sábado, 17 de junho de 2017

Crônica do fim de semana!


Amor e Ódio – o que guarda o poder das palavras


Por Alessandra Leles Rocha



Palavras não são ditas a esmo. Por detrás de cada uma delas há, inevitavelmente, uma intenção. O importante é que se possa manifestá-las, pois foi para esse fim que viemos – nós, seres humanos - dotados da capacidade intelectual e cognitiva. Entre concordâncias e divergências, as palavras vêm sintetizando a nossa evolução histórica, científica, tecnológica,... Humanística.
E, sem grandes esforços, esse processo natural das palavras formalizou caminhos imprescindíveis para o desenvolvimento das relações sociais, a partir da consolidação dos meios de comunicação e da profissão jornalística. Aliás, o que seria de nós, sem a mídia a nos informar sobre o que acontece além das fronteiras de nosso próprio quintal, não é mesmo? Longe da onipresença e onisciência, que tantos gostariam de ter, nossa capacidade de saber o que acontece aqui, ali e acolá, no exato instante, é limitada. Então, cabe a essas pessoas nos satisfazerem a curiosidade.
Ora, mas se entre nós e a notícia há um ou mais intermediários é óbvio que as palavras virão traduzir o discurso de quem estava diante do acontecimento. Portanto, esses olhos e percepções são sempre singulares. Além disso, mesmo os profissionais independentes de imprensa, no frigir dos ovos, acabam subordinados as linhas editoriais das empresas que contratam seus trabalhos. Nesse caso, mais um crivo interpretativo que incide anteriormente aos olhos do cidadão comum.
No entanto, mesmo existindo um movimento, uma intenção, as palavras e as ideias que representam não perdem o seu valor informativo. Daquilo que recebemos é dever de cada um o exercício de uma nova reflexão e interpretação crítica; inclusive, porque esse é o caminho de construção de nossa própria cidadania.
Mas, ao contrário disso, o ofício da informação pública tem sido ameaçado, por conta da incapacidade de muitas pessoas em lidar com a divergência ou a discordância de opiniões. O que durante muito tempo foi atribuído aos regimes ditatoriais e de extremo radicalismo, hoje se vê, em plena luz do dia, acontecer em terras ditas democráticas e tolerantes.
Não é à toa, a preocupação constante da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a crescente onda de violência que tem se abatido sobre os jornalistas ao redor do mundo. Contudo, além da violência tipificada pelas práticas excessivas de agentes subordinados ao poder público, há, também, uma violência subliminar (não menos radical) que tem se propagado entre cidadãos comuns que se opõem ao trabalho jornalístico.
Movidas pelas paixões ideológicas manifestas à flor da pele, esses indivíduos se colocam na posição intransigente de não aceitar outros discursos que diferem dos seus; como se apregoassem a existência de uma única verdade a ser dita e aceita pela coletividade. Na fúria da sua contestação, eles chegam a se esquecer de que “é livre a manifestação de pensamento, sendo vedado o anonimato” 1, bem como, “é livre a expressão de atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença” 2 e, se deve respeitar o outro, na medida em que, “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação” 3.
Sabe, o ser humano é mesmo interessante. Na hora de apontar o dedo em riste para o radicalismo que se exaspera mundo afora contra os meios de comunicação, ninguém mede esforços; mas, logo em seguida, comunga de práticas semelhantes no âmbito da própria geografia, sem o menor pudor. Só que a intolerância é intolerância em qualquer lugar ou situação, porque não há como ranquear uma ação que fere diretamente o ser humano, seja física, psicológica ou moralmente.
Além disso, também é parte do coletivo humano ter sempre alguém na contramão, torcendo pelo “quanto pior melhor”. Então, essas manifestações extremistas de intolerância servem como combustível bastante inflamável para desenvolver situações que podem eventualmente não acabar de maneira pacífica.
Naturalmente, a realidade brasileira não está favorecendo uma convivência equilibrada, diante de uma crise social e econômica sem precedentes que tenciona de forma drástica o cotidiano dos cidadãos. Por isso, qualquer traço potencial de conflito deveria ser evitado, inclusive como gesto de profunda consciência cidadã. Ser cidadão é manifestar ideias e não, sair por aí, distribuindo intolerância e violência por onde passa, porque isso não constrói absolutamente nada.
 Aos que andam enceguecidos pelos descaminhos da anticidadania, destilando ódio e intolerância, “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto na Constituição” 4. Portanto, talvez, seja esse o momento de se informar um pouco mais, começando pelas próprias leis que regem o seu país.



