quinta-feira, 10 de março de 2016

Brasil caminha para ter década perdida, afirma economista


THAIS BILENKY
DE NOVA YORK

A deterioração rápida da economia brasileira não apenas comprometeu ganhos anteriores como demandará dez anos até que o país volte a níveis pré-recessão. Será uma nova "década perdida", disse Albert Fishlow, professor emérito das universidades da Califórnia e Columbia.

"O PIB per capita do Brasil em 2020 será igual ao de 2010, então, aconteça o que acontecer, será uma década perdida. Mesmo em um cenário otimista, o crescimento geral será baixo", afirmou Fishlow, em entrevista depois de um debate no centro de estudos Council on Foreign Relations, em Nova York, nesta quarta-feira (9).

O PIB per capita é a divisão do PIB (Produto Interno Bruto) pelo número de habitantes do país. De acordo com o IBGE, o indicador encolheu em 4,6% ano passado, para R$ 28.876. Isso que significa que a média dos brasileiros ficou mais pobre em 2015 em comparação com 2014, quando também foi registrada queda de 0,8%.

O economista Alberto Ramos, do Goldman Sachs, calcula que, em três anos, a recessão provocará queda acumulada de cerca de 10% no PIB per capita.

É mais do que o registrado ao longo da chamada "década perdida" dos anos 1980 –entre 1981 e 1992, houve redução cumulativa de 7,6% no indicador, Ramos estimou. "Mostra a severidade do que está acontecendo."

Fishlow, que estuda o Brasil desde os anos 1970, defende políticas econômicas "realistas".

"É preciso que haja a aceitação de que o gasto do governo está no limite máximo. Quando você diz que vai coletar [mais impostos] 'só por dois anos', acabam sendo seis, e depois sete e oito anos, e aí é hora de ter um novo imposto. É preciso um programa enxuto que prometa às pessoas mudanças em certo período de tempo suficiente para que a mudança ocorra."

INVESTIMENTO

De acordo com Corrado Varoli, presidente da butique financeira G5 Evercore, a recuperação depende de investimentos, que, no entanto, estão em queda há dez trimestres seguidos.

Envolvidas ou não na Operação Lava Jato, as empresas privadas brasileiras "não demonstram qualquer vontade" em tomar decisões no momento, observa.

"Está claro que os investimentos precisarão vir de fora do país e, para isso, será necessário reajustar as regras. É o único jeito de o país voltar a crescer."

A pesquisadora Shannon O'Neil, doutora em governança pela Universidade Harvard, comparou o custo de um estrangeiro investir no Brasil à dificuldade de se mergulhar em uma piscina com inúmeras camadas de roupa. "Você pode nadar, mas é exaustivo. Você não vai pular na piscina e, se já estiver lá, preferirá ficar na borda."

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