terça-feira, 28 de abril de 2026

Tá chegando a hora ...


Tá chegando a hora ...

 

Por Alessandra Leles Rocha

 

Vira daqui. Mexe dali. E os veículos de imprensa ligados ao espectro político-partidário de Direita decidiram colocar seus dedos em riste para dizer que o poder de compra do brasileiro diminuiu, que sobra mês e falta salário para milhares de cidadãos, ... Acontece que no meio desse mar de lamentações oportunistas, eis que, hoje, emergiu a notícia de que milhares de trabalhadores deixarão de receber o abono salarial (PIS/Pasep) em 2026.

O motivo é que o Congresso Nacional aprovou, via Emenda Constitucional 135/2024, novas regras para esse abono salarial, de modo que o limite de renda para o benefício, antes atrelado a dois salários-mínimos, passa a ser corrigido apenas pela inflação, restringindo o acesso e excluindo cerca de 4,5 milhões de trabalhadores até 2030. E como é de conhecimento público, o espectro político-partidário de Direita domina a maioria das cadeiras na Câmara dos Deputados, na gestão que se encerra ao fim de 2026.

Por isso, a notícia da redução gradual no número de beneficiários do abono salarial PIS/Pasep não surpreende. Afinal, o espectro político-partidário de Direita, no Brasil, se coloca historicamente contra quaisquer propostas que beneficiem a grande massa da população e lhes ofereça maior dignidade cidadã.

Esses indivíduos, herdeiros (as) das elites coloniais que se aportaram nesse país, fazem oposição às políticas redistributivas, sejam elas quais forem, interpretando-as como desestabilizadoras da ordem econômica e social. Nessa perspectiva, eles (as) têm o discurso na ponta da língua em defesa da ordem e do livre mercado em detrimento da correção de oportunidades, o que significa perpetuar a exclusão dessa massa populacional, impedindo sua plena cidadania.

Traçando um pequeno panorama dessa legislatura, ou seja, entre 2023 e 2026, até o presente momento, o Congresso brasileiro, capitaneado pelo  o espectro político-partidário de Direita, aprovou medidas de impacto negativo percebidas na massa populacional, destacando-se os cortes em programas sociais/educação para financiar emendas parlamentares, a tramitação do chamado Pacote da Destruição o qual cerca de 70 propostas flexibilizaram as leis ambientais, facilitando desmatamento e ameaçando a biodiversidade, o que afeta questões socioculturais e a segurança climática geral, e o  atraso ou resistência na aprovação de pautas de interesse popular, como a revisão da escala 6x1.

E quando não estão agindo contra os interesses da grande massa populacional brasileira, eles (as) estão trabalhando. No mesmo período, estiveram organizando pautas focadas na redução da intervenção estatal, fortalecimento de pautas conservadoras e defesa de prerrogativas do Legislativo contra o Judiciário. Inclusive, na próxima quinta-feira, 30 de maio de 2026, está prevista a famigerada votação do Projeto de Lei da Anistia (PL 2858/2022) pelo Congresso Nacional, a qual busca perdoar os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023.

Devido à abrangência de seus termos, o PL 2858/2022 é nocivo à Democracia brasileira não só porque ao perdoar ações de depredação, financiamento e atos golpistas, cria-se o precedente de que a violência política, quando organizada por um grupo com capital político, não merece responsabilização, reforçando uma cultura de desrespeito às regras democráticas, como tende a gerar um efeito dominó, beneficiando outros tipos de crimes e enfraquecendo a capacidade do Estado de punir condutas graves.

Curioso, considerando que essas mesmas pessoas são favoráveis ao punitivismo judicial no Brasil, que trata de uma tendência do sistema de justiça de priorizar penas severas, o encarceramento em massa e a seletividade penal, como principal resposta à criminalidade, muitas vezes ignorando as garantias constitucionais. Acontece que o punitivismo enraizado no país está associado a uma herança escravocrata, que normalizou o castigo físico e a tortura como controle social.

Portanto, onde está a lógica, a coerência, a ética, nas ideias e nas atitudes dos legisladores brasileiros; sobretudo, aqueles ligados ao espectro político-partidário de Direita?  Talvez, alguns se lembrem da canção Esmola (1994), do Skank. Em seus versos, a verdade era dita sem rodeios: “Se o país não for pra cada um, pode estar certo, não vai ser pra nenhum”, porque sem inclusão social e justiça para todos, a estabilidade e o desenvolvimento do país tornam-se insustentáveis e inalcançáveis.

Portanto, se as mídias ligadas ao espectro político-partidário de Direita já admitem, já reconhecem, através de diferentes reportagens, que a grande massa da população brasileira é mal remunerada, ao ponto de precisar fazer jornada dupla, tripla, para driblar a precarização trabalhista no país, quais as sugestões para a plataforma eleitoral dos pretensos candidatos elas irão apresentar? Por outro lado, será que eles (as) vão abraçar essas propostas a fim de um começo para uma reparação histórica? Aguardemos a campanha eleitoral oficial para as Eleições 2026 no Brasil que começa no dia 16 de agosto.