1 Inciso IV, do art. 5º, da Constituição Federal de 1988.
2 Inciso IX, do art. 5º, da Constituição Federal de 1988.
3 Inciso X, do art. 5º, da Constituição Federal de 1988.
4 Art. 220, da Constituição Federal de 1988. 

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Para uma boa reflexão!!!

Vulnerável…


Por Alessandra Leles Rocha


Um incêndio de grandes proporções. Mortos. Feridos. Pessoas de diferentes idades, etnias, gêneros, tomadas pela perplexidade do inesperado 1. É em momento como esse que a raça humana deveria se por a pensar sobre a vulnerabilidade que nos reveste o corpo.
Sabe, não é a tecnologia que corre a velocidade da luz. Antes dela, a vida sempre fez isso. Ao contrário da nossa arrogância pensante, não temos controle sobre absolutamente nada. Somos escravos subservientes dos relógios. O que acontecerá daqui a um segundo? Nem eu, nem você podemos responder.
Isso é ser vulnerável. Não há como nos precaver ou nos proteger de toda e quaisquer intempéries. A vida é um mutante sem freios. Morremos de fome. De sede. Por vírus. Por bactérias. Por protozoários. Por fungos. Por plantas. Por remédios. Por venenos. ...Por tudo o que vemos e o que não vemos. Basta um descuido aqui ou ali, para que a nossa vulnerabilidade se agigante e nos faça microscópicos. Mas, talvez, seja pela nossa estupidez intelectualizada o caminho mais curto para esse inevitável fim.
Portanto, sem que haja nenhum esforço de nossa parte para tornar a vida desafiadora e difícil, ela é capaz de assim fazê-lo. Então, por que insistimos em colaborar com o caos? É estranho, mas a humanidade parece se comprazer com o caos. Entres as lágrimas e o sofrimento ostentados, hasteados como bandeira de autopiedade, não se esconde uma parcela, ainda que mínima, de responsabilidade por nosso caos. Nem sempre as responsabilidades são diretas e palpáveis; no entanto, nas omissões e nas escolhas encontram-se o nosso quinhão.
Esse caos inflamável que consome a paz mundial intensifica com ares perversos a nossa vulnerabilidade humana. Nossas ideias, nossas palavras, nossos mínimos gestos que contrariam o equilíbrio de uma coexistência pacífica e altruísta nos colocam nas linhas de fronte desnecessariamente. Em nome do poder, em nome do dinheiro, em nome de... elevamos a índices estratosféricos o nosso ser vulnerável e somos substituídos por outros, e outros, e outros... Porque esse processo em série, apontado pelo viés do vulnerável, também nos dá conta do ridículo. Queremos tudo. Queremos tanto. Queremos. Queremos. Queremos. Até que em uma fração de segundos somos varridos e abruptamente esquecidos.
Enquanto teimamos em viver perigosamente, flertando de luz acesa com inimigos imaginários, realçamos a tolice de acreditar na imortalidade e na invencibilidade, como se de alguma forma tivéssemos descoberto o segredo para vencer a vulnerabilidade. Mas, o ser humano de carne e osso não é e nunca será um herói dos quadrinhos. Se ele não é capaz de proteger a si mesmo, o que dirá, os fracos e oprimidos que ele encontra pelo caminho, hein?
Pensar na vulnerabilidade é só um gesto consciente de maturidade sobre o que de fato somos nesse mundo. Quem se reconhece na medida exata, não ocupa os espaços alheios, não perturba o sossego do mundo, não usufruiu o que não lhe pertence (e, muito menos, do que não precisa). Que se reconhece ao dar o melhor de si naquilo faz, naquilo pensa, sem, no entanto, esperar aplauso, plateia, ou recompensa. Portanto, a vulnerabilidade nos liberta de amarras nem sempre visíveis e/ou efetivamente compreensíveis. Pensemos mais sobre isso.

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Mostra de cinema ‘Olhares sobre o Refúgio’ é lançada no Rio de Janeiro com casa cheia

