quarta-feira, 19 de julho de 2017

Ah! Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos!!!

O mundo passa; mas, a amizade... Permanece.


Por Alessandra Leles Rocha



Em tempos em que os seres humanos medem a sua aceitação social pela frieza indiferente dos números de likes, curtidas e coraçõezinhos, será que já alcançamos uma ruptura com a necessidade de relações humanas mais bem elaboradas, tais como a amizade, por exemplo?
Ora, não é do perfil humano uma vida de isolamento. Todo ser humano quer pertencer, ser aceito, ser amado e conviver com seus pares. Tarefa nada fácil, sabemos bem; mas, imprescindível para a qualidade de vida e a sanidade física e mental. Tomamos muitos tocos, quebramos a cara inúmeras vezes; mas, levantando, sacodindo a poeira e dando a volta por cima vamos aprendendo a agregar os pensamentos, as afinidades, as empatias até descobrirmos qual é, de fato, a nossa tribo.
E sabe por que persistimos nessa empreitada? Porque o ópio narcísico do mundo tecnológico é muito breve. Não supre nossas demandas existenciais mais profundas. Afinal, essa popularidade eufórica no ambiente virtual não cria laços. Quem são esses milhares ou milhões de seguidores? Você os conhece? Já os trouxe do mundo tecnológico para o real?
Na verdade ninguém conhece a si mesmo em profundidade; mas, para considerarmos uma relação humana, como tal, é necessário muito tempo, muita disposição, muita convivência.  Não é à toa que ao longo da vida aprendemos a distribuir, a categorizar nossas relações. Talvez, tenhamos sido inspirados por Aristóteles, discípulo de Platão, que nos livros VIII e IX da obra Ética a Nicômaco, trata da natureza da amizade e a classifica em três espécies: amizade por prazer, amizade por utilidade e a amizade perfeita ou segundo a virtude; pois, por mais que o ser humano se encante e até se divirta com as superficialidades existenciais, a verdade é que ele não abre mão de algo mais profundo, mais intenso, mais recíproco.
Mas, com um pouco de observação ao redor veremos os sinais nocivos desse processo de esgarçamento gradual e contínuo das relações sociais. A invisibilidade da angústia, da solidão, da tristeza, não nos impossibilita de enxergar o vazio que consome o ser humano na contemporaneidade. Cada vez mais narcísico. Cada vez mais pleno. Cada vez mais belo. Cada vez mais... insalubre. Hospitais lotados. Doenças se proliferando. O corpo humano refletindo as mazelas do seu inconsciente.
Daí a pergunta que não quer calar: Onde estão as mãos estendidas em nome do afeto? Onde está o sorriso afável que cura e acalma?  Onde está o abraço que conforta e protege? Onde está o olhar que nutre a esperança?... Onde está o ser humano? Onde está o amigo? Na compreensão equivocada sobre as relações humanas na contemporaneidade, nesse apego desmedido ao mundo virtual, é que se abrem espaços, nos mais diversos contextos sociais, para que pessoas comuns detentoras de uma deformação social capaz de lhes impedir de sentir empatia, que as torna manipuladoras e mentirosas compulsivas, que as fazem abusar de um falso encanto para agradar, que exacerbam a sua impulsividade e egocentrismo, passem a circular tranquilamente e fazer vítimas a todo instante.
Talvez, por isso, a Sétima Arte insista em nos fazer pensar a respeito da amizade, com obras magníficas, tais como, O Mágico de Oz (1939), E.T. – O Extraterrestre (1982), Conta Comigo (1986), Central do Brasil (1998), De repente 30 (2004), Antes de Partir (2007), O menino do pijama listrado (2008), Up – Altas Aventuras (2009), Noivas em Guerra (2009), Intocáveis (2011). Diante da retina a sensibilidade humana não tem como não se render as imagens e ao que elas podem nos provocar. Há espelho melhor do que a arte para nos mostrar as verdades mais inconvenientes?
Na verdade, há sim, os amigos. Na hora de pesar a relação custo/benefício das atrativas e tentadoras redes sociais, a amizade real deveria ocupar mais espaço na nossa existência. Só ela é capaz de nos agigantar os sentidos. Na sua figura terna e simbólica, os amigos, nos tornam melhores, na medida em que eles se abstêm das nossas esquisitices e casmurrices para nos apertar entre seus afagos e nos aceitarem assim, como meros mortais que somos.
Quando a coisa aperta, eles xingam, gritam, dão bronca, se exasperam; mas, ficam lá, de prontidão, até tudo se resolver.  Porque, segundo Charles Chaplin, a escolha da família não é possível, mas a escolha dos amigos é e, para tal, devemos nos empenhar por inteiro; pois, só assim “a vida se torna mais simples, mais rica e mais bela”. 

quinta-feira, 13 de julho de 2017

“Para a política o homem é um meio; para a moral é um fim. A revolução do futuro será o triunfo da moral sobre a política”. Ernest Renan

Será que algum dia a Glória chegará?


