domingo, 24 de julho de 2016

Um sorriso verde... amarelo

Um sorriso verde... amarelo

Por Alessandra Leles Rocha


Não é de hoje que na terra Brasilis tudo vira ópio para inebriar o povo e fazê-lo esquecer das verdades inconvenientes. É assim com o carnaval, com os mais variados feriados ao longo do ano, o futebol,... Pretextos não faltam para driblar a consciência e deixar de pulsar a cidadania com mais pujança. Então, a chama olímpica transita pelos quatro cantos do país, iluminando a euforia...
Sob um manto de ufanismo ilimitado o Brasil se colocou a frente de concorrer para sediar grandes eventos mundiais: Jogos Pan-Americanos, Copa do Mundo e Jogos Olímpicos.  Dispensando a devida consciência sobre suas próprias limitações, se pôs a contradizer os mais cautelosos com discursos extremamente otimistas e repletos de promessas, de benesses e de benfeitorias que a ousada empreitada poderia proporcionar.
No entanto, enquanto o governo punha a materializar aquilo que só pertencia a sua fértil imaginação e ao projeto no papel (sabemos bem que, o papel aceita tudo), o Brasil permanecia o mesmo de sempre, com todas as suas carências e demandas a serem socorridas, ou seja, falo do descumprimento em relação ao básico, ao essencial previsto constitucionalmente no Capítulo II, dos Princípios Fundamentais.
Enquanto aspergiam sonhos pelo ar, com a aplicação em profusão de recursos públicos, mais a população se distanciava da construção de uma sociedade livre, justa e solidária, do desenvolvimento nacional, da erradicação da pobreza e da marginalização, da redução das desigualdades sociais e regionais; enfim, da promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação 1.
Dos discursos, muito pouco se tornou algo concreto. A maior parte das promessas, das benesses e das benfeitorias ficou inacabada pelo caminho ou nem saiu do papel. Dinheiro, muito dinheiro mal empregado e que, se algum dia quiser ter retorno, precisará de mais para dar fim aos projetos. Uma falta total de planejamento e de respeito ao erário público.
Pois é, dinheiro perdido que fez falta aos milhões de cidadãos brasileiros na manutenção da sua dignidade e sobrevivência. Como é possível esquecer a carência de uma Educação de qualidade, com mais escolas, com mais infraestrutura, com melhores salários para seus profissionais? Ou de uma Saúde de qualidade, com mais hospitais, com mais infraestrutura, com mais medicamentos, com melhores salários para seus profissionais? Ou de uma Habitação de qualidade? Ou de uma Segurança de qualidade? Enfim...
E nesses anos todos em que se arrastaram as expectativas criadas em torno desses grandes eventos, no mundo real o país descia ‘ladeira abaixo’ na sua economia, numa expressão de completo desgoverno que só fez criar um abismo sem precedentes. Em junho desse ano, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a pior taxa de desemprego da nossa história: 11,4 milhões brasileiros desempregados. Apenas um, de tantos outros reflexos da pior recessão econômica que já se abateu sobre o país.
Sem cerimônia a verdade é uma só: significa que a tal ‘festança’ nunca foi para o bico de todos os brasileiros, não. Exceto pelo fato de que todos pagaram a conta de organizá-la, sem exceção, levando-se em consideração o que deu certo e o que não deu. No entanto, na hora de curtir, de assistir aos eventos esportivos, a perversa realidade da pirâmide social permanece a apontar que apenas uma ínfima parcela com dinheiro sobrando para pagar, a peso de ouro, pelos ingressos terá o privilégio. A massa, a grande massa da população, assistirá pela TV, ou pela internet, ou qualquer outro veículo de informação. De repente, até mesmo, ouvindo o burburinho do lado de fora das arenas esportivas, enquanto vende algum produto (refrigerante, lanchinho etc.) para fazer uma renda extra em tempos de crise.
Então, é mesmo uma pena ter que extrair a fórceps alguma euforia em meio ao caos. Segundo o provérbio, “o melhor da festa é esperar por ela”; e, enquanto a aguardávamos, a ilusão da expectativa poderia até causar algum traço de alegria. Mas, depois de duas festas já realizadas, ficou evidente que o dia seguinte seria de pura e indigesta ressaca... MORAL. Como disse Carlos Drummond de Andrade 2, “[...]  a noite esfriou,/ o dia não veio,/ o bonde não veio,/ o riso não veio/  não veio a utopia/ e tudo acabou/   e tudo fugiu / e tudo mofou,/  e agora, José?”.



