sexta-feira, 31 de março de 2017

Crônica do fim de semana

Educação, Trabalho, Dignidade,...


Por Alessandra Leles Rocha



A sociedade do século XXI vive os reflexos de um “efeito enxame”, no que diz respeito aos seus modos de comunicação e disseminação das informações.  São nesses (des) caminhos ruidosos que, há pelo menos duas décadas, o clima de hostilidade ideológica vem se acirrando no Brasil e promovendo um grave prejuízo no que diz respeito a enxergar os fatos como na verdade são. Em tempos de mudanças no Ensino Médio brasileiro e a realidade do desemprego no país, vejo que é necessário romper com esses tais “ruídos” e ponderar os fatos de forma sensata e realista.
Assim, começando pela Educação, ninguém discorda que o ingresso a quaisquer níveis de ensino é direito de todos os cidadãos e não, privilégio para alguns.  Mas, ela é apenas uma etapa do processo, porque dela se conquista o trabalho, a sobrevivência, a dignidade cidadã. Portanto, escolher qual caminho seguir, para sentir-se mais amparado pelas oportunidades, é também um direito de todos; daí, a importância de termos todos os níveis de ensino bem estruturados e modernizados à realidade do país e do mundo.
No entanto, durante décadas o Brasil tem se esquivado dessa responsabilidade, como se ela não dissesse respeito ao dia a dia do cidadão, a sua autonomia em decidir o que fazer da própria vida. Ao contrário, nossos gestores tentaram de formas bastante equivocadas atenderem as demandas do mercado de trabalho; sem, contudo, alcançar os resultados esperados.  Então, ficamos à beira do caminho, repetindo e acumulando resultados pífios em todas as direções da nossa Educação. 
Enquanto isso, nos países desenvolvidos, ou com melhor expectativa de desenvolvimento, a estrutura educacional oferece há muito tempo uma educação básica, ensino Fundamental e Médio, que contemplam tanto os caminhos da formação superior (e pós-graduação) quanto da formação técnica. De forma que o cidadão, independente do seu status social, possa escolher o que lhe parece mais satisfatório. Além disso, não há nenhum discurso que venha se opor ao fato de um aluno  optar por uma formação técnica; porque essa decisão não impede ninguém de seguir adiante nos estudos e conquistar oportunamente uma formação superior.
Mas o que aconteceu por aqui foi que as duas últimas décadas foram pródigas na promoção ao acesso aos cursos universitários; ainda que, se continuasse a não pensar na garantia da qualidade e da excelência de todos os ensinos, especialmente o Fundamental e o Médio. Paralelamente a esse “descuido”, também, nos esquecemos de pensar se o mercado de trabalho poderia de fato receber todo esse novo contingente de pessoas qualificadas em nível superior e proporcionar-lhes vagas em abundância, com um salário digno e compatível aos seus longos anos de estudo e dedicação. Sim, porque quem estuda tanto almeja por um futuro melhor.
E, como diz a Lei da Oferta e da Procura, quanto mais pessoas qualificadas, menores ficam os salários. Além disso, sem contar a possibilidade de rotatividade desse contingente, a mecanização dos meios de produção conduziu inevitavelmente a uma realidade em que se torna necessário um número menor de profissionais com curso superior.
Ao se observar um organograma de qualquer empresa é fácil perceber que os cargos ou funções que exigem formação universitária – diretores, coordenadores, supervisores, analistas – são os que oferecem um número reduzido de vagas; portanto, está nos níveis operacionais, aqueles que exigem ensino fundamental e médio (profissionalizante, principalmente), o grande volume de vagas disponíveis.
Frente a esse gargalo gerado, não é de se espantar a frustração de milhares de recém-diplomados. Sem trabalho, sem esperanças, o que fazer? Se tornarem pequenos empreendedores? Exercer atividades informais? Ampliar a qualificação através de cursos técnicos? Escolha difícil; sobretudo, em tempos de crise, como agora. Porque, ainda que concordassem em exercer atividades operacionais, para manterem-se de alguma forma no mercado de trabalho, muitos empregadores rejeitam a ideia por temerem eventuais ações trabalhistas dadas à incompatibilidade entre a função e o nível de qualificação do funcionário. 
E como disse o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no dia de hoje, a taxa de desemprego bateu novo recorde, ou seja, atingiu 13,2% no trimestre encerrado no mês de fevereiro. Isso significa 13,5 milhões de pessoas, homens e mulheres, em diferentes faixas etárias e graus de escolaridade, que se encontram fora do mercado de trabalho; sem contar, outros tantos que chegam a ele todos os dias, posto que o processo é dinâmico e ininterrupto. Aí fica a pergunta, e agora?
Enquanto os “ruídos”, praticamente histéricos, tentam levar a dissociação desses dois problemas para um campo meramente filosófico, a população brasileira padece sem uma solução clara para os seus problemas práticos. A fragilidade de nosso sistema educacional, no frigir dos ovos, só faz crescer uma legião de inaptos a sua cidadania e subservientes as migalhas que lhes são entregues dentro e fora dos muros da escola.
Reformas que não se sabe por onde começar e aonde se quer chegar, discutidas em âmbito restrito, sinceramente, não podem se intitular reformas, porque não geram mudanças reais e positivas, na medida em que não deram voz e vez aos principais interessados. Além disso, seus ares de remendo se reafirmam na contradição explícita do discurso com uma economia em franca crise e recessão, que impõe severos cortes e restrições, visivelmente, inibidores de um eventual sucesso educacional.
Por outro lado, o mercado de trabalho, no momento atual pouco disponível a oferta de vagas por causa, também, da realidade econômica, ainda clama a carência de um perfil de trabalhadores que realmente lhe satisfaça. Algo que parece longe de ser alcançado; pois, nem mesmo, a enxurrada de “novos diplomados” conseguiu exibir a garantia da qualidade e da excelência.
Portanto, paremos de ler a vida através da superficialidade de suas manchetes e demos mais atenção ao conteúdo que se estampa nas linhas e entrelinhas dos discursos de gregos e troianos; pois, quem fica em cima do muro, uma hora há de cair para algum lado.  Precisamos ter, ao menos, bons argumentos para justificar nossas escolhas, reflexões e atitudes.  

