sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

"O Brasil é o país do futuro, mas para tanto é preciso decidir que o 'futuro' é amanhã. E, como bem sabem, isto significa que as decisões difíceis têm que ser tomadas hoje". Margaret Thatcher

Um peso e um milhão de medidas



Por Alessandra Leles Rocha



Essa é a melhor tradução para a capacidade intrínseca do brasileiro em flexibilizar as questões da vida. Das menores as maiores decisões a serem tomadas, o instinto de resolver segundo a ótica do próprio umbigo é sempre tentador e nunca termina de maneira satisfatória e ética.
Um exemplo simples e clássico disso é a bancarrota que o Brasil experimenta na última década, quando chegamos ao fundo do poço no trato da coisa pública, ou melhor, do dinheiro público. A má gestão que sempre permeou a história nacional, desde os tempos coloniais, insiste em ditar os rumos da nossa nau em tempos difíceis e ariscos.
Não sei se por opção ou por alienação, mas os ares de espanto que alguns fazem diante dos acontecimentos exibidos na mídia é vergonhoso. Afinal de contas, de tão requentados os fatos e as notícias não dá mais para chocar ninguém. Vivemos os mesmos dos mesmos há séculos, apenas perpetuando promessas e indignações vãs.
Tudo, todas as nossas mazelas são fruto do mau emprego dos recursos públicos. Sim, porque o dinheiro existe em profusão, basta ver as cifras da corrupção nacional em todos os seus veios federativos. O ponto crítico está no fato dele, simplesmente, não alcançar nunca o seu objetivo constitucional de sanar as demandas da população.
A indústria da seca1 que rendeu votos durante décadas na região nordeste brasileira é um exemplo típico.  Mas, na verdade, a ideia de quem detém o poder é mesmo não resolver nenhum problema e a cada pleito eleitoral prometer solução, enquanto os recursos destinados se esvaem para longe do cidadão contribuinte nos anos de governança. Talvez essa seja a maior de todas as “regras de ouro” 2 do nosso país, ou seja, entra ano e sai ano e “tudo como dantes no quartel de Abrantes”.
Mas a repetição indiscriminada dessa práxis, de repente fez iluminar com mais nitidez o que parecia de certa forma encoberto, ou seja, as péssimas condições de vida para uns em detrimento de outros. A chamada “Constituição Cidadã” 3 que completa essa ano três décadas da sua promulgação não tem muito que comemorar na prática, já que a realidade de todos os dias aponta um abismo que se agiganta entre os membros da nação.
Enquanto as contas públicas não fecham por razões “obscuras”, a do cidadão comum é pelo desemprego4, pelos baixos salários 5, pela necessidade de suprir os direitos sociais previstos em lei (mas, não de fato). O curioso é pensar que as diferentes esferas de governo gastam aquilo que não produzem, ao contrário do cidadão. Mas, é esse sujeito invisibilizado, maltratado, sugado é quem precisa custear a própria sobrevivência e a dos outros, seus “dignos representantes”.
 E não bastasse tudo isso, nossos gestores públicos não se constrangem em abusar de uma criatividade de administração bizarra que contradiz quaisquer iniciativas de retomada da ética e do equilíbrio econômico do país. Os privilégios das “cortes” permanecem intocados para que os cortes aconteçam na base da pirâmide, mesmo que para isso seja necessário alterar a regra que proíbe ao governo realizar operações de crédito (empréstimos) para pagar despesas correntes ou de custeio da máquina pública.  
Bom, se o governo federal consegue mudar às regras do jogo; então, abrem-se precedentes sem limites para todos os demais entes da federação. Aí, a crise a qual vivem vários estados brasileiros - com salários atrasados, privatização de empresas, venda de imóveis,... – se aprofundaria ainda mais.
Já dizia Winston Churchill, “Não adianta dizer: ‘Estamos fazendo o melhor que podemos’. Temos que conseguir o que quer que seja necessário”. E isso, meus caros, significa hombridade para assumir os erros e promover os ajustes necessários com firmeza e dignidade. Não se cura uma doença com placebos!   

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