1 Art. 3º, Título I, Constituição da República Federativa do Brasil, 1988.
2 José – Carlos Drummond de Andrade, 1967

sábado, 23 de julho de 2016

Leia e reflita

“Em nome de interesses pessoais, muitos abdicam do pensamento crítico, engolem abusos e sorriem para quem desprezam. Abdicar de pensar também é crime.”
Hannah Arendt - foi uma filósofa política alemã de origem judaica, uma das mais influentes do século XX. (1906-1975)

Alerta do UNICEF: adolescentes estão morrendo de Aids num ritmo alarmante

Em média, 29 adolescente entre 15 e 19 anos são infectados pelo vírus do HIV a cada hora e a Aids continua sendo a segunda causa de morte mundial de jovens na faixa etária de 10 a 19 anos. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu resposta acelerada contra o vírus.

A cada hora, 29 adolescentes entre 15 e 19 anos são infectados pelo vírus do HIV e a Aids continua sendo a segunda causa de morte entre jovens na faixa etária de 10 a 19 anos. Os dados são do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e foram apresentados durante a 21ª Conferência Internacional sobre Aids (AIDS 2016), que começou na segunda-feira (18) em Durban, na África do Sul, e segue até o dia 22.
De acordo com a agência da ONU, as meninas são particularmente mais vulneráveis, representando cerca de 65% das novas infecções em adolescentes em todo o mundo. Na África Subsaariana, onde há aproximadamente 70% das pessoas no mundo vivendo com HIV, três em cada quatro adolescentes infectados pelo vírus em 2015 eram meninas.
UNICEF aponta ainda que muitos jovens desconhecem o problema por medo de fazer o teste para a doença. Entre os adolescentes, apenas 13% das meninas e 9% dos rapazes foram testados no último ano.
Pesquisa da agência da ONU realizada em 16 países detectou que 68% dos 52 mil jovens entrevistados não querem realizar exames para a doença. As justificativas froam medo de resultado positivo e preocupação com o estigma social. Enquanto isso, novas infecções entre crianças – em função de parto ou amamentação – diminuíram 70% desde 2000.
Em 2015, metade das novas infeções entre crianças com idades entre 0 e 14 anos ocorreu em seis países: Nigéria, Índia, Quênia, Moçambique, Tanzânia e África do Sul.
Para o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, a Conferência deste ano deve marcar o compromisso de uma nova resposta acelerada contra o vírus: diagnóstico de 90% das pessoas que vivem com HIV; 90% infectados com acesso a tratamento e 90% das pessoas em tratamento eliminando cargas virais.
”Para acabar com a epidemia, é preciso fechar as lacunas que impedem as pessoas de acessar os serviços de tratamento e de viver com dignidade”, afirmou o dirigente máximo da ONU na abertura do evento.
Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV / AIDS (UNAIDS), a resposta global à enfermidade tem evoluído, sendo que 15 milhões de pessoas tiveram acesso a tratamento em 2015.
Entre 2002 e 2012, a expansão do acesso ao tratamento evitou 4,2 milhões de mortes em todo o mundo e contribuiu para uma redução de 58% de novas infecções pelo vírus HIV, embora mais de 60% das pessoas que vivem com HIV ainda não tenham acesso a terapia antirretroviral.

2016 é ano mais quente já registrado até o momento, diz Organização Meteorológica Mundial

Seis primeiros meses do ano registraram as mais altas temperaturas já verificadas em toda a história. Média de temperatura ficou 1,3 ºC acima dos valores da era pré-industrial e 1,05 °C mais quente do que a média do século XX. Ártico está derretendo mais rápido e chuvas estão irregulares pelo mundo.

Os seis primeiros meses deste ano registraram as mais altas temperaturas já verificadas em toda a história e quebraram o recorde de aquecimento de 2015 — que havia sido declarado o ano mais quente no início de 2016 —, segundo novo levantamento publicado na quinta-feira (21) pela Organização Meteorológica Mundial (OMM).
De janeiro até junho de 2016, a média global foi estimada em 1,3 °C acima dos valores da era pré-industrial no final do século XIX e 1,05 °C mais quente do que a média do século XX. Este último valor é 0,2 °C mais elevado do que a alta da temperatura mundial observada em 2015 na comparação com os últimos 100 anos.
Os números são um forte indício de que 2016 poderá ser o ano mais quente já registrado. Em parte, o aquecimento do primeiro semestre deste ano foi devido ao intenso El Niño que afetou diversas regiões do planeta de 2015 até maio de 2016.
Embora o fenômeno climático já tenha se dissipado, “as mudanças climáticas causadas por gases do efeito estufa não vão passar”, alertou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas. Isso significa mais ondas de calor e tempestades extremas e um risco maior de ciclones tropicais.
A agência das Nações Unidas também chamou atenção para o derretimento do gelo no oceano ártico, que começou mais cedo nesse ano e está destruindo as calotas mais rapidamente. Atualmente, a extensão do mar congelada no auge do verão é 40% menor do que a área coberta por gelo no final dos anos 1970 e início dos 1980.
Junho de 2016 foi o 14º mês seguido de calor recorde em terra e nos mares. O período também foi o 378º mês consecutivo com temperaturas acima da média do século XX — os últimos 30 dias com temperatura estimada abaixo dessa média foram observados em dezembro de 1984.
Outro fator preocupante para a OMM é a elevada concentração de dióxido de carbono na atmosfera — que já ultrapassou a marca simbólica de 400 partes por milhão, chegando a 407 ppm em junho. O volume representa um aumento de 4 ppm na comparação com o mesmo mês do ano passado.
“Isso deixa mais evidente do que nunca a necessidade de aprovar e implementar o Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas e de acelerar a mudança para economias de baixo carbono e energias renováveis”, ressaltou o chefe da OMM.
Também nesta semana, o chefe da ONU, Ban Ki-moon, fez um apelo a líderes mundiais para que ratifiquem o Acordo e compareçam a um evento especial na sede das Nações Unidas em 21 de setembro.