quarta-feira, 29 de março de 2017

Para pensar...

A história do lápis

O menino olhava a avó escrevendo uma carta. A certa altura, perguntou:
– Você está escrevendo uma história que aconteceu conosco? E por acaso, é uma história sobre mim?
A avó parou a carta, sorriu, e comentou com o neto:
– Estou escrevendo sobre você, é verdade. Entretanto, mais importante do que as palavras, é o lápis que estou usando. Gostaria que você fosse como ele, quando crescesse.
O menino olhou para o lápis, intrigado, e não viu nada de especial.
– Mas ele é igual a todos os lápis que vi em minha vida!
– Tudo depende do modo como você olha as coisas. Há cinco qualidades nele que, se você conseguir mantê-las, será sempre uma pessoa em paz com o mundo”.
“Primeira qualidade: você pode fazer grandes coisas, mas não deve esquecer nunca que existe uma Mão que guia seus passos. Esta mão nós chamamos de Deus, e Ele deve sempre conduzi-lo em direção à Sua vontade”.
“Segunda qualidade: de vez em quando eu preciso parar o que estou escrevendo, e usar o apontador. Isso faz com que o lápis sofra um pouco, mas no final, ele está mais afiado. Portanto, saiba suportar algumas dores, porque elas o farão ser uma pessoa melhor.”
“Terceira qualidade: o lápis sempre permite que usemos uma borracha para apagar aquilo que estava errado. Entenda que corrigir uma coisa que fizemos não é necessariamente algo mau, mas algo importante para nos manter no caminho da justiça”.
“Quarta qualidade: o que realmente importa no lápis não é a madeira ou sua forma exterior, mas o grafite que está dentro. Portanto, sempre cuide daquilo que acontece dentro de você.”
“Finalmente, a quinta qualidade do lápis: ele sempre deixa uma marca. Da mesma maneira, saiba que tudo que você fizer na vida irá deixar traços, e procure ser consciente de cada ação”.

PEC da Terceirização

PEC da Terceirização pode diminuir o desemprego

Proposta de terceirização aprovada pela Câmara dos Deputados tende a ter efeito benéfico ao longo do tempo

Sobre a regulamentação da terceirização nas empresas, o efeito pode ser benéfico ao longo do tempo. O mercado de trabalho brasileiro é muito regulado, engessado, o que aumenta o custo das empresas e afeta a competitividade brasileira no exterior, refletindo no preço dos produtos. Em restaurantes, por exemplo, há picos de demanda pelo serviço e são necessárias mais pessoas para atender o público, e nesses casos a terceirização pode dar flexibilidade, pois seria oneroso contratar pessoas por jornada integral com base nos picos de demanda. Isso dinamiza o mercado de trabalho, diminui custos e acaba beneficiando o consumidor. Num primeiro momento, pode haver uma precarização do mercado de trabalho, mas a ampliação da terceirização pode trazer novas oportunidades  para quem está desempregado. 
Ouça em http://jornal.usp.br/radio-usp/pec-da-terceirizacao-pode-diminuir-o-desemprego/, na íntegra, o comentário do professor Luciano Nakabashi.

Conheça os eventos culturais acessíveis para você, seus filhos e seus amigos curtirem muito na cidade de SP!


A exposição “Trajetória Artística” traz obras de artistas com deficiência intelectual em uma comemoração aos 10 anos do Instituto Olga Kos, que também organizou a mostra.
Data: até 31 de março de 2017, de segunda a sexta-feira, das 10h às 17h
Local: Memorial da Inclusão – Sede da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo
Endereço: Av. Auro Soares de Moura Andrade, 564 – Portão 10, Barra Funda – São Paulo/SP
Preço: Entrada gratuita

A peça infantil “A volta ao mundo em 80 dias” conta a história de Mr. Fog e seu fiel criado francês, que têm o desafio de dar a volta ao mundo em 80 dias. Eles só não contavam com Mr. Fix, que quer impedi-los de completar a missão.