Depois de passar com sucesso por Curitiba (PR), a mostra de cinema internacional “Olhares sobre o Refúgio” chegou ao Rio de Janeiro. Cerca de 60 pessoas encheram o pátio do Instituto Oi Futuro, no Flamengo, para assistir aos filmes da noite de abertura: “Bem-vindo ao Canadá” e “Exodus: de onde eu vim não existe mais”.
Evento promovido pela Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) e parceiros abre ampla e variada programação cultural em celebração ao Dia Mundial do Refugiado na capital fluminense.
Depois de passar com sucesso por Curitiba (PR), a mostra de cinema internacional “Olhares sobre o Refúgio” chegou ao Rio de Janeiro na última terça-feira (6), inaugurando as celebrações pelo Dia Mundial do Refugiado na cidade. Cerca de 60 pessoas encheram o pátio do Instituto Oi Futuro, no Flamengo, para assistir aos dois filmes da noite de abertura: “Bem-vindo ao Canadá” e “Exodus: de onde eu vim não existe mais”.
A sessão inaugural foi prestigiada também pela representante do ACNUR no Brasil, Isabel Marquez, pela vice-cônsul do Canadá no Rio de Janeiro, Raphaelle Lapierre-Houssian, e pela coordenadora do Programa de Atendimento a Refugiados da Cáritas do Rio de Janeiro, Aline Thuller, que falaram sobre a importância do cinema como ferramenta de divulgação e sensibilização para o tema do refúgio junto à sociedade.
“Através desta mostra, diretores de vários lugares do mundo nos oferecem seu olhar sobre os desafios que os refugiados têm que enfrentar, mas também sobre a força e a resiliência dessas pessoas”, disse a representante do ACNUR ao público presente. “Espero que hoje vocês não vejam o refugiado e a refugiada apenas como vítimas de atrocidades, mas também como pessoas que contribuem para o desenvolvimento da sociedade”.
O primeiro filme da noite, o curta-metragem “Bem-vindo ao Canadá”, levou os espectadores à América do Norte para mostrar a história de um jovem refugiado sírio que ajuda outros refugiados recém-chegados a reconstruírem suas vidas. Em seguida, o longa “Exodus”, dirigido por Hank Levine, deu a volta ao mundo, passando por cinco continentes e vários países, inclusive o Brasil, para retratar seis pessoas refugiadas em busca de um recomeço diante de circunstâncias desafiadoras.
A assistente social Letícia Chahaira assistiu aos dois filmes e elogiou a ideia de promover uma mostra exclusiva para o tema do refúgio. “Foi muito bom. O cinema tem um impacto grande nas pessoas e, através de uma linguagem acessível, cria empatia para uma realidade aparentemente tão distante, mas que está do nosso lado. Os refugiados estão muito próximos. Somos nós que às vezes não enxergamos isso”, disse.
Apenas no Rio de Janeiro, segundo números do Programa de Atendimento a Refugiados da Cáritas RJ, vivem mais de quatro 1 mil refugiados reconhecidos pelo governo brasileiro e quase 3 mil solicitantes de refúgio. Em todo o planeta, o total de pessoas deslocadas por guerras ou perseguições ultrapassa os 65 milhões de pessoas, dos quais 21 milhões atravessaram fronteiras nacionais e se tornaram refugiados.
“O mundo vive uma situação muito difícil em relação aos refugiados, e nós não poderíamos deixar de fazer alguma coisa a respeito”, afirmou Roberto Guimarães, diretor de cultura do Oi Futuro. “Nosso caminho, como instituto cultural, é olhar para esse tema tão importante através da arte”.
A programação da mostra “Olhares sobre o Refúgio” segue no Oi Futuro com a exibição de filmes todas as terças-feiras de junho, sempre às 19h, e com entrada gratuita. Nas próximas três semanas, as sessões serão sucedidas por debates com a presença de profissionais que trabalham com o tema no Rio de Janeiro e de cineastas envolvidos na produção dos filmes.
Nesta terça-feira (13), será exibido o longa “Era o Hotel Cambridge”, dirigido por Eliane Caffé, que traz à luz os dilemas de moradia para populações vulneráveis – inclusive refugiados – nos grandes centros urbanos.
No dia 20 (Dia Mundial do Refugiado), será a vez da produção ítalo-palestina “Estou com a Noiva”, dirigida por Antonio Augugliaro, Gabriele Del Grande e Khaled Soliman Al Nassiry. O filme mostra a saga de refugiados numa viagem de 3 mil quilômetros entre Milão (Itália) e Estocolmo (Suécia), tendo como pano de fundo um casamento fictício.
A mostra se encerra em 27 de junho, com o documentário brasileiro “A Casa de Lúcia”, dirigido por João Marcelo e Lúcia Luz. O filme retrata a inesperada viagem de uma refugiada síria que vive no Brasil ao Kuwait, onde ela reencontra seus familiares e evidencia a dificuldade de retornar para um local ao qual já não pertence mais.
A mostra internacional de cinema promovida pelo ACNUR levará esses olhares diversos e multifacetados sobre o refúgio a outras três cidades do Brasil: Porto Alegre (de 8 a 11 de junho), Brasília (17 de junho) e São Paulo (de 22 a 27 de junho), sempre com entrada franca.
No Rio de Janeiro, são parceiros do ACNUR na realização da mostra a Embaixada do Canadá, a Cáritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro, a Cátedra Sérgio Vieira de Mello e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com o apoio do Instituto Oi Futuro.
A programação do Dia Mundial do Refugiado no Rio inclui ainda a realização do seminário “Vozes do Refúgio”, no dia 20 de junho, e o lançamento da exposição “Vidas Deslocadas”, no dia 22, ambos no Museu do Amanhã, além do lançamento do relatório global do ACNUR, também no dia 20, com os números atualizados do refúgio no mundo.
No último sábado do mês, 24 de junho, a Cáritas RJ, o Abraço Cultural e o Chega Junto realizarão uma grande festa de integração no Parque das Ruínas, que incluirá feira gastronômica com quitutes de diversos países, oficinas para crianças e atrações culturais.

