sábado, 13 de outubro de 2018

15 de outubro - Dia do Professor / "Se não fosse imperador, desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais nobre que a de dirigir as inteligências jovens e preparar os homens do futuro". D. Pedro II


Por Alessandra Leles Rocha



Por mais clichê que possa parecer, a verdade é que tudo passa pela Educação. Não só a Educação que fornece valores e princípios ao ser humano, aquela oriunda da família; mas, a Educação que transforma o ser humano em cidadão, que lhe provém os conhecimentos de mundo, aquela que se recebe dos professores na escola.
E só refletindo sobre isso com muita seriedade e compromisso é que se consegue dimensionar a importância do professor na sociedade. Essa figura tão significativa e que foi sendo traída ao longo da história por sucessivas ações de desqualificação e desrespeito.
Mais do que o dom de ensinar, esses profissionais se dedicam a aprimorar seus conhecimentos em longos anos de estudo, para que dessa forma tenham condições de entrar em uma sala de aula e compartilhar tudo aquilo que aprenderam. E se “tempo é dinheiro”, imaginem só quanto foi investido de tempo e de dinheiro nessa empreitada!
Sem contar, que muito além das técnicas e teorias, a prática cotidiana da docência vem impingindo ao professor outras demandas de conhecimento que vão muito além da sua formação básica. Trata-se de lidar com a realidade dura e impactante, no que diz respeito ao mais profundo da desorientação social, que se reflete em alunos carentes de afeto, de atenção, de cuidados, de orientação para descobrirem o seu verdadeiro lugar no mundo.
No entanto, não deveria ser da alçada do professor lidar como agente direto de solução de questões tão complexas quanto o bullying, a violência, a depressão, os distúrbios alimentares etc.etc.etc.; mas, acaba sendo. E eles, na maioria das vezes, desdobram-se sozinhos para enfrentar esses desafios. Pena que ninguém vê. Ninguém reconhece. Ninguém valoriza.
Não é à toa que o interesse em ser professor se reduz a cada ano. É difícil pensar que alguém queira uma profissão que passe pela mais ampla desvalorização social, como é o caso da docência. Do Estado gestor aos pais e responsáveis pelos alunos, a sociedade não parece nem um pouco preocupada em promover melhorias e assegurar garantias a esses profissionais.
Os que insistem e resistem a essa enxurrada de descaso, no fim das contas acabam, sem querer, fornecendo munição ao velho e roto discurso do “sacerdócio docente”; como se o professor não fosse gente, não tivesse família, sonhos e demandas. Como se a indiferença social pudesse continuar existindo e se disseminando porque sempre haverá os que se sujeitam em nome do ideal.
A verdade é que não se trata de idealismo ou de se contentar com migalhas. Esses profissionais enxergam longe, compreendem em profundidade que a carência educacional se reflete diretamente no desemprego, amplia as filas dos programas sociais, exaspera a violência, enfim... Assim, essa limitação do poder de compra desacelera a economia, enfraquece a geração de novos empregos e a ampliação da renda, desenvolve diversos níveis de tensão social, ou seja, o perverso ciclo que vive o país.
O que fazem os persistentes professores, nas escolas Brasil afora, é buscar tornar compreensível aos alunos que eles não devem frequentar as suas aulas apenas para conseguir notas e mudar de série; mas, para adquirir o conhecimento que é exatamente o que espera deles o mundo lá fora. Ninguém os questionará as médias obtidas nessa ou naquela disciplina. Deles será posto à prova o conhecimento construído ao longo dos anos. E se não sabe, eles recorrem à fila do desemprego para ver se há alguém que saiba.
E é esse conhecimento, lapidado com a ajuda sábia e hábil dos professores, que também molda o cidadão do amanhã. Na dinâmica da significação e da ressignificação dos conteúdos é que os alunos ampliam sua criticidade, sua reflexão sobre a vida e o mundo diariamente.  Segundo Paulo Freire 1, “quando o homem compreende a sua realidade, pode levantar hipóteses sobre o desafio dessa realidade e procurar soluções. Assim, pode transformá-la e o seu trabalho pode criar um mundo próprio, seu Eu e as suas circunstâncias”.
Por isso, quando conscientes ou não menosprezamos a figura do professor acentuamos nossa arrogância e prepotência humana, como se tivéssemos nascidos prontos e aptos para os desafios da vida. Quando na verdade, por detrás de cada risco, cada símbolo, cada letra desenhada em uma folha de papel existiu a presença desse guia, desse mentor intelectual, desse cidadão a fazer jus a própria cidadania.
Como disse Rubem Alves 2, “ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais...”. Então, meus cumprimentos a todos os professores que residem além das fronteiras de nossa razão e sensibilidade.

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