Data: 26 de março (domingo).
Horário: 14h.
Local: SESC Santana.
Endereço: Av. Luiz Dumont Villares, 579. Jd. São Paulo.
Duração: 70 minutos.
Censura: livre.
Gratuito para crianças até 12 anos.
Será disponibilizado transporte da estação de metrô Parada Inglesa, com saída às 12h30, até o Sesc Santana e ao término do filme retorno para a mesma estação.
Confirmação de presença ou mais detalhes do evento no e-mail marina@vercompalavras.com.br

No dia 31 de março, a Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB) em parceria com a Fundação Dorina vão promover o encontro “2º chá da tarde” para reunir mulheres com deficiência visual. A ideia é conversar sobre questões das mulheres e, dessa forma, fortalecer as participantes contra a violência.

Data: 31 de março de 2017.
Local: Auditório da Fundação Dorina Nowill.
Endereço: rua Dr. Diogo de Faria, 558 – Vila Clementino, São Paulo
Preço: gratuito
Confirmação de presença ou mais informações no e-mail regina.lopes@fundacaodorina.org.br

O Roteiro turístico e sensorial “os sentidos do café” foi idealizado pela guia Audmara Veronese para que todas as pessoas conheçam tudo sobre a bebida mais adorada do Brasil! Participe no dia 3 de junho desse passeio e conheça a seleção dos grãos, o processo de moagem e torra, até degustar uns bons cafés gourmet no final da viagem.

Data: 3 de junho de 2017.
Ponto de encontro: Metrô Vergueiro (capital paulista).
Saída: 7h
Retorno previsto: 20h30 no Metrô Vergueiro
O que está incluso: transporte, guia de turismo, seguro viagem, lanche de bordo, taxa de visita da fazenda, Café Colonial na fazenda, almoço, sobremesa, degustação de cafés gourmet.
Valor do passeio: R$290 por pessoa
Para fazer a sua reserva, receber informações sobre formas de pagamento e todos os detalhes do passeio, por favor envie um e-mail para averonese@uol.com.br
A Fundação Dorina não se responsabiliza pelos eventos e encontros aqui apresentados. Questões sobre eles devem ser tratadas diretamente com os organizadores. A Fundação Dorina só pretende facilitar o acesso ao roteiro cultural acessível do país.

A Revista Falada chega na sua 100ª edição

A primeira revista voltada para as pessoas com deficiência visual entrou na internet em maio de 2015. Antes era distribuída apenas em CD mas agora ela alcança pessoas cegas e com baixa visão de todo o mundo.

O ano era 2007. A Fundação Dorina decidiu complementar o serviço já oferecido da Revista Veja Falada, distribuído pelos correios em CD, com breves informes sobre o mundo da deficiência visual, como dicas e prestações de serviço. A nossa surpresa foi quando os leitores começaram a ligar para a Fundação, querendo saber mais sobre o conteúdo dos informes e pedindo mais informações sobre o mundo da deficiência visual. As notícias foram ganhando cada vez mais espaço até que em 2012 tornou-se a Revista Falada, com vinhetas e editorias próprias. Nos anos seguintes, ela passaria por uma reformulação para atender melhor seu público cativo. Até que em 2015 passou pela maior de suas releituras: a Revista Falada passou a ser distribuída pela internet.

A nova plataforma deu agilidade e alcance para as matérias da publicação. Quando estava no CD, a revista precisava ser pensada com semanas de antecedência para que o conteúdo chegasse na casa dos leitores na data programada. Na internet, o tempo se tornou de alguns dias. Além disso, a revista já registrou acesso em estados brasileiros como Paraná e Amazonas, e em países como Argentina e Estados Unidos.

Nós só temos a agradecer a todos que nos acompanham nessa trajetória. Foram todos os leitores que nos fizeram chegar até a 100ª edição da Revista Falada na internet (clique aqui e ouça!). Continue a ler, refletir, debater e se empoderar! Nossos canais estão sempre abertos para te ouvir: você pode mandar um e-mail para revistafalada@fundacaodorina.org.br ou mandar uma mensagem no Whatsapp pelo número (11) 99641-1400.

