em um Estado democrático, aloca a riqueza que produz em políticas públicas que considera prioritárias”. [...]

Crise adia transição da América Latina para economia de classe média, diz Banco Mundial

Enquanto entre 2002 e 2012, mais de 10 milhões de latino-americanos entraram para a classe média anualmente, em 2014 esse volume caiu para 3,5 milhões. Caso a evolução tivesse se mantido no mesmo ritmo, a região seria predominantemente de classe média em 2017.

A desaceleração das economias latino-americanas tem prejudicado a expansão das classes médias nesses países, de acordo com o Banco Mundial. Enquanto entre 2002 e 2012, mais de 10 milhões de pessoas entraram na classe média anualmente, esse número caiu para 3,5 milhões em 2014.
Caso a evolução tivesse se mantido no ritmo de 1% ao ano, a América Latina se tornaria uma região predominantemente de classe média em 2017, segundo cálculos do Laboratório contra a Pobreza na América Latina (LAC Equity Lab), do Banco Mundial.
A mudança foi prejudicada pela redução dos preços das matérias-primas, que vinham impulsionando o crescimento econômico na América Latina entre 2002 e 2012. O resultado foi uma desaceleração do crescimento econômico, especialmente no Brasil. Na média ponderada, a América Latina está entrando no quinto ano consecutivo de retração.
O novo cenário fez economistas descartarem qualquer previsão sobre quando os países da região poderão chegar à condição de economias predominantemente de classe média.
Apesar do contexto mais difícil, o percentual de latino-americanos de classe média não diminuiu, ficando estável em 35% entre 2013 e 2014, segundo o Banco Mundial. Além disso, mesmo diante do menor crescimento da renda para os 40% mais pobres da América Latina, a taxa de pobreza continuou a cair, passando de 24,1% em 2013 para 23,3% em 2014.
Segundo o Banco Mundial, o cenário ruim tem ampliado o número de pessoas consideradas vulneráveis, que vivem com de 4 a 10 dólares por dia. O grupo, que mais tem crescido nos últimos anos, está mais sujeito a cair na pobreza do que migrar à classe média.
Na classificação do Banco Mundial, são consideradas de classe média pessoas que vivem com de 10 a 50 dólares por dia, enquanto são considerados pobres aqueles que vivem com até 4 dólares diários.
“Por isso, minimizar esse risco (de queda dos vulneráveis à pobreza) será um importante objetivo em toda a região durante o ajuste ao novo ambiente econômico”, disse o economista Oscar Calvo-González, gerente do departamento de pobreza e igualdade para a América Latina do Banco Mundial.

Uma em cada cinco mulheres será mãe antes de terminar a adolescência nos países do Cone Sul, diz UNFPA

De acordo com estimativas da ONU, nascem cerca de 14 milhões de crianças de mães adolescentes por ano em todo o mundo. A taxa de fecundidade adolescente na América Latina e no Caribe é de 73,2 por 1 mil nascimentos, quase o dobro dos níveis de outras regiões do mundo (48, 9 por mil), só sendo superada pela África, onde atinge 103 por mil.