Chuvas irregulares pelo mundo

O levantamento da OMM também destaca que o volume de chuvas em junho de 2016 apresentou variações significativas pelo mundo.
Regiões, como o oeste e a porção central do território dos Estados Unidos, o nordeste do Brasil, a Espanha, o norte da Colômbia, o Chile, o sul da Argentina e partes do centro da Rússia, registraram índices de precipitação bem abaixo do normal.
Já o norte da Argentina, a Austrália, as regiões centrais e sul da Ásia e o norte e o centro da Europa foram afetados por chuvas acima da média.
De janeiro a início de julho, a China registrou um aumento de 21,2% no volume pluviométrico. Províncias ao sul do país entraram na estação de cheias em 21 de março, 16 dias antes do esperado. Mais de 150 condados quebraram recordes de chuvas e mais de 300 rios ultrapassaram marcas de elevação das águas.

Direitos humanos não são ‘ideias abstratas’, diz chefe da ONU ao pedir apoio à Agenda 2030

Secretário-geral Ban Ki-moon afirmou que a comunidade internacional deve colocar muito mais ênfase sobre os direitos humanos enquanto continua a trabalhar para implementar a Agenda 2030 sobre desenvolvimento sustentável, pois eles são “o motor mais poderoso para a paz e o desenvolvimento”.
Os direitos humanos são normas e padrões com os quais governos e instituições são medidos. Mas eles não são somente ideias abstratas, ou aspirações a serem abordadas quando a paz e o desenvolvimento forem atingidos. Eles pedem ações extremamente específicas e concretas por parte dos Estados-membros da ONU e outras autoridades.
análise é do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que participou neste mês de um encontro de alto nível sobre a implementação da Agenda 2030 sobre o Desenvolvimento Sustentável.
Ban alertou que, enquanto grande parte do mundo está se beneficiando de enormes progressos, o racismo e o desamparo estão crescendo na Europa, a violência organizada se enraizou na América Latina, confrontos mortais continuam no Oriente Médio e milhões de pessoas são afetadas pela marginalização econômica, social e política no continente asiático.
O respeito pelos direitos humanos e pelo direito humanitário internacional está sendo corroído neste momento em que o mundo enfrenta o maior número de deslocados desde a Segunda Guerra Mundial e os abusos continuam contra civis que passam fome, têm ajuda humanitária negada e são impedidos de se deslocar para locais seguros.
“Quando isto terminará?”, perguntou. “A resposta deve ser que termina agora. Os governos devem assumir as suas responsabilidades. A ferramenta mais importante para esta mudança são os direitos humanos – o mais poderoso motor de paz e desenvolvimento.”
“Os direitos humanos estão no centro dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) para acabar com a pobreza, reduzir a desigualdade e promover sociedades pacíficas e inclusivas”, disse o secretário-geral.
Ban Ki-moon afirmou que a evidência mostra que políticas repressivas contra o extremismo violento e o terrorismo não deixará ninguém mais seguro – pelo contrário, elas acabam por reforçar “sentimentos de exclusão e injustiça”.
Já os direitos humanos “constroem confiança e lealdade”, sendo “indispensáveis em nossa busca por um mundo mais seguro, estável e com dignidade para todos”.

UIT: 3,7 bilhões de pessoas ainda não têm acesso à Internet no mundo

Penetração da Internet nos países desenvolvidos é de 81%, enquanto nos países em desenvolvimento fica em 40% e, nas nações mais pobres, em 15%. Enquanto banda larga móvel sobe mais nos emergentes, a Internet fixa tem maior avanço nos países mais ricos, segundo relatório divulgado pela União Internacional de Telecomunicações (UIT).

