sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

OIT: Desemprego global projetado para aumentar em 2016 e 2017






Apesar da queda dos níveis de desemprego em algumas economias desenvolvidas, uma nova análise mostra que a crise global de empregos não deve acabar, especialmente nas economias emergentes.

A persistência de altas taxas de desemprego em todo o mundo e a vulnerabilidade crônica dos empregos em muitas economias emergentes e em desenvolvimento ainda estão afetando profundamente o mundo do trabalho, adverte um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
O número final de desemprego em 2015 é estimado em 197,1 milhões. Em 2016 está previsto um aumento de cerca de 2,3 milhões, o que levaria o número a 199,4 milhões. Já em 2017, mais 1,1 milhão de desempregados provavelmente serão adicionados ao registro global, de acordo com o relatório World Employment and Social Outlook – Trends 2016 (WESO) da OIT.
“A significativa desaceleração das economias emergentes, aliada a um declínio acentuado nos preços das commodities, está tendo um efeito dramático sobre o mundo do trabalho”, afirma o diretor-geral da OIT, Guy Ryder.
“Muitos trabalhadores e trabalhadoras estão tendo que aceitar empregos de baixa remuneração em economias emergentes e em desenvolvimento, mas também cada vez mais nos países desenvolvidos. E apesar da queda no número de desempregados em alguns países da União Europeia e nos Estados Unidos, muitas pessoas ainda estão sem emprego. Precisamos tomar medidas urgentes para aumentar o número de oportunidades de trabalho decente ou corremos o risco de intensificar as tensões sociais”, acrescenta ele.
Em 2015, o desemprego global total foi de 197,1 milhões – 27 milhões superior ao nível pré-crise de 2007.
Economias emergentes são as mais atingidas
A taxa de desemprego das economias desenvolvidas diminuiu de 7,1% em 2014 para 6,7% em 2015. Na maioria dos casos, no entanto, estas melhorias não foram suficientes para eliminar a lacuna de empregos que surgiu como resultado da crise financeira global.
Além disso, as perspectivas de emprego se enfraqueceram nas economias emergentes e em desenvolvimento, notadamente no Brasil, na China e nos países produtores de petróleo.
“O ambiente econômico instável, associado a fluxos de capital voláteis, a mercados financeiros ainda disfuncionais e à escassez de demanda global continuam a afetar as empresas e a desencorajar o investimento e a criação de empregos”, explica Raymond Torres, diretor do Departamento de Pesquisa da OIT.
“Adicionalmente, os responsáveis pela formulação de políticas precisam se concentrar em fortalecer as políticas de emprego e combater as desigualdades excessivas. Há muitas evidências de que um mercado de trabalho bem concebido e políticas sociais são essenciais para impulsionar o crescimento econômico e lidar com a crise de empregos. Quase oito anos após o início da crise global, o fortalecimento dessa abordagem em matéria de políticas é urgentemente necessário”, acrescenta Torres.
Os autores do WESO também apontam para o fato de que a qualidade do emprego continua a ser um grande desafio. Embora tenha havido uma diminuição nas taxas de pobreza, a taxa de declínio do número de trabalhadores pobres nas economias em desenvolvimento desacelerou e o emprego vulnerável ainda responde por mais de 46% do emprego total no mundo, afetando quase 1,5 bilhão de pessoas.
O emprego vulnerável é particularmente alto nos países emergentes e em desenvolvimento, atingindo entre metade e três quartos da população empregada nesses grupos de países, respectivamente, com picos no sul da Ásia (74%) e na África Subsaariana (70%).
Combatendo o emprego informal
Enquanto isso, o relatório mostra que o emprego informal – como um percentual do emprego não agrícola – é superior a 50% em metade dos países em desenvolvimento e emergentes com dados comparáveis. Em um terço desses países, o emprego informal afeta mais de 65% dos trabalhadores.
“A falta de empregos decentes leva as pessoas ao emprego informal, que é tipicamente caracterizado por baixa produtividade, baixa remuneração e falta de proteção social. Isso precisa mudar. Uma resposta urgente e determinada à altura do desafio mundial de empregos é fundamental para a implementação bem-sucedida da Agenda para o Desenvolvimento Sustentável 2030, recentemente adotada pelas Nações Unidas”, conclui Ryder.


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