Museu da Imagem e do Som em BH

O Museu da Imagem e do Som (MIS), antigo Centro de Referência Audiovisual, desenvolve uma política ampla de apoio ao universo audiovisual da cidade de Belo Horizonte, atuando em diversas frentes, da preservação à produção. Como unidade museal, tem a missão primordial de garantir o acesso aos acervos audiovisuais representativos da produção local, trabalhando na perspectiva de sua preservação, pesquisa e divulgação.
O MIS mantém quase 70 mil itens, em reservas climatizadas, com monitoramento 24 horas. Possui uma equipe multidisciplinar formada por técnicos em museologia, conservação história e cinema, que faz o tratamento de registros nos mais diferentes suportes: fílmicos, videográficos, fotográficos, fonográficos, tridimensionais e textuais. Todo esse acervo encontra-se disponível para a consulta. O MIS amplia suas ações, com variada grade de programação que inclui exposições tanto em sua sede, como em vários centros culturais da própria cidade.
A atuação do Museu da Imagem e do Som estendendo-se a outras etapas da cadeia do audiovisual, tais como a produção, a exibição e a formação. Por meio de suas ações educativas e de difusão, o MIS contribui para a formação de profissionais da área de conservação, oferecendo oficinas de preservação de acervos fílmicos, e para a formação de público, com atividades como sessões de cinema comentadas, exibições ao ar livre, palestras e seminários. Essas iniciativas atendem às mais diferentes faixas etárias, do público infantil à terceira idade, passando por pessoas em situação de rua e usuários do sistema municipal de assistência social.

Localização: Av. Álvares Cabral, 560 – Centro
Horário: segunda a sexta-feira, das 9h às 17h
Contato: mis.fmc@pbh.gov.br - Tel: (31) 3277-4773/ 6330


Oficina de Colagem: Objetos e Intenções: Domingo, 09/04 às 14:30 - Entrada Gratuita

Como entender a diversidade de peças deste museu?

A ‘Oficina de Colagem: Objetos e Intenções’ propõe entender esta casa-museu como uma grande colagem: feita de papéis, mas também de objetos, pensamentos, intenções, discursos e acidentes.
Após uma visita ao museu, haverá uma oficina de colagem, em que o público será convidado a expressar suas ideias, através de materiais diversos.
Dia: 09/04 (domingo), às 14h30.
[duração máxima: 2hrs]
Entrada gratuita (25 vagas)
Inscrições a partir das 14h na recepção da Fundação

Benny Goodman Sextet Revival: Sábado, 08/04 às 16h30 - Entrada Gratuita

O sexteto revisita clássicos memoráveis do clarinetista considerado o “rei do swing”, Benny Goodman.

Formado por Adriano de Carvalho (guitarra); Hector Galhardo (clarinete); André Juarez (vibrafone); Carlinhos Mazzoni (bateria); Rodrigo Braga (piano); e Igor Pimenta (contrabaixo), o grupo “Benny Goodman Sextet Revival” revisita clássicos memoráveis do clarinetista considerado o “rei do swing”, Benny Goodman, que fez um país inteiro dançar ao som de clássicos como Flying Home, Breakfast Feud, Soft Winds e Six Appeal.
Neste projeto, os músicos interpretam arranjos originais da banda de Goodman, por onde passaram estrelas do jazz dessa época como o vibrafonista Lionel Hampton, o pianista Teddy Wilson, o baterista Gene Krupa e o guitarrista que entraria para a história como o primeiro grande improvisador da guitarra elétrica no jazz – Charlie Christian.
Durante a apresentação, o público ainda tem a oportunidade de conhecer curiosidades que marcaram a trajetória da orquestra de Goodman, além de histórias sobre suas principais composições. Entre os clássicos estão ainda Till Tom Special, Air Mail Special, A Smo-o-oth One, entre vários outros.
Repertório:
1. Undecided – Charlie Shaver e Sid Robin
2. Flying Home – B. Goodman e Lionel Hampton
3. Bennys Buggle – B. Goodman
4. A Smoth One – B. Goodman
5. Till Tom Special – B. Goodman e Lionel Hampton
6. Temptation Reg – Henry Lodge
7. AC DC Current – B. Goodman e Lionel Hampton
8. Breakfast Feud – B. Goodman e Lionel Hampton
9. Shivers – B. Goodman e Lionel Hampton
10. Six Appeal – B. Goodman e Charlie Christian
11. Air Mail Special – B. Goodman e Charlie Christian
12. Soft Winds – B. Goodman
13. Stealin’ Apples – Fats Waller
14. Memories of You – Eubie Blake


Benny Goodman Sextet Revival
Sábado, 08/04 às 16h30
Entrada Gratuita
180 lugares por ordem de chegada.


Parceria: Fritz Dobbert

quinta-feira, 23 de março de 2017

"Quando as pessoas querem o impossível, somente os mentirosos podem satisfazê-las". Thomas Sowell

Carne fraca? Não, mente fraca.