Novos dados divulgados nesta sexta-feira (22) pela União Internacional de Telecomunicações (UIT) mostraram que 3,7 bilhões de pessoas permanecem sem acesso à Internet no mundo, apesar da queda dos preços dos serviços de telecomunicações globalmente.
A projeção da UIT é que até o fim do ano, mais da metade da população mundial, ou 3,9 bilhões de pessoas, estarão sem acesso Internet.
O relatório “ICT Facts & Figures 2016” mostrou que a penetração da Internet é de 81% nos países desenvolvidos, de 40% nos emergentes e de 15% nos países mais pobres. Isso ocorre apesar de, no consolidado, os países em desenvolvimento responderem pela maior parte dos usuários (2,5 bilhões), comparados aos países desenvolvidos (1 bilhão).
Na abertura por região, o relatório apontou que o percentual de indivíduos utilizando a Internet é de 79,1% na Europa, de 65% nas Américas e de 66,6% nos países da Commonwealth. Os indicadores caem na Ásia/Pacífico, que tem 41,9%, nos Estados Árabes, com 41,6%, e na África, que tem o menor indicador mundial, com 25,1%.
A nova edição do documento da UIT mostrou que a cobertura celular está agora disseminada, com 95% da população global — ou 7 bilhões de pessoas — vivendo em áreas cobertas ao menos pela tecnologia 2G. As redes avançadas 4G se espalharam mais rapidamente nos últimos três anos e atingiram quase 4 bilhões de pessoas atualmente — correspondente a 53% da população global.
No entanto, enquanto o número de assinaturas de Internet móvel continua crescendo em taxas de dois dígitos nos países em desenvolvimento para atingir uma penetração próxima de 41%, globalmente esse avanço desacelerou. No mundo, o número total de assinaturas de banda larga móvel deve atingir 3,6 bilhões até o fim de 2016, comparadas a 3,2 bilhões em 2015.
A penetração da banda larga móvel é de 76,6% na Europa, de 78,2% nas Américas e de 53% nos países da Commonwealth. Nos Estados Árabes, é de 47,6%, na Ásia/Pacífico, de 42,6%, e na África, de 29,3%.
A banda larga fixa, por sua vez, teve crescimento mais forte nos países desenvolvidos. As assinaturas de banda larga fixa globalmente devem atingir cerca de 12 a cada 100 habitantes em 2016, com Europa, Américas e países da Commonwealth tendo as taxas mais altas de penetração (30%, 18,9% e 15,4%, respectivamente). O forte crescimento da China também está impulsionando a banda larga fixa na Ásia e Pacífico, onde a penetração deve superar 10% até o fim deste ano.
Os serviços de banda larga móvel ficaram mais baratos que os serviços de banda larga fixa, com uma média de preço para um plano básico de banda larga fixa duas vezes mais caro que a média de preços de um plano comparável de Internet móvel, de acordo com o relatório.

Desigualdades permanecem

Enquanto quase 1 bilhão de lares no mundo têm acesso à Internet (sendo que, desse total, 230 milhões estão na China, 60 milhões na Índia e 20 milhões nos 48 países menos desenvolvidos do mundo), os números de acesso domiciliar revelam a amplitude da desigualdade digital, com 84% dos domicílios conectados na Europa, comparados a 15,4% no continente africano.
Além disso, as taxas de penetração são mais altas entre homens em todas as regiões do mundo. As desigualdades globais de gênero no uso da Internet subiram de 11% em 2013 para 12% em 2016. As maiores discrepâncias estão na África, com 23%, e as menores, nas Américas, com 2%.
No início de 2016, a capacidade da Internet internacional atingiu 185 mil gigabits por segundo, frente a 30 mil gigabits em 2008. No entanto, essa capacidade é distribuída desigualmente no mundo, com a falta de banda sendo um dos principais problemas nos países menos desenvolvidos.
“O acesso a informação e tecnologias de comunicação, particularmente a banda larga, tem o potencial de servir como um importante acelerador da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável”, disse o secretário-geral da UIT, Houlin Zhao.
“A interconectividade global está crescendo rapidamente. No entanto, é preciso fazer mais para acabar com a desigualdade digital e levar mais da metade da população global que não utiliza a Internet para a economia digital”, completou.
“O ano de 2016 marca o ano em que a comunidade internacional está embarcando na implementação dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) e suas 169 metas. A UIT, dado o tremendo desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação, tem papel-chave na facilitação dessas conquistas”, disse Brahima Sanou, diretor do escritório de telecomunicações da UIT.

Vírus zika também é resultado de desigualdades no Brasil, diz UNFPA

Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil considera que epidemia não é apenas problema de saúde pública, mas é resultado de desigualdades persistentes na sociedade brasileira, que afetam mulheres, negros e jovens.