Gravidez e maternidade precoce podem trazer complicações de saúde para a mãe e para o bebê, bem como impactos negativos na trajetória de vida de adolescentes. Quando a gravidez não é planejada, ela se torna uma manifestação nítida da vulnerabilidade dos direitos sexuais e reprodutivos de adolescentes e, portanto, de seus direitos humanos.
Essa é a conclusão do relatório “Fecundidade e Maternidade Adolescente no Cone Sul: Anotações para a Construção de uma Agenda Comum”, apresentado nesta terça-feira (19) pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), na Argentina.
De acordo com estimativas da pesquisa, cerca de 1,25 milhão de nascimentos que ocorrem nos países do Cone Sul são de mães adolescentes (15 a 19 anos), sendo que uma em cada cinco mulheres vivendo na região será mãe antes de terminar a adolescência.
O trabalho sistematizou a situação da fecundidade e da gravidez na adolescência em Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai, e comparou a legislação e os programas existentes relacionados à saúde sexual e reprodutiva em cada um destes países.
De acordo com o relatório, a tendência da fecundidade adolescente durante a última década foi errática nos quatro países analisados. Apenas no Brasil houve uma queda sustentada, apesar de o país ter registrado forte avanço na década anterior.
A taxa de fecundidade adolescente no Brasil passou de 86 para cada 1 mil habitantes em 2000 para 75,6 em 2010. Entre 1980 e 2000, porém, esse indicador havia subido de 75 para 89,7. Na Argentina, a tendência também foi de baixa, passando de 60,7 em 2000 para 56,9 em 2010, enquanto no Chile, foi de 61,6 para 52,5 no mesmo período. No Paraguai, as taxas que eram de 82,3 no início da década caíram para 72,3 e, no Uruguai, passaram de 63,5 para 61,1.
De acordo com estimativas da ONU, nascem cerca de 14 milhões de crianças de mães adolescentes por ano em todo o mundo. Na América Latina e no Caribe, a taxa de fecundidade adolescente é de 73,2 por 1 mil nascimentos, quase o dobro dos níveis de outras regiões do mundo (48, 9 por 1 mil), só sendo superada pela África, onde atinge 103 por 1 mil. A maior parte das mães são adolescentes que estavam fora do sistema de ensino no momento da gravidez.
“É necessário reforçar e ampliar as políticas públicas abrangentes para garantir a prevenção de gravidez indesejada e destacar a importância da promoção de parcerias para a cooperação Sul-Sul entre os países, para facilitar o intercâmbio e a aplicação de boas práticas”, disse Virginia Camacho, assessora regional em saúde sexual e reprodutiva do Escritório Regional para a América Latina e o Caribe do UNFPA.

Desigualdades

As desigualdades étnicas e culturais em todos os países devem ser consideradas, segundo o relatório. No Brasil, a maternidade adolescente indígena representa o dobro da não indígena. Também no Uruguai são observadas diferenças étnico-raciais, com uma maior proporção de adolescentes mães entre as mulheres afrodescendentes.
No Brasil, a taxa de fecundidade adolescente diminui conforme aumenta a renda do lar. As adolescentes que moram em residências com renda igual ou inferior a 25% do salário mínimo per capita apresentam uma taxa de fecundidade de mais de 126 nascimentos por 1 mil mulheres. Entre as que residem em residências com rendas familiares per capita de duas a três vezes superior ao salário mínimo, a taxa de fecundidade cai para 31 nascimentos por 1 mil mulheres, e entre as que moram em residências com rendas mais altas, a taxa é de 8 a cada 1 mil.
“A gravidez adolescente não só destaca a falta de acesso das meninas e adolescentes aos bens e serviços que lhes permitam exercer os seus direitos sexuais e reprodutivos, mas também constitui uma barreira para que as meninas exerçam o seu direito à educação e ao desenvolvimento saudável, e para alcançar uma transição bem sucedida para a vida adulta”, disse Esteban Caballero, diretor regional do UNFPA para a América Latina e o Caribe.
O relatório analisa os programas de educação em sexualidade que se desenvolvem dentro dos marcos normativos de cada um dos países, tais como a disponibilização de diversos métodos contraceptivos gratuitamente através de sistemas de saúde e acesso à saúde sexual e reprodutiva de forma autônoma, sem a obrigação do acompanhamento de um adulto e como o respeito ao direito à confidencialidade.
O fortalecimento das capacidades e intercâmbios dos países do Cone Sul em seus esforços para garantir o acesso à saúde sexual e reprodutiva e diminuir a gravidez indesejada na adolescência são os principais objetivos do estudo, segundo a agência da ONU.
O relatório completo pode ser encontrado na página do UNFPA Brasil, nas publicações sobre Saúde Sexual e Reprodutiva (disponível somente em espanhol).

Há conflito entre interesses de farmacêuticas e sociedade, diz especialista da OPAS/OMS

Há conflito entre as necessidades de saúde pública e os interesses do mercado, que tem origem nas disparidades existentes entre a lógica do lucro fomentado pela economia e a condição de saúde desejada pela sociedade, segundo artigo de especialista da Organização Pan-Americana de Saúde/Organização Mundial da Saúde.

