segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

‘Falta de eletricidade é um obstáculo para o desenvolvimento sustentável’, afirma chefe do PNUMA


Mais de 1 bilhão de pessoas no mundo não contam com fontes de energia confiáveis. Diretor executivo do PNUMA abordou a questão no Fórum Mundial Econômico, em Davos, e sua implicação para o progresso do planeta.

Uma em cada sete pessoas do mundo carece de luz elétrica. De acordo com o Banco Mundial, mais de 1 bilhão de pessoas, a maioria na Ásia e África, não contam com eletricidade confiável. A preocupação foi levantada pelo diretor executivo do Programa da ONU para o Meio Ambiente, Achim Steiner, durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, Suíça, que aconteceu entre os dias 20 e 23 de janeiro.

“Muitos de nós vivemos em um mundo que desconhece a escuridão real. Os moradores das cidade do mundo – mais de 54% da população global, de acordo com o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU – são menos propensos a verem a luz de uma estrela do que uma luz de rua’, disse Steiner em um editorial publicado na página do Fórum.

Esta ausência cria profundos desafios para as sociedades e economias. É um impedimento para a educação, os negócios e a construção comunitária. A falta de eletricidade é um obstáculo fundamental para o desenvolvimento sustentável, afirmou.

Implicações para a saúde

Ele também abordou as implicações da falta de eletricidade para a saúde. A falta de energia limita o atendimento e prejudica a estocagem de certos remédios. Além disso, principalmente na Ásia e África, as necessidades de iluminação são supridas pela queima de querosene ou de biomassa, que produz gases nocivos e poluentes. Esses gases não apenas contribuem para o aquecimento global, mas também afetam seriamente a saúde humana.

“Tradicionalmente, temos expandido o acesso à eletricidade através da extensão de linhas e da construção de novas usinas de combustíveis fósseis para suprir a demanda”, destacou. “Em um mundo pós-Paris, onde países se comprometeram a metas de redução de gases de efeito estufa e se voltaram para um futuro sustentável, esse caminho de desenvolvimento convencional se tornará cada vez menos possível.”

“Mas onde velhos caminhos terminam, novas rotas estão sendo traçadas”, adicionou Steiner, citando o apoio de governos e o setor privado a favor do desenvolvimento de energias renováveis e o impulso à criação de tecnologias inovadoras que permitem levar a energia para áreas remotas.

Em 2014, 50% do total de investimentos na geração de eletricidade foi em renováveis. Países como o Paraguai, a Noruega e a Islândia estão virtualmente 100% abastecidos por energias renováveis, sublinhou o diretor executivo. Novos projetos na África caminham para alcançar esse objetivo.

O chefe do PNUMA lembrou que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, lançou a iniciativa Energia Sustentável Para Todos, em 2011, para avançar o alcance universal de energia e dobrar as taxas de eficiência energética e a fatia de energia renovável no mix global. A iniciativa é apoiada pela adoção das melhores práticas e soluções inovadoras entre partes interessadas e o rastreamento transparente do progresso em seus três objetivos. Dezenas de parceiros de governos, negócios e da sociedade civil estão ativamente engajados neste trabalho.

Este tipo de parceria complementa diretamente não apenas os compromissos de Paris, mas também os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) adotados pelas nações do mundo no último mês de setembro. Em particular, com o Objetivo 7 – acesso a energia confiável, sustentável e moderna para todos – nós podemos diretamente ajudar a alcançar muitos dos demais ODS, incluindo a melhoria da saúde humana, da educação e do emprego.

Leia o editorial na íntegra aqui.

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