Tendo em vista as áreas geográficas de maior incidência da infecção pelo zika e as caraterísticas da população mais afetada — mulheres, jovens e afrodescendentes —, o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) considera que a epidemia da doença não é apenas um problema de saúde pública, mas também o resultado das desigualdades sociais que ainda persistem no Brasil.
Além das vulnerabilidades relacionadas ao acesso a água tratada e saneamento básico, a agência da ONU acredita ser urgente a redução das disparidades no acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva.
Esta é a mensagem também da Organização Mundial da Saúde (OMS). “O zika revela a consequência extrema da ausência de um acesso universal aos serviços de planejamento sexual e familiar”, alertou a diretora-geral do organismo internacional, Margaret Chan, durante a69ª Assembleia Mundial da Saúde, realizada em maio, em Genebra.
Em março, o diretor-executivo do UNFPA, Babatunde Osotimehin, já havia pedido a governos que garantissem o fornecimento de informações e métodos de planejamento reprodutivo para mulheres, entendendo que só assim elas podem tomar decisões informadas sobre sua saúde e se proteger da infecção pelo zika, uma vez que está confirmado o risco de contágio por via sexual.
No Brasil, o Fundo de População tem entrevistado mulheres e adolescentes em áreas afetadas pela epidemia. Elas têm enfrentado os diversos perigos da doença, que incluem a infeção durante a gravidez e o riscos de que seus filhos tenham microcefalia.

‘Nossa, que zica!’

O termo “zica”, que na gíria popular é sinônimo de coisa esquisita ou desconhecida, entrou definitivamente no vocabulário do povo brasileiro ao longo de 2015. E pelas piores razões.
Segundo o Ministério da Saúde, de outubro de 2015 até 9 de julho de 2016, foram notificados 8.451 casos suspeitos de microcefalia, a maioria na região Nordeste.
Dessas notificações, 1.687 foram confirmadas para microcefalia e/ou outras alterações do sistema nervoso central. Outros 3.142 (37,2%) casos permanecem sob investigação. Até 2014, a média histórica no Brasil havia sido de 156 casos de microcefalia por ano.
Bahia e Pernambuco são os estados mais afetados no Brasil com, respectivamente, 369 e 268 casos confirmados de microcefalia.

‘Eu tive zika, tive tudo a que o pobre tem direito de ter!’

É Marta Leiro quem faz a pergunta: “Você teve zika?”. Eunice não hesita na resposta: “Eu tive zika, tive tudo a que o pobre tem direito de ter!”.

Uma comunidade periférica de Salvador
já é violentada diariamente pelos seus direitos
interrompidos, então o zika constituiu
mais um problema de saúde pública.

Ambas integram o Coletivo de Mulheres do Calafate (CMC), uma organização comunitária, feminista e parceira do UNFPA em Salvador, na Bahia. O grupo tem como objetivo acabar com a violência de gênero e promover a saúde e os direitos humanos das mulheres.
Febre, erupções cutâneas, conjuntivite, dores nos músculos e articulações, dor de cabeça e mal-estar são, de acordo com a OMS, os sintomas mais comuns do vírus zika. Cientistas ainda não conseguiram precisar o período de incubação do vírus, mas já descobriram que os sintomas podem permanecer por 2 a 7 dias.
Greicy Alves, de 30 anos, não planejou a segunda gravidez e, quando aos três meses de gestação, recebeu o diagnóstico de infecção por zika, ela estava longe de saber que havia risco de microcefalia.
No dia em que Gabriel nasceu, o zika já havia sido declarado uma emergência global de saúde pública, sendo o Brasil um dos 60 países afetados — das então 39 nações nas Américas que tinham registrado a transmissão local do vírus.
A associação da infecção pelo vírus com os casos de microcefalia ou outras alterações do sistema nervoso também já havia sido confirmada.
“Aí foi que eu vim saber desse vírus zika e o que ele causava. Foi uns cinco dias depois que eu vim vendo o tamanhinho da cabeça, a diferença com os outros bebês e a ficha foi caindo”, recorda Alves.
No Calafate, ela foi a primeira mãe de uma criança com microcefalia. Mulher e mãe solteira, com poucos recursos ou apoio, ela sofreu com o preconceito e isolou-se em casa. “O preconceito rola por demais, todo o mundo olha, cutuca o outro. Antes eu ficava muito irritada com isso, mas eu não ligo mais”, comenta.
Para Azânia Correia, do Coletivo de Mulheres do Calafate, o vírus zika representou mais um desafio para a comunidade. “Uma comunidade periférica de Salvador, ela já é violentada diariamente pelos seus direitos interrompidos, então o zika constituiu mais um problema de saúde pública.”
No caso de Alves, Correia lembra que foi preciso acolhê-la e apoiá-la porque “além de ser mãe ela é mulher, tem a vida dela, tem outro filho, então ela não estava sendo lembrada. E ela não é mãe do menino com microcefalia, ela é Greicy, ela tem nome”.
Durante as sessões de terapia do filho, Greicy conheceu outras mães de crianças com microcefalia. As histórias em comum levaram à criação do “Mamães de Anjos”, um grupo de ajuda entre mulheres e mães que lutam pelos seus direitos e os de suas crianças.
“O meu sonho é ver o Gabriel andando, falando, correndo e eu estar reclamando com ele como eu faço com o meu Flávio Henrique (seu outro filho)”, conta Greicy emocionada.