Por Alessandra Leles Rocha



Não é de hoje que trago aos meus textos a reflexão sobre o movimento, porque não dizer, sentimento de anticidadania que rege o povo brasileiro. Infelizmente, não somos dotados daquilo que se conhece por consciência nacional ou cidadã. O ranço do colonialismo a que fomos submetidos nos impregnou de tal forma, que nossa independência foi incapaz de nos mover em direção a um novo senso identitário, capaz de arar e revolver nossas entranhas mais inconscientes e nos fazer aspirar por algo que fosse verdadeiramente nosso. Assim, burocraticamente independentes, permanecemos reprodutores ideológicos e comportamentais de terceiros. A cada hora da história, um diferente.
É por isso que não nos falta entusiasmo para festejarmos o país em assuntos de menor importância, vestidos nas cores do pavilhão nacional. Mas, quando é para dar tratos as responsabilidades nacionais, a sermos cidadãos de fato e de direito, aí a coisa muda de figura. Esquiva-se daqui e dali. Ajoelha-se e roga aos Céus pela Providência Divina, para que uma boa alma possa nos salvar das mazelas e, quiçá, de nós mesmos em relação à nossa preguiça institucionalizada em pensar, em agir de forma responsável. Velhos hábitos de subserviência da colônia!
Pois é, não nos faltava mais nada diante da pior crise que o país já enfrentou até hoje; então, a legião da anticidadania decidiu dar uma forcinha extra e pintar com cores mais fortes o caos. A OPERAÇÃO CARNE FRACA, deflagrada pela Polícia Federal, trouxe à tona uma corrupção que impacta a ética e a moral nacionais; mas, sobretudo, impõe severos riscos a ordem fiscal e sanitária brasileira. O descompromisso anticidadão de uns e outros nocauteou o mais importante pilar da economia nacional, a agropecuária, ou seja, aquele pilar que ainda nos garantia, mesmo em tempos sisudos como agora, índices econômicos importantes para a nossa balança comercial.
Sim, de vez em quando passamos por esses constrangimentos desnecessários. De vez em quando é a descoberta do leite e derivados adulterados com produtos químicos. Também, já aconteceram casos de café misturado a outros grãos durante a moagem. Recentemente, alimentos impróprios para o consumo foram apreendidos em fábrica clandestina, no Estado de Goiás 1. Enfim... O problema é que esses episódios ferem a imagem comercial do país. Se para nós, a história do “jeitinho brasileiro” soa como algo folclórico, com ares de mera traquinagem, para os outros é sinônimo de desconfiança, de irresponsabilidade, de antiprofissionalismo.
No entanto, dessa vez a “lambança” promovida pelo esquadrão anticidadão nacional ultrapassou as fronteiras de tal forma que, em menos de uma semana, o país perdeu bilhões de dólares em exportação 2. Não preciso nem dizer que isso repercutiu em demissões, por parte de alguns frigoríficos investigados; bem como, em um impasse logístico no que diz respeito à cadeia produtiva da carne (suspensão de abates, estocagem de produtos etc.) 2.
Se havia algum filho de Deus, nesse país, com dificuldades para entender o que significa o poder destruidor da CORRUPÇÃO, o exemplo agora está totalmente didático. Em nome do enriquecimento a qualquer preço e contando com uma eventual impunidade, corruptos e corruptores se aliaram para fraudar o segmento alimentício de carnes.  Não há maior ou menor corrupção; há corrupção e esta, seja direta ou indiretamente, destrói o país gradativamente.
Recentemente, quando os ventos começavam a soprar a favor de nossa economia, com a agência de classificação de risco Moody’s acenando com a perspectiva de melhora da nota de crédito do Brasil, em razão dos sinais positivos (embora, tímidos) da economia nacional, os novos casos de corrupção chegam para estragar.  Afinal, quando o assunto é a corrupção, os analistas retroagem o bom ânimo dada a volátil instabilidade que ela promove as relações econômicas 4.  Paralelamente a realidade desses indicadores, recebemos essa semana o resultado da estagnação brasileira no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) 5, da Organização das Nações Unidas (ONU), e a perda de 19 posições na análise da desigualdade social 6.
Traduzindo em miúdos, isso nos diz que estamos distantes de uma efetiva recuperação do país; sobretudo, em termos de reaquecimento e desenvolvimento das cadeias produtivas, geração de novos empregos, reativação das relações comerciais,... e dignificação humana. Portanto, a ousadia dos anticidadãos, os quais insistem na preservação dos modos de CORRUPÇÃO no Brasil, representa indiscutivelmente o maior entrave para se vencer os obstáculos dessa realidade crítica que nos assola há mais de quinhentos anos.
Apesar de tudo isso, há ainda quem considere o Brasil, o país da Felicidade, por uma observação meramente superficial da sua esfuziante alegria e afetuosidade; já pensou?! Mas, diante dos fatos presenciados, seria bom que o nosso senso de felicidade pudesse ser manifestado concretamente, segundo “uma abordagem mais inclusiva e equilibrada ao crescimento econômico que promova o desenvolvimento sustentável e o bem-estar”, como propõe a Organização das Nações Unidas (ONU) 7. Mas, para tal, só se pudéssemos de fato reescrever os princípios e pilares da nossa identidade sociocultural, sem máculas tão degradantes, como é o caso da CORRUPÇÃO. Quer saber, não é a CARNE que é FRACA, mas a MENTE; pois, como diziam os romanos, “Mens sana in corpore sano” (“Uma mente sã em um corpo são”) 8 é o único caminho para uma vida tranquila e virtuosa.  