Por Alessandra Leles Rocha



Da Tomada da Bastilha até os dias atuais será que alguma coisa mudou ao redor do mundo? A Corte continua fazendo a festa, esbanjando, pilhando em plena luz do dia e para quem quiser ver. A população permanece sendo tratada como objeto, incapaz de agir e reagir diante da privação dos seus sonhos, esperanças e dignidade humana. Pois é, para os que ainda não entenderam, a história é cíclica. Mudam-se os cenários, os atores e os figurantes; mas, o enredo e o roteiro permanecem os mesmos.
Para nós brasileiros, ao relembrarmos o fato histórico mais importante da França e, também, mundial encontramos uma identificação estreita com a nossa realidade. Ex-colônia portuguesa, passamos de mãos em mãos pela exploração e espoliação de nossas riquezas e direitos até... hoje. Sim, não conseguimos romper os grilhões e renascer da opressão e da subserviência aos príncipes e reis contemporâneos, cuja opulência de seus títulos não advém da herança nobre e distinta, ungida pela chamada Teoria Divina dos Reis. A verdade é que pagamos a farra dos brioches por escolha democrática.
Nós, tupiniquins tropicais, nos rendemos aos encantos narcísicos de nossos eleitos e trabalhamos incessantemente para que não lhes falte recursos para os seus desvarios absolutos, enquanto nos esquecemos de nossos direitos humanos e mais singelas necessidades vitais. É como se a fome, o desemprego, a carestia, a precariedade da saúde e da educação públicas,... jamais tivessem cruzado os nossos caminhos e, portanto, nossa Corte não tivesse responsabilidade alguma sobre esses e outros assuntos.
Ao contrário da Corte Francesa, por aqui fomos nós os decapitados. Perdemos a cabeça na ignorância cega de nossas escolhas, nossas pequenas corrupções, nossa ingenuidade interesseira... Sem cabeça é lógico que alguém passaria a pensar por nós; então... O séquito dos desprovidos da razão torna-se, portanto, cada vez mais vulnerável aos apelos da sensibilidade passional. Ora, para sentir basta ter coração.
Afinal, que ser humano não se comove diante de alguém que lhe diga o que ele sempre quis ouvir? Por isso, nas promessas mais estapafúrdias as praças sempre se encheram de aplauso. Assim, proliferaram Robin Hood e toda legião de defensores da justiça, dos fracos e oprimidos, como matilhas de lobos em peles de cordeiro. Enquanto nos enchia com seu blábláblá repetitivo e sem nenhum resultado prático, a Corte desfilava a cara da riqueza no mais vil espetáculo de humilhação.  
Em pleno século XXI, no entanto, nada disso era para existir. Mas, a práxis secular que se cronificou entre nós é tão perversa que nem os rigores da lei não nos acordaram do torpor letárgico de nossa servil obediência. Obra criada pelos homens, talvez por isso mesmo, as leis com seus inúmeros vieses e lacunas não nos inspirem a confiança segura da restauração ética e moral. Como diz o provérbio, “O bom julgador por si se julga”...      
Enquanto isso, assistimos e vivenciamos horrorizados as mesmas demandas que levaram o povo de Luís XVI as ruas. Os séculos subsequentes parecem, portanto, não ter aprendido os valores da igualdade, da liberdade, da fraternidade, da justiça e/ou dos direitos humanos. A pirâmide permaneceu com a mesma desequilibrada distribuição social. As Cortes, essas serão sempre as mesmas. E as revoluções, apenas um ato de desespero inócuo diante de uma cegueira que habita não os olhos da sociedade, mas os olhos da alma de cada filho seu. Será que algum dia a Glória chegará?

quarta-feira, 5 de julho de 2017

"Qualquer coisa é bela se vista de uma forma diferente". Coco Chanel

Olhe por trás do rótulo...


Por Alessandra Leles Rocha


Identificados por números, nomes, apelidos e adjetivos, vez por outra, nada amistosos, assim caminham os seres humanos. Sob a marca de rótulos e mais rótulos os dias passam e fazem a humanidade se esquecer de que por trás deles pulsa um coração.
É certo que somos diferentes, únicos em nossa espécie. No entanto, somos humanos e, como tal, regidos pela razão e pela sensibilidade; assim como, por demandas comuns de sobrevivência. Em nome da nossa aceitação social, buscamos o reconhecimento pelo o que existe de mais profundo em nosso ser. Quando somos medidos, pesados e julgados na periferia de nossa aparência ou, quem sabe, uma primeira impressão, retiram arbitrariamente de nós o direito de sermos quem somos.
Pensemos ou não a respeito, é assim que se constroem o preconceito e a intolerância. Baseando-se no mais absurdo critério de subjetividade, alguém aponta os defeitos (ou raramente possíveis qualidades) em uma pessoa; mas, ao usar esse pretexto inicia-se um rito de inferiorização, menosprezo e invisibilidade do outro. Logo surgem seguidores dessa aclamação sem propósito e o processo ganha vulto incomensurável.
Longe de poder atribuir esse comportamento antissocial aos valores da contemporaneidade, sejamos honestos para admitir que ele sempre esteve presente na humanidade, como um traço deletério de nossa raça. Usamos rótulos para nos distinguir como se quiséssemos de fato nos diferenciar de nossos pares.
Mas, quando observamos a realidade atual percebemos que o uso desse artificio é incapaz de ocultar um desejo de ser exatamente como uns e outros. Por mais cruel e nociva que nossa metralhadora insultante de rótulos possa aparentar, apontamos o que representa o nosso objeto de cobiça. Nesse sentido, então, a tecnologia só fez ampliar as manifestações desse traço.
Por isso, a importância da reflexão sobre esse assunto. Por que os rótulos nos importam mais do que o ser humano em si? Será que estamos tão desprovidos de essência para precisar nos apegar nisso? São tantos rótulos, que temos deixado de perceber que a bondade ainda é maioria; assim como, tantas outras virtudes. Temos nos inebriado pelos encantos da casca, quando a manutenção da vida está na semente que ela esconde.
São tantas trocas de amabilidade meticulosamente estratégica, tanta indiferença proposital, tanta manipulação de resultados, tanta coisa para não se orgulhar... Assim caminha a humanidade. Desconfigurando a verdade, os princípios, a sensatez, a lógica e o bom senso. E se perguntarmos qual a razão de tudo isso, nem ela mesma sabe responder; pois, já se rendeu a uma subserviência bovina que anula qualquer reflexão.
E quanto mais se persegue a aceitação da sociedade, mais rótulos se adquirem na contrapartida dessa realização. Por isso, tanta frustração, tanto ódio destilado, tanta loucura disseminada, tantas atitudes sem explicação. Os rótulos sufocam tanto a nossa essência que ela acaba por sucumbir e nos transformar em massa disforme, sem sinais remotos de que ali algum dia existiu um ser humano.   