UNFPA vai atuar em comunidades afetadas

“Como teria sido a vida de Greicy e a de tantas outras mulheres brasileiras se tivessem tido acesso a educação, a serviços de saúde e recebido aconselhamento sobre seus direitos reprodutivos?”, questiona o representante do UNFPA no Brasil, Jaime Nadal
Para o dirigente, a atual epidemia de zika e o surto de microcefalia “é o momento para aprendermos com o passado e garantirmos estes direitos no futuro para que cada gravidez seja desejada, cada parto (seja) seguro e o potencial de cada jovem, realizado”.

Como teria sido a vida de Greicy e a de tantas outras
mulheres brasileiras se tivessem tido
acesso a educação, a serviços de saúde
e recebido aconselhamento
sobre seus direitos reprodutivos.

O UNFPA se prepara para lançar oficialmente a iniciativa “Atuando em contextos de Zika: direitos reprodutivos de grupos em situação de vulnerabilidade”.
O programa vai mobilizar comunidades e ampliar o acesso a informações sobre o zika e seus efeitos na saúde das mulheres com um enfoque em direitos, igualdade de gênero e planejamento voluntário da vida reprodutiva.
O projeto prioriza a população mais vulnerável — mulheres em idade reprodutiva, especialmente adolescentes e jovens afrodescendentes de 15 a 29 anos das localidades com maior vulnerabilidade socioambiental e/ou com maior incidência de microcefalia e malformações sugestivas de infecções congênitas por zika.
Pernambuco, Bahia e outros estados com número elevado de casos confirmados de microcefalia serão privilegiados. A iniciativa Inclui ações de campo que serão realizadas em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), a Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) e 11 organizações da sociedade civil, com recursos do Fundo de Emergência Global do UNFPA, do governo do Japão e do DFID/UK, por meio da ONG Canadem.
Por Tatiana Almeida, para o UNFPA Brasil

3 milhões de pessoas por semana migram para centros urbanos, destaca agência da ONU

Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-HABITAT) participou de seminário regional para América do Sul sobre papel das prefeituras na inclusão social de migrantes em cidades. Urbanização na Colômbia foi um dos destaques.
Reunidos no Chile em seminário que contou com a participação do Programa das Nações Unidas para Assentamentos Humanos (ONU-HABITAT), representantes da sociedade civil, de governo nacionais e da academia debateram até a última quinta-feira (21) o papel dos municípios na inclusão de migrantes que decidem viver em centros urbanos.
Atualmente, cerca de 3 milhões de pessoas por semana migram para cidades, principalmente em países em desenvolvimento. O contingente de pessoas morando em zonas urbanas — 3,4 bilhões de pessoas em 2009 — já representa mais de 51% da população mundial.

Direito à cidade está
entrelaçado fundamentalmente
aos fenômenos migratórios.

Até 2050, o número de moradores de cidades deve chegar a 6,3 bilhões. Na América Latina e Caribe, as cidades já abrigam cerca de 80% da população total da região.
Ao longo do evento, experiências em municípios diversos do Chile, Brasil, Equador, Argentina e Uruguai foram discutidas com base nos desafios envolvendo os direitos humanos de migrantes e as responsabilidades das prefeituras.
Especialistas destacaram que a América do Sul observa um processo de urbanização particularmente intenso na maioria de seus países, com uma alta concentração demográfica em grandes cidades, como Buenos Aires, Rio de Janeiro, Bogotá, Lima, Quito, Santiago e São Paulo — que adotou recentemente uma lei própria sobre migração e refúgio.
Durante os debates, o coordenador de desenvolvimento de projetos do ONU-HABITAT no escritório regional da agência em Bogotá, Roberto Lippi, ressaltou a necessidade de reduzir as desigualdades e a pobreza em contextos urbanos e de adotar modelos econômicos mais sustentáveis.
“São estes os temas que nos reúnem neste seminário, uma vez que o direito à cidade está entrelaçado fundamentalmente aos fenômenos migratórios — tanto os da cidade, como de seu entorno territorial e em escala nacional e internacional”, explicou Lippi, que enfatizou a importância da Nova Agenda Urbana que está sendo elaborada pela comunidade internacional.
O seminário também contou com discussões sobre situações de emergência em áreas urbanos e as vulnerabilidades de migrantes em casos de crise. Episódios no Equador, Bolívia, Paraguai e Colômbia estavam entre as pautas.

O caso colombiano

Lippi explicou que, nos últimos 50 anos, o processo de urbanização da Colômbia foi marcado por três grandes fenômenos — o deslocamento forçado por diferentes conflitos internos, a pobreza rural associada ao êxodo de agricultores e a explosão demográfica observada essencialmente entre as populações urbanas.
“Consolidaram-se 41 cidades com mais de 100 mil habitantes e quatro com mais de 1 milhão, Bogotá, Medellín, Cali e Bucaramanga”, explicou o representante do ONU-HABITAT.
Hoje, três em cada quatro colombianos vivem em centros urbanos e 85% do Produto Interno Bruto (PIB) do país vem das cidades.