5 O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é uma medida resumida do progresso a longo prazo em três dimensões básicas do desenvolvimento humano: renda, educação e saúde. O objetivo da criação do IDH foi o de oferecer um contraponto a outro indicador muito utilizado, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, que considera apenas a dimensão econômica do desenvolvimento. Criado por Mahbub ul Haq com a colaboração do economista indiano Amartya Sen, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 1998, o IDH pretende ser uma medida geral e sintética que, apesar de ampliar a perspectiva sobre o desenvolvimento humano, não abrange nem esgota todos os aspectos de desenvolvimento. [...] http://www.br.undp.org/content/brazil/pt/home/idh0.html

quarta-feira, 15 de março de 2017

Para ler e pensar bastante!!!

Fechado para balanço!



Por Alessandra Leles Rocha



TV Digital. Freezer. Máquina de Lavar. Secadora. Cooktop. Wi-Fi. Scanner. Laser. Acelerador Nuclear de Partículas. Ressonância Magnética... e outros tantos elementos que fazem parte do cotidiano de milhões de pessoas ao redor do mundo. Resultados de uma nova ordem de tecnologia e progresso, a qual se denominou Revolução Industrial, que chegou há aproximadamente quatrocentos anos, no contexto de uma promessa de mais tempo, eficiência, produtividade e melhor qualidade de vida. E para muitos o discurso é mesmo esse; uma rendição quase inconsciente aos apelos de um mundo que brilha e gira literalmente à velocidade da luz.
No entanto, longe de querer azedar a boa fé dessas pessoas, a realidade que nos impõe o século XXI, em meio aos discursos populistas, as milhares de propagandas enganosas bradadas aos quatro cantos e recheadas de soluções rápidas para problemas altamente complexos, os impactos da economia, nos faz viajar de volta ao passado e enxergar com outros olhos essa tal Revolução.
Lá na segunda metade do século XVIII, quando se iniciou a transição dos métodos de produção artesanal para as máquinas movidas a vapor, que o mundo selou seu futuro. A riqueza oriunda do mercantilismo de séculos anteriores fomentou a ousadia desse processo e fez surgir às bases da Economia Capitalista Moderna e, consequentemente, a Divisão Social do Trabalho, ou seja, as atribuições produtivas nas estruturas socioeconômicas, de modo que cada indivíduo (ou grupos de indivíduos) possui uma função na hierarquia social, da qual advém a sua importância (ou status) perante a sociedade. 
No entanto, a organização do trabalho nas sociedades urbanas industriais embora tenha estabelecido normas, tais como o tempo de jornada e a remuneração de acordo com a tarefa realizada, não conseguiu romper definitivamente com as sombras seculares da escravização. A indignidade que sempre tomou conta das relações de trabalho escravo permaneceu obscura nas entrelinhas dos discursos sociais, de tal modo que ao longo desses quase quatro séculos a distribuição da riqueza, entre os que produzem e os que detêm os meios de produção, tornou-se mais e mais abissal 1.
Inebriados pela farta oferta de bens e serviços a humanidade acelerou o seu ritmo de vida e de trabalho, mesmo que hoje existam leis específicas no ordenamento dos direitos e deveres laborais. E por mais que se agitem nesse ritmo frenético de busca pela ascensão e dignidade sociais, os trabalhadores se frustram diante dos ínfimos resultados conquistados.
Afinal de contas, o mundo que conheceu o advento da Revolução Industrial cresceu muito em termos de contingente populacional; portanto, a grande oferta de mão de obra impacta diretamente nos salários e na possibilidade de incremento de mais benefícios (plano de saúde, creche, auxílio alimentação etc.). Quanto mais pessoas disputando uma vaga, menor será o valor do salário pago para aquela função; sem contar, na diferença existente entre a remuneração de homens e mulheres, na qual eles ganham mais do que elas.  
Além disso, reflexo da própria industrialização, a mecanização dos meios de produção oferece a possibilidade de substituição da mão de obra convencional humana pelas máquinas. Todos os encargos trabalhistas que incidem sobre o trabalhador passam a inexistir quando a máquina assume a produção. O investimento muitas vezes é alto para adquiri-la; mas, sem ter que arcar com os encargos e a alta rentabilidade da produção, os donos dos meios de produção nem cogitam outra possibilidade.
