terça-feira, 19 de julho de 2016

ONU: discriminação, populismo e intolerância ameaçam legado de Nelson Mandela

Em Dia Internacional dedicado à trajetória do líder sul-africano, dirigentes da ONU destacam importância do trabalho voluntário, do altruísmo e da luta por liberdade, igualdade e democracia para enfrentar desafios atuais.

Em celebração ao Dia Internacional Nelson Mandela — comemorado na segunda-feira (18) —, representantes das Nações Unidas lembraram os esforços do líder sul-africano para acabar com a intolerância e destacaram a importância do trabalho voluntário e comunitário para o cumprimento da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, recém-adotada pelos Estados-membros.
“Hoje, nós lembramos um homem de modesta dignidade e grandiosas realizações, que trabalhou incansavelmente pela paz e a dignidade humana”, elogiou o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
“Nelson Mandela deu 67 anos de sua vida para levar mudanças ao povo da África do Sul. Suas conquistas foram obtidas com grande custo pessoal para ele e sua família. Seu sacrifício serviu não apenas ao povo de sua nação, mas tornou o mundo um lugar melhor para todos, não importa onde.”
Em 2016, para marcar a data mundial, a ONU decidiu fazer um apelo a cidadãos de todas as partes do mundo: tirar 67 minutos do seu dia — equivalentes aos 67 anos de Mandela dedicados à vida pública — e use-os em atividades voltadas para ajudar aos outros e à comunidade onde moram.
“Dê aula para uma criança. Alimente quem passa fome. Limpe um local que esteja sujo ou cuide do meio ambiente. Trabalhe como voluntário no hospital ou centro comunitário”, pediu Ban.
Para o dirigente máximo das Nações Unidas, ações altruístas como essas são “os melhores tributos (que se podem prestar) a um homem extraordinário que, com sua crença firme na justiça e na igualdade humana, mostrou como uma pessoa pode fazer a diferença”.
Também por ocasião da data, o presidente da Assembleia Geral da ONU, Mogens Lykketoft, destacou que, no mundo de hoje — marcado por ameaças como terrorismo, mudanças climáticas e guerras que provocam a fuga de milhões de pessoas —, a “intolerância, a discriminação e o populismo estão ameaçando os valores pelos quais Madiba (outro nome pelo qual Mandela era conhecido) lutou tanto para levar adiante”.
O dirigente destacou que a Assembleia Geral tem se esforçado para avançar o legado de Mandela, que inclui os Padrões Mínimos das Nações Unidas para o Tratamento de Prisioneiros.
“Mas um testamento ainda maior quanto à influência de Mandela seria ver todos os líderes mundiais seguindo seu exemplo. De fato, o Dia Internacional convoca todos de nós a tomar atitudes e inspirar mudanças em todo o mundo por liberdade, justiça, democracia e direitos humanos.”
Também presente nas celebrações do dia mundial, o mensageiro da Paz das Nações Unidas e cantor e compositor norte-americano, Stevie Wonder, falou aos Estados-membros na sede da ONU em Nova York e lembrou que o líder sul-africano “estabeleceu um modelo de comportamento e existência de que o mundo precisa desesperadamente hoje”.
“Ele deu ao mundo um mapa para seguirmos a fim de conquistarmos a paz e a justiça social de forma mais eficaz. Temos que segui-lo”, enfatizou Wonder.
“Não tenham medo! Sejam a ponte! Não o muro contra a paz e o entendimento. Seja o homem ou a mulher que Nelson Mandela teria orgulho de chamar de irmão em sua luta por paz e amor.”
O cantor norte-americano terminou sua participação nas comemorações na sede da ONU com uma música em que pergunta “onde está nossa canção de amor? Não aquela para eu e você, mas uma canção para a humanidade”.

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