Existe um conflito entre as necessidades de saúde pública e os interesses da indústria farmacêutica, que tem origem nas disparidades existentes entre a lógica do lucro fomentado pela economia de mercado e a condição de saúde desejada pela sociedade.
Essa é a conclusão do estudo “Produção: a corda bamba entre o mercado e as necessidades de saúde pública”, que faz parte da publicação “Uso Racional de Medicamentos: fundamentação em condutas terapêuticas e nos macroprocessos da Assistência Farmacêutica”, lançada no mês passado pela Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS).
Segundo o artigo, da pesquisadora Kellen Santos Rezende, um dos principais problemas no Sistema Único de Saúde (SUS) é o crescente desinteresse comercial dos fabricantes de insumos e medicamentos em manter a comercialização de medicamentos antigos, mas que ainda têm seus resultados positivos sobre a saúde.
“Podemos citar, neste contexto, medicamentos oncológicos antigos, como a L-asparaginase, indicado para leucemia linfocítica aguda em pacientes pediátricos”, lembrou o artigo. “Dado que o período da novidade comercial (e lucrativa) de um produto como esse foi há um bom tempo, os produtores que precisam continuar a ter altas taxas de lucratividade para manter o interesse dos seus investidores e, por isso, lançam no mercado alternativas terapêuticas mais caras, mas que nem sempre são melhores que os antigos”, completou.
Além do problema da substituição de medicamentos antigos para a maior lucratividade, o artigo citou episódios de desabastecimento de medicamentos da atenção básica, que ocorrem frequentemente no sistema de saúde brasileiro.
“É o caso da adrenalina (vasoconstritor) e fenitoína (anticonvulsivante), além de grupos de insumos farmacêuticos ativos que não mais são produzidos no país, tais como antibióticos e produtos para doenças raras”, declarou.
“O resultado prático disto é que hoje o sistema de saúde nacional enfrenta graves crises de desabastecimento de medicamentos antigos, amplamente utilizados, muitos deles da atenção básica”, disse o texto.
Os desabastecimentos de produtos importantes para o SUS têm ocorrido com frequência cada vez maior, sendo justificados por diversos motivos relacionados “à tênue relação existente entre as necessidades de saúde pública e as lógicas de mercado”, enfatizou o documento.
“Por isso, os governos em seus diversos âmbitos de atuação devem estabelecer mecanismos de regulação para que esta relação não seja deficitária para o lado da saúde pública.”
“Este balanço deve ser regulado para não afetar de forma negativa nenhum dos lados para a quebra da relação existente entre produtores e consumidores, agravada pela natureza dos produtos envolvidos serem produtos para atendimento da saúde da população”, completou.
Outro problema é o monopólio na produção de determinados medicamentos, o que torna os aumentos de preços excessivos, que por sua vez provocam alta exagerada dos gastos do poder público. “Quando se trata de produtos estratégicos para a saúde, a situação torna-se mais delicada”, disse o artigo.
Entre as sugestões para contornar os problemas, a autora citou o fortalecimento da produção nacional, especialmente em épocas em que as condições cambiais são desfavoráveis à importação.
Ela sugeriu também o fortalecimento das universidades como rede de conhecimentos e inovações, de modo a contribuir para a sociedade, seja na prestação de serviços ou na introdução de novos produtos. E uma melhora dos serviços de informação do sistema público para reduzir os episódios de desabastecimentos de produtos de baixo interesse pelo mercado.


Trailer - O Jardineiro Fiel

Cerca de 5% dos usuários de crack e similares no Brasil vivem com HIV, aponta relatório do UNAIDS

Criminalizar consumo e posse de drogas para uso pessoal não é solução, destacou o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids em documento que aborda relação entre drogas injetáveis e epidemias. Encarceramento aumenta exposição ao risco de infecção por HIV, tuberculose, hepatites C e B.