Edital do Programa Municipal de Incentivo à Cultura - PMIC


EDITAL SMC Nº 28/2016

APRESENTAÇÃO E SELEÇÃO DOS PROJETOS CULTURAIS A SEREM FINANCIADOS PELO PROGRAMA MUNICIPAL DE INCENTIVO À CULTURA – PMIC REFERENTES AO EXERCÍCIO DE 2017
Edital e Formulários disponíveis no link:
http://www.uberlandia.mg.gov.br/2014/secretaria-pagina/23/408/lei_de_incentivo___pmic.html
www.uberlandia.mg.gov.br
DECRETO Nº 15.888, DE 29 DE JULHO DE 2015 - Regulamenta a lei nº 12.182, de 20 de maio de 2015, que “dispõe sobre o programa municipal de Incentivo à cultura ...

Período de Inscrições: 15 a 26 de agosto 2016.

"Estas são as mudanças da alma. Eu não acredito em envelhecimento. Eu acredito em alterar para sempre o aspecto de alguém para a luz. Eis meu otimismo". Virginia Woolf


Evento: Territórios de Invenção


terça-feira, 19 de julho de 2016

Aos amigos

Ao alcance das mãos... do coração.


Por Alessandra Leles Rocha


Nesse mundo mergulhado na tecnologia, no virtualismo das relações, em que milhões de pessoas escondem-se do estabelecimento de uma coexistência real, ao mesmo tempo em que clamam pela presença do outro através da busca desenfreada por seguidores nas redes sociais, qual é de fato a disposição humana em coexistir?
Nas telas os indivíduos se predispõem a apresentar uma imagem perfeita (ou quase) de si mesmos. Não há sofrimento, não há carência, não há nada que possa torná-los menos interessantes aos demais. Mas, toda essa idealização só faz mostrar o quanto as relações sociais correm perigo; especialmente, a amizade.
Isso significa que as pessoas estão desenvolvendo todo tipo de empecilhos na fiação natural da coexistência. Estamos cada vez mais raivosos, intolerantes, indelicados, impacientes no tête-à-tête com os semelhantes, como se ninguém fosse suficientemente bom para compartilharmos o cotidiano. Então, como ter sensibilidade suficiente para enxergar e perceber uma grande amizade?
Na periferia dos comportamentos, como se tem conduzido, basta uma ínfima contrariedade para descartar o outro sem cerimônias. Ora, ser humano é naturalmente ser imperfeito. Aqui e ali nossas variantes menos afáveis e acolhedoras dão o ar de sua graça e nos tornam um tanto quanto esquisitos, bizarros, difíceis aos olhos de quem está ao nosso redor. É; ninguém será um primor de criatura vinte e quatro horas por dia. Aliás, nem os dias são sempre maravilhosos como nas propagandas de margarina.
Somos o que somos e ponto final. Está nessa singularidade, repleta de arestas e desalinhos, o perfil de cada ser. É por essa razão que não podemos banalizar punir e nem fugir as relações humanas desse modo. Precisamos expandir a consciência sobre o óbvio para que sejamos aptos a oportunizar os encontros.  
De repente, nas esquinas da vida a gente encontra pessoas capazes de se sentirem à vontade conosco; muito embora, aparentemente, sejam tão diferentes de nós.  Coisas de uma inexplicável teia de afinidades que surgem a partir de uma convivência que se estabelece respeitosa e harmônica.
Ao contrário do idealismo que teima em nos tomar de assalto pela vida afora, relações humanas (incluindo a amizade, é claro) não florescem pelo prisma dos nossos quereres; não se molda o outro a nossa vontade. Ou somos capazes de aceita-lo como é, ou então, ele certamente se encaixará no rol de outro tipo de relação social diferente da amizade, por exemplo.
E nessa aceitação é preciso estar ciente de que haverá tempos de guerra e de paz. Sorrisos e lágrimas. Silêncios e reconciliações. Haverá de tudo um pouco daquilo que só os seres humanos são capazes de viver, de experimentar e de compartilhar.
Portanto, precisamos muito refletir sobre isso. Por onde caminha a nossa disposição social em estar com o outro, ainda que, não necessariamente no mesmo espaço geográfico? O que de fato entendemos sobre o significado desse “partilhar”? A humanidade está visivelmente padecendo de uma solidão rodeada de gente. Cada um no seu mundinho tecnológico, limitado por uma tela que os carrega para longe do mundo real; muito embora, não consiga dissipar na mesma velocidade todas as suas angústias, tristezas e frustrações.

No fundo, nem poderia ser diferente, pois a Era Digital é feita por pessoas. E o que um ser de carne e osso precisa só outro ser de carne e osso pode oferecer.  Esse toque é insubstituível. É nele que reside toda a fiação das relações humanas, inclusive a possibilidade de grandes amizades. Por isso, não abro mão de ter amigos ao alcance das mãos; mas, sobretudo, do coração.

