segunda-feira, 11 de abril de 2011

Reflexão Semanal!!!


A arte libertária de existir

Por Alessandra Leles Rocha

                De carona nas boas vibrações do astro rei, mais uma semana se inicia e com ela uma necessidade vital de mudança, de renovação, de transformação. Retirar as travas que impedem a visão límpida do mundo, que bloqueiam a boa oxigenação ao cérebro e ao coração, que limitam o corpo na plenitude de seus movimentos e linguagens,... travas que foram incorporadas ao nosso ser ou que se incorporaram em razão das conjunturas da vida.
            Sim! Conscientes ou não temos andado robotizados e alienados a uma voz de comando invisível e perdendo as maravilhosas e encantadoras oportunidades de sermos humanos. Cada vez mais escondidas e comprimidas, nossas emoções e sentimentos parecem vir à tona apenas aos apelos da claque social. Falta espontaneidade, verdade, compromisso em ser! É visível a vergonha que se tem, sobretudo, diante do que há de mais puro em nossa essência – as virtudes. Uma necessidade, estabelecida por não sei quem e nem aonde, em transparecer o máximo da fortaleza humana tem promovido essa situação: o sepultamento de nossos melhores valores e a consagração de nossos piores defeitos.
            Por mais afinado e programado que seja o ser humano, rendendo assim a comparação as mais fantásticas máquinas, ele só pode ser feliz e completo na manifestação de sua liberdade existencial. Um corpo que fala em palavras, em movimentos, em gestos e em expressões é capaz de respeitar seus próprios limites, de enfrentar os desafios, de alcançar o inimaginável da existência humana.
            É no romper de cada dia que o homem refaz seus votos para uma vida de arte; a arte libertária de existir como agente e paciente dos acontecimentos, como elo agregador do novo à evolução de sua espécie. Todos os dias se apresentam como telas em branco para dar vazão à criatividade das mais sutis ferramentas de nossa sensibilidade. Dias para extravasar a alegria, dançar incontidamente, gargalhar sem grandes motivos, contemplar a beleza do ambiente, cear com o paladar aberto a diversidade dos sabores. Dias para uma faxina completa na casa e na vida, revirando gavetas, guardando memórias, separando inutilidades. Dias para reflexão e recolhimento, para vestir tons escuros, para economizar nas palavras, para simplesmente ouvir. Dias para cumprir tarefas, para exercitar o corpo e a mente. Dias para divagar nos encantamentos inebriantes do pulsar do coração. Dias para pensar no ontem, no hoje ou no amanhã...
            Por mais reticentes, casmurros, que queiramos nos apresentar para a garantia de uma zona de conforto interminável, sem sobressaltos e inconvenientes, os dias hão de nos puxar o tapete e bater o martelo para o inusitado. Estamos sempre prontos para mais um ajuste, mais um detalhe, um algo mais; seres em constante mutação. Alterações no corpo, no comportamento, na comunicação, no vestuário, na alimentação,... no jeito de ser, de agir, de pensar; as quais sem elas perderíamos a direção e o sentido da própria existência.
            Embora o sol repita seu ciclo diariamente, nunca ele acontece da mesma forma; assim, somos nós também. Somos argila para modelar. Somos água que muda de fase. Somos vento que muda de direção. Somos tudo e nada, bem e mal, rudeza e sensibilidade, frio e calor, chuva e estio... somos a complexidade da criação, do segredo que não se revela.