É por isso que, de certa forma, o envelhecimento populacional, não interfere diretamente na sobrevivência da cadeia de produção; pois muitas empresas, quando aposentam seus funcionários mais antigos ou substituem por funcionários com menores salários ou buscam a mecanização. Não é à toa que a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estimou esse ano que a taxa de desemprego no mundo será de 5,8%, o que significa 3,4 milhões de novos desempregados, os quais o Brasil responderá por 35% deles 2.
Como é possível perceber, enquanto a população mundial se deixava encantar pelos feitos “incríveis” da industrialização, ela própria, na condição de trabalhador assalariado, era espoliada nos seus direitos e conquistas. A economia do mundo nunca se preocupou de fato com a qualidade de vida das pessoas, porque com máquinas e mão de obra convencional humana em franca disponibilidade seria fácil substituir.
É por isso que as discussões ao redor do planeta sobre os direitos trabalhistas e previdenciários do cidadão são sempre motivo de embates difíceis, porque o trabalhador no contexto da industrialização sempre esteve na posição de peça dentro do processo. Ele só passou a fazer parte de tudo isso porque outros tomaram decisões que instituíram esses meios de produção; portanto, ele nunca esteve na condição de ditar regras. Mesmo com a criação de Sindicatos e entidades ligadas aos direitos trabalhistas, eles pouco influenciam nas decisões finais. São quase sempre conquistas insignificantes, parceladas a perder de vista, aquém das demandas sociais impostas pela própria economia, traduzidas em salários incapazes de cumprir com a dignificação do cidadão.
O que se vive hoje no Brasil, por exemplo, em relação às questões previdenciárias é o somatório de acumulativas gestões imprevidentes, as quais somos de certo modo responsáveis por existir, com a redução do número de trabalhadores contribuindo. O gargalo gerado por essa deficiência crônica leva ao infeliz quadro de em muito pouco tempo não se poder arcar nem com os benefícios já adquiridos nem com os que virão a ser concedidos. Como consequência desse caos, as relações de trabalho precisam, então, ser repensadas imediatamente. Porque com os encargos trabalhistas mais elevados em um grupo de 25 países analisados, o que representa em média 57,56% do valor bruto do salário em tributos, enquanto a média global é 22,52% 3, o Brasil não só fomenta o desemprego como influencia o surgimento do trabalho informal, o qual além de não resguardar os direitos do trabalhador não contribui com a Previdência Social.
Desse modo, podemos dizer que milhares de desdobramentos não pensados a luz do surgimento da Revolução Industrial, agora, nos assombram dia e noite. O que chegou à revelia de nossa vontade, também nos impõe a obrigação de pensar e encontrar um modo menos indigesto de lidar com os resultados, a começar pela disposição em aceitar que as relações de trabalho precisam se adequar as conjunturas do mundo contemporâneo; sobretudo, por conta do elevado número de desempregados. Nesse contexto é importante considerar também a população jovem que ingressa todos os anos no mercado de trabalho. Em 2016, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) estimou que o índice mundial de desempregados jovens, entre 15 e 24 anos, seria de 13,1%, ou seja, um aumento de meio milhão de pessoas, em relação ao ano anterior 4.
Como se vê, a situação a enfrentar é tão complexa quanto trocar um pneu com o carro em movimento. Estamos falando de seres humanos, de dignidade, de sobrevivência, de sonhos, de esperanças; por isso, precisamos compreender sobre o que se trata esse momento e porque chegamos até ele.  Durante séculos, foi disseminado em nosso inconsciente coletivo um discurso sobre as alegrias do consumo, da industrialização, do progresso, para nos motivar a seguir as cegas em busca desse “Eldorado de Bonança e Fartura”; uma nova roupagem do velho discurso Absolutista do “pão e circo”.
Agora chegamos ao limite; pois, tudo na vida tem um limite. Toda grande empreitada pede ajustes, pede planejamento, pede controle. Chegou a hora. Temos que nos reinventar, nos redescobrir em nome da nossa sobrevivência nesse mundo cada vez mais industrializado e tecnológico. E garanto a você, leitor (a), que não será partindo do quebra-quebra, das frases de efeito, dos discursos rotos e remendados que mesmo quando estavam inteiros já não surtiram efeito algum. Se for para buscar no primitivismo que seja como foi na criação da roda, do fogo, das vestimentas de pele de animais; algo inventivo, inteligente, criativo e verdadeiramente capaz de acenar com resultados profícuos. Mesmo assim, talvez a única certeza que possamos ter é a seguinte: perdas irão sempre existir, pois a vida é feita de escolhas, de caminhos e para ganhar há de se perder alguma coisa. Ninguém tem tudo o que deseja.  