Como dizia Coco Chanel, “Não importa o lugar de onde você vem. O que importa é quem você é! E quem você é? Você sabe?”; portanto, não se renda aos rótulos, não se deixe violentar por eles, seja você. Sempre. Em qualquer situação. 

domingo, 2 de julho de 2017

Estudo ministerial mostra que horário de verão não funciona

A adoção da hora adiantada na época mais quente do ano não resulta mais em economia de energia. Virou "questão cultural"


Por Estadão Conteúdo
A mudança nos hábitos do consumidor e o avanço da tecnologia tornaram inócuo um dos principais objetivos do polêmico horário de verão. De acordo com estudo do Ministério de Minas e Energia, a adoção da hora adiantada na época mais quente do ano não resulta mais em economia de energia. A despeito disso, a manutenção do horário de verão, de acordo com autoridades do setor elétrico, é considerada uma “questão cultural”.
“Em termos integralizados (diurno e noturno), o horário de verão não atendeu ao que se propôs – ou seja, não há relação direta com redução de consumo e demanda”, diz o estudo. A popularização dos aparelhos de ar condicionado é uma das principais razões dessa mudança. No estudo, técnicos do MME apontaram que a temperatura é o que mais influencia os hábitos do consumidor, e não a incidência da luz durante o dia. [...]


Em países em desenvolvimento, 214 milhões de mulheres não têm acesso a métodos contraceptivos

É o que revela um estudo divulgado nesta semana (29/06) pelo Guttmacher Institute. Documento alerta ainda que, em 2017, 50 milhões de mulheres grávidas no mundo farão menos de quatro visitas de acompanhamento pré-natal e 35 milhões não darão à luz em uma unidade de saúde. Para o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), gestações devem ser desejadas, planejadas e seguras.



Nos países em desenvolvimento, 214 milhões de mulheres querem evitar a gravidez, mas, por diversas razões, não fazem uso de métodos contraceptivos modernos. É o que revela um estudo divulgado nesta semana (29) pelo Guttmacher Institute. Organismo avalia que, nessas nações, demandas por contracepção, bem como por serviços de saúde materna e neonatal não estão sendo atendidas.
Segundo o levantamento, em 2017, 50 milhões de mulheres grávidas no mundo farão menos de quatro visitas de acompanhamento pré-natal e 35 milhões não darão à luz em uma unidade de saúde. Para atender a demanda por métodos contraceptivos e saúde materna e neonatal nas regiões em desenvolvimento, seriam necessários US$ 52,5 bilhões de dólares anualmente, ou 8,39 dólares por pessoa.
Apesar dos desafios de saúde pública, o relatório “Adding It Up: Investing in Contraception and Maternal and Newborn Health, 2017” (Investindo em contracepção e saúde materna e neonatal) também revela um aumento estável no uso de métodos contraceptivos modernos em países em desenvolvimento, mesmo com o crescimento do número de mulheres em idade reprodutiva.
O resultado foi uma queda ao longo dos últimos três anos na demanda não atendida por contracepção – em 2014, eram 225 milhões de mulheres sem acesso a métodos de prevenção da gravidez. Entretanto, investimentos em planejamento reprodutivo são descritos pelo relatório como essenciais para manter esses ganhos e ampliar o progresso.
Mulheres com demandas por contracepção não atendidas representam 84% das gestações não planejadas nos países em desenvolvimento, revela o relatório. O estudo também aponta que, entre as mulheres que terão filhos em 2017, nessas mesmas nações, somente 61% terão passado por quatro ou mais atendimentos pré-natais e 27% não farão seus partos em unidades de saúde.
Existem grandes disparidades entre regiões: as taxas apresentadas são piores na África, onde menos da metade das mulheres grávidas fazem quatro ou mais visitas de atendimento pré-natal e um pouco mais da metade têm seus filhos em unidades de saúde. Em contrapartida, na América Latina e Caribe, aproximadamente 90% das mulheres têm quatro ou mais atendimentos pré-natais e mais de 90% têm seus filhos em centros de saúde.

Investimentos

Para atender a demanda por métodos contraceptivos e por serviços de saúde materna e neonatal nas regiões em desenvolvimento, seriam necessários 52,5 bilhões de dólares anualmente, ou 8,39 dólares por pessoa. A nova pesquisa mostra que estes investimentos são vantajosos economicamente: investir em contraceptivos faz com que o custo dos cuidados com saúde materna e neonatal sejam menores, uma vez que há uma diminuição do número de gestações não planejadas.
Para cada dólar gasto em contraceptivos, 2,30 dólares são economizados no custo dos cuidados relacionados à gravidez, estima o Guttmacher Institute.
“Investir em contraceptivos e saúde materna e neonatal tem um ótimo impacto em prevenir mortes desnecessárias de mães e recém-nascidos”, afirma a Dr.ª Jacqueline E. Darroch, principal autora do estudo. “Com o investimento de 8,39 dólares por pessoa, os índices de mortalidade materna poderiam decrescer para um quarto dos níveis atuais e, em relação a mortes neonatais, o número cairia para um quinto das taxas atuais.”
O impacto dos investimentos teria um grande alcance, levando a:
• Menos 67 milhões de gestações não desejadas (queda de 75%);
• Menos 23 milhões de nascimentos não planejados (queda de 76%);
• Menos 36 milhões de abortos induzidos (queda de 74%);
• Menos 2,2 milhões de mortes neonatais (queda de 80%);
• Menos 224 mil mortes maternas (queda de 73%).
Além disso, investir nesses serviços traria benefícios sociais e econômicos para as mulheres, seus parceiros e parceiras, suas famílias e para a sociedade. Avanços incluem melhoras na educação de mulheres e crianças, aumento nos rendimentos e redução da pobreza.
Pesquisas anteriores concluíram que mulheres usam diversas justificativas para o não uso dos métodos contraceptivos, como a preocupação em relação a efeitos colaterais e riscos à saúde e a crença de que não estão sujeitas a ficarem grávidas por não manterem relações sexuais com frequência. Esta situação indica que contraceptivos de qualidade e aconselhamento ao planejamento reprodutivo são urgentemente necessários.