48º FESTIVAL DE INVERNO DE CAMPOS DO JORDÃO | 01 A 30 DE JULHO 2017


48º FESTIVAL DE INVERNO DE CAMPOS DO JORDÃO | 01 A 30 JULHO 2017 

Prepare-se! Vem aí mais um Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão. A 48ª edição acontece de 01 a 30 de julho, com mais de 80concertos em Campos do Jordão e na capital paulista, além de vagas para 205 bolsistas no núcleo pedagógico (Sala São Paulo). A Orquestra do Festival, formada pelos bolsistas, faz quatro concertos, dois regidos por Neil Thomson (Filarmônica de Goiás) e dois por Alexander Liebreich (Orquestra Sinfônica da Rádio Nacional Polonesa), com o barítono Paulo Szot como solista. Na primeira semana do Festival, os 41 bolsistas melhor classificados tocarão em quatro concertos com a Osesp, sob a regência de Marin Alsop, em um programa da Temporada 2017. O conjunto alemão Ensemble Modern é grupo em residência, fazendo três concertos, um deles em homenagem a Walter Smetak, além de ministrar aulas e um Seminário de Composição. Uma programação especial infantil (parceria e realização Tucca/ Fundação Osesp) traz seis concertos do projeto Aprendiz de Maestro, em duas semanas consecutivas, na Sala São Paulo. E muito mais...


EDIÇÃO 2017 OFERECE 205 BOLSAS E APRESENTA MAIS DE 80 CONCERTOS

48º Festival de Inverno de Campos do Jordão, que acontece de 01 a 30 de julho de 2017, promove uma intensa programação pedagógica e artística, com apresentações nos palcos da cidade de Campos do Jordão (Auditório Claudio Santoro, Praça do Capivari, Capela do Palácio Boa Vista e Igreja de Santa Terezinha), e na capital paulista (Sala São Paulo e Sala do Coro).

Maior evento de música clássica do país, o Festival traz ao público mais de 80 concertos sinfônicos e de câmara – a maioria gratuitos –, com a participação de prestigiados artistas nacionais e internacionais, além dos grupos do Festival, formados pelos bolsistas – a Orquestra do Festival, a Camerata do Festival e o Grupo de Música Antiga do Festival –, além das apresentações de câmara com professores e alunos.
O destaque principal é a Orquestra do Festival, que faz dois programas diferentes, com dois concertos cada um. 

O primeiro, regido pelo britânico Neil Thomson (diretor artístico e regente principal da Filarmônica de Goiás), nos dias 15/07 (Auditório Claudio Santoro) e 16/07 (Sala São Paulo), tem no repertório as peças Museu da Inconfidência - Impressões de uma Visitação, de Guerra-Peixe, eSheherazade, de Rimsky-Korsakov. 

O segundo, sob a batuta do alemão Alexander Liebreich (diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica da Rádio Nacional Polonesa), nos dias 22/07 (Auditório Claudio Santoro) e 23/07 (Sala São Paulo), tocando a “Abertura” de O Navio-Fantasma, de Richard Wagner,As Travessuras de Till Eulenspiegel, de Richard Strauss, e recebendo como solista convidado o barítono brasileiro Paulo Szot, pela primeira vez com a Orquestra do Festival, interpretando as Canções de um Viandante, de Mahler.

Já a Camerata do Festival, formada pelos bolsistas parciais desta edição, faz dois concertos, nos dias 14/07 (Auditório Claudio Santoro) e 15/07 (Sala São Paulo), sob a regência de Valentina Peleggi (regente em residência da Osesp), tendo a violinista russa Liana Gourdjia como solista. No programa, duas obras de Mozart: o Concerto para Violino nº 3 em Sol maior e a Sinfonia nº 39 em Mi bemol maior. A Camerata apresenta ainda um concerto sob o comando dos bolsistas de regência, no dia 22/07 (Praça do Capivari).