1 Os 8 bilionários que têm juntos mais dinheiro que a metade mais pobre do mundo - http://www.bbc.com/portuguese/internacional-38635398


2 Brasil responderá por 35% dos novos desempregados do mundo em 2017 - https://nacoesunidas.org/brasil-respondera-por-35-dos-novos-desempregados-do-mundo-em-2017/

segunda-feira, 13 de março de 2017

Para começar bem a semana...

Transformando Nosso Mundo: A Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável

Preâmbulo
Esta Agenda é um plano de ação para as pessoas, para o planeta e para a prosperidade. Ela também busca fortalecer a paz universal com mais liberdade. Reconhecemos que a erradicação da pobreza em todas as suas formas e dimensões, incluindo a pobreza extrema, é o maior desafio global e um requisito indispensável para o desenvolvimento sustentável.
Todos os países e todas as partes interessadas, atuando em parceria colaborativa, implementarão este plano. Estamos decididos a libertar a raça humana da tirania da pobreza e da penúria e a curar e proteger o nosso planeta. Estamos determinados a tomar as medidas ousadas e transformadoras que são urgentemente necessárias para direcionar o mundo para um caminho sustentável e resiliente. Ao embarcarmos nesta jornada coletiva, comprometemo-nos que ninguém seja deixado para trás.
Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e 169 metas que estamos anunciando hoje demonstram a escala e a ambição desta nova Agenda universal. Eles se constroem sobre o legado dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio e concluirão o que estes não conseguiram alcançar. Eles buscam concretizar os direitos humanos de todos e alcançar a igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres e meninas. Eles são integrados e indivisíveis, e equilibram as três dimensões do desenvolvimento sustentável: a econômica, a social e a ambiental.
Os Objetivos e metas estimularão a ação para os próximos 15 anos em áreas de importância crucial para a humanidade e para o planeta:
Pessoas
Estamos determinados a acabar com a pobreza e a fome, em todas as suas formas e dimensões, e garantir que todos os seres humanos possam realizar o seu potencial em dignidade e igualdade, em um ambiente saudável.
Planeta
Estamos determinados a proteger o planeta da degradação, sobretudo por meio do consumo e da produção sustentáveis, da gestão sustentável dos seus recursos naturais e tomando medidas urgentes sobre a mudança climática, para que ele possa suportar as necessidades das gerações presentes e futuras.
Prosperidade
Estamos determinados a assegurar que todos os seres humanos possam desfrutar de uma vida próspera e de plena realização pessoal, e que o progresso econômico, social e tecnológico ocorra em harmonia com a natureza.
Paz
Estamos determinados a promover sociedades pacíficas, justas e inclusivas que estão livres do medo e da violência. Não pode haver desenvolvimento sustentável sem paz e não há paz sem desenvolvimento sustentável.
Parceria
Estamos determinados a mobilizar os meios necessários para implementar esta Agenda por meio de uma Parceria Global para o Desenvolvimento Sustentável revitalizada, com base num espírito de solidariedade global reforçada, concentrada em especial nas necessidades dos mais pobres e mais vulneráveis e com a participação de todos os países, todas as partes interessadas e todas as pessoas.
Os vínculos e a natureza integrada dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são de importância crucial para assegurar que o propósito da nova Agenda seja realizado. Se realizarmos as nossas ambições em toda a extensão da Agenda, a vida de todos será profundamente melhorada e nosso mundo será transformado para melhor.

Mundo vive maior crise humanitária desde 1945, diz ONU

Mundo vive maior crise humanitária desde 1945, alerta ONU

A ONU avisou que 20 milhões de pessoas já estão na situação crítica de fome ou correm risco de entrar nela nos próximos seis meses

Reformas legislativas têm levado a retrocessos nos direitos das mulheres, alerta ONU

Reformas na legislação de diversos países, como Rússia, Bangladesh e Burundi, têm gerado retrocessos nos direitos das mulheres. A avaliação é do alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, que criticou restrições às liberdades individuais do público feminino. Dirigente elogiou mobilizações como a Marcha das Mulheres, de janeiro desse ano, e o movimento ‘Ni Una Menos’.
Saiba mais em 

Feminicídio subiu 75% nas regiões Norte e Nordeste entre 2003 e 2013, revela Banco Mundial

As regiões Norte e Nordeste do Brasil tiveram um aumento de mais de 75% na taxa de feminicídio no período de 2003 a 2013, segundo relatório divulgado na quarta-feira (8) pelo Banco Mundial.
O levantamento, publicado na ocasião do Dia Internacional das Mulheres, alertou para a marginalização persistente de mulheres afrodescendentes e indígenas no país.
As regiões Norte e Nordeste do Brasil tiveram um aumento de mais de 75% na taxa de feminicídio no período de 2003 a 2013, segundo relatório divulgado na quarta-feira (8) pelo Banco Mundial.
Na região Norte, o índice passou de 3,5 para 6,1 assassinatos a cada 100 mil mulheres. No Nordeste, saiu de 3,2 para 5,6 assassinatos, enquanto a média nacional de 2013 era de 4,8 homicídios para cada 100 mil mulheres. A região mais violenta para a população feminina continua sendo o Centro-Oeste (7,0).
O levantamento, publicado na ocasião do Dia Internacional das Mulheres, alertou para a marginalização persistente de mulheres afrodescendentes e indígenas no país.
No Nordeste, a taxa de feminicídio contra negras e pardas aumentou mais de 103% no período avaliado, chegando a 5,8 em 2013. Entre mulheres brancas vivendo na região, o índice é de 2,3, bem abaixo da média nordestina e maior que o dobro do verificado entre as afrodescendentes.
No Centro-Oeste, o padrão é semelhante. Entre a população feminina negra, o número estimado é de 8,2, frente a uma taxa de 4,0 entre as brancas.
Apenas o Sudeste registrou uma queda nos assassinatos de mulheres motivados por questões de gênero. Em 2003, o índice era de 5,4. Dez anos depois, chegou a 3,8 — valor que representa um decréscimo de quase 30%. [...]