UNFPA lembra contexto brasileiro

No Brasil, estimativas coletadas pelo governo e pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) indicam que a demanda não atendida por contraceptivos se encontre entre os 6% e 7,7%, afetando aproximadamente de 3,5 a 4,2 milhões de mulheres em idade reprodutiva.
Do total de nascimentos ocorridos nos últimos cinco anos, apenas 54% foram planejados para aquele momento. Entre os 46% restantes, 28% eram desejados para mais tarde e 18% não foram desejados.
O UNFPA considera que a gravidez não planejada, especialmente na adolescência, está associada a desigualdades mais amplas que afetam principalmente as mulheres dos estratos sociais mais vulneráveis. A agência da ONU defende que todas as gestações sejam desejadas e que todos os partos sejam seguros.

VÍDEO: Uma nova agenda urbana para o desenvolvimento sustentável

Uma ‘Nova Agenda Urbana’ foi adotada em Quito, no Equador, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Habitação e Desenvolvimento Urbano Sustentável, em 2016. O documento estabelece como as cidades devem ser planejadas e gerenciadas para promover melhor a urbanização sustentável. Confira nesse vídeo. Uma ‘Nova Agenda Urbana’ foi adotada em Quito, no Equador, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Habitação e Desenvolvimento Urbano Sustentável, em 2016. O documento estabelece como as cidades devem ser planejadas e gerenciadas para promover melhor a urbanização sustentável. Confira nesse vídeo.

Universidade Federal de Santa Maria promove curso sobre migração e refúgio para servidores públicos

Na semana em que se celebrou o Dia Mundial do Refugiado, lembrado em 20 de junho, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) ofereceu na quarta-feira (21/06) uma capacitação em direitos humanos para servidores públicos que atuam na cidade. Curso “Migração, Refúgio e Políticas Públicas” reuniu funcionários de todos os níveis de governo e contou com a participação de refugiados, migrantes e brasileiros que moram no município. Iniciativa terá continuidade em julho.

Na semana em que se celebrou o Dia Mundial do Refugiado, lembrado em 20 de junho, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) ofereceu na quarta-feira (21) uma capacitação em direitos humanos para servidores públicos que atuam na cidade. Curso “Migração, Refúgio e Políticas Públicas” reuniu funcionários de todos os níveis de governo e contou com a participação de refugiados, migrantes e brasileiros que moram no município. Iniciativa terá continuidade em julho.
“Além de afirmar o direito humano de migrar, o curso também trouxe a reflexão sobre o quanto as migrações têm a ensinar para o desenvolvimento da nossa sociedade, do reconhecimento do outro, do quanto somos desafiados a outros saberes e práticas sociais, para a compreensão de nós mesmos e das nossas instituições”, disse a docente Giuliana Berdin, coordenadora da Cátedra Sérgio Vieira de Mello na UFSM.
Um dos objetivos da formação era promover o debate sobre as atuais práticas de acolhimento, inserção social e integração local das populações migrantes e refugiadas que vivem em Santa Maria.
A capacitação apresentou uma proposta interdisciplinar de discussão, com especialistas e conteúdos do campo jurídico, da antropologia, das ciências sociais, das letras e da comunicação. Outro destaque foi a participação de migrantes e vítimas de deslocamento forçado que trouxeram para o debate as suas vivências e lutas por mais direitos.
“Esse evento foi fundamental para chamar o Estado, por meio de seus agentes, para dar atenção ao tema das migrações e sua responsabilidade em promover direitos humanos independentemente de sua nacionalidade”, explicou Luís Augusto Bittencourt Minchola, coordenador executivo da Cátedra.
A iniciativa terá ainda mais duas etapas, que ocorrerão nos próximos dias 3 e 7 de julho. O primeiro encontro do mês contará com a participação da Associação Antônio Vieira, organização parceira da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) em Porto Alegre.
A Cátedra Sérgio Vieira de Mello é uma iniciativa do ACNUR no Brasil para difundir o ensino universitário sobre temas relacionados ao refúgio, promovendo a formação e a capacitação de professores e estudantes na área, além de priorizar o trabalho direto com refugiados e a sua inserção na vida acadêmica.
Na UFMS, Giuliana Berdin e Luís Augusto Bittencourt dirigem o Migraidh, Direitos Humanos e Mobilidade Humana Internacional – grupo de ensino, pesquisa e extensão que é responsável pela Cátedra na UFMS e que organiza o curso de capacitação de servidores públicos. Instituído em 2013, atualmente o Migraidh possui quatro linhas de atuação nas áreas do direito, antropologia, ciências sociais, psicologia, comunicação e letras.

