sexta-feira, 11 de março de 2016

É sempre bom relembrar!

Pensar...

Por Alessandra Leles Rocha

Se ele é o caminho mais curto para a felicidade, eu não posso afirmar com certeza; mas, que o voo liberto do pensamento é a mais maravilhosa sensação deste mundo, disso ninguém duvida.
A realidade que insiste em criar obstáculos, restrições, limitações ao viver, tenta colocar-nos, os bonecos de carne e osso, bem guardados em suas caixas. É! A sensação é exatamente essa: ficamos tão comprimidos, tão sem ação, tão fechados, tão, tão, tão... que é como se estivéssemos em uma caixa; guardados ali, para quem sabe um dia, ganhar o espaço merecido. Enquanto ele não chega, resta ao menos pensar.
O que seria de nós se não fosse o pensamento? Embora totalmente abstrato, intocável, é ele o único capaz de materializar os nossos desejos, as nossas aspirações, nos aproximar do divino, do mágico, do sublime. Pensar é sim, transformar a mais caótica das realidades. Pensar nos eleva à condição de olhar ao mesmo tempo para dentro de si e para o mundo em que se habita. Pensar é o mais grandioso projeto de mudança de vida, para quem faz dele a mais fantástica ferramenta de ousadia, ou o sopro de paralisia e estagnação para os que se amedrontam diante do que se esconde por detrás das nuvens no céu. Pensar às vezes dói, cansa, absorve todas as energias, exauri o corpo e a alma.
E já que coube a nós, seres humanos, esse estrondoso diferencial entre os demais animais, temos que fazê-lo pulsar, se desenvolver, ampliar as próprias fronteiras. Erra quem acredita que o pensamento só cabe no cérebro! Pensamos com ele e com todo o nosso corpo, os nossos sentidos, as nossas emoções. Pensamos na reflexão introspectiva do nosso próprio cotidiano – e pensar por si mesmo, certamente é a maior das conquistas da existência humana, a mensuração exata do nosso grau de evolução intelectual. Pensamos em coletividade, no intercâmbio das informações nas conversas tecidas nos círculos de convivência. Pensamos com a ajuda preciosa dos meios de comunicação – abrindo-se espaço ao cuidado zeloso daquilo que nos chega como verdade, porque nem sempre ela apresenta uma única face. Pensamos com a força avassaladora que exala dos livros – especialmente os bons livros, os quais guardam em si a atemporalidade da vida e reavivam a memória de uma história que se repete cíclica, como é o movimento da Terra, das marés, das estações do ano, da Lua. Assim, haverá quem pense demais, como se estivesse à beira do último segundo de vida; ou quem pense com parcimônia, apenas em ocasiões muito especiais. Haverá quem pense no essencial da vida; ou aqueles que só gastem o pensamento em frivolidades. Entretanto, não há quem jamais tenha pensado.
Por mais estreitas que tenham sido construídas nossas caixas de existir, ainda que um mísero espaço para o pensamento restou. É justamente essa fresta que havemos de alargar diariamente, mesmo diante das imposições, das arbitrariedades, que insistem em se estabelecer diante de nós. Porque sem pensar, sem dar asas à nossa “gaivota branca” 1, sucumbiremos à ausência de oxigênio vital, a loucura de um vazio irracional, a mesmice da padronização comportamental.

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1 http://pt.wikipedia.org/wiki/Fern%C3%A3o_Capelo_Gaivota

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