E o Grupo de Música Antiga do Festival, criado na edição 2016, volta sob a direção de Luís Otávio Santos (violinista, diretor artístico do Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga de Juiz de Fora, além de fundador e coordenador do Núcleo de Música Antiga da EMESP), com dois concertos, nos dias 28/07 (Auditório Claudio Santoro) e 29/07 (Sala São Paulo), executandooStabat Mater, de Haydncom a participação doCoro Acadêmico da Osesp.


ENSEMBLE MODERN | GRUPO RESIDENTE DO 48º FESTIVAL

O Festival recebe como grupo em residência o Ensemble Modern, um dos mais consagrados conjuntos de música contemporânea da atualidade. Seus integrantes ministrarão aulas de instrumentos, além de um Seminário de Composição que, ao final, selecionará até dois bolsistas para escrever uma peça inédita, a ser estreada na edição de 2018 do Festival.

Criado em 1980 na Alemanha, o Ensemble Modern reúne 20 músicos solistas de diversos países e tem como marca registrada a intensa atuação junto a compositores em atividade. Com projetos que incluem música para teatro, vídeo e dança, além de música de câmara e orquestral, o grupo chega a ensaiar cerca de 70 novas peças por ano, sendo 20 delas estreias mundiais. Ao longo de sua trajetória, fez parcerias duradouras com grandes nomes da composição, como John Adams, György Ligeti, Karlheinz Stockhausen, Steve Reich e Frank Zappa, entre outros.

Ensemble Modern faz três concertos no Festival, com dois diferentes programas. O primeiro, nos dias 09/07 (Auditório Cláudio Santoro) e 10/07 (Sala São Paulo), com obras de compositores dos séculos 20 e 21. O segundo, no dia 12/07 (Sala São Paulo), apresentando o projeto Re-inventing Smetak, em homenagem a Walter Smetak (1913-84), músico, pesquisador e inventor de instrumentos nascido na Suíça e naturalizado brasileiro, conhecido por influenciar a Tropicália. No repertório, obras especialmente encomendadas a quatro novos compositores, três deles brasileiros – Arthur Kampela, Daniel Moreira e Paulo Rios Filho –, e a australiana Liza Lim, que exploram o experimentalismo da música de Smetak e utilizam vários instrumentos criados por ele na Bahia, nas décadas de 1960 e 1970, reconstruídos para esse projeto.

Saiba mais sobre o Ensemble Modern:https://www.ensemble-modern.com/en/about-us/ensemble
Saiba mais sobre Walter Smetak:http://www.waltersmetak.com.br/biografia.html


MÚSICA SINFÔNICA

Entre as orquestras convidadas estão a Filarmônica de Goiás, com Neil Thomson (regente) e Cristian Budu (piano), e o Neojibá com Ricardo Castro (regente), ambas apresentando dois concertos cada, um em Campos do Jordão e outro São Paulo. Também integram a programação sinfônica a Orquestra Sinfônica da USP, com Roberto Tibiriçá (regente) e a russa Kristina Miller (piano); a Orquestra Jovem do Estado de São Paulo, comClaudio Cruz (regente); a Orquestra Experimental de Repertório, com Jamil Maluf (regente); e a Orquestra Municipal de Campinas, com Victor Hugo Toro (regente) e Hércules Gomes (piano), todas essas com concertos no Auditório Claudio Santoro.

Na Praça do Capivari, acontece o Festival de Bandas, com a Banda Sinfônica do Exército, a Banda Sinfônica Jovem do Estado, a Banda de Cubatão e a Banda Sinfônica de Taubaté, entre outros grupos convidados. Na Praça tocam ainda a Orquestra Jazz Sinfônica, a Orquestra Sinfônica de Santos, a Orquestra de Câmara de Jundiaí e a Orquestra Sinfônica de Piracicaba, para citar algumas das atrações. 


MÚSICA DE CÂMARA


Na música de câmara, destaque para o grupo de Cellos da Festival, que faz a estreia da Suíte Mata Atlântica (Cinco canções de Tom Jobim), com arranjos de Jacques Morelenbaum, especialmente encomendados pela Osesp. 

Outras atrações são o Quarteto Carlos Gomes (que lança a primeira partitura da edição dos Quartetos de Alberto Nepomuceno, pela Editora da Osesp, preparada por Claudio Cruz); o Quarteto Camargo Guarnieri, tocando com o violoncelista Santiago Sabino de Carvalho (da Filarmônica de Londres). 