Investir em crianças pobres é solução inteligente para combate à desigualdade, diz UNICEF

Investir na saúde de crianças em situação de pobreza salva o dobro de vidas do que aplicar o mesmo valor em grupos mais favorecidos, apontou estudo divulgado semana pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Investir na saúde de crianças em situação de pobreza salva o dobro de vidas do que aplicar o mesmo valor em grupos mais favorecidos, apontou um estudo divulgado nesta quarta-feira (28) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).
“A evidência é clara: investir nas crianças mais pobres não é apenas correto no princípio, mas também na prática – mais vidas são salvas por cada dólar gasto”, disse o diretor-executivo do UNICEF, Anthony Lake, em um comunicado à imprensa. O estudo é intitulado “Reduzir as diferenças: o poder de investir nas crianças mais pobres”.
A análise confirma uma previsão não convencional feita pelo UNICEF em 2010: um maior investimento para alcançar crianças desfavorecidas seria compensado por melhores resultados.
“Essa é uma notícia crucial aos governos que trabalham para acabar com todas as mortes preveníveis de crianças, em um momento em que cada dólar conta”, afirma Lake. Segundo ele, investir de forma equilibrada em saúde infantil também ajuda a romper ciclos intergeracionais de pobreza, proporcionando um melhor aprendizado na escola e maiores rendimentos como adultos.
A pesquisa analisou dados recentes de 51 países, onde ocorreram cerca de 80% das mortes de recém-nascidos e menores de cinco anos. Foi avaliado o acesso a seis tratamentos de alta qualidade na saúde de mães, crianças e recém-nascidos: o uso de mosquiteiros tratados com inseticida, antecipação do da amamentação, cuidado pré-natal, vacinação completa, atendimento multidisciplinar à gestante em trabalho de parto e cuidados destinados a crianças com diarreia, febre ou pneumonia.
Os resultados mostram que o maior alcance a esses procedimentos ajuda a reduzir a mortalidade infantil quase três vezes mais rápido em grupos em maior situação de pobreza. Além disso, as intervenções nesses grupos se provaram 1,8 vez mais econômicas em termos de quantidade de vidas preservadas.
O estudo também revelou que, como as taxas de natalidade são maiores entre os mais pobres, diminuir o índice de mortalidade em crianças menores de cinco anos se traduz em mais 4,2 vidas salvas para cada 1 milhão de pessoas.
Estima-se que 1,1 milhão de pessoas foram salvas nos 51 países durante o último ano estudado. Delas, cerca de 85% são pobres.

Atenção às crianças em situação de pobreza fizeram a diferença em Afeganistão, Bangladesh e Malauí

O estudo lista Afeganistão, Bangladesh e Malaué como alguns dos países com altas taxas de mortalidade entre os menores de cinco anos, onde o foco nos mais desfavorecidos fez diferença para as crianças. De 1990 e 2015, a mortalidade caiu pela metade no Afeganistão e em 74% em Bangladesh e em Malauí.
Os resultados chegam em um momento crítico, à medida que os governos continuam seu trabalho para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que procura acabar com todas as mortes evitáveis entre recém-nascidos e crianças com menos de cinco anos até 2030.
A menos que o progresso na redução da mortalidade infantil seja acelerado, até 2030 quase 70 milhões de crianças morrerão antes de completar seu quinto aniversário.
O estudo pede aos países que tomem medidas práticas para reduzir as desigualdades, incluindo separar dados para identificar as crianças excluídas; investir em tratamentos para prevenir e tratar as doenças mais mortais para crianças, fortalecer os sistemas de saúde para tornar cuidados de qualidade amplamente disponíveis, inovar para obter novas maneiras de alcançar o inalcançado e monitorar a desigualdade usando pesquisas domiciliares e sistemas de informação internacionais.

O Encontro acontecerá com o VIII Congresso da Sociedade Brasileira de Visão Subnormal, nos próximos dias 9 e 10 de junho, no Instituto Benjamin Constant.

O evento duplo é voltado a um público multidisciplinar, com foco no atendimento às pessoas com baixa visão, como: oftalmologistas, professores, fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, musico-terapeutas, fonoaudiólogos, ortoptistas, psicólogos, pedagogos, enfermeiros e assistentes sociais.  
Dentre os temas que serão discutidos, destacam-se a abordagem oftalmológica na baixa visão, o emprego de auxílios óticos, não-óticos e eletrônicos, a importância das técnicas de orientação e mobilidade na vida da pessoa com baixa visão, o papel do esporte na reabilitação do indivíduo com deficiência visual entre outros.  
 "As programações médicas e pedagógicas terão vários momentos comuns, onde os participantes, sejam eles profissionais da saúde ou da educação poderão interagir uns com os outros, trocando informações e experiências", explica a diretora do Departamento de Estudos e Pesquisas Médicas e de Reabilitação, Rosane de Menezes Pereira.
Servidores e ex-servidores do IBC, assim como professores das redes púbicas de ensino devem fazer sua inscrição preenchendo um formulário específico disponibilizado pelo Instituto, enviando-a eletronicamente até o dia 24 de maio.  Para esses participantes não serão aceitas inscrições em nenhum dos dois dias do evento.
Já os  demais participantes devem se inscrever no site da Sociedade Brasileira de Visão Subnormal ou no próprio dia e local do Encontro/Congresso.



quinta-feira, 29 de junho de 2017

Novas epidemias de zika ‘continuam sendo prováveis’ nas Américas, diz ONU

Em artigo publicado na revista científica American Journal of Tropical Medicine and Hygiene, a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa Etienne, adverte que futuras ondas epidêmicas do zika ‘continuam sendo prováveis’ nas Américas. A dirigente lembra que, na América Latina e no Caribe, 500 milhões de pessoas vivem em áreas com risco de transmissão do vírus.

