sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Brasil...

Democracia indignada X Vandalismo ignorante - no fim todo mundo paga a conta!

 

Por Alessandra Leles Rocha

 

Não há relação social que se sustente sem diálogo, especialmente, quando se trata das relações democráticas de poder. Povo e seus representantes têm que estabelecer vias saudáveis e produtivas de comunicação, de modo em que os anseios, as demandas e os problemas sejam adequadamente resolvidos e superados. Bem, isso é o que diz a teoria e o bom senso!

Só que na prática, os representantes eleitos costumam exercer seu poder por via de mão única e, porque não dizer, do ângulo de seus próprios interesses. Então, um cabo de guerra começa a se estender entre as duas extremidades e cujo resultado não constrói nada de efetivamente producente.

No dia em que se divulgam os resultados de que a inflação em 2015 terminou em 10,67% e teve como alguns de seus principais vilões a cebola, a conta de luz, a gasolina e o tomate, não é de se espantar que a população se sinta indignada.  O retrocesso da economia nacional teve impacto direto sobre a vida de ricos e pobres e levou o país a um grau de desconfiança internacional vexatório.

Sendo o direito de ir e vir um dos mais elementares, não é à toa que a proposta de elevação das tarifas de transporte em várias cidades brasileiras se torne o estopim de manifestações. E é claro que, entre a manifestação pacífica e ordeira sempre haverá indivíduos dispostos ao tudo ou nada no extravasamento de sua raiva ou, simplesmente, infiltrados para gerar a desordem propositadamente e justificar intervenções que, mais do que conter os excessos, têm como finalidade principal ‘calar e desencorajar a voz dos justos’.

Como em junho de 2013, em São Paulo e no Rio de Janeiro na tarde de hoje aconteceram manifestações contra o novo valor das tarifas do transporte público. Em São Paulo, o início tranquilo foi brutalmente interrompido pelo descontrole de mascarados que anarquicamente começaram uma sucessão de depredações ao patrimônio público e privado no centro da cidade. Mas, no frigir dos ovos, a questão é que a falta do diálogo busca sempre o caminho das ruas ou da violência para manifestar-se.

Há mais de dois anos, o povo brasileiro decidiu ‘acordar o gigante adormecido’ dentro de si e agir em favor da democracia que lhe pertence. Cansado de promessas, de falácias, de silêncios tornou-se necessário constituir uma nova via de comunicação para o seu repúdio aos desmandos, à corrupção, à incompetência, à ineficiência, a tudo que contrapõe a ordem, o progresso e o desenvolvimento nacionais.

Causou espanto e desconforto; mas, ainda sim, não o bastante para demover seus representantes do altar de seus poderes. Mantiveram-se impávidos, como se tudo não passasse de um fugaz ‘arroubo juvenil’. O que não espanta, já que a mesma práxis aplicou-se também diante do processo do Mensalão, do escândalo da Petrobrás, da Operação Lava Jato, da Operação Zelotes e afins. Talvez, o silêncio se explique pela falta de uma resposta que de fato responda. Talvez, falte preparo e conhecimento suficientes para saber desatar o nó criado por eles mesmos. Talvez, seja difícil admitir as escolhas erradas, os caminhos tortuosos e sem saída. ...Só que esse silêncio eloquente se torna a resposta que abre precedente, sem tamanho, para que se fomentem conjecturas e indignações públicas; bem como, que conduza as reinvindicações populares a um sistema de ‘judicialização’ da democracia, onde a cada novo absurdo a população não tenha outra escolha senão recorrer às instâncias da Justiça nacional para se perceber ouvido e atendido.

 As manifestações de hoje em face do custo com transporte público são apenas a ponta do gigantesco iceberg de reinvindicações do povo brasileiro. A carestia que assola a alimentação e as tarifas públicas soma-se ao desemprego, a desaceleração da economia no tocante a produção industrial e aos serviços, ao sucateamento das instituições de saúde, a falta de perspectivas dos investidores internacionais em relação ao Brasil nos próximos anos; já que, este se inicia maculado pelo retrocesso dos anos anteriores. Por isso, as ruas tenderão a assistir novas e volumosas manifestações democráticas do povo que mantém ‘a duras penas’ as engrenagens ainda funcionando.

Diante do caos instaurado e que assola cada família brasileira, sem distinção, não há como permanecer indiferente e alienado. Há de se ter sensibilidade para compreender que a corda vai sendo esticada ao limite até que o desespero venha se manifestar na rispidez dos gestos e das palavras. Afinal, os bons ventos da bonança mudaram de rumo e deixaram nossa nau a navegar às cegas. Foram-se os anéis e ficaram os dedos. Até quando? Por enquanto... Tudo vai depender de quanto tempo será necessário para consumir o resto de riqueza que ainda é possível produzir.   


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