Entre os recitais solo, estão os do pianista Ronaldo Rolim, da pianista Sônia Rubinsky, e da soprano brasileira Angélica de la Riva, com o pianista Max Barros.

Destaque ainda para a esperada programação de concertos de câmara gratuitos, com grupos formados por professores e bolsistas do Festival, sempre às 19h, na Sala do Coro (Sala São Paulo).


MÚSICA ANTIGA

 

No núcleo de música antiga, as atrações são a Orquestra de Câmara da Cidade de Curitiba, regida por Luís Otavio Santos, apresentando um programa de música barroca, e o grupo As Flautas de São Paulo, com um programa de música renascentista, que homenageia os 500 anos de nascimento de Gioseffo Zarlino


ESPECIAL INFANTIL

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Na Sala São Paulo, uma novidade desta edição é o Festival Infantil, uma parceria e realização da Fundação Osesp com a Tucca – Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer, com o projeto Aprendiz de Maestro. Serão apresentados dois programas diferentes, com três concertos cada, sempre às 11h, por duas semanas consecutivas: O Forrobodó da Chiquinha (13, 14 e 15/07) e O Mundo do Ludovico (19, 20 e 21/07). Após esses concertos, haverá uma exposição lúdica de instrumentos musicais e comidinhas na Estação das Artes, no Complexo Júlio Prestes. Saiba mais sobre o Aprendiz de Maestro: http://www.tucca.org.br/musica-pela-cura/aprendiz-de-maestro/.

E, na Praça do Capivari também tem programação infantil, com o espetáculo Cantos de Casa, da violonista e cantora Badi Assad.


NÚCLEO PEDAGÓGICO DO FESTIVAL

Ao longo de três semanas, de 02 a 23 de julhotodas as atividades do núcleo pedagógico estarão concentradas na Sala São Paulo, na capital paulista, que, pelo terceiro ano consecutivo disponibiliza aos bolsistas toda a excelência da estrutura sede da Osesp para a realização de aulas, masterclasses e ensaios.

Além de assistirem as aulas de seus instrumentos, os alunos se apresentam ao longo de toda a programação artística do Festival, integrando a Orquestra do Festival, a Camerata do Festival, o Grupo de Música Antiga do Festival e os grupos de câmara, nos quais têm a oportunidade de tocar junto com seus professores.

Como novidade, nessa edição, está a oportunidade dos bolsistas tocarem lado a lado dos músicos da Osesp, regidos por Marin Alsop, na primeira semana do Festival. Os 41 candidatos melhores classificados se apresentarão em quatro concertos (de 06 a 09/07), sendo três na Sala São Paulo e um no Auditório Claudio Santoro, interpretando a monumental Sinfonia nº 7 – Leningrado, de Shostakovich. Para Fábio Zanon, coordenador artístico-pedagógico do Festival, “além de tocar com os membros da Osesp (muitos deles professores do Festival), para o estudante essa é uma experiência inusitada, que possibilita que se vivencie como se prepara um programa dessa dificuldade, dentro de uma Temporada, como os músicos profissionais fazem rotineiramente.”

O Festival oferece 205 bolsas de estudo no total (sendo 126 integrais e 79 parciais), distribuídas em Orquestra: 120; Camerata: 47; Piano: 12; Violão: 12; Regência: 6; Composição: 8. Os alunos com bolsa integral terão hospedagem, transporte e alimentação totalmente subsidiados pelo evento. A definição de bolsa integral ou parcial se dará mediante classificação.

Os cursos compreendem aulas de instrumentos que integram os naipes da orquestra sinfônica, além de violão, piano e regência. Os candidatos aprovados para a classe de regência participam ainda de atividades preparatórias ao Festival, sob a orientação da regente Marin Alsop, na Sala São Paulo.


PRÊMIOS E BOLSAS

Prêmio Eleazar de Carvalho, oferecido pela Secretaria Estadual de Cultura, por intermédio da Fundação Osesp, contemplará o/a bolsista que mais se destacar nessa edição, concedendo a ele/a uma bolsa de US$ 1.400 mil (um mil e quatrocentos dólares) mensais para estudar por um período de até nove meses em uma instituição estrangeira de sua escolha, além de ter cobertas as despesas de translado entre o Brasil e o exterior.

A Fundação Osesp poderá premiar outros bolsistas que se destacarem durante as atividades, a definir.


