quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Crônica da Semana!!!


Assim como os dominós


Por Alessandra Leles Rocha


Desde que a sociedade decidiu compactuar com o “mal feito” a realidade tornou-se fora da capacidade de “digestão”. Aplaudir a contramão dos princípios éticos e morais que regem a vida em coletividade e estabelecem o peso dos direitos e deveres, dar guarida aos personagens principais da desordem compromete e muito quaisquer pretensões de uma coexistência pacífica e justa. Como disse Martin Luther King  1, “O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons”.
A partir do momento que o diálogo perdeu sua importância na mediação dos conflitos e interesses, que o bom senso passou a ser estritamente uma visão individualista e não em prol do grupo, que o “pagar para ver” transformou-se em palavra de ordem, a balança não mais encontrou seu equilíbrio e a justiça ficou soterrada pelas demandas de natureza diversas. Da capacidade autossuficiente de resolver e decidir, o ser humano de repente passou a necessitar de interlocutores para se fazer ouvir e entender.
Ora, o problema é que muitos desses “interlocutores” não cumprem seu papel com imparcialidade e lisura. Por quê? Ah! Difícil apontar uma única resposta! Mas, uma coisa é certa, esse tipo de atitude só posterga e arrasta o desgaste das situações; amplia o rol da desconfiança, da perda de credibilidade nos valores e nos princípios ordenadores da sociedade. Aí, o retrato que se apresenta é o de sempre: os justos pagando pelos pecadores.
Bem, mas os direitos existem a partir da demonstração dos fatos. Direito não é para quem quer, mas para quem tem. Na medida em que os fatos se repetem sem trégua e avançam no seu grau de impacto, a injustiça inflama os ânimos e a reflexão, ainda que tardia, se manifesta. Lembremo-nos o perigo em se abrir precedentes; de aparentes banalidades a danos irreversíveis as atitudes correm a velocidade da luz. Então, até quando aceitar o “mal feito”?
Esse modo peculiar de “tampar o sol com peneiras” e só agir mediante ao desconforto direto não demonstra inteligência. Basta por reparo que o cotidiano é cíclico e mais dia menos dia “a bola da vez” pode ser você. Afinal, quem tem por hábito transgredir as normas geralmente não escolhe o alvo; o fim é que justifica os meios.
Nas palavras de Ayn Rand 2, “quando você perceber que, para produzir, precisa obter a autorização de quem não produz nada; quando comprovar que o dinheiro flui para quem negocia não com bens, mas com favores; quando perceber que muitos ficam ricos pelo suborno e por influência, mais que pelo trabalho, e que as leis não nos protegem deles, mas, pelo contrário, são eles que estão protegidos de você; quando perceber que a corrupção é recompensada, e a honestidade se converte em auto-sacrifício; então poderá afirmar sem temor de errar, que sua sociedade está condenada”. Portanto, a indiferença não é tão inofensiva como muitos tentam fazer parecer; na verdade, ela é uma semente maléfica para encobrir todos os equívocos, todos os erros, todas as maldades, todas as atrocidades cometidas contra o planeta e, sobretudo, aos seres humanos. É preciso se posicionar, olhar para a vida acima da ótica do próprio umbigo, exercer a análise e a ponderação; afinal, ainda que não se queira admitir somos um imenso conjunto de dominós, aonde a queda de um irá inevitavelmente repercutir nos demais.


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