"A amizade não se busca, não se sonha, não se deseja; ela exerce-se (é uma virtude)". Simone Weil


O bem-estar na sociedade: um novo foco da psicologia e da neurociência

Enquanto a maioria dos pesquisadores se dedica a investigar a ansiedade e a depressão, o Instituto de Psicologia da USP ganha um novo centro de estudo voltado para a qualidade de vida
A vida na atualidade não parece ser tão simples quanto aquela que é retratada nos comerciais. Rotinas corridas e cansativas podem gerar altos índices de estresse e levar a outros problemas que comprometem a saúde mental. Não é por menos que dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que a ansiedade e a depressão são os dois transtornos mentais mais comuns no mundo. Juntas, as duas doenças custam mais de US$ 1 trilhão para a economia global.
Tendo como tema central de estudo a estruturação de métodos de avaliação e promoção do bem-estar da população brasileira, a proposta do Centro de Pesquisa Aplicada em Bem-Estar e Comportamento Humano é bem diferente. Inaugurado no final de junho, a iniciativa é da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) em conjunto com a Natura, empresa privada do setor de cosméticos. Contando com uma rede de pesquisadores de três universidades paulistas – USP, Unifesp (Universidade Federal do Estado de São Paulo) e Universidade Presbiteriana Mackenzie – a sede está localizada na Cidade Universitária, no Instituto de Psicologia (IP) da USP. [...]

Violência urbana: um problema para ser resolvido

O tema desta semana no “Diálogos na USP” é violência urbana, abordando questões de segurança e de insegurança na sociedade

A violência urbana tem sido um tema recorrente em todos os jornais nos últimos dias. Dados recentes da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo indicam que a taxa de homicídios dolosos registrados foi o menor desde 2000. De junho de 2015 a maio deste ano, a capital registrou 7,80 homicídios por cem mil habitantes.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) considera que a taxa de homicídios é endêmica quando dados mostram mais de dez mortes a cada cem mil habitantes. O Mapa da Violência 2015 Brasil, divulgado em maio, revela que 42.416 pessoas morreram em 2012 vítimas de arma de fogo no Brasil, o equivalente a 116 óbitos por dia. Essa cifra é ainda mais acentuada entre os jovens, que correspondem a cerca de 59% das estatísticas.[...]

Estudo da UNESCO aponta que 263 milhões de crianças e jovens estão fora da escola

Estudo da agência da ONU aponta que 61 milhões de crianças de 6 a 11 anos, 60 milhões de jovens de 12 a 14 anos e 142 milhões de adolescentes de 15 a 17 anos não estudam. A África Subsaariana tem as maiores taxas de exclusão escolar.

Estudo da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) aponta que 263 milhões de crianças e jovens de todo o planeta – o equivalente a ¼ da população europeia – estão fora da escola, sendo que a África Subsaariana tem as maiores taxas de exclusão.
“Os países se comprometeram em dar educação de primeiro e segundo grau a todas as crianças até 2030. Estes dados apontam o trabalho que existe à frente se quisermos alcançar este objetivo”, afirmou a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova, lembrando um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS): educação inclusiva, equitativa e de qualidade.
“Nosso foco deve ser na inclusão, a partir das primeiras faixas etárias e durante todo o ciclo de ensino, com políticas capazes de superar todas as dificuldades em cada estágio, com especial atenção para as meninas, que ainda enfrentam as maiores dificuldades”, alertou.
O novo estudo “Não deixando ninguém para trás: quanto falta para a educação primária e secundária universal?”  foi divulgado em conjunto pelo Instituto de Estatísticas da UNESCO e pelo Relatório de Monitoramento Global de Educação.
Os dados apontam que 61 milhões de crianças estão fora do ensino primário (6 a 11 anos), 60 milhões não frequentam o ensino fundamental  (12 a 14 anos) e 142 milhões de jovens de 15 a 17 anos não estudam. Esta é a primeira vez que alunos do ensino fundamental são incluídos na pesquisa.
A África Subsaariana, que tem os piores índices, apresenta mais de 1/5 de crianças fora do ensino primário, 1/3 de jovens fora do ensino fundamental e quase 60% dos adolescentes fora das escolas de ensino médio.
Segundo o documento, as maiores barreiras para limitar o acesso a educação estão ligadas a gênero, localização, riqueza e conflitos armados. Em todo o mundo, 22 milhões de crianças (6 a 11 anos), 15 milhões de jovens (12 a 14 anos) e 26 milhões de adolescentes (15 a 17 anos) não frequentam a escola em regiões afetadas por conflitos.
O estudo aponta ainda que, apesar dos esforços e progressos feitos nas últimas duas décadas, 15 milhões de garotas nunca tiveram a chance de aprender a ler ou escrever no ensino primário, enquanto o número de meninos é de 10 milhões.