Em artigo publicado na revista científica American Journal of Tropical Medicine and Hygiene, a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa Etienne, adverte que futuras ondas epidêmicas do zika “continuam sendo prováveis” nas Américas. A dirigente lembra que, na América Latina e no Caribe, 500 milhões de pessoas vivem em áreas com risco de transmissão do vírus.
“A luta contra o vírus não é uma corrida de cem metros, mas uma maratona na qual a ciência e a saúde pública precisam atuar de mãos dadas para o benefício de nossos povos”, afirmou Etienne no texto, divulgado em maio desse ano. A diretora da agência da ONU assina o texto com os coautores Marcos Espinal e Thais dos Santos.
Especialistas lembram que mais de 700 mil casos de zika foram oficialmente notificados à OPAS por 48 países e territórios das Américas. Segundo os pesquisadores, a região teve “a desafortunada distinção de ser um campo de testes das infecções”.
A doença se tornou uma “nova vilã” da saúde, “causando medo, perdas econômicas, e, o que é mais importante, marcando a vida de crianças e famílias afetadas por anomalias congênitas debilitantes”, acrescentaram os autores.
“A experiência do vírus zika demonstra mais uma vez que o bom julgamento clínico e o estado de alerta sobre os eventos atípicos são cruciais para a detecção oportuna de doenças emergentes e ressurgentes. Também aponta para a importância de se investir na força de trabalho da saúde como a primeira linha de defesa contra ameaças de doenças infecciosas”, afirma o artigo.
A circulação do zika nas Américas foi difícil de ser diagnosticada devido às semelhanças da infecção com a dengue e a febre amarela, observou Etienne e os outros autores.
“As defesas disponíveis contra o mosquito responsável pela transmissão desses vírus não são mais suficientes para resistir à sua propagação agressiva. Portanto, o desenvolvimento de novas ferramentas acessíveis por parte da comunidade científica, incluindo testes de diagnóstico e uma vacina contra o ZIKAV, bem como a inovação no controle vetorial, são prioridades urgentes”, acrescentou a diretora da agência da ONU.
Etienne defendeu que “nossos sistemas de saúde precisarão estar preparados para garantir que essas novas ferramentas sejam introduzidas e que seus benefícios atinjam todos, e não apenas alguns”.
No artigo, a chefe da OPAS descreveu a resposta da agência da ONU, que coordenou mais de 80 missões de especialistas em 30 países com neurologistas, neonatologistas, obstetras, epidemiologistas, virologistas e especialistas em pesquisa e organização de serviços de saúde. A capacitação e as atividades abarcaram a gestão clínica, o diagnóstico laboratorial, a comunicação de riscos e o controle vetorial.
Etienne lembrou ainda que foram os “astutos trabalhadores de saúde da linha de frente foram os primeiros a perceber que estavam detectando algo incomum” na região Nordeste do Brasil, com aumentos nos transtornos neurológicos, como a Síndrome de Guillain-Barré, e no número de ocorrências de microcefalia.
Acesse o artigo “Vírus zika nas Américas: uma tempestade que se aproxima” clicando aqui.

Brasil e ONU liberam US$ 20 milhões em investimentos em saúde para o Haiti

Em viagem ao Haiti na semana passada, autoridades da ONU e do Brasil firmaram com o governo do país caribenho um acordo para a liberação de 20 milhões de dólares em investimentos no sistema de saúde haitiano. Verba é do Fundo de Reconstrução do Haiti (FRH), que recebeu, em 2010, 55 milhões de dólares do Brasil — o maior contribuinte do instrumento financeiro.

Em viagem ao Haiti na semana passada, autoridades da ONU e do Brasil firmaram com o governo do país caribenho um acordo para a liberação de 20 milhões de dólares em investimentos no sistema de saúde haitiano. Verba é do Fundo de Reconstrução do Haiti (FRH), que recebeu, em 2010, 55 milhões de dólares do Brasil — o maior contribuinte do instrumento financeiro.
A liberação do montante foi formalizada pelo ministro da Saúde brasileiro, Ricardo Barros, e pelo representante-residente do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, Niky Fabiancic. Logo após a assinatura do instrumento de cooperação, o chefe da pasta federal fez a entrega simbólica de 15 mil doses da vacina antirrábica humana para o Haiti.
A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) arcou com o transporte da carga, que chegou ao país na quarta-feira (21). A doação foi feita em função do crescente número de casos de raiva no país. Segundo o organismo regional, já foram confirmadas três mortes pela doença em 2017.
Barros e Fabiancic participaram ainda na sexta-feira (23), em Porto Príncipe, de cerimônia que oficializou a nomeação do Hospital Comunitário de Referência Dra. Zilda Arns. O centro de tratamento é uma das três unidades de saúde construídas pelo Brasil no país caribenho.
O hospital foi entregue ao governo haitiano em 2014 e atende mais de 200 pessoas por dia em especialidades como ortopedia, ginecologia, obstetrícia e pediatria, além de clínica geral. A unidade, localizada no bairro de Bon Repos, passa a levar o nome da médica brasileira que morreu vítima do terremoto na capital haitiana em 2010.
Acompanhado do ministro do Desenvolvimento Social do Brasil, Osmar Terra, Barros também se reuniu com o primeiro-ministro do Haiti, Jack Guy Lafontant. No encontro, cumprimentaram o chefe de governo pela aprovação do projeto que garantirá a manutenção dos hospitais construídos pelo Brasil por mais três anos.
Niky Fabiancic também visitou o Batalhão Brasileiro de Força de Paz (BRABAT), que comanda a Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (MINUSTAH) desde 2004. A missão se encerrará no próximo 15 de outubro, e o atual 26º Contingente Brasileiro no país foi efetivado em 2 de junho desse ano como a última tropa brasileira enviada ao território haitiano.