Às vésperas da sessão especial da Assembleia Geral das Nações Unidas sobre drogas, que começa na próxima terça-feira (19), o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS) alertou na sexta-feira (15) para o fracasso de muitos países em reduzir novas infecções pelo HIV entre usuários de drogas injetáveis.
Iniciativas do Brasil foram elogiadas na pesquisa. No país, quase 5% da população que utiliza crack e/ou similares vive com HIV – proporção equivalente a cerca de oito vezes a taxa de prevalência do vírus entre a população em geral, conforme apontado por estudo da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) citado no relatório.
O documento do UNAIDS assinala que, devido à ausência de abordagens centradas nos direitos humanos e na saúde dos usuários de drogas injetáveis, o número mundial de infecções por HIV entre esse público não foi reduzido de 2010 a 2014.
A agência da ONU destacou que, com isso, a comunidade internacional não cumpriu a meta estabelecida pela Assembleia Geral em 2011 para reduzir em 50%, até 2015, a transmissão de HIV entre pessoas que injetam entorpecentes.
“O mundo tem que aprender as lições dos últimos 15 anos, seguindo o exemplo de países que reverteram sua epidemia de HIV entre pessoas que injetam drogas adotando estratégias de redução de danos que priorizam seus direitos humanos”, afirmou o diretor-executivo do UNAIDS, Michel Sidibé. Portugal, China, Irã, Quênia e Moldávia estão entre essas nações bem-sucedidas.
A pesquisa ressalta que abordagens baseadas na criminalização e na execução agressiva da lei criaram barreiras às tentativas de mitigar as consequências negativas enfrentadas pelos usuários.
Prender pessoas pelo consumo ou posse de drogas para uso pessoal também aumenta sua vulnerabilidade ao HIV e a outras doenças infecciosas, como hepatite B, hepatite C e tuberculose, durante o encarceramento, apontou o relatório.
Programas brasileiros como a iniciativa De Braços Abertos, da Prefeitura de São Paulo, foram elogiados por oferecerem apoio abrangente a indivíduos que usam craque, incluindo emprego, alimentação, abrigo e cuidado médico completo – envolvendo prevenção do HIV, exames diagnósticos para o vírus e terapia antirretroviral. O sucesso do projeto levou o Ministério da Justiça a replicar a experiência em outras cidades brasileiras, no âmbito da sua Política Nacional sobre Drogas.
Outro destaque do país no relatório são os custos do tratamento para a hepatite C – relativamente inferiores aos valores em países desenvolvidos. Um tratamento para 12 semanas com o medicamento sofosbuvir custa cerca de 7 mil dólares no Brasil. Nos Estados Unidos, os custos chegam a 84 mil dólares e, no Reino Unido, 53 mil dólares. Na França e na Alemanha, os valores foram calculados em torno dos 45 mil dólares.
Na Índia e no Egito, porém, as despesas são bem menores, atingindo 483 dólares e 900 dólares respectivamente.
O dirigente do UNAIDS lembrou que o organismo conta com uma Estratégia de Aceleração da Resposta ao HIV para fortalecer os esforços de combate à epidemia até 2020 e reduzir a menos de 500 mil o número de novas infecções.
O programa também exige dos Estados-membros que garantam que no mínimo 90% dos mais de 12 milhões de pessoas que injetam drogas tenham acesso a um tratamento combinado para a prevenção do HIV, incluindo terapias de substituição de opioides, acesso a camisinhas e a aconselhamento, diagnóstico e serviços de tratamento para tuberculose e vírus transmitidos pelo sangue, como o HIV e as hepatites B e C.
A Agenda 2030 recém-adotada pela comunidade internacional prevê ainda que, até 2030, a epidemia de HIV seja erradicada.

Dia Nacional do Combate à Hipertensão Arterial‏

A Hipertensão Arterial é uma doença silenciosa que pode se manifestar em idosos e adultos representando um importante fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
Segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão, a doença atinge entre 25% e 30% da população brasileira adulta, chegando a mais de 50% após os 60 anos. Além disso, é responsável por 40% dos infartos, 80% dos derrames e 25% dos casos de insuficiência renal terminal no país.
O problema se dá especificamente quando a PA é igual ou superior a 140x90 no adulto. O diagnostico deve ser sempre validado por medidas repetidas em, pelo menos três ocasiões diferentes, em boas condições de aferições.
As evidências científicas mais atuais sugerem que o controle mais rigoroso da pressão arterial seja mais benéfico do que tentar apenas deixar os níveis menores que 140 mmHg. Este controle mais intenso é acompanhado de menor incidência de eventos cardiovasculares futuros, em especial de AVC.
A prevenção ainda é o melhor caminho e é fundamental aferir a pressão frequentemente, explica o cardiologista João Lucas O’Connell. “Fatores como histórico familiar, obesidade, diabetes, tabagismo, estresse, sedentarismo, dieta rica em sódio, consumo exagerado de álcool, por exemplo, contribuem para o aparecimento da pressão alta”, explica. Uma dieta saudável e balanceada, assim como a prática de exercícios aeróbios regulares e a restrição de atividades sedentárias são fundamentais para a prevenção e o controle, sugere o especialista.