PROFESSORES

VIOLINO
Alessandro Borgomanero (Universidade Federal de Goiás)
Elisa Fukuda (Camerata Fukuda)
Emmanuele Baldini (OSESP)
Giorgos Panagiotidis (Ensemble Modern)
Jagdish Mistry (Ensemble Modern)
Liana Gourdjia (Ecole Normale de Musique de Paris)
Luis Otávio Santos (EMESP)
Pablo de León (OSM-SP)
VIOLA
Horácio Schaefer (OSESP)
Megumi Kasakawa (Ensemble Modern)
Peter Pas (OSESP)

VIOLONCELO
Eva Böcker (Ensemble Modern)
Fabio Presgrave (UFRN)
Michael Kasper (Ensemble Modern)
Santiago Sabino (LOND)
Rodrigo Andrade (OSESP)

CONTRABAIXO
Paul Cannon (Ensemble Modern)
Pedro Gadelha (OSESP)

FLAUTA
Claudia Nascimento (OSESP)
Marcelo Barboza (OSM-SP)
Dietmar Wiesner (Ensemble Modern)

FAGOTE
Alexandre Silvério (OSESP)
Fábio Cury (OSM-SP)
Lucas Rössner (Ensemble Modern)

OBOÉ
Arcádio Minczuk (OSESP)
Christian Hommel (Ensemble Modern)

CLARINETE
Hugo Miguel Queirós (Ensemble Modern)
Jaan Bossier (Ensemble Modern)
Ovanir Buosi (OSESP)

TROMPA
Luiz Garcia (OSESP)
Saar Berger (Ensemble Modern)

TROMPETE
Fernando Dissenha (OSESP)
Sava Stoianov (Ensemble Modern)
Valentín Garvie (Ensemble Modern)

TROMBONE
Till Künkler (Ensemble Modern)
Wagner Polistchuk (OSESP)

TUBA
Filipe Queirós (OSESP)
Marcos dos Anjos (Faculdade Cantareira)

PERCUSSÃO
Eduardo Gianesella (OSESP)
Rainer Römer (Ensemble Modern)
Ricardo Bologna (OSESP)
Rumi Ogawa (Ensemble Modern)
HARPA
Liuba Klevtsova (OSESP)
Ueli Wiget (Ensemble Modern)

PIANO
Cristian Budu
Eduardo Monteiro (USP)
Hermann Kretzschmar (Ensemble Modern)

VIOLÃO
Fabio Zanon (Royal Academy of Music de Londres)
Maria Lívia São Marcos
Steffen Ahrens (Ensemble Modern)
Paulo Martelli

REGÊNCIA
Alexander Liebreich (Orquestra Sinfônica da Rádio Nacional Polonesa)
Neil Thomson (Filarmônica de Goiás)
Valentina Peleggi (OSESP)


AMIGOS DO FESTIVAL

Desde 2013, a Fundação Osesp conta com a colaboração de uma rede de estabelecimentos comerciais na cidade de Campos do Jordão, que contribui para a divulgação de informações sobre a programação de concertos. Esses estabelecimentos recebem um selo que os identificam como Amigos do Festival e mostram engajamento com um dos mais tradicionais projetos culturais da cidade.


REALIZAÇÃO

48º Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão é uma realização da Secretaria de Cultura do Governo do Estado de São Paulo, em parceria com a Fundação Osesp, a Prefeitura de Campos do Jordão e a iniciativa privada, contando com o patrocínio da Rede, copatrocínio da Sabesp, apoio da Unimed e Localiza, e promoção da Folha de S.Paulo. O Festival tem direção executiva de Marcelo Lopes, direção artística de Arthur Nestrovski, coordenação artístico-pedagógica de Fábio Zanon e consultoria artística de Marin Alsop.


INGRESSOS

Os concertos na Praça do Capivari, na Igreja de Santa Terezinha, na Capela do Palácio do Governo (Campos do Jordão) e na Sala do Coro (Sala São Paulo) são todos gratuitos

Os concertos pagos no Auditório Claudio Santoro têm ingressos à venda pela Compre Ingressos (www.compreingressos.com/48FCJ), além de bilheterias na Praça do Capivari e no Auditório Claudio Santoro (em Campos do Jordão), além do Terraço Itália (São Paulo), com valores que variam entre R$ 25 a R$ 90.

Os concertos pagos na Sala São Paulo têm ingressos à venda pela Ingresso Rápido (www.ingressorapido.com.br; tel 4003-1212) e na bilheteria do local, com valores que variam de R$ 20 a R$ 50.

Benefício de meia-entrada para estudantes; idosos; jovens pertencentes a famílias de baixa renda; pessoas com deficiência; professores, diretores, coordenadores pedagógicos, supervisores e titulares da rede pública estadual e municipal de ensino, mediante identificação no ato da compra e no dia da apresentação.