Parceria entre Brasil, Cuba e Haiti

A construção do Zilda Arns e dos outros dois hospitais faz parte do programa de Cooperação Tripartite Brasil-Cuba-Haiti. O PNUD tem participação direta nos projetos da parceria, que já investiu 135 milhões de reais na saúde do país caribenho. Dinheiro foi utilizado também na criação de laboratórios e oficinas de órteses e próteses, além de contribuir para a formação de recursos humanos.
Dois laboratórios de vigilância epidemiológica foram reformados e equipados em Cabo Haitiano e Les Cayes. As unidades realizam os principais exames necessários à identificação de doenças como malária, dengue, tuberculose, hanseníase e cólera. Trabalho dos profissionais de saúde também envolve o controle de vetores e insetos.
No campo da prevenção, a cooperação doou cerca de 8 milhões de doses de vacina — contra sarampo, rubéola e poliomielite — para serem usadas nas campanhas de imunização. O Brasil financiou 11% do orçamento necessário ao Programa Ampliado de Vacinação do Haiti para a campanha de 2012. A parceria entre as três nações também garantiu a construção de três depósitos para o armazenamento de vacinas, inaugurados em fevereiro de 2017.
Ações incluíram ainda a formação de cerca de 1,6 mil profissionais de saúde, sendo 1.237 agentes comunitários, 53 inspetores sanitários e 310 auxiliares de enfermagem.

#MUITO IMPORTANTE!!!

Mudança na lei dos planos de saúde pode prejudicar usuários

Júlia Lewgoy - EXAME.COM

Uma proposta de mudança na lei dos planos de saúde, de 1998, pode ser apresentada em menos de um mês na Câmara dos Deputados e afetar a vida de 47,6 milhões de usuários.
Criticada por entidades de defesa do consumidor, a reforma pode liberar o livre reajuste dos planos individuais e acabar com o rol mínimo de coberturas obrigatórias, entre outras alterações importantes. A proposta tramita em regime de urgência no Congresso, por meio de uma comissão especial, que pretende reunir as mudanças sugeridas por 140 projetos de lei desde 2006.
Nesta semana, 14 entidades —entre elas o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e a Comissão de Defesa do Consumidor da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) divulgaram um manifesto em que denunciam que a reforma atende aos interesses das operadoras.
A nota ressalta que uma das alterações pode proibir a aplicação do Código de Defesa do Consumidor nos contratos de planos de saúde. Isso significa que as decisões judiciais em ações contra planos de saúde não poderiam mais se basear no Código.
“Hoje, os contratos de planos de saúde estabelecem relações de consumo e o Código de Defesa do Consumidor protege a parte mais fraca dessa relação”, explica a advogada Ana Carolina Navarrete, pesquisadora em saúde do Idec.
Atualmente, a maioria das decisões judiciais é favorável a consumidores. Segundo um estudo da Faculdade de Medicina da USP, as ações contra planos de saúde na Justiça de São Paulo aumentaram 631% entre 2011 e 2016. O principal problema que vai parar na Justiça é a negativa de atendimento e a exclusão de coberturas.

Outras mudanças

A mudança na lei dos planos de saúde também pode autorizar a venda dos chamados planos “populares ou “acessíveis”. Segundo entidades de defesa do consumidor, esses planos teriam imensas restrições de coberturas.
A reforma também pode acabar com o ressarcimento ao SUS, que, segundo a lei de 1998, deve ser feito toda vez que um cliente de plano de saúde é atendido na rede pública.
O manifesto em defesa dos usuários alerta que a alteração da lei está sendo feita “a toque de caixa” e que “é crescente a insatisfação de brasileiros que usam planos de saúde, devido a exclusões de cobertura, barreiras de acesso para idosos e doentes crônicos, reajustes proibitivos, rescisões unilaterais de contratos, demora no atendimento e problemas na relação entre operadoras e prestadores de serviços”.
“A atual lei de planos de saúde tem muitas lacunas e brechas que favorecem o mercado. Ela precisa de mudanças, mas não essas que estão sendo discutidas”, ressalta a advogada do Idec. [...]

sábado, 24 de junho de 2017

Crônica do fim de semana!!!

