Literatura infanto-juvenil: longe da ameaça de extinção!
Por Alessandra Leles Rocha
Um olhar quase unânime teima em nos fazer acreditar que a infância de hoje está a anos luz daquela de décadas atrás; sob muitos aspectos até posso concordar, mas um sopro de alegria e felicidade exala das páginas da literatura infanto-juvenil que não para de crescer em nosso país. Ufa! Que maravilha! O público leitor do futuro não está ameaçado de extinção! Ao contrário, cada vez mais cedo o ser humano estabelece seus primeiros contatos com os livros.
Muitas cores, figuras encantadoras, material a prova de água; e a literatura mergulha para fazer a festa na hora do banho dos pequeninos. Também para a felicidade infantil e já pensando nos primeiros passos escolares, há livros emborrachados na estrutura de quebra-cabeça, de tecido, texturizados, em alto relevo, que emitem sons e músicas, que ensinam formas, cores, números,... Assim, tão logo aprendem a ficar de pé, as crianças são levadas a frequentar livrarias e bibliotecas, onde encontram espaço adequado para interagir com o universo literário.
Essa convivência fantástica, que geralmente acontece nos fins de semana, feriados e períodos de férias, se complementa maravilhosamente bem com o incentivo promovido pelas atividades escolares e a presença em casa de livros, gibis, revistas, jornais. Dessa forma, o livro e o hábito da leitura passam a compor o cotidiano da grande maioria da população infantil; digo a grande maioria, porque ainda existem crianças cujo acesso a leitura fica restrito a fase escolar, em razão do contexto socioeconômico a que pertencem. Mas, mesmo assim, a realidade contemporânea da infância acena com a satisfação do amor das crianças pelos livros.
Também se engana quem pensa que os grandes clássicos da literatura infantil, como a obra de Monteiro Lobato1, por exemplo, ficaram no passado! Não, o que houve foi uma explosão de novos autores, inspirados talvez pelos desbravadores da literatura infanto-juvenil, que facilmente firmaram uma identificação de linguagem e expressão com o novo público leitor; em suma, o espaço literário se distribuiu democraticamente entre o antigo e o moderno. As crianças definem suas predileções e se fidelizam aos autores, independente da época, a ponto de lerem várias vezes um mesmo título.
Estimuladas e entusiasmadas por essa fantástica “máquina de emoções”, que é o livro, além do papel de leitoras algumas crianças se aventuram também no papel de escritoras. A infância que é o templo da imaginação e da criatividade encontrou em todos os esforços de incentivo a leitura elementos para se desenvolver e prosperar. As escolas que antes encontravam obstáculos na promoção da leitura entre os alunos, agora enfrentam o dilema de encontrar obras que sejam novidades aos alunos, já que a média de livros lidos pelas crianças e jovens se encontra de um ao mês e eles têm desenvolvido naturalmente o hábito de trocar entre os colegas e amigos.
Independente do “abracadabra”, do “pó de pirlimpimpim” 2, da “droga da obediência” 3, ou quaisquer artifícios citados pela literatura, o fato é que a alma infantil anseia pelo universo dos livros. Video games, computadores, laptops, e tantas outras parafernálias eletrônicas encantam, divertem, mas não alcançam a profundidade do pensamento infantil. Quando uma criança atinge o ápice do domínio das letras, que é aprender a ler e a escrever, ela sabe que conquistou o degrau mais importante do mundo. Quando ela pega um livro nas mãos, ela reafirma a sua conquista e expande o valor de seus domínios através da imaginação. Foi na constatação dessa verdade que a literatura infanto-juvenil se desenvolveu e disseminou as sementes que iriam encontrar nas pequenas mentes um solo fértil e acolhedor. Por isso ler uma história para uma criança antes de ela dormir é tão importante; assim como, criar o cantinho da leitura na sala de aula, recontar as historinhas através de desenhos ou outras atividades artísticas, confeccionar livros a partir do trabalho desenvolvido em uma determinada disciplina... é dessa maneira que a criança materializará para o seu futuro o beneficio da literatura na sua formação como indivíduo e cidadão.
