sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Reflexão!!!


Liberdade: o peso do relativismo!


Por Alessandra Leles Rocha


Liberdade. Definida, enquanto palavra, no dicionário 1; estabelecida como direito na Declaração Universal dos Direitos Humanos 2; expressa intimamente no exercício da condição humana. Ser humano é ser livre; estar não nos é suficiente! A liberdade nos regula o oxigênio que percorre o corpo, a velocidade dos pensamentos e ideias oriundos do cérebro em milhões de reações químicas, a dimensão das emoções e dos sentimentos sobre a carcaça. Mas, apesar de tudo, ser livre é ainda um projeto ambicioso e sem a certeza plena de ser alcançado!
Em todos os séculos da história humana, lá está ela no centro das discussões! Isso porque não se consegue consolidá-la em plenitude. As relações humanas e sociais quase sempre esbarram nas individualidades; aí, a liberdade se vê em confronto com outros ideais e necessidades. Além disso, faz-se fundamental o exercício do bom senso, da lucidez e do discernimento para não macular e nem distorcer a grandeza de ser livre. Mas, com tantas voltas e reviravoltas no mundo, a liberdade anda bastante arranhada. Há muita gente por aí, acreditando que pode agir a revelia de todos os protocolos, normas, diretrizes e legislações sociais, porque são livres.  De fato, a liberdade nos coloca a mesa diversas opções: certo ou errado, bem ou mal, cuidar ou destruir,... mas, para cada escolha ela também nos cobra um preço, o qual não se costuma pagar individualmente, mas em coletivo.
O levante de ódio religioso que se abateu nos últimos dias no Oriente Médio, em decorrência da divulgação de um “filme” produzido nos Estados Unidos que satiriza o profeta Maomé 3, expõe claramente o tênue “limite” da liberdade. A questão a ser analisada é: se cada individuo é livre para professar a sua fé, por que razão transformá-la em elemento de discórdia, intolerância, ou arma de propagação da violência? Independente de qual seja a escolha religiosa, o desrespeito aos símbolos, ritos e preceitos sagrados da fé é inadmissível. A crença envolve questões extremamente complexas, as quais no caso específico do Islamismo estabelecem laços diretos com o poder político: Religião e Estado se orientam a partir de uma mesma diretriz. O pior é que, não bastasse esse episódio, na França 4 uma revista publicou uma charge também ofensiva ao islã e na Alemanha 5 uma  outra  pretende publicar, colocando os respectivos países em risco de represálias. Parece que a grave crise econômica que se abateu pelo mundo, sobretudo os Estados Unidos e vários países do continente Europeu, não é suficiente para desestabilizar o equilíbrio; é preciso fomentar cada vez mais as turbulências e envolver discussões de foro totalmente individual, como a religião e a fé. Por outro lado, os excessos e desrespeitos praticados não outorgam aos muçulmanos o direito de respondê-los com tamanha fúria extremista. Assim, a sobreposição das divergências rompe quaisquer possibilidades de manutenção da liberdade de ambos.
É! A liberdade vive seu maior conflito de identidade: o descontrole dos egos. Ninguém quer ouvir, ver ou falar em prol do consenso e da harmonia; o destempero ocupou o território. Não é compreensível que pessoas se arvorem da própria liberdade para interferir na liberdade alheia dessa forma! Onde está a racionalidade? O que ganham com essas atitudes? Será esse abuso o grande mal da humanidade? Assim, não é mesmo à toa que a liberdade se registre na maioria das mentes como um sonho distante e inatingível, conceito em forma de poesia, palavra que por desinteresse ou negligência permitimos acabar presa ao papel. A continuar nessa toada, não nos espantemos se um dia, muito em breve, o peso do relativismo a faça cair de fato em total inexistência.  



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