PROGRAMAÇÃO COMPLETA


IMAGENS PARA DIVULGAÇÃO:
As imagens disponíveis para download no link abaixo devem ser utilizadas única e exclusivamente para divulgação do 48º Festival de Inverno de Campos do Jordão:


Fonte: Imprensa Imprensa@osesp.art.br

terça-feira, 6 de junho de 2017

"Cada qual sabe amar a seu modo; o modo, pouco importa; o essencial é que saiba amar". Machado de Assis

É preciso falar de amor!



Por Alessandra Leles Rocha



Em um mundo tão estranho , quando o assunto são as relações humanas, falar sobre o AMOR se torna, portanto, cada vez mais necessário. Acredito mesmo que, só colocando a discussão na roda, conseguiremos romper os casulos e blindagens que temos construído, até certo ponto, inconscientemente. Falando, falando,... uma hora reencontraremos o caminho, o qual jamais deveríamos ter nos desviado.
Como toda boa e velha relação humana, o AMOR acontece com uma pitada generosa de fatos e conjunturas, internos e externos, alheios à nossa própria vontade. Foi, é e sempre será assim, um encantamento arrebatador que toma a vida de assalto e faz de duas pessoas reféns de um pedacinho de felicidade.
Longe de definições, descrições e conceitos idealizados. AMOR não é receita de bolo. Não tem que ser meloso, grudado, romântico, safado,... ou coisa que o valha; tem que ser AMOR para aqueles que o sentem na alma e, nada mais. Unanimidade, talvez, só uma eventual repetição de depoimentos espontâneos e coincidentes de quem já o experimentou, ao menos uma vez, nessa vida. Depois que ele nos “flecha”, então, cabe decidir entre permanecer ou fugir.
Mas, para isso, caros leitores, precisamos de nós mesmos. Sim. Para uma decisão tão pessoal e intransferível, precisamos de um bom dedo de prosa com o fundo da nossa própria alma. Nada de Whatsapp, Facebook e afins. Nada de intermediários reais ou virtuais; afinal, relações humanas  pressupõem interações claras, objetivas e diretas. Olhos nos olhos e vamos ver o que o outro diz, faz, pensa, enfim... como reagiremos no frisson desse doce embate?
Entretidos pela contemporaneidade, a tendência dos seres humanos têm sido se deixarem levar pela idealização de tudo e de todos. A vida teima em conviver com milhares de “verdades” paralelas, que soam como um mar de felicidade e sucesso absolutos; quando, no fundo, sabemos muito bem que não é assim. Isso para as relações humanas é fatal. Aparências não fiam e nem sustentam a durabilidade das relações. Por isso, há tanta solidão rodeada de gente. Há tanta carência no mundo. Há tanta falta de AMOR.
Quando deixamos de nos conhecer, de aprofundar o nosso olhar para dentro da alma e nos questionar, em exercício diário, sobre nossos anseios, sonhos, desejos, medos,... Parece que nos aflige descobrir quem de fato nos habita. Desse modo, esquecemos de que isso precisa, também, ser estendido a quem nos rodeia. Então, vamos nos tornando individualistas. Insensíveis. Superficiais. Materialistas. Etc.etc.etc.
Ora, desse jeito, como AMAR? Como nos relacionar uns com os outros? Lentamente, permitimos que nosso inconsciente nos faça abdicar do prazer das relações humanas, de suas dores e alegrias contidas no pacote. E para isso, valem todos os subterfúgios emocionais, comportamentais, tecnológicos. Sim. A tecnologia tem dado uma nova roupagem as nossas relações e ressignificado nossas comunicações humanas, quando sabemos bem que há situações indizíveis, incapazes de serem construídas e constituídas, só, por palavras.
É nessa reflexão que precisamos centrar foco. Redescobrindo o nosso AMOR próprio que cuida e acalenta o nosso bem estar, a nossa sobrevivência diária, é que poderemos desnudar os nossos AMORES, a nossa capacidade de AMAR e nos relacionar de maneira intensa e plenamente humana. Afinal, qual é o toque que nos faz AMAR: das mãos ou das máquinas?
Somos humanos e toda hora é hora de AMAR. Basta permitir que todos os nossos sentidos biológicos se voltem para esse fim. Basta querer bem mais do que migalhas de sentimentos inertes. Basta querer algumas gotas de felicidade nesse turbilhão. AMOR não é perfeição. Nem completude. Nem solução. AMOR é AMOR; e isso, já é muita coisa. Então, AME! Agora, hoje, sempre! Em todas as línguas. Em todos os credos. Em todas as etnias.