SER, NÃO SER E TODAS AS NOSSAS REVOLUÇÕES



Por Alessandra Leles Rocha



Já alcançamos a 4ª Revolução Industrial 1, mas não a liberdade existencial que reside na satisfação dos pequenos e mais simples gestos, na paz, nas gotas de felicidade que salpicam sobre nosso amanhecer e anoitecer.
Os avanços, as transformações, de fato atingiram diretamente o nosso modo de ser, pensar e agir; mas, não o suficiente para alcançar aquilo que vai além dos meandros do inconsciente e das emoções. Ao contrário do que tentam fazê-lo acreditar, o incômodo não está no outro, está em você mesmo.
Vejamos, por exemplo, a obsessão de milhares de pessoas em transformar a própria vida em reality show. Quem é pleno de si, vive sereno diante dos altos e baixos do cotidiano, encara a vida de peito aberto, surfando as ondas que o dia aprouver, não sofre a fissura de precisar expor a intimidade, como uma banca de frutas na feira, não é mesmo?
As redes sociais estão cheias de histórias nada reais, retocadas de acessórios fictícios, para vender uma felicidade, que nem os melhores comerciais de margarina conseguiriam. Enquanto transbordam seus excessos de sucesso, de riqueza, de luxo e afins, esses seres humanos (porque embora não pareçam, continuam sendo humanos) transitam entre o autoconvencimento e a competição com os outros.
Na mesma proporção que colecionam cartões de crédito, sua autoafirmação social se exibe ainda mais através da internet, onde são fieis frequentadores. Nesse mundo de ostentação e glória se dividem entre alimentarem a curiosidade alheia e bisbilhotarem o restante. O que antes fazia parte do universo das personalidades de revistas de fofocas, agora é parte do cotidiano do cidadão comum, nada glamoroso.
Enquanto se esquece de SER, a humanidade só se preocupa em TER. Em longo prazo uma frustração generalizada toma de assalto o bem estar e a autoestima dos indivíduos, de modo que eles passam a se agredir ou a agredir os demais. A necessidade em ser o “top trend” da vez, ou bater os recordes de “curtidas”, ou verificar a inveja despertada através dos comentários de seus posts, são alguns dos sinais visíveis de uma patologia comportamental que se instalou na sociedade moderna.
Recordando o trabalho do sociólogo polonês, Zygmunt Bauman, sobre a Identidade no Mundo Globalizado, a ansiedade e a audácia, o medo e a coragem, o desespero e a esperança nascem juntos, mas é a proporção na qual elas se misturam é que depende dos recursos de posse de cada um; e a modernidade é especialista em transformar uma coisa em outra e essa capacidade presente nos seres humanos os fez compreender que poderiam “realizar sem limites”, de acordo com a própria vontade.
Assim, Bauman coloca a individualização na transformação da identidade humana a partir do que é ‘dado’ em uma ‘tarefa’, ou seja, a modernidade substitui a determinação de um padrão social por uma autodeterminação compulsiva e obrigatória. Para ele, o problema da identidade para homens e mulheres não é tanto como obter as identidades de suas escolhas, mas com tê-las reconhecidas pelas pessoas ao redor; então, como fazer a melhor escolha? Cria-se um círculo vicioso. Há uma dificuldade do ser humano em resistir à tamanha tentação, que ao mesmo tempo em que aparenta a conquista de poder e triunfo, gera frustração, medo e ansiedade.
Enquanto o ser humano se deixa engolir pela própria criação, preocupado exacerbadamente com a imagem a qual o mundo faz dele e a dele em relação ao mundo, a vida é dilapidada. Pessoas estão morrendo. O planeta está se esfacelando. As relações humanas estão se deteriorando. As riquezas estão se perdendo... Compramos a ideia da Revolução Industrial sem ler as letras miúdas do rodapé. Resistir aos apelos dessa realidade é, portanto, o grande desafio. Como escreveu William Shakespeare, no Ato III, Cena I, de Hamlet:
Ser ou não ser, eis a questão: será mais nobre
Em nosso espírito sofrer pedras e flechas
Com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja,
Ou insurgir-nos contra um mar de provocações
E em luta pôr-lhes fim? Morrer... Dormir: não mais.
Dizer que rematamos com um sono a angústia
E as mil pelejas naturais-herança do homem:
Morrer para dormir... é uma consumação
Que bem merece e desejamos com fervor.
Dormir... Talvez sonhar: eis onde surge o obstáculo:
Pois quando livres do tumulto da existência,
No repouso da morte o sonho que tenhamos
Devem fazer-nos hesitar: eis a suspeita
Que impõe tão longa vida aos nossos infortúnios.
Quem sofreria os relhos e a irrisão do mundo,
O agravo do opressor, a afronta do orgulhoso,
Toda a lancinação do mal prezado amor,
A insolência oficial, as dilações da lei,
Os doestos que dos nulos têm de suportar
O mérito paciente, quem o sofreria,
Quando alcançasse a mais perfeita quitação
Com a ponta de um punhal? Quem levaria fardos,
Gemendo e suando sob a vida fatigante,
Se o receio de alguma coisa após a morte,
–Essa região desconhecida cujas raias
Jamais viajante algum atravessou de volta –
Não nos pusesse a voar para outros, não sabidos?
O pensamento assim nos acovarda, e assim
É que se cobre a tez normal da decisão
Com o tom pálido e enfermo da melancolia;
E desde que nos prendam tais cogitações,
Empresas de alto escopo e que bem alto planam
Desviam-se de rumo e cessam até mesmo
De se chamar ação.[...]2
Voltar a olhar para dentro de si, estabelecendo os próprios limites e escolhas, é sempre a ruptura necessária para quem pretende sobreviver as grandes metamorfoses do mundo. Isso serve para príncipes e plebeus.




1 Uma revolução industrial é caracterizada por mudanças abruptas e radicais, motivadas pela incorporação de tecnologias, tendo desdobramentos nos âmbitos econômico, social e político. Há um consenso sobre a ocorrência de três revoluções industriais. A primeira deu-se entre 1760 e 1840, movida por tecnologias como máquinas a vapor e linhas férreas. A segunda deu-se entre o final do século XIX e início do século XX, tendo como principais inovações a eletricidade, a linha de montagem e a difusão da produção em massa. A terceira, que se iniciou na década de 1960, rompeu com paradigmas por meio do desenvolvimento de semicondutores e tecnologias como mainframes, computadores pessoais e, mais tarde, nos anos 1990, a internet. Porém, com um grande desenvolvimento e difusão de algumas das tecnologias da terceira revolução industrial, assim como o advento e incorporação de outras tecnologias, autores têm sugerido que, no começo do século XXI, teríamos dado início a uma quarta revolução industrial. (TADEU; SANTOS, 2016, p.2) Disponível em: https://www.fdc.org.br/professoresepesquisa/nucleos/Documents/inovacao/digitalizacao/boletim_digitalizacao_fevereiro2016.pdf
2 Tradução de SILVA RAMOS, P. E. da. Hamlet Editora Abril, 1976.