segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Em SP, projeto da ONU e parceiros estimula integração de refugiadas ao mercado de trabalho


Brasil tem hoje 9 mil pessoas em situação de refúgio, forçadas a abandonar seu país de origem por um fundado temor de perseguição. ACNUR, ONU Mulheres e Rede Brasileira do Pacto Global da ONU integram iniciativa ‘Empoderando refugiadas’, que busca sensibilizar a área de recursos humanos das empresas no Brasil.
A Gesplan é uma pequena empresa de assessoria contábil de São Paulo. Com apenas 30 funcionários, vem demonstrando abertura para a contratação de refugiados. Atualmente conta com três estrangeiros, ou 10% de seu quadro, sendo dois africanos – um funcionário da Nigéria e outra de Guiné-Conacri – e Hayat, uma jovem síria de 22 anos.
“Inicialmente o nome ‘refugiados’ assusta, pois é como se eles estivessem fugindo, mas vimos que era plenamente possível contratá-los. São pessoas com muita capacitação e que falam vários idiomas. Nossa empresa é pequena, imagina isso em uma multinacional?”, relata o diretor da Gesplan, Mauro de Andrade.
O depoimento de Mauro fez parte do segundo encontro do projeto “Empoderando Refugiadas”, promovido pela Rede Brasileira do Pacto Global da ONU no dia 4 de fevereiro na sede da ONG Mulheres do Brasil, em São Paulo, em parceria com a ONU Mulheres, Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Programa de Apoio para a Recolocação dos Refugiados (PARR), Caritas e Fox Time.
A proposta foi sensibilizar a área de recursos humanos das empresas para a contratação de refugiadas e refugiados no Brasil e contou também com a participação de representantes da sociedade civil organizada e poder público. Além disso, uma oficina foi promovida com refugiadas de países da África e Ásia, que puderam ter lições introdutórias de língua portuguesa e finanças pessoais.
De acordo com o assistente de Proteção do ACNUR, Vinícius Feitosa, o Brasil tem hoje 9 mil pessoas em situação de refúgio, forçadas a abandonar seu país de origem por “fundado temor de perseguição” – no jargão técnico do direito internacional –, seja por motivos de raça, religião, nacionalidade, opinião política ou participação em grupos sociais, o que caracteriza uma violação generalizada de direitos humanos.
“Diante dessa situação, eles precisam da garantia de proteção do Estado brasileiro. Portanto, ao receberem o protocolo provisório de refúgio, já conseguem ter acesso ao CPF e carteira de trabalho e podem ser contratados”, afirmou.
Coordenadora do Grupo Temático de Direitos Humanos da Rede Brasileira do Pacto Global, a assessora de Responsabilidade Social da Itaipu Binacional, Heloísa Covolan, destacou que o principal objetivo é sensibilizar as empresas sobre o impacto que a violação de direitos humanos acarreta aos negócios. “O setor privado é o grande promotor das violações. E a contratação de refugiadas e refugiados mostra sensibilidade das empresas brasileiras para uma causa nobre, que inclusive será mostrada como ‘case’ de sucesso na sede da ONU em Nova York, em março.”
Sobre a questão de gênero, a assessora da ONU Mulheres, Adriana Carvalho, lembrou dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) – adotados pelos 193 países-membros da ONU em setembro de 2015 –, sendo o ODS 5 específico para “alcançar igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas”.
Ela também convidou as empresas a assinarem os Princípios de Empoderamento das Mulheres (Women’s Empowerment Principles – WEPs), uma parceria da ONU Mulheres com o Pacto Global da ONU. Vinícius Feitosa comentou que as refugiadas – que correspondem a 30% das pessoas em situação de refúgio no Brasil – são um público mais vulnerável, uma vez que podem ser vítimas de preconceito de gênero e violência sexual.

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