Fonte: Comunique Assessoria

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Quanto custa?!


Quanto custa?!

 

Por Alessandra Leles Rocha

 

Um viaduto na época da Copa do Mundo. Uma ciclovia às vésperas dos Jogos Olímpicos. As obras que desmoronam diante dos nossos olhos são, talvez, um reflexo daquilo que vem desmoronando há séculos em nosso país: os valores.

Um povo alegre, risonho, aparentemente feliz. É assim que descrevem os brasileiros, mundo afora. Mas, quanto aos nossos valores, fomos sempre reconhecidos como hábeis executores do ‘jeitinho’; uma referência ‘ácida’ ao nosso mau hábito de fazer as coisas de qualquer jeito, burlando os caminhos éticos e morais, enfim...

A questão é que a ausência de valores nos torna uma imensa incógnita. O que esperar de gente assim, que fala uma coisa e faz outra? Gente, cujos interesses materiais estão sempre acima do bom senso, do altruísmo, do respeito... O confiar ‘desconfiando’ é sempre cansativo, sempre lastimável.

Querendo ou não, nossa imprevidência institucionalizada é tão danosa que vai além da deterioração da imagem; ela custa caro, muito caro mesmo. Caro do ponto de vista de projetos e execuções sem o menor critério de responsabilidade e permite esvair milhões e milhões do dinheiro público. Caro do ponto de vista humano, porque vidas são perdidas em razão de fatos absurdos; e não há dinheiro que pague por isso.

A fragilidade dos valores morais do povo brasileiro extrapola as raias do incompreensível. Puritanos e retrógrados com aquilo que tantas vezes nem lhes diz respeito. Liberais ao extremo e tão ‘modernos’ diante do que deveria ser prioridade e passível de ampla e profunda reflexão. Ora, ora; não temos um posicionamento consciente e nem tampouco responsável diante do que somos enquanto indivíduos, coletividade e nação.

Estamos sempre esperando que alguém faça por nós, cumpra nossas próprias obrigações. Sempre esperando os agrados e rapapés, que possam eventualmente render alguma conveniência social. Sempre dando mais valor ao TER do que ao SER.  Sempre lavando as mãos, num rito de omissão consciente e voluntária. Desse ‘jeitinho’ em ‘jeitinho’ fundamenta-se a prática de resolver a vida pelo ângulo do ‘menos pior’ ao invés de buscar o melhor, a excelência naquilo que se faz.

Os ranços coloniais ainda nos amarram a tal ponto que queremos tudo sem fazer esforço, sem oferecer contrapartida à altura. Algo contraditório em tempos olímpicos, já que dentre os princípios contemplados pela Olimpíada está à conquista pelo próprio mérito. Mas, há tempos que deixamos de levar isso em conta, para nos tornarmos um país cujas realizações ficam aquém de suas potencialidades humanas e materiais.

Por isso, o país se esfacela. As falácias repetidas exaustivamente não haveria como suprir as demandas da realidade. O verbo pede ação, trabalho, sacrifício e compromisso. Com um pouco de lisura admite-se isso com facilidade e se rechaça o discurso deprimente da vitimização; pois, vítimas só podem ser consideradas aquelas mortas ou feridas em decorrência de tamanha irresponsabilidade.

Aos que ainda acreditam que os valores éticos e morais são coisa do passado, estão fora de moda, convido a conferir os veículos de imprensa. Tenho certeza de que uma breve passada de olhos pelas manchetes lhes trará uma boa percepção de que nunca o mundo precisou tanto resgatar tais valores como agora. Ações têm reações; todos sabem disso. Leis, códigos, doutrinas, educação tudo isso é importante na transformação da sociedade; mas, se não houver bom senso, consciência humanitária e de preservação da própria espécie, nada disso adianta.